sexta-feira, 25 de março de 2016

Capítulo 97.


No meio da madrugada, abri os olhos de repente e sorri. Era real.
- Cê tá querendo fugir de mim, maria luíza? - falou quando tentei levantar, coloquei a mão no peito e ele soltou uma risadinha rouca - Tá assustada?
- Você que me assustou, seu sem graça. - bati na perna dele - E eu não tava fugindo não tá!? Só ia pegar água.
- Ah sim.
- Te acordei?
- Não.
- Qual o motivo pro mocinho não ter dormido ainda?
- Tava pensando na gente... Fiquei tão feliz quando cê disse que me amava.
- Desculpa não ter tido coragem pra falar antes. Mas eu sempre te amei.
- E eu sempre soube disso. - selou nossos lábios - Não teria hora melhor, aquele foi O momento.
- Deixei a vergonha de lado porque te salvar era mais importante.
- Eu vi como você ficou vermelha. - rimos.
- Não me deixa nunca mais, tá? Por favor.
- Essa foi uma das maiores burradas que eu já fiz e nunca mais vou repetir. Prometo.
- Te amo. - sussurrei.
- Também te amo, demais.
- Então, me beija logo.
Fizemos amor pelo resto da madrugada, depois tomamos banho separados e lanchamos rapidinho.
Os primeiros raios de sol já apareciam.
- Te ver usando minha camisa assim não tem preço. - me deu um tapa na bunda - Cê podia ficar desde jeito o tempo todo. Quando tiver sozinha comigo, claro.
- Ah é? Tá bom. - lhe entreguei a escova de dentes - Agora cala essa boca.
- Tava com saudades disso também.
- Do que?
- Você mandando em mim. - revirei os olhos e ele riu. Terminamos de escovar os dentes e voltamos pra cama.
- Aiai. - suspirei - E agora hein?
- Agora somos dois, três, quatro. Quantos você quiser.
- Eu tô falando sério, Luan. - ri.
- Eu também, pequenininha. Cê gosta dessa música?
- Gosto.
- Lembra aquele dia que eu fui no vip e eles tavam lá?
- Que depois cê bateu aqui, dizendo que a gente ia no show deles?
- Isso, isso. Dei uma ajudinha na letra de Sosseguei e, na parte do brigadeiro, pensei em por brownie mas não ia combinar.
- Então o mocinho tava pensando em mim aquele dia?
- Qual é o dia que eu não tô pensando em você? - sorri, ele beijou minha testa - Vamo dormir? Agora eu tô cansado.
- Uhum. Boa noite, amor.
- Bom dia já. - riu - Dorme bem, pequena.

Só me permiti dormir depois que ele caiu no sono, o que não demorou.
Era umas três da tarde quando acordei, o Luan não tava na cama nem no apartamento, que eu virei de cabeça pra baixo atrás dele. Achei meu celular descarregado na mochila e assim que pegou uma carguinha, liguei pra ele.
- Fugiu, Luan Rafael?
- Não. - riu - Tô aqui na Fany.
- Ata, mas avisava né? Vem pra casa.
- Tô indo, calma.
- Eu tô calma. Vem logo.
Desliguei e fui tomar banho. Na hora que o Luan entrou no quarto, eu tava terminando de me vestir.
- Poxa, cheguei tarde. - taquei a toalha nele, que riu - Pensei que ia ter que te acordar com um beijo.
- E é? Engraçado.
- Engraçado não, pequenininha. É Encantado. - fez aqueles cumprimentos e beijou minha mão - Príncipe Encantado.
- Idiota. - falei rindo - Que que cê tava fazendo lá? Me deixou sozinha.
- Não faz esse bico, coisa linda. Eu só tava resolvendo umas coisas e não quis te acordar.
- Que coisas?
- Falei com o Leonardo e com o pessoal que cuida da chácara, tá tudo certo. A mamusca quer que você jante lá em casa hoje, seus pais também vão, aí eu já aproveito e arrumo minha mochila. Tinha uns jornalistas lá em baixo, eu falei com eles também. A barriga da Fany tá linda né? Quer ajuda pra arrumar suas coisas? - disse num fôlego só.
- É o que, Luan? Tia Arleyde vai me matar, meu Deus. - coloquei as mãos na cabeça - E a barriga da Fany mal tá aparecendo! O que foi que você disse?
- Nada demais.
- "nada demais"? Tô com medo. - riu.
- Sobre a Ana Laura eu só falei que queria que ela saísse da nossa vida e seguisse com a dela. Sem ressentimentos. Aí perguntaram de você e eu respondi "é a Malu sim, é com ela que eu tô". - me derreti num sorriso - E não precisa ter medo, eu não vou deixar a Lele brigar com você.
- Mas ela vai. Primeiro aquela confusão na igreja, depois você vai sozinho falar com a imprensa e tudo por culpa minha.
- Pode parando com isso. Nós fizemos a coisa certa. - sentamos na cama - Eles tavam incomodando os outros moradores, o Seu Valter ameaçou chamar a polícia mas eles não queriam sair. Eu tinha que fazer alguma coisa.
- Sozinho não!
- Por quê? Sou grande o suficiente pra cuidar da minha vida e resolver meus problemas sozinho! - suspiramos juntos, depois rimos - Nem vai dar nada, fica tranquila tá?
- Tá.
- Beijinho? - fez bico, ri e o beijei - Ah amor, acredita que seu irmão chamou o Vitor pra ser padrinho do bebê?
- Ué, normal. Eles são amigos. - dei de ombros - Cê vai ser tio do bebê, não é legal?
- Ser padrinho e tio ia ser mais legal, mas tudo bem. - ri.
- Bobo.
- Sabe pequenininha, se você não tivesse comigo quando a Ana disse que o Pedro não era meu, não sei se ia aguentar de pé. Eu aprendi a amar aquele serzinho.
- Ah, vida... - alisei seu rosto.
- Quando ela me mandou um áudio do coraçãozinho dele batendo, chorei na frente de todo mundo. Foi minha mãe que me contou que ela passou mal e perdeu nosso bebê. Que no fim, nem era nosso né?
Não sabia o que falar, então o abracei. Ele deitou a cabeça no meu ombro e eu fiquei fazendo carinho em seus cabelos. Graças a Deus ele não chorou, se não eu ia chorar junto.
- Ainda quer me ajudar a arrumar as coisas?
- Ajudo.
- E um sorriso pra sua pequenininha? - ele riu, depois abriu um sorriso grandão - Assim que eu gosto.
Uma mochila ia ser pouco pra passar a semana, aí tive que pegar uma mala. Luan me ajudou a escolher tudo, das blusas aos biquínis.
Depois "almocei" um cup noodles e nós dois ficamos vendo tv no sofá, até dar a hora de sair.
- Cadê suas chaves, amor?
- Chaves? De onde? - ri - Temos que ir com o Nick. Esqueceu que foi o Well que trouxe a gente e que euzinha tô sem carro?
- Eita, verdade. - fez careta - Fiquei tão preocupado...
- E por falar nisso, desculpa ter te tratado mal aquele dia e obrigada por ter ficado comigo lá no hospital. Cê cancelou sua agenda e
- Faria tudo de novo.
- Não, não faz mais isso.
- Não faz mais isso, você. Pelo amor de Deus!
- Tá. Prometo que vou ser uma menina comportada.
- Quero só ver. maria luíza. - ri.
Batemos no apê do Nick e eles já esperavam por nós. O caminho pro Alpha foi bem divertido, Luan e Nicolas juntos é gracinha pra todo lado.
Bruna quem abriu a porta pra gente, ela tava com a Hermione na mão e a Jaque com o Puff no colo, sentada no sofá.
- Ué, trocaram? - Luan perguntou rindo.
- Não, é só emprestado.
- Eu não troco minha pequena por na-da.
- Nem eu, Jaque. - beijou minha bochecha, fizeram "own" e eu ri - Cadê a mãe e o pai?
- Lá fora, com os pais da Malu.
- Ah!
- Tá se mudando pra cá, maria luíza? - apontou a mala que o Luan carregava.
- Não, irmãzinha.
- Vamos passar um tempo off, longe daqui.
- Sei.
- Bora lá em cima? Colocar isso aqui no meu quarto.
- Vamo.
Subimos e ele levou minha mala pro closet enquanto eu dava uma conferida no quarto, tava tudo igual. Ainda tem uma foto minha do lado do porta retrato da vó dele.
- Que que cê tá vendo aí?
- Tu não tirou minha foto dali?
- Não. Amo essa foto, ainda mais a modelo.
- É, tá bonita mesmo. - o abracei pelo pescoço - Eu guardei tudo que era seu, não queria ver sua cara.
- Percebi. - riu - Até me bloqueou no WhatsApp, parou de me seguir nos negócio lá. Eu vi.
- Nossa, como ele é stalker.
- Cê não sabe de nada.
- Humm. - estreitei os olhos, ele riu.
- É melhor descermos logo, ou eu não vou deixar você sair daqui tão cedo.
Dei risada da cara de safado que ele fez e nós voltamos pra sala. Todos estavam reunidos lá.
- Ó, aproveitando que tá todo mundo aqui, eu quero pedir permissão do seu Roberto pra namorar a Malu.
- De novo né? - Bruna riu, meu pai arqueou uma sobrancelha e o Luan ficou um pouco sem graça.
- É, de novo. Mas se a Malu quiser, pode ser em casamento. - sorriu pra mim.
- Casamento não, amor. Agora não, tá?
- Tá né. - beijei seu rosto.
- Se eu entendi bem, você não quer casar com ele mas fica me empurrando pra casar logo com seu irmão. É isso mesmo, maria luíza?
- Você tá grávida, Fany. É bem diferente. - ela mostrou a língua - E sim, Rafael. Eu aceito seu pedido de namoro, de novo.
- Se beijem logo, por favor. Eu quero comer. - Jaque disse, rolei os olhos.
- Antes seu pai tem que falar alguma coisa...
- Cuida dela direito ou eu te capo, não vai ter terceira chance.
- E-eu vou cuidar. - rimos dele.
- Pronto, pronto. Agora vamo jantar.
- Jaqueline, que coisa feia!
- Eu quero aquele bolo, mãe.
- Então, vão lá lavar as mãos todo mundo! - dona Marizete disse levantando.
Melhor que a comida da minha mãe, só a comida da minha mãe junto com a da Marizete.
O Amarildo comentou da folga que o Luan ia ter por causa da lua de mel, aí ele contou que nós dois vamos pra chácara.
- E tão pretendendo passar a semana toda no meio fazendo o que? Que eu saiba a Malu não gosta muito dessas coisas. - meu pai disse e o Luan quase cuspiu fora o suco que tinha acabado de beber - Calma, rapaz. Tô só brincando.
Stéfany, Bruna, Nicolas e Jaqueline riam enquanto eu dava tapinhas nas costas dele.
- Pai! Certo que eu prefiro a cidade e tal, mas com o Luan eu vou pra qualquer lugar.
- Que bom né?
- Tá morrendo de ciúme. - mamãe afirmou, fazendo todos rirem, menos ele.
- Por mais que a gente goste ou suporte o genro, é difícil de aceitar que tem outro cara no coração das nossas filhas. - seu Amarildo disse e meu pai concordou - Sorte sua que a Malu tem juízo e a Jaque ainda vai demorar pra casar, e eu que só tenho a Bruna?
- Pera. Cê falou que eu não tenho juízo, pai?
- Não foi isso que eu disse, filha.
- Mas foi isso que eu entendi, Pi. - o cabeçudo gargalhou.
- Para, garoto!
- Que tal discutir isso depois da sobremesa? - minha mãe sugeriu - Tentamos agradar todo mundo, então tem brownie, creme de abacate e bolo de chocolate.
- Ai, sogra, obrigada. Sua neta agradece. - Fany colocou a mão na barriga.
- Neto. - Jaque corrigiu.
- Como você tem tanta certeza?
- Tendo, Stéfany.
- Espero que na próxima ultra essa criança se mostre, se não eu vou ficar doido com essas duas.
- E se for menina mesmo, aí é que cê vai tá ferrado, cunhado. - rimos.
Comemos a sobremesa ainda debatendo sobre "sogro x genro", minha mãe e a dona Marizete só faziam rir.

Um pouco antes das onze da noite, minha família foi embora, depois os pais do Luan foram dormir. A Bruna ainda ficou um tempinho conversando com a gente, mas logo subiu também.
- Amor, tu quer dormir agora? Eu tô sem sono.
- Também né, acordou aquela hora.
- Cala a boca. Você acorda essa hora todo dia. - riu.
- A gente assiste um filme, pode ser?
- Pode.
Desligamos a televisão da sala e fomos pro quarto, tomei um banho quentinho junto com ele e depois o querido foi estourar pipoca enquanto eu procurava um filme.
- Já escolheu? - perguntou voltando.
- Não. Pode ser qualquer filme?
- Uhum, a senhorita tem carta branca pra escolher.
- Tá...
- Amor, olha aqui, rapidinho.
- Que foi? Ah, não acredito. - ele tava rindo, tinha tirado uma foto minha - Cê não tá pensando em postar isso né?
- Tô.
- Não, essa não.
- Por quê? Tá tão linda.
- Linda nada! Foto no susto é a treva.
- Então vem aqui, vamo tirar uma.
- Amor...
- Eu coloco dois segundinhos só. - fez biquinho.
- Tá legal.
Na foto, era mais nossos dedos entrelaçados e uma parte do rosto dele, que beijava o dorso da minha mão. Vi ele escrever "ela voltou pra gente" e em seguida publicou.
- Não foi só eu que senti sua falta, eles também. Mas eu senti mais. - ri e lhe beijei na boca.
- Entro no Twitter pra ver o que eles tão falando? - riu assentindo.
Peguei meu celular e abri o aplicativo, coloquei nossos nomes e o shipp no search e começamos a ler o que dava, porque toda hora a tela atualizava. Vi um tweet da Jaque e entrei no perfil dela, tinham tentado arrancar da garota o que rolou no casamento.

"Whatever o que aconteceu, nem eu sei! O que me importa de verdade é que eles estao juntos and felizes."

- Vamo retweetar?
- Eu queria, mas acho melhor não.
- Cê que sabe. - riu.

"Os dois vao sumir but nao se preocupem, vou mante-las atualizadas"
"E sobre a loca ainda não ter seguido o menino luan: acho que eles devem estar bem ocupados se é que vcs me entendem"

- Jaqueline é ridícula. - rimos.
Larguei o celular de lado e colocamos Meu primeiro amor pra rodar, é um filme relativamente antigo mas eu amo.
- Olha a pipoca, abre a boquinha.
- Huuum, leite condensado? - chupei o dedo dele.
- Tô imaginando besteira, se é que você me entende.
- Quero é novidade, seu trouxa! - ele riu - Agora fica quieto, quero ver o filme.
- Não podia ser um mais novo não?
- Você disse que eu podia escolher. - cruzei os braços - Vai querer que eu troque?
- Não, pequenininha. Tá bom esse. - apertou minha bochecha.
Quando Meu primeiro amor terminou, escolhemos outro filme, que eu acabei vendo sozinha pois o bonitinho dormiu.
Levantei bem devagar e desliguei a televisão.
Íamos viajar depois do café da manhã, o Luan não tinha se organizado ainda e na correria provavelmente ia esquecer alguma coisa. Como boa namorada-organizada que sou, entrei no closet e fiz a mochila por ele.
Depois escovei os dentes e fui na cozinha, bebi água e pus o balde de pipoca na pia.
Subi pro quarto, tirei os celulares da cama e acendi a tela do do Luan pra testar se ainda era a mesma senha -só por curiosidade-, e era. Abriu no Instagram, ele tinha postado uma foto.


- Tudo mudou mesmo. - sorri, olhando pra ele e voltei pra cama com jeitinho pra não acordá-lo, beijei seu rosto e deitei ao seu lado, arrumando o edredom. Ele suspirou devagar, me puxou pra mais perto e eu ri baixinho, enlaçando nossos dedos.

De manhã, seu Amarildo nos levou pro aeroporto, onde o Leonardo nos esperava com o bicuço pronto pra decolar. E quando chegamos em Londrina, já tinha gente nos esperando também.
Fomos de carro até a chácara, o caminho é meio longo mas vale muito a pena.
Depois de dar uma volta pela casa e conhecer o pessoal que cuidava dela, eu e Luan almoçamos.
- E aí, o que cê quer fazer agora que já tá bem alimentada?
- Tomar banho. - ele riu.
- Cê já andou de cavalo?
- Já né.
- Como é que eu vou saber, garota da cidade? - revirei os olhos - Topa dar uma volta comigo?
- Topo.
- Vou pedir pra selarem o bichinho enquanto cê toma banho, tá? - assenti.
Eu já estava pronta quando ele voltou, aí o mandei pro banheiro. Logo ele saiu com a toalha enrolada na cintura e, quando me viu em pé na cama com o braço esticado e o celular na mão, começou a rir.
- Que foi?
- Que foi digo eu, que que cê tá fazendo aí?
- Não tem sinal aqui?
- Tem uns cantinho da casa que até pega, mas bem mal. A ideia é ficar sem isso. - pegou meu celular - Todo mundo sabe onde a gente tá e se acontecer alguma coisa, notícia ruim chega logo e de qualquer jeito.
- Credo! Me dá meu celular.
- Não, cadê o meu? - abriu uma gaveta - Vamos deixar os dois aqui.
- Tá, tá.
Sentei cruzando os braços, ele riu e foi se vestir.
Chegamos perto do estábulo e o Flávio nos esperava ao lado de um cavalo enorme, cor de caramelo. O Luan foi logo mexer com ele, eu fiquei uns passinhos atrás.
- Vem cá, amor, tenho que apresentar vocês.
- O que?
- Tá com medo? - riu - Vem, muié.
- Passa a mão aqui no pescoço dele. - Flávio incentivou.
O nome do cavalo era Pudim, fiz um contato básico com a criatura antes de subir nele e Luan Rafael tava se achando o príncipe que tinha acabado de resgatar a donzela enquanto cavalgávamos, não dava pra não rir dele.
Passamos a tarde inteira na maior moleza, vendo os episódios da série que o Luan tinha que atualizar.
Só saímos da inércia quando ele me chamou pra ver o pôr do sol.
- Gente, que silêncio. - murmurei.
- Eu gosto.
- Eu também, mas bem menos que você.
- Eu sei. - riu - Ainda bem que comigo cê vai pra qualquer lugar, né?
- Uhum. - sorri e nos beijamos.
- Como eu fui besta de não ter beijado essa boca antes, meu Deus! - ri negando com a cabeça e voltamos a andar - Eu vivia pegando falsos atalhos, enquanto o caminho certo tava bem do meu lado.
- Caminho certo?
- Você. - sorri - Cada escolha que a gente faz, nos leva pra um caminho. E você foi a melhor escolha que eu já fiz, meu melhor caminho.
- Isso foi muito lindo, sabia? Mas cê tá exagerando, amor.
- Não tô, pequenininha.
- A melhor escolha que você já fez foi fazer o show e não o vestibular. Se não virasse cantor, não íamos nem nos conhecer.
- Pior que é verdade... - fez careta - Cê tem razão.
- Eu sempre tenho, pequeno gafanhoto. - apertei seu nariz, ele revirou os olhos e me puxou para outro beijo.
Tava tão afobado que nem parecia que estava me beijando há algumas palavras atrás.
- Realmente, melhor caminho não dá. Você tá mais pra pedaço de mau caminho. - sussurrou roçando seu nariz na minha orelha, gargalhei o empurrando e saí correndo - Ih, surtou?!
Deu risada também e correu atrás de mim. Quando ele conseguiu me pegar, caímos e rolamos na grama, rindo um do outro.
- Ai, seu gordo. - fez com que rolássemos de novo e eu fiquei por cima dele - É melhor assim.
- É. - riu outra vez, eu também.
- Tô muito feliz. - me joguei ao seu lado e ele sorriu, selando nossos lábios - Só você pra me fazer rolar no mato mesmo.
- Isso é amor.
- E um pouco de falta de juízo, talvez.
- Então vamo acabar de vez com esse juízo e
- Quem surtou foi você agora. - sentei rindo - Vamo voltar?
- Já? - assenti e ele levantou - Vamo.
- Me leva? - pedi, esticando os braços.
- Sério isso? - fiz bico - Tá vai, eu levo.
- Oba!
- Vem. - subi nas costas dele - Eita porra. Será que eu vou aguentar?
- Vai, cê é forte.
- Forte e o que mais?
- Lindo.
- E? - gargalhei.
- Gostoso.
- É? Continua.
- Amor da minha vida. Tá bom ou quer mais?
- Tá bom, isso já basta pra mim. - beijei sua bochecha.
Ele me carregou até dentro de casa, só me colocou no chão quando entramos na cozinha.
- O que é isso? - Olívia perguntou rindo.
- Tá vendo né? Ela me escraviza.
- Não te obriguei a nada!
- Obrigou sim.
- Cala a boca. - o empurrei, ela ria da gente.
- Por que vocês não tomam banho enquanto eu termino o jantar?
- Boa ideia, dona Livinha. Vem, maria louca. - agarrou minha mão - Se eu não comer logo, esse cheirinho vai me matar!
- Calma, esfomeado.
Entramos juntos no banheiro, mas eu saí primeiro, nós trocamos de roupa e fomos jantar. Dona Olívia tinha deixado nossa comida pronta e um bilhete, avisando que foi pra casa e que qualquer coisa, chamássemos ela ou o Flávio.
- Dá pra levantar essa bunda gorda da cadeira e guardar a louça?
- Dá, meu amor!
Com a ajuda dele, terminei mais rápido e nós voltamos pro sofá. Luan falou que queria assistir filme, mas eu não tava muito a fim.
Deixei ele na sala e saí, vim olhar o céu. Não demorou nem um minuto e ele apareceu, me abraçando por trás.
- A noite tá bonita né?
- Inspiradora, eu diria. - riu - Acho até que vou tentar compor algo...
- A gente veio aqui pra descansar, meu bem.
- Escrever sobre você não é nenhum esforço pra mim, maria luíza.
- Assim eu não aguento! - falei manhosa e ele riu, beijando meu pescoço.
- Quer ficar aqui fora?
- Não sei. Tá frio, amor.
- Eu esquento você. - assenti - Só espera um pouquinho, já volto.
- Tá. - fiz um coque no cabelo e fiquei esperando por ele - Pra quê isso?
- Ué, pra você não ficar com frio nos pés.
- Meu Deus do céu, garoto... Eu tenho que beijar você agora. - o puxei pela camisa e colei nossos lábios.
Separamos o beijo com selinhos e depois, deitamos agarradinhos na rede da varanda.
Não tinha como ser melhor. Era só nós dois, a lua, um cobertor e a noite estrelada.
- Olha, uma estrela cadente. - apontou - Cê viu?
- Vi.
- E fez um pedido?
- Uhum. O mesmo que você, eu espero. - ri pelo nariz.
- Se você pediu pra gente ser feliz pra sempre; sim, fizemos o mesmo pedido.











Quem teve paciência de esperar até o final propriamente dito: muito obrigada! Obrigada a quem tava aqui desde o início, quem chegou depois, quem deu as caras e depois sumiu, quem foi ghost até o final...enfim, todo mundo.
Obrigada por terem me aturado e desculpa qualquer coisa aí, um beijo no coraçãozinho de vocês.

PS.: Se eu for escrever a próxima fanfic, ela será postada no social spirit por motivos de ser melhor pra mim.

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"Não sabia se para a vida toda, se por muitos anos... Não importava. Naquele momento, no presente, ele certamente era o meu grande amor, a melhor coisa que já tinha acontecido na minha vida, o sentimento mais fundo e bonito que experimentei sentir".
— Ela disse, Ele disse - O namoro. ♥

quinta-feira, 21 de janeiro de 2016

Capítulo 96.


Depois daquele beijo sensacional, o padre nos encaminhou pra uma salinha na interior da igreja, a fim esclarecer a cachorrada.
- Melhor casamento que eu já fui na vida.
- Jaqueline, shh. - mamãe disse.
Entramos eu, Luan, a família dele, os pais da Ana Laura, ela, Rober e Wellington, a Lele, Toni e o padre.
- Agora alguém pode me explicar o que foi aquilo?
- Essa mal amada quer pegar meu marido.
- Marido nada! Eu não falei que aceitava você.
- Mas tava quase.
- Parem! Você, menina, fala. - pediu me olhando.
- É o seguinte: ela podia estar grávida de verdade, mas doente ela não tá e nem nunca foi.
- Pode provar o que está dizendo?
- Claro. Ele é minha prova.
- Não sei quem é esse cara.
- Como não sabe se nos apresentou ele como seu médico? - o pai dela falou alto, tava puto.
Enquanto eles discutiam, eu só ouvia calada. O Toni era que tinha que falar, e foi isso que ele fez.
No fim, o pai dela quase a esbofeteou na nossa frente, o Luan disse que não ia processá-la pra não perder tempo e não largou minha mão um momento sequer.
- Parece que você ganhou, menina do escritório. Esse otário é todo seu. - riu, ela tinha chorado e tava com a maquiagem escorrendo pelo rosto - Ah, e se você quer saber, não rolou nada aquele dia. Ele nunca te traiu, parabéns.
- Como não rolou nada? Você tava
- Meu filho não era seu! Se eu pudesse voltar no tempo, tinha ido pra Madrid com o Cas.
- Então, você tava grávida, Ana Laura? - olhamos pra porta que tinha acabado de ser aberta, era o primo dela - Você tava grávida de um filho meu e ia casar com ele?
- Você disse que
- Vai colocar a culpa em mim? Quantas vezes eu te pedi pra ir embora comigo?
- Mas
- Eu não acredito que você pôde ser tão baixa... Some da minha vida, por favor.
- Cas! Cas, não vai embora! - saiu chorando atrás dele.
- Nossa. - murmurei. Todo mundo também tava de cara no chão.
- O que foi que aconteceu? - Jaque perguntou, depois de ter entrado feito furacão e nos dar um abraço.
- Nada não. O que importa é que a gente tá junto, né amor?
- É. - sorri pra ele - Toni! Vem aqui.
- Desculpa, seu Luan. Eu
- Tá tudo bem, cara. Agora tá. - riu - Você se arrependeu e todo mundo merece uma segunda chance, não quero esquentar minha cabeça com esses problemas não.
- Tem certeza?
- Tenho, pode ficar tranquilo. A Lele vai arrumar sua passagem de voltar pra casa. Brigado viu?
- Meu Deus, eu que agradeço. O senhor podia me prender e não vai fazer, muito obrigado. - apertou a mão do Luan, que sorriu pra ele - Desculpa, Malu. Eu não queria te ajudar por medo... A Ceci ia ficar muito triste comigo se soubesse de tudo, como a Natália tá.
- O amor supera qualquer coisa, digo por experiência própria. - ri - Vai ficar tudo bem pra você, como ficou pra gente. Obrigada.
- Acho que vou roubar a história de vocês e escrever um livro. - Bruna disse e nos abraçamos.
- Vou cobrar diretos autorais viu?
- Mas eu sou sua irmã.
- Ah é né? Vou cobrar mais caro. - rimos.
- Tô tão feliz que meu otp tá de volta nesse world.
- Seu o que? - Jaque gargalhou - O que é isso, amor?
- Nada não, cê não sabe que essa menina é louca? - beijei seu rosto.
- Rafalu is back, Bru. Vamo comemorar.
- Vamo! - saíram rindo.
- Que tal se a gente for embora? A gente sai sem ninguém ver e depois corre pro seu apartamento. - ri - E aí, vamo?
- Correr não é uma boa ideia, meu apê tá mó longe. - sussurrei de volta e ele riu concordando, depois fez um sinal pro Well.
- O que que cê manda, patrão?
- Eu e Malu vamos embora. Sai primeiro e a gente vai logo atrás de você, naquela saída que tem por trás sabe?
- Sei, sei. Tô esperando.
- Pra onde os mocinhos estão indo? - minha mãe perguntou com as mãos na cintura.
- Ih, não rolou sair escondido. - falei e ele riu.
- A gente vai ser feliz, sogra. Posso chamar a senhora assim né?
- Por mim, pode. Mas depende dela aí.
- Posso, amor?
- Pode!
- Mas Pi, e a festa?
- Vish. - coçou a barba - Eu não quero ficar pra essa festa. Mas não dá pra cancelar, não pode estragar aquela comida toda...
- Então vocês vão lá ser feliz e a gente curte a festa, pode deixar. Tchau. - rimos.
- Tá bom, Roberval.
Nos despedimos de todos e o Well nos trouxe pro meu apartamento. O Luan já foi tirando o terno e o sapato enquanto eu trancava a porta.
- Isso aqui fica tão vazio sem você. - coloquei minha mochila na mesa de centro - Bem vindo de volta, cabeção.
- Vem cá. - me chamou com o dedo e eu sentei em seu colo, prendendo as pernas ao redor da sua cintura - Eu achei que tinha te perdido pra sempre.
- Eu também. Mas lá no fundo eu tinha esperanças, por isso não devolvi todas as suas coisas. - ele riu com o rosto enterrado nos meus cabelos - Senti tanto sua falta, achei que ia ficar doida de pedra.
- Mais né? - mostrei a língua - O que mais me deixava triste era saber que cê tava sofrendo por minha culpa. Se pelo menos você tivesse bem, eu ia aguentar ficar longe. Ou não...
- Acho que eu tava mais pra "ou não" também. - folguei a gravata dele - Mas eu não quero ficar falando disso. Vamo falar só de coisa boa tá? Cê tá com fome?
- Tô.
- Vou preparar um
- Ah, vai não.
- Mas você não tava com fome? - ri - Eu só tomei café da manhã e comi um açaí na praia, tô morta de fome.
- Então quer dizer que a senhora tava na praia?
- Tava. Onde cê acha que eu encontrei o Toni?
- Não tinha a menor ideia. - riu - Mas vamos ao que interessa: tá com marquinha?
- Af Luan. - lhe dei um tapa e ele me roubou um selinho - Agora vai lá tomar um banho, que eu vou fazer comida pra gente, vai.
- Vem comigo? - neguei - Por favor?
- Não. Se não a gente vai demorar.
- Essa é a ideia.
- Não, amor. Depois.
- Você que manda, esfomeada. - falou rindo.
- Idiotinha. - apertei seu rosto - Suas coisas estão na última gaveta do lado esquerdo.
Levantei e vim pra cozinha, lavei as mãos e fui procurar o que tinha pra comer. Até que consegui me virar legal em quase meia hora. Quando o Luan apareceu, eu tava terminando de assar uns bifes.
- Tá cheirando isso aí hein.
- Vê se tem refrigerante na geladeira, por favor?
- Tem coca. - colocou na mesa, junto com dois copos, dois pratos e os talheres - Quer que eu termine aí, pra você ir tomar banho?
- Quero, amor. Obrigada.
Aproveitei pra fazer hidratação no cabelo, lá no Rio só passei condicionador por causa da pressa.
- Amor, a comida vai esfriar!
- Tô saindo! Se quiser comer, não precisa esperar.
- Não, eu espero.
Vesti um pijama e enrolei a toalha na cabeça, ele tava esquentando nossos pratos no micro-ondas.
- Demorei muito?
- Mais ou menos. - ri e sentamos - Sabe o que eu tava pensando?
- Não, o que?
- Da gente ir passar essa semana na chácara, que que cê acha?
- Na chácara?
- É, se você quiser... Só nós dois. Tô tão aliviado de não ter que ir pra Portugal. - suspirou - A não ser que você queira, aí a Lele pode tentar dar um jeito de mudar as passagens e
- Não. Vamos pra chácara. - ele sorriu.
- Cê nunca foi comigo lá né?
- Fui uma vez, mas namorando não.
- Então vai ser a primeira de muitas.
- Com certeza.
- Deu certinho pra gente né? - apontou a prato.
- A intenção era essa. Mas se cê quiser repetir, eu faço mais. - riu negando - Foi o Vi que me ensinou a cozinhar pra dois.
- Ah foi? Que legal. - ri da cara dele.
- Qual a graça?
- Nada. - dei de ombros.
Ele nem esperou eu terminar de lavar os pratos e foi pro quarto, quando entrei lá, ele já tava deitado.
Escovei os dentes, sequei o cabelo, acendi o abajur e apaguei a luz.
- Deita pertinho de mim? - pediu baixinho.
- Claro. - puxei o edredom.
- Amor?
- Oi?
- Eu nunca vou admitir que o Vitor é um cara legal, embora ele seja. Eu sei que vocês ainda se falam e eu posso ser educado com ele, mas nada vai me fazer esquecer o fato de que ele... Ele conhece você inteira. E eu sempre vou ter vontade de socar a cara dele por isso, mesmo sendo errado. - gargalhei.
- Calma. - me apoiei nos cotovelos pra olhar pra ele - Quanto ao Vi, você pode ficar tranquilo. Cê sabe mais do que ninguém o que eu fiz quando tava com ele.
- Eu sei e pensando bem, a gente não devia ter feito aquilo.
- Sério? Tu se arrepende?
- Não, não! É só que eu queria ter feito tudo direitinho com você. - começou a mexer numa mecha do meu cabelo - Pra gente dar certo desde o começo.
- Mas aí não ia ser a gente.
- Isso é verdade. - riu - Eu amo você.
- Eu que amo você. - uniu nossos lábios, depois paramos o beijo com selinhos - Ó, você tem que ficar longe das vagabundas viu? Não é pra ficar encostando muito nelas, vou pedir pro Rober te vigiar.
- Hum?
- Mesmo quando a gente não tava junto e eu via aquele rebanho de piranha entrando no camarim, tinha vontade de metralhar todas.
- Rebanho não é de vaca? - perguntou rindo.
- Cardume de vaca, rebanho de piranha. - dei de ombros - É tudo puta mesmo.
- Não tô nem aí pra elas. Só quem me interessa é você, amor da minha vida.
- Acho bom. Eu sei controlar meus ciúmes, mas não me teste.
- Eu sei que você sabe. - apertou meu nariz - E não quero pagar pra ver. Não quero brigar e nem te ver doente, de novo.
- Ainda bem que você lembra.
- E tem como esquecer? Meus amigos não deixam. - ri dele.
- Desculpa, meu amorzinho.
- Fazer o que né? - revirou os olhos - Mas como assim "vou pedir pro Rober te vigiar"? Cê não vai voltar pra LS Music e viajar comigo?
- Não.
- Não? Por quê? - se sentou rápido.
- Não posso deixar os meninos, eu tô crescendo junto com eles. Crescendo sem tá na sombra da Caldi, e nem fazendo as coisas pra outra pessoa ganhar os créditos. Sou muito agradecida por ter aprendido com a Lele e todo mundo, só que agora eu quero caminhar com as minhas próprias pernas sabe?
Ele suspirou e ficou em silêncio por uns minutos torturantes.
- Sei. E você vai, pequenininha. - segurou minhas mãos - Eu te entendo e qualquer coisa que cê precisar, tô aqui viu? Sempre.
- Sério? - pulei nele, o abraçando pelo pescoço.
- Muito sério. - sorri - Morro de saudade de poder ficar o dia todo grudado em você, mas vou aguentar.
- Quando eu puder, viajo pra onde você tiver tá?
- Vou cobrar. - ri assentindo e enchi seu rosto de beijos.
Tava cedo pra dormir mas eu tava cansada e ele também, não tínhamos dormido nada de ontem pra hoje.






* VOTEM PRA ESCOLHER O NOME DA PRÓXIMA FIC:
1 - Perto do coração.
2 - Sabe me prender.
3 - Não deixe nada pra depois.
4 - Meu bem querer.
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"Quando duas pessoas nascem para ficar juntas, elas ficarão juntas. É o destino."
— Água para elefantes. ♥

segunda-feira, 18 de janeiro de 2016

Capítulo 95.


Quando os meninos voltaram pro hotel, o Henrique ainda mandou uma mensagem pra me avisar, mas eu já estava no décimo quinto sono e só vi de manhã.
Acordei cedinho e desci pra tomar café, o Caíque já tava acordado e desceu comigo.
- Dormiu bem? Tá mais animada?
- Uhum. Vamo na praia agora que o sol tá fraquinho?
- Vamo. Vou sou trocar de roupa.
- Eu também. Se os outros estiverem dormindo, não precisa chamar eles.
- Beleza. Me dá um pão de queijo desse, por favor. - empurrei o pratinho pra ele - Ah mocinha, hoje você vai sair com a gente ouviu?
- Sim. E se eu disser que quero ficar sozinha, por favor, me arrastem.
- Deixa com a gente. - ri.
Saímos do hotel e caminhamos cerca de meia hora, pela areia molhada. Eu queria entrar no mar mas, a água ainda tava gelada. Bad.
Sentamos na areia e ficamos olhando as ondas, só que como esse menino não sabe ficar parado, logo me entregou o celular dizendo que ia mergulhar.
- Mais tarde eu entro. Vai lá.
- Tá bom né. - tirou a camisa, jogou-a pra mim e correu pra água - Mano, tá frio!
- Eu sei! - gargalhei.
Conversei com a Jaque até a mamãe chamá-la dizendo que a Bruna tinha chegado, elas iam num spa se embelezar pro casamento. Minha irmãzinha prometeu que ia mandar o look pra mim antes de postar, me senti bem importante.
- Chegamos. - Nathan anunciou, sentando do meu lado.
- Ver aquela plaquinha de açaí ali me deu uma fome.
- Açaí? Eu quero. Cê vai lá, Paulo?
- Vou.
- Quem vai pagar pra mim? Esqueci a carteira no quarto.
- O Paulo paga. Vem, Nath. - entrelacei nossos braços.
- Vocês acham que eu tô rico é? Mereço. - veio atrás de nós.
Fomos até um dos quiosques e uma mulher bem simpática nos atendeu, comemos lá e voltamos pra perto do resto do pessoal.
- Tá ficando fortinho. - apertei os bíceps do Nathan enquanto passava protetor solar nele - Caíque, já tá bom de passar de novo.
- De novo?
- Claro. E você precisa tomar água. - espalhei protetor em seu rosto - Paulo Augusto, vem aqui.
- Tu vai ser uma mãe helicóptero e eu vou ter pena dos teus filhos.
- Cala a boca. - dei o frasco pra ele - Meu trabalho é cuidar de vocês.
- E você leva muito a sério.
- Lógico.
- Imagina o que ela não fazia com o Luan. - Nathan cochichou e eu lhe dei o dedo do meio.
Retornamos ao quiosque da mulher, tava ela e mais um moço lá. Ela tava preparando alguma coisa, aí quem veio nos atender foi o cara.
- Malu, Malu! Tá dormindo? - Paulo balançou meu ombro, sacudi a cabeça ainda não acreditando.
- Eu... Te conheço.
- Desculpa mas não conhece não, senhora. Aqui a água de vocês. - Paulo pegou as garrafinhas - Agora eu tenho que ir ali atender uma mesa. Licença.
- Moço, espera! - fui atrás dele e o agarrei pelo braço - Você tava na casa do Luan. Era o médico da Ana Laura.
- Eu não sou médico.
- Se tu não é médico, ela não tá doente. Não é!?
- A senhora deve estar me confundindo com alguém.
- Para de mentir. Eu não sou louca!
- Eu não sei do que você tá falando.
- Então porque tá tão nervoso?
- Moça, eu não tenho mais nada a ver com essa história. Me deixa em paz, por favor.
- O que você fez? Ela te pagou? Quanto?
- Se me der licença, eu preciso trabalhar.
- Não vou dar licença! Eu pago mais, se me contar a verdade.
- Tá tudo bem aí?
- O que tá acontecendo? - a mulher perguntou, ele suspirou.
- Eu só queria que a Ceci tivesse uma festa inesquecível.
- Toni, a festinha da Ceci...? O que foi que você fez?
- Aquela patricinha me pagou sim, me pagou pra falar com o cantor e a família dela. - ele começou, segurei no Paulo pra não cair - Ela arrumou tudo pra mim, só precisei aparecer e falar o que ela me pediu.
- Eu não vou questionar seus motivos pra ter aceitado, mas por favor, me ajuda. - pedi - Cê tem que dizer a verdade pro Luan.
- Ele vai querer me prender.
- Não vai, eu não vou deixar! - uma onda de esperança tomou conta de mim junto com uma onda de lágrimas - Pelo amor de Deus, me ajuda. Nunca te pedi nada!
- Eu não posso...
- Ele não pode casar enganado, não pode casar com ela. Eu amo demais aquele homem e só você pode me ajudar. Por favor. - peguei um guardanapo e limpei o rosto, quando vi que a praia toda tava olhando meu chororô, e o pessoal da equipe já vinha chegando - Quanto você quer? Eu dou, eu dou.
- Ele não vai aceitar seu dinheiro, mas vai te ajudar. Não chora. - a mulher tocou meu ombro.
- Natália, eu não
- Você fez coisa errada e vai ter que consertar, Antônio. Vai ter que dar um bom exemplo pra sua sobrinha.
- Natália!
- Onde tá esse Luan? - ela o ignorou - Você vai lá contar a verdade pra ele agora.
- O Luan tá em São Paulo, a gente tem que correr!
- Hãn?
- Eu vou ver se tem voo pra agora, se não tiver, nós vamos de carro. - avisei e ele assentiu sem escolha - Muito obrigada, dona Natália. Muito mesmo.

Milagrosamente, consegui comprar uma passagem pro Toni e mudar as de todo mundo pra hoje, daqui duas horas. É tempo de sobra.
Eu falei que ninguém precisava vir atrás de mim, mas todo mundo decidiu voltar pra Sp.
Tomei um banho mega rápido e joguei as coisas dentro da minha mochila de qualquer jeito, ainda tive que ficar esperando o resto do pessoal e o Antônio. Ele demorou tanto que meu desespero subiu de 42826283 pra 9968729282%, quase um infarto.
Nossos táxis chegaram e no caminho pro aeroporto até lá na sala de espera, eu fui tentando falar com a Jaque ou qualquer pessoa. Mas ninguém atendia.
- Não vai dar tempo, Nath. Quando eu chegar, ele já vai ter casado.
- Claro que vai. Tá doida? - me abraçou.
Não tava dando mais pra segurar o choro. Não depois do nosso voo atrasar dez mil anos.
- Doida eu tava quando fui me deixando levar pelo sorriso dele.
- Pensamento positivo, pequena gafanhota. Cê encontrou o Toni que era o mais difícil, chegou até aqui, quem disse que não vai conseguir?
- Eu tô dizendo, Augusto.
- Normalmente é você quem fala isso, mas hoje eu vou adotar: cala essa boca, maria luíza. - Caíque falou, o fuzilei com o olhar.
- Ele tá certo. Ó, eu ouvi em algum lugar que o amor verdadeiro é mágico, e não apenas uma magia qualquer, e sim a magia mais poderosa de todas. - dei um meio sorriso - Você acredita em magia, mocinha do chaveiro de fada?
- Acredito, Nath.
- Tem fé Nele? - apontou pra cima.
- Tenho.
- Então vai dar tudo certo.
Após o anúncio do nosso voo, as coisas começaram a correr. Graças a Deus.
O pessoal da equipe ainda ficou pelo aeroporto quando eu saí. A mochila do Caíque tava demorando demais e eu não podia esperar, por isso ele não veio comigo.
Eu, Nathan, Paulo e Toni pegamos um táxi e eu mandei o motorista voar. Ele atendeu ao meu pedido e inclusive, teve momentos que eu achei que fosse morrer.
- Parece que só podemos ir até aqui. - avisou.
- Tudo bem, obrigada. Paulo, tem dinheiro na minha carteira, paga aí. - abri a porta e saí correndo.
- Malu, espera!
Tinha um mar de gente na minha frente: fãs, imprensa e tudo que se possa imaginar. Respirei fundo e me enfiei no meio do povo.
- Malu? - um menino falou surpreso - Pelamor, me diz que você veio acabar com esse casamento.
- Tô tentando.
- A gente vai te ajudar. - ele assoviou tão alto que eu quase fiquei surda - A Malu veio salvar o Luan, deixem ela passar.
Fizeram tipo um corredor e eu fui passando, ouvindo uns "boa sorte", "obrigada", "vai dar tudo certo". Se alguém me contasse uma história dessa, eu decerto não acreditaria.
Quando cheguei mais perto da entrada, me ajudaram a pular a grade e eu agradeci.
- Onde você pensa que vai? - um segurança perguntou de braços cruzados, engoli seco.
- Lá dentro, ajudar um amigo.
- Ah é?
- É. E você não pode me impedir, sou convidada. - me olhou de cima a baixo e riu - Eu decidi que vinha de última hora. Pode procurar meu nome na sua lista, é Malu Rodríguez.
- Não tem nenhuma Malu Rodríguez aqui. - olhou no tablet.
- Mas tem um Roberto e uma Samanta, não tem? Eles são meus pais.
- Não posso lhe dar esse tipo de informação. - outros dois armários apareceram - Levem ela.
- Não, não. Eu preciso entrar!
- Sem convite e nome na lista, não entra ninguém.
- Moço, por favor.
- Ela é amiga de todo mundo aí, cê tem que deixar ela entrar. - uma das meninas gritou e a confusão começou.
- Olha o que você tá causando, garota. Vá embora. - me empurrou.
- Não encosta nela! - Paulinho entrou na minha frente.
A baixaria ficou maior ainda e tentaram nos tirar de lá a força, nessa hora todas as minhas esperanças já tinham ido embora, de verdade.
Os fãs começaram a surtar e no meio daquela muvuca, de longe eu vi o Well.
- Wellington, Wellington! - gritei o mais alto que pude e ele arregalou os olhos, vindo na nossa direção.
- Malu?
- Manda eles me deixarem entrar, pelo amor de Deus. O Luan tem que saber a verdade.
- Eu achava que só rolava dessas coisas em filme. - ele riu - Soltem eles. Vem Malu.
- Ela não pod
- Eu sou o chefe da segurança e tô dizendo que ela vai entrar, que eles vão. - os caras nos soltaram e os fãs aplaudiram.
- Agora vai, Malu. Salva nosso cantor!
- Vai logo que tá quase na hora do "sim", por ali ó. - assenti e lhe abracei, antes de sair correndo.
- Calma, tu tem que esperar o "fale agora ou
- Cala a boca, Nathan. - eles riram.
Paramos na porta e eu respirei fundo, não sei nem o que falar mas é agora. Seja o que Deus quiser.
- Pronta? - Toni perguntou e eu assenti.
- Boa sorte, tia.
- Obrigada, meninos. - contei até dez e empurrei aquelas portas enormes - Para, para tudo!
Todo mundo se virou pra mim, senti minhas bochechas arderem e respirei fundo outra vez. Vi a Jaque lá na frente, sorrindo pra mim e sorri de volta, caminhando pro altar.
- O que tá acontecendo aqui? - o padre perguntou - Menina, você não pode invadir a Casa do Senhor desse jeito.
- Desculpa, mas... Luan, cê não pode casar com ela.
- Por quê?
- Do quê ela tá falando? Quem deixou essa mulher entrar? - a noivinha deu chilique.
- Tem uma pessoa aqui que quer te ver. - apontei pra trás e ela arregalou os olhos.
- Como vai, dona Ana Laura?
- Mas o que... Eu tô passando mal. - colocou a mão na cabeça - Lu, por favor, me ajuda.
- Sai. - ele "jogou" ela pra cima das madrinhas - Eu não tô entendendo nada.
- Não precisa entender, só diz que quer ficar comigo. - estendi minha mão pra ele - Eu amo você, Rafael.
Ele pendeu a cabeça pro lado e em seguida, abriu um sorriso enorme.
- Eu também amo você, pequenininha. - segurou minha mão, sorri e nos abraçamos.
- E eu tô é morta! - Jaqueline falou e nós dois rimos.
- Agora beija!
- Deixa comigo, Fany. - piscou.
Não foi um beijo qualquer, foi O beijo. Todo o falatório cessou, a igreja inteira parou pra nos assistir.


_

"E aquele beijo lá pra fim de julho, se fez silêncio em meio a tanto barulho."
— Morena. ♥