quinta-feira, 21 de janeiro de 2016

Capítulo 96.


Depois daquele beijo sensacional, o padre nos encaminhou pra uma salinha na interior da igreja, a fim esclarecer a cachorrada.
- Melhor casamento que eu já fui na vida.
- Jaqueline, shh. - mamãe disse.
Entramos eu, Luan, a família dele, os pais da Ana Laura, ela, Rober e Wellington, a Lele, Toni e o padre.
- Agora alguém pode me explicar o que foi aquilo?
- Essa mal amada quer pegar meu marido.
- Marido nada! Eu não falei que aceitava você.
- Mas tava quase.
- Parem! Você, menina, fala. - pediu me olhando.
- É o seguinte: ela podia estar grávida de verdade, mas doente ela não tá e nem nunca foi.
- Pode provar o que está dizendo?
- Claro. Ele é minha prova.
- Não sei quem é esse cara.
- Como não sabe se nos apresentou ele como seu médico? - o pai dela falou alto, tava puto.
Enquanto eles discutiam, eu só ouvia calada. O Toni era que tinha que falar, e foi isso que ele fez.
No fim, o pai dela quase a esbofeteou na nossa frente, o Luan disse que não ia processá-la pra não perder tempo e não largou minha mão um momento sequer.
- Parece que você ganhou, menina do escritório. Esse otário é todo seu. - riu, ela tinha chorado e tava com a maquiagem escorrendo pelo rosto - Ah, e se você quer saber, não rolou nada aquele dia. Ele nunca te traiu, parabéns.
- Como não rolou nada? Você tava
- Meu filho não era seu! Se eu pudesse voltar no tempo, tinha ido pra Madrid com o Cas.
- Então, você tava grávida, Ana Laura? - olhamos pra porta que tinha acabado de ser aberta, era o primo dela - Você tava grávida de um filho meu e ia casar com ele?
- Você disse que
- Vai colocar a culpa em mim? Quantas vezes eu te pedi pra ir embora comigo?
- Mas
- Eu não acredito que você pôde ser tão baixa... Some da minha vida, por favor.
- Cas! Cas, não vai embora! - saiu chorando atrás dele.
- Nossa. - murmurei. Todo mundo também tava de cara no chão.
- O que foi que aconteceu? - Jaque perguntou, depois de ter entrado feito furacão e nos dar um abraço.
- Nada não. O que importa é que a gente tá junto, né amor?
- É. - sorri pra ele - Toni! Vem aqui.
- Desculpa, seu Luan. Eu
- Tá tudo bem, cara. Agora tá. - riu - Você se arrependeu e todo mundo merece uma segunda chance, não quero esquentar minha cabeça com esses problemas não.
- Tem certeza?
- Tenho, pode ficar tranquilo. A Lele vai arrumar sua passagem de voltar pra casa. Brigado viu?
- Meu Deus, eu que agradeço. O senhor podia me prender e não vai fazer, muito obrigado. - apertou a mão do Luan, que sorriu pra ele - Desculpa, Malu. Eu não queria te ajudar por medo... A Ceci ia ficar muito triste comigo se soubesse de tudo, como a Natália tá.
- O amor supera qualquer coisa, digo por experiência própria. - ri - Vai ficar tudo bem pra você, como ficou pra gente. Obrigada.
- Acho que vou roubar a história de vocês e escrever um livro. - Bruna disse e nos abraçamos.
- Vou cobrar diretos autorais viu?
- Mas eu sou sua irmã.
- Ah é né? Vou cobrar mais caro. - rimos.
- Tô tão feliz que meu otp tá de volta nesse world.
- Seu o que? - Jaque gargalhou - O que é isso, amor?
- Nada não, cê não sabe que essa menina é louca? - beijei seu rosto.
- Rafalu is back, Bru. Vamo comemorar.
- Vamo! - saíram rindo.
- Que tal se a gente for embora? A gente sai sem ninguém ver e depois corre pro seu apartamento. - ri - E aí, vamo?
- Correr não é uma boa ideia, meu apê tá mó longe. - sussurrei de volta e ele riu concordando, depois fez um sinal pro Well.
- O que que cê manda, patrão?
- Eu e Malu vamos embora. Sai primeiro e a gente vai logo atrás de você, naquela saída que tem por trás sabe?
- Sei, sei. Tô esperando.
- Pra onde os mocinhos estão indo? - minha mãe perguntou com as mãos na cintura.
- Ih, não rolou sair escondido. - falei e ele riu.
- A gente vai ser feliz, sogra. Posso chamar a senhora assim né?
- Por mim, pode. Mas depende dela aí.
- Posso, amor?
- Pode!
- Mas Pi, e a festa?
- Vish. - coçou a barba - Eu não quero ficar pra essa festa. Mas não dá pra cancelar, não pode estragar aquela comida toda...
- Então vocês vão lá ser feliz e a gente curte a festa, pode deixar. Tchau. - rimos.
- Tá bom, Roberval.
Nos despedimos de todos e o Well nos trouxe pro meu apartamento. O Luan já foi tirando o terno e o sapato enquanto eu trancava a porta.
- Isso aqui fica tão vazio sem você. - coloquei minha mochila na mesa de centro - Bem vindo de volta, cabeção.
- Vem cá. - me chamou com o dedo e eu sentei em seu colo, prendendo as pernas ao redor da sua cintura - Eu achei que tinha te perdido pra sempre.
- Eu também. Mas lá no fundo eu tinha esperanças, por isso não devolvi todas as suas coisas. - ele riu com o rosto enterrado nos meus cabelos - Senti tanto sua falta, achei que ia ficar doida de pedra.
- Mais né? - mostrei a língua - O que mais me deixava triste era saber que cê tava sofrendo por minha culpa. Se pelo menos você tivesse bem, eu ia aguentar ficar longe. Ou não...
- Acho que eu tava mais pra "ou não" também. - folguei a gravata dele - Mas eu não quero ficar falando disso. Vamo falar só de coisa boa tá? Cê tá com fome?
- Tô.
- Vou preparar um
- Ah, vai não.
- Mas você não tava com fome? - ri - Eu só tomei café da manhã e comi um açaí na praia, tô morta de fome.
- Então quer dizer que a senhora tava na praia?
- Tava. Onde cê acha que eu encontrei o Toni?
- Não tinha a menor ideia. - riu - Mas vamos ao que interessa: tá com marquinha?
- Af Luan. - lhe dei um tapa e ele me roubou um selinho - Agora vai lá tomar um banho, que eu vou fazer comida pra gente, vai.
- Vem comigo? - neguei - Por favor?
- Não. Se não a gente vai demorar.
- Essa é a ideia.
- Não, amor. Depois.
- Você que manda, esfomeada. - falou rindo.
- Idiotinha. - apertei seu rosto - Suas coisas estão na última gaveta do lado esquerdo.
Levantei e vim pra cozinha, lavei as mãos e fui procurar o que tinha pra comer. Até que consegui me virar legal em quase meia hora. Quando o Luan apareceu, eu tava terminando de assar uns bifes.
- Tá cheirando isso aí hein.
- Vê se tem refrigerante na geladeira, por favor?
- Tem coca. - colocou na mesa, junto com dois copos, dois pratos e os talheres - Quer que eu termine aí, pra você ir tomar banho?
- Quero, amor. Obrigada.
Aproveitei pra fazer hidratação no cabelo, lá no Rio só passei condicionador por causa da pressa.
- Amor, a comida vai esfriar!
- Tô saindo! Se quiser comer, não precisa esperar.
- Não, eu espero.
Vesti um pijama e enrolei a toalha na cabeça, ele tava esquentando nossos pratos no micro-ondas.
- Demorei muito?
- Mais ou menos. - ri e sentamos - Sabe o que eu tava pensando?
- Não, o que?
- Da gente ir passar essa semana na chácara, que que cê acha?
- Na chácara?
- É, se você quiser... Só nós dois. Tô tão aliviado de não ter que ir pra Portugal. - suspirou - A não ser que você queira, aí a Lele pode tentar dar um jeito de mudar as passagens e
- Não. Vamos pra chácara. - ele sorriu.
- Cê nunca foi comigo lá né?
- Fui uma vez, mas namorando não.
- Então vai ser a primeira de muitas.
- Com certeza.
- Deu certinho pra gente né? - apontou a prato.
- A intenção era essa. Mas se cê quiser repetir, eu faço mais. - riu negando - Foi o Vi que me ensinou a cozinhar pra dois.
- Ah foi? Que legal. - ri da cara dele.
- Qual a graça?
- Nada. - dei de ombros.
Ele nem esperou eu terminar de lavar os pratos e foi pro quarto, quando entrei lá, ele já tava deitado.
Escovei os dentes, sequei o cabelo, acendi o abajur e apaguei a luz.
- Deita pertinho de mim? - pediu baixinho.
- Claro. - puxei o edredom.
- Amor?
- Oi?
- Eu nunca vou admitir que o Vitor é um cara legal, embora ele seja. Eu sei que vocês ainda se falam e eu posso ser educado com ele, mas nada vai me fazer esquecer o fato de que ele... Ele conhece você inteira. E eu sempre vou ter vontade de socar a cara dele por isso, mesmo sendo errado. - gargalhei.
- Calma. - me apoiei nos cotovelos pra olhar pra ele - Quanto ao Vi, você pode ficar tranquilo. Cê sabe mais do que ninguém o que eu fiz quando tava com ele.
- Eu sei e pensando bem, a gente não devia ter feito aquilo.
- Sério? Tu se arrepende?
- Não, não! É só que eu queria ter feito tudo direitinho com você. - começou a mexer numa mecha do meu cabelo - Pra gente dar certo desde o começo.
- Mas aí não ia ser a gente.
- Isso é verdade. - riu - Eu amo você.
- Eu que amo você. - uniu nossos lábios, depois paramos o beijo com selinhos - Ó, você tem que ficar longe das vagabundas viu? Não é pra ficar encostando muito nelas, vou pedir pro Rober te vigiar.
- Hum?
- Mesmo quando a gente não tava junto e eu via aquele rebanho de piranha entrando no camarim, tinha vontade de metralhar todas.
- Rebanho não é de vaca? - perguntou rindo.
- Cardume de vaca, rebanho de piranha. - dei de ombros - É tudo puta mesmo.
- Não tô nem aí pra elas. Só quem me interessa é você, amor da minha vida.
- Acho bom. Eu sei controlar meus ciúmes, mas não me teste.
- Eu sei que você sabe. - apertou meu nariz - E não quero pagar pra ver. Não quero brigar e nem te ver doente, de novo.
- Ainda bem que você lembra.
- E tem como esquecer? Meus amigos não deixam. - ri dele.
- Desculpa, meu amorzinho.
- Fazer o que né? - revirou os olhos - Mas como assim "vou pedir pro Rober te vigiar"? Cê não vai voltar pra LS Music e viajar comigo?
- Não.
- Não? Por quê? - se sentou rápido.
- Não posso deixar os meninos, eu tô crescendo junto com eles. Crescendo sem tá na sombra da Caldi, e nem fazendo as coisas pra outra pessoa ganhar os créditos. Sou muito agradecida por ter aprendido com a Lele e todo mundo, só que agora eu quero caminhar com as minhas próprias pernas sabe?
Ele suspirou e ficou em silêncio por uns minutos torturantes.
- Sei. E você vai, pequenininha. - segurou minhas mãos - Eu te entendo e qualquer coisa que cê precisar, tô aqui viu? Sempre.
- Sério? - pulei nele, o abraçando pelo pescoço.
- Muito sério. - sorri - Morro de saudade de poder ficar o dia todo grudado em você, mas vou aguentar.
- Quando eu puder, viajo pra onde você tiver tá?
- Vou cobrar. - ri assentindo e enchi seu rosto de beijos.
Tava cedo pra dormir mas eu tava cansada e ele também, não tínhamos dormido nada de ontem pra hoje.






* VOTEM PRA ESCOLHER O NOME DA PRÓXIMA FIC:
1 - Perto do coração.
2 - Sabe me prender.
3 - Não deixe nada pra depois.
4 - Meu bem querer.
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"Quando duas pessoas nascem para ficar juntas, elas ficarão juntas. É o destino."
— Água para elefantes. ♥

segunda-feira, 18 de janeiro de 2016

Capítulo 95.


Quando os meninos voltaram pro hotel, o Henrique ainda mandou uma mensagem pra me avisar, mas eu já estava no décimo quinto sono e só vi de manhã.
Acordei cedinho e desci pra tomar café, o Caíque já tava acordado e desceu comigo.
- Dormiu bem? Tá mais animada?
- Uhum. Vamo na praia agora que o sol tá fraquinho?
- Vamo. Vou sou trocar de roupa.
- Eu também. Se os outros estiverem dormindo, não precisa chamar eles.
- Beleza. Me dá um pão de queijo desse, por favor. - empurrei o pratinho pra ele - Ah mocinha, hoje você vai sair com a gente ouviu?
- Sim. E se eu disser que quero ficar sozinha, por favor, me arrastem.
- Deixa com a gente. - ri.
Saímos do hotel e caminhamos cerca de meia hora, pela areia molhada. Eu queria entrar no mar mas, a água ainda tava gelada. Bad.
Sentamos na areia e ficamos olhando as ondas, só que como esse menino não sabe ficar parado, logo me entregou o celular dizendo que ia mergulhar.
- Mais tarde eu entro. Vai lá.
- Tá bom né. - tirou a camisa, jogou-a pra mim e correu pra água - Mano, tá frio!
- Eu sei! - gargalhei.
Conversei com a Jaque até a mamãe chamá-la dizendo que a Bruna tinha chegado, elas iam num spa se embelezar pro casamento. Minha irmãzinha prometeu que ia mandar o look pra mim antes de postar, me senti bem importante.
- Chegamos. - Nathan anunciou, sentando do meu lado.
- Ver aquela plaquinha de açaí ali me deu uma fome.
- Açaí? Eu quero. Cê vai lá, Paulo?
- Vou.
- Quem vai pagar pra mim? Esqueci a carteira no quarto.
- O Paulo paga. Vem, Nath. - entrelacei nossos braços.
- Vocês acham que eu tô rico é? Mereço. - veio atrás de nós.
Fomos até um dos quiosques e uma mulher bem simpática nos atendeu, comemos lá e voltamos pra perto do resto do pessoal.
- Tá ficando fortinho. - apertei os bíceps do Nathan enquanto passava protetor solar nele - Caíque, já tá bom de passar de novo.
- De novo?
- Claro. E você precisa tomar água. - espalhei protetor em seu rosto - Paulo Augusto, vem aqui.
- Tu vai ser uma mãe helicóptero e eu vou ter pena dos teus filhos.
- Cala a boca. - dei o frasco pra ele - Meu trabalho é cuidar de vocês.
- E você leva muito a sério.
- Lógico.
- Imagina o que ela não fazia com o Luan. - Nathan cochichou e eu lhe dei o dedo do meio.
Retornamos ao quiosque da mulher, tava ela e mais um moço lá. Ela tava preparando alguma coisa, aí quem veio nos atender foi o cara.
- Malu, Malu! Tá dormindo? - Paulo balançou meu ombro, sacudi a cabeça ainda não acreditando.
- Eu... Te conheço.
- Desculpa mas não conhece não, senhora. Aqui a água de vocês. - Paulo pegou as garrafinhas - Agora eu tenho que ir ali atender uma mesa. Licença.
- Moço, espera! - fui atrás dele e o agarrei pelo braço - Você tava na casa do Luan. Era o médico da Ana Laura.
- Eu não sou médico.
- Se tu não é médico, ela não tá doente. Não é!?
- A senhora deve estar me confundindo com alguém.
- Para de mentir. Eu não sou louca!
- Eu não sei do que você tá falando.
- Então porque tá tão nervoso?
- Moça, eu não tenho mais nada a ver com essa história. Me deixa em paz, por favor.
- O que você fez? Ela te pagou? Quanto?
- Se me der licença, eu preciso trabalhar.
- Não vou dar licença! Eu pago mais, se me contar a verdade.
- Tá tudo bem aí?
- O que tá acontecendo? - a mulher perguntou, ele suspirou.
- Eu só queria que a Ceci tivesse uma festa inesquecível.
- Toni, a festinha da Ceci...? O que foi que você fez?
- Aquela patricinha me pagou sim, me pagou pra falar com o cantor e a família dela. - ele começou, segurei no Paulo pra não cair - Ela arrumou tudo pra mim, só precisei aparecer e falar o que ela me pediu.
- Eu não vou questionar seus motivos pra ter aceitado, mas por favor, me ajuda. - pedi - Cê tem que dizer a verdade pro Luan.
- Ele vai querer me prender.
- Não vai, eu não vou deixar! - uma onda de esperança tomou conta de mim junto com uma onda de lágrimas - Pelo amor de Deus, me ajuda. Nunca te pedi nada!
- Eu não posso...
- Ele não pode casar enganado, não pode casar com ela. Eu amo demais aquele homem e só você pode me ajudar. Por favor. - peguei um guardanapo e limpei o rosto, quando vi que a praia toda tava olhando meu chororô, e o pessoal da equipe já vinha chegando - Quanto você quer? Eu dou, eu dou.
- Ele não vai aceitar seu dinheiro, mas vai te ajudar. Não chora. - a mulher tocou meu ombro.
- Natália, eu não
- Você fez coisa errada e vai ter que consertar, Antônio. Vai ter que dar um bom exemplo pra sua sobrinha.
- Natália!
- Onde tá esse Luan? - ela o ignorou - Você vai lá contar a verdade pra ele agora.
- O Luan tá em São Paulo, a gente tem que correr!
- Hãn?
- Eu vou ver se tem voo pra agora, se não tiver, nós vamos de carro. - avisei e ele assentiu sem escolha - Muito obrigada, dona Natália. Muito mesmo.

Milagrosamente, consegui comprar uma passagem pro Toni e mudar as de todo mundo pra hoje, daqui duas horas. É tempo de sobra.
Eu falei que ninguém precisava vir atrás de mim, mas todo mundo decidiu voltar pra Sp.
Tomei um banho mega rápido e joguei as coisas dentro da minha mochila de qualquer jeito, ainda tive que ficar esperando o resto do pessoal e o Antônio. Ele demorou tanto que meu desespero subiu de 42826283 pra 9968729282%, quase um infarto.
Nossos táxis chegaram e no caminho pro aeroporto até lá na sala de espera, eu fui tentando falar com a Jaque ou qualquer pessoa. Mas ninguém atendia.
- Não vai dar tempo, Nath. Quando eu chegar, ele já vai ter casado.
- Claro que vai. Tá doida? - me abraçou.
Não tava dando mais pra segurar o choro. Não depois do nosso voo atrasar dez mil anos.
- Doida eu tava quando fui me deixando levar pelo sorriso dele.
- Pensamento positivo, pequena gafanhota. Cê encontrou o Toni que era o mais difícil, chegou até aqui, quem disse que não vai conseguir?
- Eu tô dizendo, Augusto.
- Normalmente é você quem fala isso, mas hoje eu vou adotar: cala essa boca, maria luíza. - Caíque falou, o fuzilei com o olhar.
- Ele tá certo. Ó, eu ouvi em algum lugar que o amor verdadeiro é mágico, e não apenas uma magia qualquer, e sim a magia mais poderosa de todas. - dei um meio sorriso - Você acredita em magia, mocinha do chaveiro de fada?
- Acredito, Nath.
- Tem fé Nele? - apontou pra cima.
- Tenho.
- Então vai dar tudo certo.
Após o anúncio do nosso voo, as coisas começaram a correr. Graças a Deus.
O pessoal da equipe ainda ficou pelo aeroporto quando eu saí. A mochila do Caíque tava demorando demais e eu não podia esperar, por isso ele não veio comigo.
Eu, Nathan, Paulo e Toni pegamos um táxi e eu mandei o motorista voar. Ele atendeu ao meu pedido e inclusive, teve momentos que eu achei que fosse morrer.
- Parece que só podemos ir até aqui. - avisou.
- Tudo bem, obrigada. Paulo, tem dinheiro na minha carteira, paga aí. - abri a porta e saí correndo.
- Malu, espera!
Tinha um mar de gente na minha frente: fãs, imprensa e tudo que se possa imaginar. Respirei fundo e me enfiei no meio do povo.
- Malu? - um menino falou surpreso - Pelamor, me diz que você veio acabar com esse casamento.
- Tô tentando.
- A gente vai te ajudar. - ele assoviou tão alto que eu quase fiquei surda - A Malu veio salvar o Luan, deixem ela passar.
Fizeram tipo um corredor e eu fui passando, ouvindo uns "boa sorte", "obrigada", "vai dar tudo certo". Se alguém me contasse uma história dessa, eu decerto não acreditaria.
Quando cheguei mais perto da entrada, me ajudaram a pular a grade e eu agradeci.
- Onde você pensa que vai? - um segurança perguntou de braços cruzados, engoli seco.
- Lá dentro, ajudar um amigo.
- Ah é?
- É. E você não pode me impedir, sou convidada. - me olhou de cima a baixo e riu - Eu decidi que vinha de última hora. Pode procurar meu nome na sua lista, é Malu Rodríguez.
- Não tem nenhuma Malu Rodríguez aqui. - olhou no tablet.
- Mas tem um Roberto e uma Samanta, não tem? Eles são meus pais.
- Não posso lhe dar esse tipo de informação. - outros dois armários apareceram - Levem ela.
- Não, não. Eu preciso entrar!
- Sem convite e nome na lista, não entra ninguém.
- Moço, por favor.
- Ela é amiga de todo mundo aí, cê tem que deixar ela entrar. - uma das meninas gritou e a confusão começou.
- Olha o que você tá causando, garota. Vá embora. - me empurrou.
- Não encosta nela! - Paulinho entrou na minha frente.
A baixaria ficou maior ainda e tentaram nos tirar de lá a força, nessa hora todas as minhas esperanças já tinham ido embora, de verdade.
Os fãs começaram a surtar e no meio daquela muvuca, de longe eu vi o Well.
- Wellington, Wellington! - gritei o mais alto que pude e ele arregalou os olhos, vindo na nossa direção.
- Malu?
- Manda eles me deixarem entrar, pelo amor de Deus. O Luan tem que saber a verdade.
- Eu achava que só rolava dessas coisas em filme. - ele riu - Soltem eles. Vem Malu.
- Ela não pod
- Eu sou o chefe da segurança e tô dizendo que ela vai entrar, que eles vão. - os caras nos soltaram e os fãs aplaudiram.
- Agora vai, Malu. Salva nosso cantor!
- Vai logo que tá quase na hora do "sim", por ali ó. - assenti e lhe abracei, antes de sair correndo.
- Calma, tu tem que esperar o "fale agora ou
- Cala a boca, Nathan. - eles riram.
Paramos na porta e eu respirei fundo, não sei nem o que falar mas é agora. Seja o que Deus quiser.
- Pronta? - Toni perguntou e eu assenti.
- Boa sorte, tia.
- Obrigada, meninos. - contei até dez e empurrei aquelas portas enormes - Para, para tudo!
Todo mundo se virou pra mim, senti minhas bochechas arderem e respirei fundo outra vez. Vi a Jaque lá na frente, sorrindo pra mim e sorri de volta, caminhando pro altar.
- O que tá acontecendo aqui? - o padre perguntou - Menina, você não pode invadir a Casa do Senhor desse jeito.
- Desculpa, mas... Luan, cê não pode casar com ela.
- Por quê?
- Do quê ela tá falando? Quem deixou essa mulher entrar? - a noivinha deu chilique.
- Tem uma pessoa aqui que quer te ver. - apontei pra trás e ela arregalou os olhos.
- Como vai, dona Ana Laura?
- Mas o que... Eu tô passando mal. - colocou a mão na cabeça - Lu, por favor, me ajuda.
- Sai. - ele "jogou" ela pra cima das madrinhas - Eu não tô entendendo nada.
- Não precisa entender, só diz que quer ficar comigo. - estendi minha mão pra ele - Eu amo você, Rafael.
Ele pendeu a cabeça pro lado e em seguida, abriu um sorriso enorme.
- Eu também amo você, pequenininha. - segurou minha mão, sorri e nos abraçamos.
- E eu tô é morta! - Jaqueline falou e nós dois rimos.
- Agora beija!
- Deixa comigo, Fany. - piscou.
Não foi um beijo qualquer, foi O beijo. Todo o falatório cessou, a igreja inteira parou pra nos assistir.


_

"E aquele beijo lá pra fim de julho, se fez silêncio em meio a tanto barulho."
— Morena. ♥