No meio da madrugada, abri os olhos de repente e sorri. Era real.
- Cê tá querendo fugir de mim, maria luíza? - falou quando tentei levantar, coloquei a mão no peito e ele soltou uma risadinha rouca - Tá assustada?
- Você que me assustou, seu sem graça. - bati na perna dele - E eu não tava fugindo não tá!? Só ia pegar água.
- Ah sim.
- Te acordei?
- Não.
- Qual o motivo pro mocinho não ter dormido ainda?
- Tava pensando na gente... Fiquei tão feliz quando cê disse que me amava.
- Desculpa não ter tido coragem pra falar antes. Mas eu sempre te amei.
- E eu sempre soube disso. - selou nossos lábios - Não teria hora melhor, aquele foi O momento.
- Deixei a vergonha de lado porque te salvar era mais importante.
- Eu vi como você ficou vermelha. - rimos.
- Não me deixa nunca mais, tá? Por favor.
- Essa foi uma das maiores burradas que eu já fiz e nunca mais vou repetir. Prometo.
- Te amo. - sussurrei.
- Também te amo, demais.
- Então, me beija logo.
Fizemos amor pelo resto da madrugada, depois tomamos banho separados e lanchamos rapidinho.
Os primeiros raios de sol já apareciam.
- Te ver usando minha camisa assim não tem preço. - me deu um tapa na bunda - Cê podia ficar desde jeito o tempo todo. Quando tiver sozinha comigo, claro.
- Ah é? Tá bom. - lhe entreguei a escova de dentes - Agora cala essa boca.
- Tava com saudades disso também.
- Do que?
- Você mandando em mim. - revirei os olhos e ele riu. Terminamos de escovar os dentes e voltamos pra cama.
- Aiai. - suspirei - E agora hein?
- Agora somos dois, três, quatro. Quantos você quiser.
- Eu tô falando sério, Luan. - ri.
- Eu também, pequenininha. Cê gosta dessa música?
- Gosto.
- Lembra aquele dia que eu fui no vip e eles tavam lá?
- Que depois cê bateu aqui, dizendo que a gente ia no show deles?
- Isso, isso. Dei uma ajudinha na letra de Sosseguei e, na parte do brigadeiro, pensei em por brownie mas não ia combinar.
- Então o mocinho tava pensando em mim aquele dia?
- Qual é o dia que eu não tô pensando em você? - sorri, ele beijou minha testa - Vamo dormir? Agora eu tô cansado.
- Uhum. Boa noite, amor.
- Bom dia já. - riu - Dorme bem, pequena.
Só me permiti dormir depois que ele caiu no sono, o que não demorou.
Era umas três da tarde quando acordei, o Luan não tava na cama nem no apartamento, que eu virei de cabeça pra baixo atrás dele. Achei meu celular descarregado na mochila e assim que pegou uma carguinha, liguei pra ele.
- Fugiu, Luan Rafael?
- Não. - riu - Tô aqui na Fany.
- Ata, mas avisava né? Vem pra casa.
- Tô indo, calma.
- Eu tô calma. Vem logo.
Desliguei e fui tomar banho. Na hora que o Luan entrou no quarto, eu tava terminando de me vestir.
- Poxa, cheguei tarde. - taquei a toalha nele, que riu - Pensei que ia ter que te acordar com um beijo.
- E é? Engraçado.
- Engraçado não, pequenininha. É Encantado. - fez aqueles cumprimentos e beijou minha mão - Príncipe Encantado.
- Idiota. - falei rindo - Que que cê tava fazendo lá? Me deixou sozinha.
- Não faz esse bico, coisa linda. Eu só tava resolvendo umas coisas e não quis te acordar.
- Que coisas?
- Falei com o Leonardo e com o pessoal que cuida da chácara, tá tudo certo. A mamusca quer que você jante lá em casa hoje, seus pais também vão, aí eu já aproveito e arrumo minha mochila. Tinha uns jornalistas lá em baixo, eu falei com eles também. A barriga da Fany tá linda né? Quer ajuda pra arrumar suas coisas? - disse num fôlego só.
- É o que, Luan? Tia Arleyde vai me matar, meu Deus. - coloquei as mãos na cabeça - E a barriga da Fany mal tá aparecendo! O que foi que você disse?
- Nada demais.
- "nada demais"? Tô com medo. - riu.
- Sobre a Ana Laura eu só falei que queria que ela saísse da nossa vida e seguisse com a dela. Sem ressentimentos. Aí perguntaram de você e eu respondi "é a Malu sim, é com ela que eu tô". - me derreti num sorriso - E não precisa ter medo, eu não vou deixar a Lele brigar com você.
- Mas ela vai. Primeiro aquela confusão na igreja, depois você vai sozinho falar com a imprensa e tudo por culpa minha.
- Pode parando com isso. Nós fizemos a coisa certa. - sentamos na cama - Eles tavam incomodando os outros moradores, o Seu Valter ameaçou chamar a polícia mas eles não queriam sair. Eu tinha que fazer alguma coisa.
- Sozinho não!
- Por quê? Sou grande o suficiente pra cuidar da minha vida e resolver meus problemas sozinho! - suspiramos juntos, depois rimos - Nem vai dar nada, fica tranquila tá?
- Tá.
- Beijinho? - fez bico, ri e o beijei - Ah amor, acredita que seu irmão chamou o Vitor pra ser padrinho do bebê?
- Ué, normal. Eles são amigos. - dei de ombros - Cê vai ser tio do bebê, não é legal?
- Ser padrinho e tio ia ser mais legal, mas tudo bem. - ri.
- Bobo.
- Sabe pequenininha, se você não tivesse comigo quando a Ana disse que o Pedro não era meu, não sei se ia aguentar de pé. Eu aprendi a amar aquele serzinho.
- Ah, vida... - alisei seu rosto.
- Quando ela me mandou um áudio do coraçãozinho dele batendo, chorei na frente de todo mundo. Foi minha mãe que me contou que ela passou mal e perdeu nosso bebê. Que no fim, nem era nosso né?
Não sabia o que falar, então o abracei. Ele deitou a cabeça no meu ombro e eu fiquei fazendo carinho em seus cabelos. Graças a Deus ele não chorou, se não eu ia chorar junto.
- Ainda quer me ajudar a arrumar as coisas?
- Ajudo.
- E um sorriso pra sua pequenininha? - ele riu, depois abriu um sorriso grandão - Assim que eu gosto.
Uma mochila ia ser pouco pra passar a semana, aí tive que pegar uma mala. Luan me ajudou a escolher tudo, das blusas aos biquínis.
Depois "almocei" um cup noodles e nós dois ficamos vendo tv no sofá, até dar a hora de sair.
- Cadê suas chaves, amor?
- Chaves? De onde? - ri - Temos que ir com o Nick. Esqueceu que foi o Well que trouxe a gente e que euzinha tô sem carro?
- Eita, verdade. - fez careta - Fiquei tão preocupado...
- E por falar nisso, desculpa ter te tratado mal aquele dia e obrigada por ter ficado comigo lá no hospital. Cê cancelou sua agenda e
- Faria tudo de novo.
- Não, não faz mais isso.
- Não faz mais isso, você. Pelo amor de Deus!
- Tá. Prometo que vou ser uma menina comportada.
- Quero só ver. maria luíza. - ri.
Batemos no apê do Nick e eles já esperavam por nós. O caminho pro Alpha foi bem divertido, Luan e Nicolas juntos é gracinha pra todo lado.
Bruna quem abriu a porta pra gente, ela tava com a Hermione na mão e a Jaque com o Puff no colo, sentada no sofá.
- Ué, trocaram? - Luan perguntou rindo.
- Não, é só emprestado.
- Eu não troco minha pequena por na-da.
- Nem eu, Jaque. - beijou minha bochecha, fizeram "own" e eu ri - Cadê a mãe e o pai?
- Lá fora, com os pais da Malu.
- Ah!
- Tá se mudando pra cá, maria luíza? - apontou a mala que o Luan carregava.
- Não, irmãzinha.
- Vamos passar um tempo off, longe daqui.
- Sei.
- Bora lá em cima? Colocar isso aqui no meu quarto.
- Vamo.
Subimos e ele levou minha mala pro closet enquanto eu dava uma conferida no quarto, tava tudo igual. Ainda tem uma foto minha do lado do porta retrato da vó dele.
- Que que cê tá vendo aí?
- Tu não tirou minha foto dali?
- Não. Amo essa foto, ainda mais a modelo.
- É, tá bonita mesmo. - o abracei pelo pescoço - Eu guardei tudo que era seu, não queria ver sua cara.
- Percebi. - riu - Até me bloqueou no WhatsApp, parou de me seguir nos negócio lá. Eu vi.
- Nossa, como ele é stalker.
- Cê não sabe de nada.
- Humm. - estreitei os olhos, ele riu.
- É melhor descermos logo, ou eu não vou deixar você sair daqui tão cedo.
Dei risada da cara de safado que ele fez e nós voltamos pra sala. Todos estavam reunidos lá.
- Ó, aproveitando que tá todo mundo aqui, eu quero pedir permissão do seu Roberto pra namorar a Malu.
- De novo né? - Bruna riu, meu pai arqueou uma sobrancelha e o Luan ficou um pouco sem graça.
- É, de novo. Mas se a Malu quiser, pode ser em casamento. - sorriu pra mim.
- Casamento não, amor. Agora não, tá?
- Tá né. - beijei seu rosto.
- Se eu entendi bem, você não quer casar com ele mas fica me empurrando pra casar logo com seu irmão. É isso mesmo, maria luíza?
- Você tá grávida, Fany. É bem diferente. - ela mostrou a língua - E sim, Rafael. Eu aceito seu pedido de namoro, de novo.
- Se beijem logo, por favor. Eu quero comer. - Jaque disse, rolei os olhos.
- Antes seu pai tem que falar alguma coisa...
- Cuida dela direito ou eu te capo, não vai ter terceira chance.
- E-eu vou cuidar. - rimos dele.
- Pronto, pronto. Agora vamo jantar.
- Jaqueline, que coisa feia!
- Eu quero aquele bolo, mãe.
- Então, vão lá lavar as mãos todo mundo! - dona Marizete disse levantando.
Melhor que a comida da minha mãe, só a comida da minha mãe junto com a da Marizete.
O Amarildo comentou da folga que o Luan ia ter por causa da lua de mel, aí ele contou que nós dois vamos pra chácara.
- E tão pretendendo passar a semana toda no meio fazendo o que? Que eu saiba a Malu não gosta muito dessas coisas. - meu pai disse e o Luan quase cuspiu fora o suco que tinha acabado de beber - Calma, rapaz. Tô só brincando.
Stéfany, Bruna, Nicolas e Jaqueline riam enquanto eu dava tapinhas nas costas dele.
- Pai! Certo que eu prefiro a cidade e tal, mas com o Luan eu vou pra qualquer lugar.
- Que bom né?
- Tá morrendo de ciúme. - mamãe afirmou, fazendo todos rirem, menos ele.
- Por mais que a gente goste ou suporte o genro, é difícil de aceitar que tem outro cara no coração das nossas filhas. - seu Amarildo disse e meu pai concordou - Sorte sua que a Malu tem juízo e a Jaque ainda vai demorar pra casar, e eu que só tenho a Bruna?
- Pera. Cê falou que eu não tenho juízo, pai?
- Não foi isso que eu disse, filha.
- Mas foi isso que eu entendi, Pi. - o cabeçudo gargalhou.
- Para, garoto!
- Que tal discutir isso depois da sobremesa? - minha mãe sugeriu - Tentamos agradar todo mundo, então tem brownie, creme de abacate e bolo de chocolate.
- Ai, sogra, obrigada. Sua neta agradece. - Fany colocou a mão na barriga.
- Neto. - Jaque corrigiu.
- Como você tem tanta certeza?
- Tendo, Stéfany.
- Espero que na próxima ultra essa criança se mostre, se não eu vou ficar doido com essas duas.
- E se for menina mesmo, aí é que cê vai tá ferrado, cunhado. - rimos.
Comemos a sobremesa ainda debatendo sobre "sogro x genro", minha mãe e a dona Marizete só faziam rir.
Um pouco antes das onze da noite, minha família foi embora, depois os pais do Luan foram dormir. A Bruna ainda ficou um tempinho conversando com a gente, mas logo subiu também.
- Amor, tu quer dormir agora? Eu tô sem sono.
- Também né, acordou aquela hora.
- Cala a boca. Você acorda essa hora todo dia. - riu.
- A gente assiste um filme, pode ser?
- Pode.
Desligamos a televisão da sala e fomos pro quarto, tomei um banho quentinho junto com ele e depois o querido foi estourar pipoca enquanto eu procurava um filme.
- Já escolheu? - perguntou voltando.
- Não. Pode ser qualquer filme?
- Uhum, a senhorita tem carta branca pra escolher.
- Tá...
- Amor, olha aqui, rapidinho.
- Que foi? Ah, não acredito. - ele tava rindo, tinha tirado uma foto minha - Cê não tá pensando em postar isso né?
- Tô.
- Não, essa não.
- Por quê? Tá tão linda.
- Linda nada! Foto no susto é a treva.
- Então vem aqui, vamo tirar uma.
- Amor...
- Eu coloco dois segundinhos só. - fez biquinho.
- Tá legal.
Na foto, era mais nossos dedos entrelaçados e uma parte do rosto dele, que beijava o dorso da minha mão. Vi ele escrever "ela voltou pra gente" e em seguida publicou.
- Não foi só eu que senti sua falta, eles também. Mas eu senti mais. - ri e lhe beijei na boca.
- Entro no Twitter pra ver o que eles tão falando? - riu assentindo.
Peguei meu celular e abri o aplicativo, coloquei nossos nomes e o shipp no search e começamos a ler o que dava, porque toda hora a tela atualizava. Vi um tweet da Jaque e entrei no perfil dela, tinham tentado arrancar da garota o que rolou no casamento.
"Whatever o que aconteceu, nem eu sei! O que me importa de verdade é que eles estao juntos and felizes."
- Vamo retweetar?
- Eu queria, mas acho melhor não.
- Cê que sabe. - riu.
"Os dois vao sumir but nao se preocupem, vou mante-las atualizadas"
"E sobre a loca ainda não ter seguido o menino luan: acho que eles devem estar bem ocupados se é que vcs me entendem"
- Jaqueline é ridícula. - rimos.
Larguei o celular de lado e colocamos Meu primeiro amor pra rodar, é um filme relativamente antigo mas eu amo.
- Olha a pipoca, abre a boquinha.
- Huuum, leite condensado? - chupei o dedo dele.
- Tô imaginando besteira, se é que você me entende.
- Quero é novidade, seu trouxa! - ele riu - Agora fica quieto, quero ver o filme.
- Não podia ser um mais novo não?
- Você disse que eu podia escolher. - cruzei os braços - Vai querer que eu troque?
- Não, pequenininha. Tá bom esse. - apertou minha bochecha.
Quando Meu primeiro amor terminou, escolhemos outro filme, que eu acabei vendo sozinha pois o bonitinho dormiu.
Levantei bem devagar e desliguei a televisão.
Íamos viajar depois do café da manhã, o Luan não tinha se organizado ainda e na correria provavelmente ia esquecer alguma coisa. Como boa namorada-organizada que sou, entrei no closet e fiz a mochila por ele.
Depois escovei os dentes e fui na cozinha, bebi água e pus o balde de pipoca na pia.
Subi pro quarto, tirei os celulares da cama e acendi a tela do do Luan pra testar se ainda era a mesma senha -só por curiosidade-, e era. Abriu no Instagram, ele tinha postado uma foto.

- Tudo mudou mesmo. - sorri, olhando pra ele e voltei pra cama com jeitinho pra não acordá-lo, beijei seu rosto e deitei ao seu lado, arrumando o edredom. Ele suspirou devagar, me puxou pra mais perto e eu ri baixinho, enlaçando nossos dedos.
De manhã, seu Amarildo nos levou pro aeroporto, onde o Leonardo nos esperava com o bicuço pronto pra decolar. E quando chegamos em Londrina, já tinha gente nos esperando também.
Fomos de carro até a chácara, o caminho é meio longo mas vale muito a pena.
Depois de dar uma volta pela casa e conhecer o pessoal que cuidava dela, eu e Luan almoçamos.
- E aí, o que cê quer fazer agora que já tá bem alimentada?
- Tomar banho. - ele riu.
- Cê já andou de cavalo?
- Já né.
- Como é que eu vou saber, garota da cidade? - revirei os olhos - Topa dar uma volta comigo?
- Topo.
- Vou pedir pra selarem o bichinho enquanto cê toma banho, tá? - assenti.
Eu já estava pronta quando ele voltou, aí o mandei pro banheiro. Logo ele saiu com a toalha enrolada na cintura e, quando me viu em pé na cama com o braço esticado e o celular na mão, começou a rir.
- Que foi?
- Que foi digo eu, que que cê tá fazendo aí?
- Não tem sinal aqui?
- Tem uns cantinho da casa que até pega, mas bem mal. A ideia é ficar sem isso. - pegou meu celular - Todo mundo sabe onde a gente tá e se acontecer alguma coisa, notícia ruim chega logo e de qualquer jeito.
- Credo! Me dá meu celular.
- Não, cadê o meu? - abriu uma gaveta - Vamos deixar os dois aqui.
- Tá, tá.
Sentei cruzando os braços, ele riu e foi se vestir.
Chegamos perto do estábulo e o Flávio nos esperava ao lado de um cavalo enorme, cor de caramelo. O Luan foi logo mexer com ele, eu fiquei uns passinhos atrás.
- Vem cá, amor, tenho que apresentar vocês.
- O que?
- Tá com medo? - riu - Vem, muié.
- Passa a mão aqui no pescoço dele. - Flávio incentivou.
O nome do cavalo era Pudim, fiz um contato básico com a criatura antes de subir nele e Luan Rafael tava se achando o príncipe que tinha acabado de resgatar a donzela enquanto cavalgávamos, não dava pra não rir dele.
Passamos a tarde inteira na maior moleza, vendo os episódios da série que o Luan tinha que atualizar.
Só saímos da inércia quando ele me chamou pra ver o pôr do sol.
- Gente, que silêncio. - murmurei.
- Eu gosto.
- Eu também, mas bem menos que você.
- Eu sei. - riu - Ainda bem que comigo cê vai pra qualquer lugar, né?
- Uhum. - sorri e nos beijamos.
- Como eu fui besta de não ter beijado essa boca antes, meu Deus! - ri negando com a cabeça e voltamos a andar - Eu vivia pegando falsos atalhos, enquanto o caminho certo tava bem do meu lado.
- Caminho certo?
- Você. - sorri - Cada escolha que a gente faz, nos leva pra um caminho. E você foi a melhor escolha que eu já fiz, meu melhor caminho.
- Isso foi muito lindo, sabia? Mas cê tá exagerando, amor.
- Não tô, pequenininha.
- A melhor escolha que você já fez foi fazer o show e não o vestibular. Se não virasse cantor, não íamos nem nos conhecer.
- Pior que é verdade... - fez careta - Cê tem razão.
- Eu sempre tenho, pequeno gafanhoto. - apertei seu nariz, ele revirou os olhos e me puxou para outro beijo.
Tava tão afobado que nem parecia que estava me beijando há algumas palavras atrás.
- Realmente, melhor caminho não dá. Você tá mais pra pedaço de mau caminho. - sussurrou roçando seu nariz na minha orelha, gargalhei o empurrando e saí correndo - Ih, surtou?!
Deu risada também e correu atrás de mim. Quando ele conseguiu me pegar, caímos e rolamos na grama, rindo um do outro.
- Ai, seu gordo. - fez com que rolássemos de novo e eu fiquei por cima dele - É melhor assim.
- É. - riu outra vez, eu também.
- Tô muito feliz. - me joguei ao seu lado e ele sorriu, selando nossos lábios - Só você pra me fazer rolar no mato mesmo.
- Isso é amor.
- E um pouco de falta de juízo, talvez.
- Então vamo acabar de vez com esse juízo e
- Quem surtou foi você agora. - sentei rindo - Vamo voltar?
- Já? - assenti e ele levantou - Vamo.
- Me leva? - pedi, esticando os braços.
- Sério isso? - fiz bico - Tá vai, eu levo.
- Oba!
- Vem. - subi nas costas dele - Eita porra. Será que eu vou aguentar?
- Vai, cê é forte.
- Forte e o que mais?
- Lindo.
- E? - gargalhei.
- Gostoso.
- É? Continua.
- Amor da minha vida. Tá bom ou quer mais?
- Tá bom, isso já basta pra mim. - beijei sua bochecha.
Ele me carregou até dentro de casa, só me colocou no chão quando entramos na cozinha.
- O que é isso? - Olívia perguntou rindo.
- Tá vendo né? Ela me escraviza.
- Não te obriguei a nada!
- Obrigou sim.
- Cala a boca. - o empurrei, ela ria da gente.
- Por que vocês não tomam banho enquanto eu termino o jantar?
- Boa ideia, dona Livinha. Vem, maria louca. - agarrou minha mão - Se eu não comer logo, esse cheirinho vai me matar!
- Calma, esfomeado.
Entramos juntos no banheiro, mas eu saí primeiro, nós trocamos de roupa e fomos jantar. Dona Olívia tinha deixado nossa comida pronta e um bilhete, avisando que foi pra casa e que qualquer coisa, chamássemos ela ou o Flávio.
- Dá pra levantar essa bunda gorda da cadeira e guardar a louça?
- Dá, meu amor!
Com a ajuda dele, terminei mais rápido e nós voltamos pro sofá. Luan falou que queria assistir filme, mas eu não tava muito a fim.
Deixei ele na sala e saí, vim olhar o céu. Não demorou nem um minuto e ele apareceu, me abraçando por trás.
- A noite tá bonita né?
- Inspiradora, eu diria. - riu - Acho até que vou tentar compor algo...
- A gente veio aqui pra descansar, meu bem.
- Escrever sobre você não é nenhum esforço pra mim, maria luíza.
- Assim eu não aguento! - falei manhosa e ele riu, beijando meu pescoço.
- Quer ficar aqui fora?
- Não sei. Tá frio, amor.
- Eu esquento você. - assenti - Só espera um pouquinho, já volto.
- Tá. - fiz um coque no cabelo e fiquei esperando por ele - Pra quê isso?
- Ué, pra você não ficar com frio nos pés.
- Meu Deus do céu, garoto... Eu tenho que beijar você agora. - o puxei pela camisa e colei nossos lábios.
Separamos o beijo com selinhos e depois, deitamos agarradinhos na rede da varanda.
Não tinha como ser melhor. Era só nós dois, a lua, um cobertor e a noite estrelada.
- Olha, uma estrela cadente. - apontou - Cê viu?
- Vi.
- E fez um pedido?
- Uhum. O mesmo que você, eu espero. - ri pelo nariz.
- Se você pediu pra gente ser feliz pra sempre; sim, fizemos o mesmo pedido.
Quem teve paciência de esperar até o final propriamente dito: muito obrigada! Obrigada a quem tava aqui desde o início, quem chegou depois, quem deu as caras e depois sumiu, quem foi ghost até o final...enfim, todo mundo.
Obrigada por terem me aturado e desculpa qualquer coisa aí, um beijo no coraçãozinho de vocês.
PS.: Se eu for escrever a próxima fanfic, ela será postada no social spirit por motivos de ser melhor pra mim.
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"Não sabia se para a vida toda, se por muitos anos... Não importava. Naquele momento, no presente, ele certamente era o meu grande amor, a melhor coisa que já tinha acontecido na minha vida, o sentimento mais fundo e bonito que experimentei sentir".
— Ela disse, Ele disse - O namoro. ♥