sexta-feira, 25 de março de 2016

Capítulo 97.


No meio da madrugada, abri os olhos de repente e sorri. Era real.
- Cê tá querendo fugir de mim, maria luíza? - falou quando tentei levantar, coloquei a mão no peito e ele soltou uma risadinha rouca - Tá assustada?
- Você que me assustou, seu sem graça. - bati na perna dele - E eu não tava fugindo não tá!? Só ia pegar água.
- Ah sim.
- Te acordei?
- Não.
- Qual o motivo pro mocinho não ter dormido ainda?
- Tava pensando na gente... Fiquei tão feliz quando cê disse que me amava.
- Desculpa não ter tido coragem pra falar antes. Mas eu sempre te amei.
- E eu sempre soube disso. - selou nossos lábios - Não teria hora melhor, aquele foi O momento.
- Deixei a vergonha de lado porque te salvar era mais importante.
- Eu vi como você ficou vermelha. - rimos.
- Não me deixa nunca mais, tá? Por favor.
- Essa foi uma das maiores burradas que eu já fiz e nunca mais vou repetir. Prometo.
- Te amo. - sussurrei.
- Também te amo, demais.
- Então, me beija logo.
Fizemos amor pelo resto da madrugada, depois tomamos banho separados e lanchamos rapidinho.
Os primeiros raios de sol já apareciam.
- Te ver usando minha camisa assim não tem preço. - me deu um tapa na bunda - Cê podia ficar desde jeito o tempo todo. Quando tiver sozinha comigo, claro.
- Ah é? Tá bom. - lhe entreguei a escova de dentes - Agora cala essa boca.
- Tava com saudades disso também.
- Do que?
- Você mandando em mim. - revirei os olhos e ele riu. Terminamos de escovar os dentes e voltamos pra cama.
- Aiai. - suspirei - E agora hein?
- Agora somos dois, três, quatro. Quantos você quiser.
- Eu tô falando sério, Luan. - ri.
- Eu também, pequenininha. Cê gosta dessa música?
- Gosto.
- Lembra aquele dia que eu fui no vip e eles tavam lá?
- Que depois cê bateu aqui, dizendo que a gente ia no show deles?
- Isso, isso. Dei uma ajudinha na letra de Sosseguei e, na parte do brigadeiro, pensei em por brownie mas não ia combinar.
- Então o mocinho tava pensando em mim aquele dia?
- Qual é o dia que eu não tô pensando em você? - sorri, ele beijou minha testa - Vamo dormir? Agora eu tô cansado.
- Uhum. Boa noite, amor.
- Bom dia já. - riu - Dorme bem, pequena.

Só me permiti dormir depois que ele caiu no sono, o que não demorou.
Era umas três da tarde quando acordei, o Luan não tava na cama nem no apartamento, que eu virei de cabeça pra baixo atrás dele. Achei meu celular descarregado na mochila e assim que pegou uma carguinha, liguei pra ele.
- Fugiu, Luan Rafael?
- Não. - riu - Tô aqui na Fany.
- Ata, mas avisava né? Vem pra casa.
- Tô indo, calma.
- Eu tô calma. Vem logo.
Desliguei e fui tomar banho. Na hora que o Luan entrou no quarto, eu tava terminando de me vestir.
- Poxa, cheguei tarde. - taquei a toalha nele, que riu - Pensei que ia ter que te acordar com um beijo.
- E é? Engraçado.
- Engraçado não, pequenininha. É Encantado. - fez aqueles cumprimentos e beijou minha mão - Príncipe Encantado.
- Idiota. - falei rindo - Que que cê tava fazendo lá? Me deixou sozinha.
- Não faz esse bico, coisa linda. Eu só tava resolvendo umas coisas e não quis te acordar.
- Que coisas?
- Falei com o Leonardo e com o pessoal que cuida da chácara, tá tudo certo. A mamusca quer que você jante lá em casa hoje, seus pais também vão, aí eu já aproveito e arrumo minha mochila. Tinha uns jornalistas lá em baixo, eu falei com eles também. A barriga da Fany tá linda né? Quer ajuda pra arrumar suas coisas? - disse num fôlego só.
- É o que, Luan? Tia Arleyde vai me matar, meu Deus. - coloquei as mãos na cabeça - E a barriga da Fany mal tá aparecendo! O que foi que você disse?
- Nada demais.
- "nada demais"? Tô com medo. - riu.
- Sobre a Ana Laura eu só falei que queria que ela saísse da nossa vida e seguisse com a dela. Sem ressentimentos. Aí perguntaram de você e eu respondi "é a Malu sim, é com ela que eu tô". - me derreti num sorriso - E não precisa ter medo, eu não vou deixar a Lele brigar com você.
- Mas ela vai. Primeiro aquela confusão na igreja, depois você vai sozinho falar com a imprensa e tudo por culpa minha.
- Pode parando com isso. Nós fizemos a coisa certa. - sentamos na cama - Eles tavam incomodando os outros moradores, o Seu Valter ameaçou chamar a polícia mas eles não queriam sair. Eu tinha que fazer alguma coisa.
- Sozinho não!
- Por quê? Sou grande o suficiente pra cuidar da minha vida e resolver meus problemas sozinho! - suspiramos juntos, depois rimos - Nem vai dar nada, fica tranquila tá?
- Tá.
- Beijinho? - fez bico, ri e o beijei - Ah amor, acredita que seu irmão chamou o Vitor pra ser padrinho do bebê?
- Ué, normal. Eles são amigos. - dei de ombros - Cê vai ser tio do bebê, não é legal?
- Ser padrinho e tio ia ser mais legal, mas tudo bem. - ri.
- Bobo.
- Sabe pequenininha, se você não tivesse comigo quando a Ana disse que o Pedro não era meu, não sei se ia aguentar de pé. Eu aprendi a amar aquele serzinho.
- Ah, vida... - alisei seu rosto.
- Quando ela me mandou um áudio do coraçãozinho dele batendo, chorei na frente de todo mundo. Foi minha mãe que me contou que ela passou mal e perdeu nosso bebê. Que no fim, nem era nosso né?
Não sabia o que falar, então o abracei. Ele deitou a cabeça no meu ombro e eu fiquei fazendo carinho em seus cabelos. Graças a Deus ele não chorou, se não eu ia chorar junto.
- Ainda quer me ajudar a arrumar as coisas?
- Ajudo.
- E um sorriso pra sua pequenininha? - ele riu, depois abriu um sorriso grandão - Assim que eu gosto.
Uma mochila ia ser pouco pra passar a semana, aí tive que pegar uma mala. Luan me ajudou a escolher tudo, das blusas aos biquínis.
Depois "almocei" um cup noodles e nós dois ficamos vendo tv no sofá, até dar a hora de sair.
- Cadê suas chaves, amor?
- Chaves? De onde? - ri - Temos que ir com o Nick. Esqueceu que foi o Well que trouxe a gente e que euzinha tô sem carro?
- Eita, verdade. - fez careta - Fiquei tão preocupado...
- E por falar nisso, desculpa ter te tratado mal aquele dia e obrigada por ter ficado comigo lá no hospital. Cê cancelou sua agenda e
- Faria tudo de novo.
- Não, não faz mais isso.
- Não faz mais isso, você. Pelo amor de Deus!
- Tá. Prometo que vou ser uma menina comportada.
- Quero só ver. maria luíza. - ri.
Batemos no apê do Nick e eles já esperavam por nós. O caminho pro Alpha foi bem divertido, Luan e Nicolas juntos é gracinha pra todo lado.
Bruna quem abriu a porta pra gente, ela tava com a Hermione na mão e a Jaque com o Puff no colo, sentada no sofá.
- Ué, trocaram? - Luan perguntou rindo.
- Não, é só emprestado.
- Eu não troco minha pequena por na-da.
- Nem eu, Jaque. - beijou minha bochecha, fizeram "own" e eu ri - Cadê a mãe e o pai?
- Lá fora, com os pais da Malu.
- Ah!
- Tá se mudando pra cá, maria luíza? - apontou a mala que o Luan carregava.
- Não, irmãzinha.
- Vamos passar um tempo off, longe daqui.
- Sei.
- Bora lá em cima? Colocar isso aqui no meu quarto.
- Vamo.
Subimos e ele levou minha mala pro closet enquanto eu dava uma conferida no quarto, tava tudo igual. Ainda tem uma foto minha do lado do porta retrato da vó dele.
- Que que cê tá vendo aí?
- Tu não tirou minha foto dali?
- Não. Amo essa foto, ainda mais a modelo.
- É, tá bonita mesmo. - o abracei pelo pescoço - Eu guardei tudo que era seu, não queria ver sua cara.
- Percebi. - riu - Até me bloqueou no WhatsApp, parou de me seguir nos negócio lá. Eu vi.
- Nossa, como ele é stalker.
- Cê não sabe de nada.
- Humm. - estreitei os olhos, ele riu.
- É melhor descermos logo, ou eu não vou deixar você sair daqui tão cedo.
Dei risada da cara de safado que ele fez e nós voltamos pra sala. Todos estavam reunidos lá.
- Ó, aproveitando que tá todo mundo aqui, eu quero pedir permissão do seu Roberto pra namorar a Malu.
- De novo né? - Bruna riu, meu pai arqueou uma sobrancelha e o Luan ficou um pouco sem graça.
- É, de novo. Mas se a Malu quiser, pode ser em casamento. - sorriu pra mim.
- Casamento não, amor. Agora não, tá?
- Tá né. - beijei seu rosto.
- Se eu entendi bem, você não quer casar com ele mas fica me empurrando pra casar logo com seu irmão. É isso mesmo, maria luíza?
- Você tá grávida, Fany. É bem diferente. - ela mostrou a língua - E sim, Rafael. Eu aceito seu pedido de namoro, de novo.
- Se beijem logo, por favor. Eu quero comer. - Jaque disse, rolei os olhos.
- Antes seu pai tem que falar alguma coisa...
- Cuida dela direito ou eu te capo, não vai ter terceira chance.
- E-eu vou cuidar. - rimos dele.
- Pronto, pronto. Agora vamo jantar.
- Jaqueline, que coisa feia!
- Eu quero aquele bolo, mãe.
- Então, vão lá lavar as mãos todo mundo! - dona Marizete disse levantando.
Melhor que a comida da minha mãe, só a comida da minha mãe junto com a da Marizete.
O Amarildo comentou da folga que o Luan ia ter por causa da lua de mel, aí ele contou que nós dois vamos pra chácara.
- E tão pretendendo passar a semana toda no meio fazendo o que? Que eu saiba a Malu não gosta muito dessas coisas. - meu pai disse e o Luan quase cuspiu fora o suco que tinha acabado de beber - Calma, rapaz. Tô só brincando.
Stéfany, Bruna, Nicolas e Jaqueline riam enquanto eu dava tapinhas nas costas dele.
- Pai! Certo que eu prefiro a cidade e tal, mas com o Luan eu vou pra qualquer lugar.
- Que bom né?
- Tá morrendo de ciúme. - mamãe afirmou, fazendo todos rirem, menos ele.
- Por mais que a gente goste ou suporte o genro, é difícil de aceitar que tem outro cara no coração das nossas filhas. - seu Amarildo disse e meu pai concordou - Sorte sua que a Malu tem juízo e a Jaque ainda vai demorar pra casar, e eu que só tenho a Bruna?
- Pera. Cê falou que eu não tenho juízo, pai?
- Não foi isso que eu disse, filha.
- Mas foi isso que eu entendi, Pi. - o cabeçudo gargalhou.
- Para, garoto!
- Que tal discutir isso depois da sobremesa? - minha mãe sugeriu - Tentamos agradar todo mundo, então tem brownie, creme de abacate e bolo de chocolate.
- Ai, sogra, obrigada. Sua neta agradece. - Fany colocou a mão na barriga.
- Neto. - Jaque corrigiu.
- Como você tem tanta certeza?
- Tendo, Stéfany.
- Espero que na próxima ultra essa criança se mostre, se não eu vou ficar doido com essas duas.
- E se for menina mesmo, aí é que cê vai tá ferrado, cunhado. - rimos.
Comemos a sobremesa ainda debatendo sobre "sogro x genro", minha mãe e a dona Marizete só faziam rir.

Um pouco antes das onze da noite, minha família foi embora, depois os pais do Luan foram dormir. A Bruna ainda ficou um tempinho conversando com a gente, mas logo subiu também.
- Amor, tu quer dormir agora? Eu tô sem sono.
- Também né, acordou aquela hora.
- Cala a boca. Você acorda essa hora todo dia. - riu.
- A gente assiste um filme, pode ser?
- Pode.
Desligamos a televisão da sala e fomos pro quarto, tomei um banho quentinho junto com ele e depois o querido foi estourar pipoca enquanto eu procurava um filme.
- Já escolheu? - perguntou voltando.
- Não. Pode ser qualquer filme?
- Uhum, a senhorita tem carta branca pra escolher.
- Tá...
- Amor, olha aqui, rapidinho.
- Que foi? Ah, não acredito. - ele tava rindo, tinha tirado uma foto minha - Cê não tá pensando em postar isso né?
- Tô.
- Não, essa não.
- Por quê? Tá tão linda.
- Linda nada! Foto no susto é a treva.
- Então vem aqui, vamo tirar uma.
- Amor...
- Eu coloco dois segundinhos só. - fez biquinho.
- Tá legal.
Na foto, era mais nossos dedos entrelaçados e uma parte do rosto dele, que beijava o dorso da minha mão. Vi ele escrever "ela voltou pra gente" e em seguida publicou.
- Não foi só eu que senti sua falta, eles também. Mas eu senti mais. - ri e lhe beijei na boca.
- Entro no Twitter pra ver o que eles tão falando? - riu assentindo.
Peguei meu celular e abri o aplicativo, coloquei nossos nomes e o shipp no search e começamos a ler o que dava, porque toda hora a tela atualizava. Vi um tweet da Jaque e entrei no perfil dela, tinham tentado arrancar da garota o que rolou no casamento.

"Whatever o que aconteceu, nem eu sei! O que me importa de verdade é que eles estao juntos and felizes."

- Vamo retweetar?
- Eu queria, mas acho melhor não.
- Cê que sabe. - riu.

"Os dois vao sumir but nao se preocupem, vou mante-las atualizadas"
"E sobre a loca ainda não ter seguido o menino luan: acho que eles devem estar bem ocupados se é que vcs me entendem"

- Jaqueline é ridícula. - rimos.
Larguei o celular de lado e colocamos Meu primeiro amor pra rodar, é um filme relativamente antigo mas eu amo.
- Olha a pipoca, abre a boquinha.
- Huuum, leite condensado? - chupei o dedo dele.
- Tô imaginando besteira, se é que você me entende.
- Quero é novidade, seu trouxa! - ele riu - Agora fica quieto, quero ver o filme.
- Não podia ser um mais novo não?
- Você disse que eu podia escolher. - cruzei os braços - Vai querer que eu troque?
- Não, pequenininha. Tá bom esse. - apertou minha bochecha.
Quando Meu primeiro amor terminou, escolhemos outro filme, que eu acabei vendo sozinha pois o bonitinho dormiu.
Levantei bem devagar e desliguei a televisão.
Íamos viajar depois do café da manhã, o Luan não tinha se organizado ainda e na correria provavelmente ia esquecer alguma coisa. Como boa namorada-organizada que sou, entrei no closet e fiz a mochila por ele.
Depois escovei os dentes e fui na cozinha, bebi água e pus o balde de pipoca na pia.
Subi pro quarto, tirei os celulares da cama e acendi a tela do do Luan pra testar se ainda era a mesma senha -só por curiosidade-, e era. Abriu no Instagram, ele tinha postado uma foto.


- Tudo mudou mesmo. - sorri, olhando pra ele e voltei pra cama com jeitinho pra não acordá-lo, beijei seu rosto e deitei ao seu lado, arrumando o edredom. Ele suspirou devagar, me puxou pra mais perto e eu ri baixinho, enlaçando nossos dedos.

De manhã, seu Amarildo nos levou pro aeroporto, onde o Leonardo nos esperava com o bicuço pronto pra decolar. E quando chegamos em Londrina, já tinha gente nos esperando também.
Fomos de carro até a chácara, o caminho é meio longo mas vale muito a pena.
Depois de dar uma volta pela casa e conhecer o pessoal que cuidava dela, eu e Luan almoçamos.
- E aí, o que cê quer fazer agora que já tá bem alimentada?
- Tomar banho. - ele riu.
- Cê já andou de cavalo?
- Já né.
- Como é que eu vou saber, garota da cidade? - revirei os olhos - Topa dar uma volta comigo?
- Topo.
- Vou pedir pra selarem o bichinho enquanto cê toma banho, tá? - assenti.
Eu já estava pronta quando ele voltou, aí o mandei pro banheiro. Logo ele saiu com a toalha enrolada na cintura e, quando me viu em pé na cama com o braço esticado e o celular na mão, começou a rir.
- Que foi?
- Que foi digo eu, que que cê tá fazendo aí?
- Não tem sinal aqui?
- Tem uns cantinho da casa que até pega, mas bem mal. A ideia é ficar sem isso. - pegou meu celular - Todo mundo sabe onde a gente tá e se acontecer alguma coisa, notícia ruim chega logo e de qualquer jeito.
- Credo! Me dá meu celular.
- Não, cadê o meu? - abriu uma gaveta - Vamos deixar os dois aqui.
- Tá, tá.
Sentei cruzando os braços, ele riu e foi se vestir.
Chegamos perto do estábulo e o Flávio nos esperava ao lado de um cavalo enorme, cor de caramelo. O Luan foi logo mexer com ele, eu fiquei uns passinhos atrás.
- Vem cá, amor, tenho que apresentar vocês.
- O que?
- Tá com medo? - riu - Vem, muié.
- Passa a mão aqui no pescoço dele. - Flávio incentivou.
O nome do cavalo era Pudim, fiz um contato básico com a criatura antes de subir nele e Luan Rafael tava se achando o príncipe que tinha acabado de resgatar a donzela enquanto cavalgávamos, não dava pra não rir dele.
Passamos a tarde inteira na maior moleza, vendo os episódios da série que o Luan tinha que atualizar.
Só saímos da inércia quando ele me chamou pra ver o pôr do sol.
- Gente, que silêncio. - murmurei.
- Eu gosto.
- Eu também, mas bem menos que você.
- Eu sei. - riu - Ainda bem que comigo cê vai pra qualquer lugar, né?
- Uhum. - sorri e nos beijamos.
- Como eu fui besta de não ter beijado essa boca antes, meu Deus! - ri negando com a cabeça e voltamos a andar - Eu vivia pegando falsos atalhos, enquanto o caminho certo tava bem do meu lado.
- Caminho certo?
- Você. - sorri - Cada escolha que a gente faz, nos leva pra um caminho. E você foi a melhor escolha que eu já fiz, meu melhor caminho.
- Isso foi muito lindo, sabia? Mas cê tá exagerando, amor.
- Não tô, pequenininha.
- A melhor escolha que você já fez foi fazer o show e não o vestibular. Se não virasse cantor, não íamos nem nos conhecer.
- Pior que é verdade... - fez careta - Cê tem razão.
- Eu sempre tenho, pequeno gafanhoto. - apertei seu nariz, ele revirou os olhos e me puxou para outro beijo.
Tava tão afobado que nem parecia que estava me beijando há algumas palavras atrás.
- Realmente, melhor caminho não dá. Você tá mais pra pedaço de mau caminho. - sussurrou roçando seu nariz na minha orelha, gargalhei o empurrando e saí correndo - Ih, surtou?!
Deu risada também e correu atrás de mim. Quando ele conseguiu me pegar, caímos e rolamos na grama, rindo um do outro.
- Ai, seu gordo. - fez com que rolássemos de novo e eu fiquei por cima dele - É melhor assim.
- É. - riu outra vez, eu também.
- Tô muito feliz. - me joguei ao seu lado e ele sorriu, selando nossos lábios - Só você pra me fazer rolar no mato mesmo.
- Isso é amor.
- E um pouco de falta de juízo, talvez.
- Então vamo acabar de vez com esse juízo e
- Quem surtou foi você agora. - sentei rindo - Vamo voltar?
- Já? - assenti e ele levantou - Vamo.
- Me leva? - pedi, esticando os braços.
- Sério isso? - fiz bico - Tá vai, eu levo.
- Oba!
- Vem. - subi nas costas dele - Eita porra. Será que eu vou aguentar?
- Vai, cê é forte.
- Forte e o que mais?
- Lindo.
- E? - gargalhei.
- Gostoso.
- É? Continua.
- Amor da minha vida. Tá bom ou quer mais?
- Tá bom, isso já basta pra mim. - beijei sua bochecha.
Ele me carregou até dentro de casa, só me colocou no chão quando entramos na cozinha.
- O que é isso? - Olívia perguntou rindo.
- Tá vendo né? Ela me escraviza.
- Não te obriguei a nada!
- Obrigou sim.
- Cala a boca. - o empurrei, ela ria da gente.
- Por que vocês não tomam banho enquanto eu termino o jantar?
- Boa ideia, dona Livinha. Vem, maria louca. - agarrou minha mão - Se eu não comer logo, esse cheirinho vai me matar!
- Calma, esfomeado.
Entramos juntos no banheiro, mas eu saí primeiro, nós trocamos de roupa e fomos jantar. Dona Olívia tinha deixado nossa comida pronta e um bilhete, avisando que foi pra casa e que qualquer coisa, chamássemos ela ou o Flávio.
- Dá pra levantar essa bunda gorda da cadeira e guardar a louça?
- Dá, meu amor!
Com a ajuda dele, terminei mais rápido e nós voltamos pro sofá. Luan falou que queria assistir filme, mas eu não tava muito a fim.
Deixei ele na sala e saí, vim olhar o céu. Não demorou nem um minuto e ele apareceu, me abraçando por trás.
- A noite tá bonita né?
- Inspiradora, eu diria. - riu - Acho até que vou tentar compor algo...
- A gente veio aqui pra descansar, meu bem.
- Escrever sobre você não é nenhum esforço pra mim, maria luíza.
- Assim eu não aguento! - falei manhosa e ele riu, beijando meu pescoço.
- Quer ficar aqui fora?
- Não sei. Tá frio, amor.
- Eu esquento você. - assenti - Só espera um pouquinho, já volto.
- Tá. - fiz um coque no cabelo e fiquei esperando por ele - Pra quê isso?
- Ué, pra você não ficar com frio nos pés.
- Meu Deus do céu, garoto... Eu tenho que beijar você agora. - o puxei pela camisa e colei nossos lábios.
Separamos o beijo com selinhos e depois, deitamos agarradinhos na rede da varanda.
Não tinha como ser melhor. Era só nós dois, a lua, um cobertor e a noite estrelada.
- Olha, uma estrela cadente. - apontou - Cê viu?
- Vi.
- E fez um pedido?
- Uhum. O mesmo que você, eu espero. - ri pelo nariz.
- Se você pediu pra gente ser feliz pra sempre; sim, fizemos o mesmo pedido.











Quem teve paciência de esperar até o final propriamente dito: muito obrigada! Obrigada a quem tava aqui desde o início, quem chegou depois, quem deu as caras e depois sumiu, quem foi ghost até o final...enfim, todo mundo.
Obrigada por terem me aturado e desculpa qualquer coisa aí, um beijo no coraçãozinho de vocês.

PS.: Se eu for escrever a próxima fanfic, ela será postada no social spirit por motivos de ser melhor pra mim.

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"Não sabia se para a vida toda, se por muitos anos... Não importava. Naquele momento, no presente, ele certamente era o meu grande amor, a melhor coisa que já tinha acontecido na minha vida, o sentimento mais fundo e bonito que experimentei sentir".
— Ela disse, Ele disse - O namoro. ♥

quinta-feira, 21 de janeiro de 2016

Capítulo 96.


Depois daquele beijo sensacional, o padre nos encaminhou pra uma salinha na interior da igreja, a fim esclarecer a cachorrada.
- Melhor casamento que eu já fui na vida.
- Jaqueline, shh. - mamãe disse.
Entramos eu, Luan, a família dele, os pais da Ana Laura, ela, Rober e Wellington, a Lele, Toni e o padre.
- Agora alguém pode me explicar o que foi aquilo?
- Essa mal amada quer pegar meu marido.
- Marido nada! Eu não falei que aceitava você.
- Mas tava quase.
- Parem! Você, menina, fala. - pediu me olhando.
- É o seguinte: ela podia estar grávida de verdade, mas doente ela não tá e nem nunca foi.
- Pode provar o que está dizendo?
- Claro. Ele é minha prova.
- Não sei quem é esse cara.
- Como não sabe se nos apresentou ele como seu médico? - o pai dela falou alto, tava puto.
Enquanto eles discutiam, eu só ouvia calada. O Toni era que tinha que falar, e foi isso que ele fez.
No fim, o pai dela quase a esbofeteou na nossa frente, o Luan disse que não ia processá-la pra não perder tempo e não largou minha mão um momento sequer.
- Parece que você ganhou, menina do escritório. Esse otário é todo seu. - riu, ela tinha chorado e tava com a maquiagem escorrendo pelo rosto - Ah, e se você quer saber, não rolou nada aquele dia. Ele nunca te traiu, parabéns.
- Como não rolou nada? Você tava
- Meu filho não era seu! Se eu pudesse voltar no tempo, tinha ido pra Madrid com o Cas.
- Então, você tava grávida, Ana Laura? - olhamos pra porta que tinha acabado de ser aberta, era o primo dela - Você tava grávida de um filho meu e ia casar com ele?
- Você disse que
- Vai colocar a culpa em mim? Quantas vezes eu te pedi pra ir embora comigo?
- Mas
- Eu não acredito que você pôde ser tão baixa... Some da minha vida, por favor.
- Cas! Cas, não vai embora! - saiu chorando atrás dele.
- Nossa. - murmurei. Todo mundo também tava de cara no chão.
- O que foi que aconteceu? - Jaque perguntou, depois de ter entrado feito furacão e nos dar um abraço.
- Nada não. O que importa é que a gente tá junto, né amor?
- É. - sorri pra ele - Toni! Vem aqui.
- Desculpa, seu Luan. Eu
- Tá tudo bem, cara. Agora tá. - riu - Você se arrependeu e todo mundo merece uma segunda chance, não quero esquentar minha cabeça com esses problemas não.
- Tem certeza?
- Tenho, pode ficar tranquilo. A Lele vai arrumar sua passagem de voltar pra casa. Brigado viu?
- Meu Deus, eu que agradeço. O senhor podia me prender e não vai fazer, muito obrigado. - apertou a mão do Luan, que sorriu pra ele - Desculpa, Malu. Eu não queria te ajudar por medo... A Ceci ia ficar muito triste comigo se soubesse de tudo, como a Natália tá.
- O amor supera qualquer coisa, digo por experiência própria. - ri - Vai ficar tudo bem pra você, como ficou pra gente. Obrigada.
- Acho que vou roubar a história de vocês e escrever um livro. - Bruna disse e nos abraçamos.
- Vou cobrar diretos autorais viu?
- Mas eu sou sua irmã.
- Ah é né? Vou cobrar mais caro. - rimos.
- Tô tão feliz que meu otp tá de volta nesse world.
- Seu o que? - Jaque gargalhou - O que é isso, amor?
- Nada não, cê não sabe que essa menina é louca? - beijei seu rosto.
- Rafalu is back, Bru. Vamo comemorar.
- Vamo! - saíram rindo.
- Que tal se a gente for embora? A gente sai sem ninguém ver e depois corre pro seu apartamento. - ri - E aí, vamo?
- Correr não é uma boa ideia, meu apê tá mó longe. - sussurrei de volta e ele riu concordando, depois fez um sinal pro Well.
- O que que cê manda, patrão?
- Eu e Malu vamos embora. Sai primeiro e a gente vai logo atrás de você, naquela saída que tem por trás sabe?
- Sei, sei. Tô esperando.
- Pra onde os mocinhos estão indo? - minha mãe perguntou com as mãos na cintura.
- Ih, não rolou sair escondido. - falei e ele riu.
- A gente vai ser feliz, sogra. Posso chamar a senhora assim né?
- Por mim, pode. Mas depende dela aí.
- Posso, amor?
- Pode!
- Mas Pi, e a festa?
- Vish. - coçou a barba - Eu não quero ficar pra essa festa. Mas não dá pra cancelar, não pode estragar aquela comida toda...
- Então vocês vão lá ser feliz e a gente curte a festa, pode deixar. Tchau. - rimos.
- Tá bom, Roberval.
Nos despedimos de todos e o Well nos trouxe pro meu apartamento. O Luan já foi tirando o terno e o sapato enquanto eu trancava a porta.
- Isso aqui fica tão vazio sem você. - coloquei minha mochila na mesa de centro - Bem vindo de volta, cabeção.
- Vem cá. - me chamou com o dedo e eu sentei em seu colo, prendendo as pernas ao redor da sua cintura - Eu achei que tinha te perdido pra sempre.
- Eu também. Mas lá no fundo eu tinha esperanças, por isso não devolvi todas as suas coisas. - ele riu com o rosto enterrado nos meus cabelos - Senti tanto sua falta, achei que ia ficar doida de pedra.
- Mais né? - mostrei a língua - O que mais me deixava triste era saber que cê tava sofrendo por minha culpa. Se pelo menos você tivesse bem, eu ia aguentar ficar longe. Ou não...
- Acho que eu tava mais pra "ou não" também. - folguei a gravata dele - Mas eu não quero ficar falando disso. Vamo falar só de coisa boa tá? Cê tá com fome?
- Tô.
- Vou preparar um
- Ah, vai não.
- Mas você não tava com fome? - ri - Eu só tomei café da manhã e comi um açaí na praia, tô morta de fome.
- Então quer dizer que a senhora tava na praia?
- Tava. Onde cê acha que eu encontrei o Toni?
- Não tinha a menor ideia. - riu - Mas vamos ao que interessa: tá com marquinha?
- Af Luan. - lhe dei um tapa e ele me roubou um selinho - Agora vai lá tomar um banho, que eu vou fazer comida pra gente, vai.
- Vem comigo? - neguei - Por favor?
- Não. Se não a gente vai demorar.
- Essa é a ideia.
- Não, amor. Depois.
- Você que manda, esfomeada. - falou rindo.
- Idiotinha. - apertei seu rosto - Suas coisas estão na última gaveta do lado esquerdo.
Levantei e vim pra cozinha, lavei as mãos e fui procurar o que tinha pra comer. Até que consegui me virar legal em quase meia hora. Quando o Luan apareceu, eu tava terminando de assar uns bifes.
- Tá cheirando isso aí hein.
- Vê se tem refrigerante na geladeira, por favor?
- Tem coca. - colocou na mesa, junto com dois copos, dois pratos e os talheres - Quer que eu termine aí, pra você ir tomar banho?
- Quero, amor. Obrigada.
Aproveitei pra fazer hidratação no cabelo, lá no Rio só passei condicionador por causa da pressa.
- Amor, a comida vai esfriar!
- Tô saindo! Se quiser comer, não precisa esperar.
- Não, eu espero.
Vesti um pijama e enrolei a toalha na cabeça, ele tava esquentando nossos pratos no micro-ondas.
- Demorei muito?
- Mais ou menos. - ri e sentamos - Sabe o que eu tava pensando?
- Não, o que?
- Da gente ir passar essa semana na chácara, que que cê acha?
- Na chácara?
- É, se você quiser... Só nós dois. Tô tão aliviado de não ter que ir pra Portugal. - suspirou - A não ser que você queira, aí a Lele pode tentar dar um jeito de mudar as passagens e
- Não. Vamos pra chácara. - ele sorriu.
- Cê nunca foi comigo lá né?
- Fui uma vez, mas namorando não.
- Então vai ser a primeira de muitas.
- Com certeza.
- Deu certinho pra gente né? - apontou a prato.
- A intenção era essa. Mas se cê quiser repetir, eu faço mais. - riu negando - Foi o Vi que me ensinou a cozinhar pra dois.
- Ah foi? Que legal. - ri da cara dele.
- Qual a graça?
- Nada. - dei de ombros.
Ele nem esperou eu terminar de lavar os pratos e foi pro quarto, quando entrei lá, ele já tava deitado.
Escovei os dentes, sequei o cabelo, acendi o abajur e apaguei a luz.
- Deita pertinho de mim? - pediu baixinho.
- Claro. - puxei o edredom.
- Amor?
- Oi?
- Eu nunca vou admitir que o Vitor é um cara legal, embora ele seja. Eu sei que vocês ainda se falam e eu posso ser educado com ele, mas nada vai me fazer esquecer o fato de que ele... Ele conhece você inteira. E eu sempre vou ter vontade de socar a cara dele por isso, mesmo sendo errado. - gargalhei.
- Calma. - me apoiei nos cotovelos pra olhar pra ele - Quanto ao Vi, você pode ficar tranquilo. Cê sabe mais do que ninguém o que eu fiz quando tava com ele.
- Eu sei e pensando bem, a gente não devia ter feito aquilo.
- Sério? Tu se arrepende?
- Não, não! É só que eu queria ter feito tudo direitinho com você. - começou a mexer numa mecha do meu cabelo - Pra gente dar certo desde o começo.
- Mas aí não ia ser a gente.
- Isso é verdade. - riu - Eu amo você.
- Eu que amo você. - uniu nossos lábios, depois paramos o beijo com selinhos - Ó, você tem que ficar longe das vagabundas viu? Não é pra ficar encostando muito nelas, vou pedir pro Rober te vigiar.
- Hum?
- Mesmo quando a gente não tava junto e eu via aquele rebanho de piranha entrando no camarim, tinha vontade de metralhar todas.
- Rebanho não é de vaca? - perguntou rindo.
- Cardume de vaca, rebanho de piranha. - dei de ombros - É tudo puta mesmo.
- Não tô nem aí pra elas. Só quem me interessa é você, amor da minha vida.
- Acho bom. Eu sei controlar meus ciúmes, mas não me teste.
- Eu sei que você sabe. - apertou meu nariz - E não quero pagar pra ver. Não quero brigar e nem te ver doente, de novo.
- Ainda bem que você lembra.
- E tem como esquecer? Meus amigos não deixam. - ri dele.
- Desculpa, meu amorzinho.
- Fazer o que né? - revirou os olhos - Mas como assim "vou pedir pro Rober te vigiar"? Cê não vai voltar pra LS Music e viajar comigo?
- Não.
- Não? Por quê? - se sentou rápido.
- Não posso deixar os meninos, eu tô crescendo junto com eles. Crescendo sem tá na sombra da Caldi, e nem fazendo as coisas pra outra pessoa ganhar os créditos. Sou muito agradecida por ter aprendido com a Lele e todo mundo, só que agora eu quero caminhar com as minhas próprias pernas sabe?
Ele suspirou e ficou em silêncio por uns minutos torturantes.
- Sei. E você vai, pequenininha. - segurou minhas mãos - Eu te entendo e qualquer coisa que cê precisar, tô aqui viu? Sempre.
- Sério? - pulei nele, o abraçando pelo pescoço.
- Muito sério. - sorri - Morro de saudade de poder ficar o dia todo grudado em você, mas vou aguentar.
- Quando eu puder, viajo pra onde você tiver tá?
- Vou cobrar. - ri assentindo e enchi seu rosto de beijos.
Tava cedo pra dormir mas eu tava cansada e ele também, não tínhamos dormido nada de ontem pra hoje.






* VOTEM PRA ESCOLHER O NOME DA PRÓXIMA FIC:
1 - Perto do coração.
2 - Sabe me prender.
3 - Não deixe nada pra depois.
4 - Meu bem querer.
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"Quando duas pessoas nascem para ficar juntas, elas ficarão juntas. É o destino."
— Água para elefantes. ♥

segunda-feira, 18 de janeiro de 2016

Capítulo 95.


Quando os meninos voltaram pro hotel, o Henrique ainda mandou uma mensagem pra me avisar, mas eu já estava no décimo quinto sono e só vi de manhã.
Acordei cedinho e desci pra tomar café, o Caíque já tava acordado e desceu comigo.
- Dormiu bem? Tá mais animada?
- Uhum. Vamo na praia agora que o sol tá fraquinho?
- Vamo. Vou sou trocar de roupa.
- Eu também. Se os outros estiverem dormindo, não precisa chamar eles.
- Beleza. Me dá um pão de queijo desse, por favor. - empurrei o pratinho pra ele - Ah mocinha, hoje você vai sair com a gente ouviu?
- Sim. E se eu disser que quero ficar sozinha, por favor, me arrastem.
- Deixa com a gente. - ri.
Saímos do hotel e caminhamos cerca de meia hora, pela areia molhada. Eu queria entrar no mar mas, a água ainda tava gelada. Bad.
Sentamos na areia e ficamos olhando as ondas, só que como esse menino não sabe ficar parado, logo me entregou o celular dizendo que ia mergulhar.
- Mais tarde eu entro. Vai lá.
- Tá bom né. - tirou a camisa, jogou-a pra mim e correu pra água - Mano, tá frio!
- Eu sei! - gargalhei.
Conversei com a Jaque até a mamãe chamá-la dizendo que a Bruna tinha chegado, elas iam num spa se embelezar pro casamento. Minha irmãzinha prometeu que ia mandar o look pra mim antes de postar, me senti bem importante.
- Chegamos. - Nathan anunciou, sentando do meu lado.
- Ver aquela plaquinha de açaí ali me deu uma fome.
- Açaí? Eu quero. Cê vai lá, Paulo?
- Vou.
- Quem vai pagar pra mim? Esqueci a carteira no quarto.
- O Paulo paga. Vem, Nath. - entrelacei nossos braços.
- Vocês acham que eu tô rico é? Mereço. - veio atrás de nós.
Fomos até um dos quiosques e uma mulher bem simpática nos atendeu, comemos lá e voltamos pra perto do resto do pessoal.
- Tá ficando fortinho. - apertei os bíceps do Nathan enquanto passava protetor solar nele - Caíque, já tá bom de passar de novo.
- De novo?
- Claro. E você precisa tomar água. - espalhei protetor em seu rosto - Paulo Augusto, vem aqui.
- Tu vai ser uma mãe helicóptero e eu vou ter pena dos teus filhos.
- Cala a boca. - dei o frasco pra ele - Meu trabalho é cuidar de vocês.
- E você leva muito a sério.
- Lógico.
- Imagina o que ela não fazia com o Luan. - Nathan cochichou e eu lhe dei o dedo do meio.
Retornamos ao quiosque da mulher, tava ela e mais um moço lá. Ela tava preparando alguma coisa, aí quem veio nos atender foi o cara.
- Malu, Malu! Tá dormindo? - Paulo balançou meu ombro, sacudi a cabeça ainda não acreditando.
- Eu... Te conheço.
- Desculpa mas não conhece não, senhora. Aqui a água de vocês. - Paulo pegou as garrafinhas - Agora eu tenho que ir ali atender uma mesa. Licença.
- Moço, espera! - fui atrás dele e o agarrei pelo braço - Você tava na casa do Luan. Era o médico da Ana Laura.
- Eu não sou médico.
- Se tu não é médico, ela não tá doente. Não é!?
- A senhora deve estar me confundindo com alguém.
- Para de mentir. Eu não sou louca!
- Eu não sei do que você tá falando.
- Então porque tá tão nervoso?
- Moça, eu não tenho mais nada a ver com essa história. Me deixa em paz, por favor.
- O que você fez? Ela te pagou? Quanto?
- Se me der licença, eu preciso trabalhar.
- Não vou dar licença! Eu pago mais, se me contar a verdade.
- Tá tudo bem aí?
- O que tá acontecendo? - a mulher perguntou, ele suspirou.
- Eu só queria que a Ceci tivesse uma festa inesquecível.
- Toni, a festinha da Ceci...? O que foi que você fez?
- Aquela patricinha me pagou sim, me pagou pra falar com o cantor e a família dela. - ele começou, segurei no Paulo pra não cair - Ela arrumou tudo pra mim, só precisei aparecer e falar o que ela me pediu.
- Eu não vou questionar seus motivos pra ter aceitado, mas por favor, me ajuda. - pedi - Cê tem que dizer a verdade pro Luan.
- Ele vai querer me prender.
- Não vai, eu não vou deixar! - uma onda de esperança tomou conta de mim junto com uma onda de lágrimas - Pelo amor de Deus, me ajuda. Nunca te pedi nada!
- Eu não posso...
- Ele não pode casar enganado, não pode casar com ela. Eu amo demais aquele homem e só você pode me ajudar. Por favor. - peguei um guardanapo e limpei o rosto, quando vi que a praia toda tava olhando meu chororô, e o pessoal da equipe já vinha chegando - Quanto você quer? Eu dou, eu dou.
- Ele não vai aceitar seu dinheiro, mas vai te ajudar. Não chora. - a mulher tocou meu ombro.
- Natália, eu não
- Você fez coisa errada e vai ter que consertar, Antônio. Vai ter que dar um bom exemplo pra sua sobrinha.
- Natália!
- Onde tá esse Luan? - ela o ignorou - Você vai lá contar a verdade pra ele agora.
- O Luan tá em São Paulo, a gente tem que correr!
- Hãn?
- Eu vou ver se tem voo pra agora, se não tiver, nós vamos de carro. - avisei e ele assentiu sem escolha - Muito obrigada, dona Natália. Muito mesmo.

Milagrosamente, consegui comprar uma passagem pro Toni e mudar as de todo mundo pra hoje, daqui duas horas. É tempo de sobra.
Eu falei que ninguém precisava vir atrás de mim, mas todo mundo decidiu voltar pra Sp.
Tomei um banho mega rápido e joguei as coisas dentro da minha mochila de qualquer jeito, ainda tive que ficar esperando o resto do pessoal e o Antônio. Ele demorou tanto que meu desespero subiu de 42826283 pra 9968729282%, quase um infarto.
Nossos táxis chegaram e no caminho pro aeroporto até lá na sala de espera, eu fui tentando falar com a Jaque ou qualquer pessoa. Mas ninguém atendia.
- Não vai dar tempo, Nath. Quando eu chegar, ele já vai ter casado.
- Claro que vai. Tá doida? - me abraçou.
Não tava dando mais pra segurar o choro. Não depois do nosso voo atrasar dez mil anos.
- Doida eu tava quando fui me deixando levar pelo sorriso dele.
- Pensamento positivo, pequena gafanhota. Cê encontrou o Toni que era o mais difícil, chegou até aqui, quem disse que não vai conseguir?
- Eu tô dizendo, Augusto.
- Normalmente é você quem fala isso, mas hoje eu vou adotar: cala essa boca, maria luíza. - Caíque falou, o fuzilei com o olhar.
- Ele tá certo. Ó, eu ouvi em algum lugar que o amor verdadeiro é mágico, e não apenas uma magia qualquer, e sim a magia mais poderosa de todas. - dei um meio sorriso - Você acredita em magia, mocinha do chaveiro de fada?
- Acredito, Nath.
- Tem fé Nele? - apontou pra cima.
- Tenho.
- Então vai dar tudo certo.
Após o anúncio do nosso voo, as coisas começaram a correr. Graças a Deus.
O pessoal da equipe ainda ficou pelo aeroporto quando eu saí. A mochila do Caíque tava demorando demais e eu não podia esperar, por isso ele não veio comigo.
Eu, Nathan, Paulo e Toni pegamos um táxi e eu mandei o motorista voar. Ele atendeu ao meu pedido e inclusive, teve momentos que eu achei que fosse morrer.
- Parece que só podemos ir até aqui. - avisou.
- Tudo bem, obrigada. Paulo, tem dinheiro na minha carteira, paga aí. - abri a porta e saí correndo.
- Malu, espera!
Tinha um mar de gente na minha frente: fãs, imprensa e tudo que se possa imaginar. Respirei fundo e me enfiei no meio do povo.
- Malu? - um menino falou surpreso - Pelamor, me diz que você veio acabar com esse casamento.
- Tô tentando.
- A gente vai te ajudar. - ele assoviou tão alto que eu quase fiquei surda - A Malu veio salvar o Luan, deixem ela passar.
Fizeram tipo um corredor e eu fui passando, ouvindo uns "boa sorte", "obrigada", "vai dar tudo certo". Se alguém me contasse uma história dessa, eu decerto não acreditaria.
Quando cheguei mais perto da entrada, me ajudaram a pular a grade e eu agradeci.
- Onde você pensa que vai? - um segurança perguntou de braços cruzados, engoli seco.
- Lá dentro, ajudar um amigo.
- Ah é?
- É. E você não pode me impedir, sou convidada. - me olhou de cima a baixo e riu - Eu decidi que vinha de última hora. Pode procurar meu nome na sua lista, é Malu Rodríguez.
- Não tem nenhuma Malu Rodríguez aqui. - olhou no tablet.
- Mas tem um Roberto e uma Samanta, não tem? Eles são meus pais.
- Não posso lhe dar esse tipo de informação. - outros dois armários apareceram - Levem ela.
- Não, não. Eu preciso entrar!
- Sem convite e nome na lista, não entra ninguém.
- Moço, por favor.
- Ela é amiga de todo mundo aí, cê tem que deixar ela entrar. - uma das meninas gritou e a confusão começou.
- Olha o que você tá causando, garota. Vá embora. - me empurrou.
- Não encosta nela! - Paulinho entrou na minha frente.
A baixaria ficou maior ainda e tentaram nos tirar de lá a força, nessa hora todas as minhas esperanças já tinham ido embora, de verdade.
Os fãs começaram a surtar e no meio daquela muvuca, de longe eu vi o Well.
- Wellington, Wellington! - gritei o mais alto que pude e ele arregalou os olhos, vindo na nossa direção.
- Malu?
- Manda eles me deixarem entrar, pelo amor de Deus. O Luan tem que saber a verdade.
- Eu achava que só rolava dessas coisas em filme. - ele riu - Soltem eles. Vem Malu.
- Ela não pod
- Eu sou o chefe da segurança e tô dizendo que ela vai entrar, que eles vão. - os caras nos soltaram e os fãs aplaudiram.
- Agora vai, Malu. Salva nosso cantor!
- Vai logo que tá quase na hora do "sim", por ali ó. - assenti e lhe abracei, antes de sair correndo.
- Calma, tu tem que esperar o "fale agora ou
- Cala a boca, Nathan. - eles riram.
Paramos na porta e eu respirei fundo, não sei nem o que falar mas é agora. Seja o que Deus quiser.
- Pronta? - Toni perguntou e eu assenti.
- Boa sorte, tia.
- Obrigada, meninos. - contei até dez e empurrei aquelas portas enormes - Para, para tudo!
Todo mundo se virou pra mim, senti minhas bochechas arderem e respirei fundo outra vez. Vi a Jaque lá na frente, sorrindo pra mim e sorri de volta, caminhando pro altar.
- O que tá acontecendo aqui? - o padre perguntou - Menina, você não pode invadir a Casa do Senhor desse jeito.
- Desculpa, mas... Luan, cê não pode casar com ela.
- Por quê?
- Do quê ela tá falando? Quem deixou essa mulher entrar? - a noivinha deu chilique.
- Tem uma pessoa aqui que quer te ver. - apontei pra trás e ela arregalou os olhos.
- Como vai, dona Ana Laura?
- Mas o que... Eu tô passando mal. - colocou a mão na cabeça - Lu, por favor, me ajuda.
- Sai. - ele "jogou" ela pra cima das madrinhas - Eu não tô entendendo nada.
- Não precisa entender, só diz que quer ficar comigo. - estendi minha mão pra ele - Eu amo você, Rafael.
Ele pendeu a cabeça pro lado e em seguida, abriu um sorriso enorme.
- Eu também amo você, pequenininha. - segurou minha mão, sorri e nos abraçamos.
- E eu tô é morta! - Jaqueline falou e nós dois rimos.
- Agora beija!
- Deixa comigo, Fany. - piscou.
Não foi um beijo qualquer, foi O beijo. Todo o falatório cessou, a igreja inteira parou pra nos assistir.


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"E aquele beijo lá pra fim de julho, se fez silêncio em meio a tanto barulho."
— Morena. ♥

terça-feira, 29 de dezembro de 2015

Capítulo 94.


Era um Luan cheirando a álcool, que praticamente caiu aos meus pés.
- Meu Deus, o que você... Ai, levanta. - me abaixei pra ajudá-lo - Vem, vem.
- Você tá tão linda.
- De pijama?
- É, tá linda.
- E você tá fedido. - ele riu, o coloquei pra dentro e tranquei a porta - Como cê veio parar aqui?
- Seu amor me guiou. - ri negando.
- Essas chaves não são suas. De quem são?
- Peguei do Testa. Eu precisava ver você.
- E tinha que vir assim? No meio da noite? Bêbado, Luan?
- Desculpa. - seus olhos encheram d'água - Posso te pedir uma coisa?
- Pode.
- Foge comigo? A gente vai pra onde você quiser, ninguém vai saber.
- Fugir? Você tem um filho pr
- Não! Eu perdi. Perdi meu filho e perdi você.
- Não, Luan, não chora.
- Pega só seu passaporte, amor. Não precisa levar nada, a gente compra.
- Nós não podemos ir.
- Podemos sim!
- Olha pra mim, calma. - segurei seu rosto - Cê não tá legal, nem sabe direito o que tá falando e
- Sei sim.
- Me escuta. - pedi - Você não pode deixar a Ana Laura doente e, às vésperas do casamento. Pensa direitinho, vai que acontece alguma coisa com ela?
- Não tô nem aí pra ela, Malu. - o olhei repreensiva - É você que não quer né? Você não gosta de mim. Vai ver nem me amou de verdade.
- Cala a boca, tu não sabe mesmo do que tá falando! Eu nunca disse que não te amei.
- E também nunca disse que me amava. - essa acertou bem na minha cara, era verdade.
- Eu fiz mais que isso e você sabe. - suspirei - Vou ligar pra alguém vir te buscar.
- Se eu vim sozinho, posso voltar sozinho. - passou a mão no rosto pra secar as lágrimas.
- Ah pode, claro. Nem se eu tivesse doida! - falei alto, quase gritei - Quer saber? Fica. Amanhã você vai pra casa.
- Não quero ficar onde não sou bem vindo.
- Acho melhor você ir tirando esse sapato, vou te dar um banho.
- Não quero banho. - cruzou os braços.
- Se eu voltar e você ainda tiver com ele, vai pra casa descalço.
Fora as que eu cortei, ainda tenho roupas dele aqui, pois é. Luan se vestiu sozinho enquanto eu preparava um lanchinho pra ele.
- Estendi a toalha na área. - assenti, fechando a geladeira.
- Tá com fome? Fiz café, quer torra
- A única coisa que eu quero é você, maria luíza.
- Come aí, por favor.
- Tá bom.
Ele comeu pouquinho e foi pro meu quarto, uma escova de dentes dele ainda habita meu banheiro. O outro quarto já tava pronto, vi ele passar pra lá enquanto arrumava a cozinha.
São tantos "ainda" na minha vida, é exaustivo.
- Boa noite, meu amor. - ele já estava dormindo, o cobri com o lençol e beijei seu rosto - Me dói muito ter que desistir de você, sabia? Só tô fazendo isso porque vai ser melhor pra gente... Espero que seja.
Mandei uma mensagem pra Bruna, Rober e Amarildo, avisando que o Luan tava aqui e que não tivessem pressa pra buscá-lo, ele precisa descansar. Eu também.
Inevitavelmente, chorei baixinho até dormir, no sofá mesmo.

- Não acredito que você dormiu aqui, pequenininha. - ouvi sua voz e abri os olhos, ele estava inclinado sobre mim. Acho que ia me por no colo.
- Você já acordou? Que horas são?
- Não sei. Cê tava chorando?
- Foi um cisco.
- Um cisco nos dois olhos? - ergueu uma sobrancelha.
- Tu conhece a casa tão bem quanto eu, fica à vontade. Tenho que me arrumar. - levantei rápido.
Quase me assustei com a minha cara refletida no espelho, tomei um banho demorado e depois caprichei numa maquiagem pra tapar aquelas olheiras. Me vesti mega básica: regata, short e all-star. Fiz um rabo de cavalo e lógico, peguei um óculos escuro.
- Pra onde cê vai? - perguntou, me vendo deixar a mochila no sofá.
- Trabalhar.
- Não vai comer? Fiz um sanduíche pra você.
- Pegou suco ou quer café?
- Peguei suco. Tem pra você também.
- Obrigada. - sentei perto dele no balcão - Quando cê for embora, leva a chave pra Fany tá?
- Tá. Me empresta seu celular? Quero ligar pro meu pai.
- Já avisei que você veio pra cá. O celular tá ali na mesinha.
Não falamos mais nada. Terminei de comer e fui escovar os dentes, passei um batonzinho, conferi meus documentos e pronto.
- Aqui ó. - me devolveu o celular - Obrigado e desculpa por tudo isso, eu... Vou deixar você viver sua vida.
- Felicidades pra você e a sua noiva, quase esposa. - dei de ombros - Vocês tem todo tempo do mundo pra... terem outros filhos.
- É. Malu, o Carlos parece ser um cara legal.
- E ele é, mas não vai rolar nada além de amizade.
- Aquele dia, eu pedi pro boi ficar atrás de você. Desculpa.
- Eu já sabia, mas agora já era né? - ri, meu celular vibrou - Eles chegaram, tenho que ir.
- Tchau. Se cuida.
Sai do apê e me arrastei pro elevador, eu tava uma zumbi. Uma zumbi maquiada, perfumada e apaixonada por um cara que vai casar amanhã. Tô super bem, bem demais.
- Bom dia, seu Valter. - o cumprimentei.
- Bom dia, Malu. Os garotos acabaram de chegar, já ia interfonar.
- Fui mais rápida dessa vez. - pisquei e ele riu assentindo.
- Que cara é essa? - eu mal tinha entrado na van e o Caíque já foi perguntando.
- Não consegui dormir nada.
- Ah, tadinha. Dorme até a hora do show.
- É uma boa sugestão.
- Foi só isso mesmo? - Nathan passou o braço pelos meus ombros e eu deitei no dele.
- Não.
- Quer me contar?
- Depois. Ou eu sou muito previsível ou você me conhece muito bem, em pouco tempo né? - ele riu.
- Acho que somos amigos desde outras vidas.
- É possível.
- Com certeza.
- Quem topa uma praia amanhã? - perguntei.
- Opa, tô dentro.
- Eu também.
- Também vou. Coloco um óculos escuro tipo os seus e fico de boa, vendo as gatinhas passando de biquíni. - todos riram, eu revirei os olhos.
- Que ridículos.
Chegamos em cima da hora pro nosso voo, foi melhor porque assim não tivemos que ficar esperando. Desembarcamos antes do meio dia e fomos logo almoçar, depois partimos pro trabalho.
Durante o show, deixei umas lágrimas rolarem na 'Antes que o dia acabe' e na 'Teu olhar', era impossível não pensar nele.
No jantar, eu comi bem mal e inventei uma desculpa pra ir dormir cedo, o pessoal achou estranho já que eu tinha dito que queria curtir a noite carioca.
- Não quer que eu fique? Tem certeza?
- Absoluta, Paulo Augusto.
- A gente devia arrastar você, sabia? Vem Japa, vamo pegar ela. - os afastei rindo - Só quero saber até quando você vai ficar assim.
- Até eu ir dormir. - Gui riu - Amanhã é outro dia e nós vamos para a praia, então, não voltem tarde e se comportem.
- Sim senhora.
Quando enfim cheguei no meu quarto, me enfiei de baixo das cobertas após um banho quente. Conversei com minha mãe e assisti alguns documentários antes de pegar no sono.

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"Não, não pode ser o fim. Se acabou de começar."
— Amando sem parar. ♥

domingo, 20 de dezembro de 2015

Capítulo 93.


Fomos pra um camarote bem animado, fiquei na grade vendo o show de uma dupla que nunca tinha ouvido falar enquanto o Rober ia no bar, eles eram até bonzinhos.
Ver o casal vinte chegando de mãos dadas e sorrindo, mexeu muito comigo, mais até do que eu imaginei.
- O que foi? Ah... Ele não falou que vinha. - dei de ombros.
- Vamo dançar?
- Bora.
Dançamos umas quatro músicas e voltamos pra mesa, eu rindo e o Roberval fingindo estar bravo porque o chamei de fracote.
- Malu? Não sabia que você estaria aqui.
- Digo o mesmo. - retribuí seu sorriso falso - Oi Luan.
- Oi. - deu um sorrisinho torto.
- Ei, dona sumida!
- Eu?
- Você mesma. - rimos e nos abraçamos.
- Tô com a agenda meio apertada, Bru. - fiz careta - Vou falar com a mamãe pra marcamos um chá, pode ser?
- Pode, pode. E chama a Fany também, quero ver a barriguinha dela. - assenti rindo.
A Ana Laura me pareceu incomodada com o interesse da Bruna na gravidez da Stéfany. Mudei o foco da conversa elogiando seus sapatos, que eram realmente bonitos.
- Olha o que eu achei! - Marquinhos falou chegando.
- O que?
- Essa sumida aqui. - me abraçou de lado.
- Tá vendo só?
- Eu não sumi. Vocês é que não me procuram. - pisquei e eles riram - E você tava onde? Nem te vi.
- Encontrei umas colegas ali, tava batendo um papo.
- Sei bem qual o seu papo, rei delas.
- Deixa baixo, Maluzinha. - ri negando - Cês querem alguma coisa?
- Tô legal. - Bruna levantou o copo.
- Quero ir pra casa, já deu sono.
- Ir pra casa agora? Corta essa. Vou pegar um energético pra você. Nem adianta dizer que não. - me interrompeu antes mesmo que eu abrisse a boca, revirei os olhos.
Ele nem demorou muito pra voltar, depois sumiu de novo.
- Ana... Cê tá legal? Quer alguma coisa?
- Quero um drink, igual o da Bru.
- Um drink? Tá doida?
- O que que tem?
- O que que tem que você tá com um filho meu na barriga. Ou esqueceu?
- Não esquecei não.
- Que bom! Água com gás ou sem?
- Com.
- Cris, Malu, querem alguma coisa?
- Hum?
- Quer que eu peça...? - apontou minha lata.
- Ah não, Luan. Obrigada.
- Tá.
Eu já não tava muito animada, agora então, só por Deus. A lata na minha mão se tornou a coisa mais interessante do mundo, não queria ficar olhando pro casal.
- Assessora?
- Carlos! Oi. - levantei e nos abraçamos.
- Tá boa? - assenti - Não tô vendo o Nathan com você...
Seu tom de voz me fez corar, ele riu negando com a cabeça.
- Ó, é que
- Não precisa explicar. Se cê não queria nada, era só ter falado.
- Foi mal. - fiz careta.
- Esquenta com isso não. - sorri aliviada - Qual é a do canudo?
- Energético.
- Ah. - riu.
- Apresenta seu amigo pra gente, Malu. - Ana Laura disse um tanto maliciosa. Vaca.
- Carlos, esses são: Ana, Cris, Well, Bruna, Luan e... Tá faltando gente.
- O Luan eu já tive a oportunidade de conhecer.
- É. - apertaram as mãos.
- E vocês dois, se conhecem faz tempo? - todos olhamos pra ela.
- Tem um tempinho sim.
- Vamo andar um pouquinho? - sugeri passando meu braço pelo dele - Tô cansada de ficar parada.
- Vamo lá. Foi um prazer conhecer vocês.
- Tchau. - Bruna acenou.
Nós fomos pra longe deles, graças a Deus. Suspirei e bebi o que restava na minha lata.
- Dança comigo?
- Tava esperando o convite. Os caras andam bem lentos ultimamente né? - provoquei. Chegou a hora de desapegar.
A atmosfera da música foi nos envolvendo, cada vez mais. Ele notou que eu tava querendo mas mesmo assim, foi devagar e só me deu um beijinho no canto da boca.
- Maria luíza!
- Roberval! - me separei do Carlos, frustrada.
- Quem é esse aí?
- Se era só isso, tu não podia esperar eu beijar primeiro?
- Não. - revirei os olhos.
- Carlos, Rober. Rober, Carlos. Ok?
- Ok. Oi, e aí?
- Oi. - Carlos riu, estava claramente confuso.
- Cê deixou seu celular lá na mesa. Toma.
- Meu celular? Não, o meu tá comigo. - acendi a tela - Esse é do Luan.
- É? Então, foi mal ter atrapalhado.
- Mal? Querido, foi péssimo. Sabe quanto tempo faz que eu não beijo? - cochichei pra ele, que riu alto.
- Não sei.
O queridão deu a desculpa de que não aguentava mais ouvir o papo da Ana Laura e ficou junto com a gente, ou seja, continuei no 0x0.
- Cê não vai devolver o celular dele? - tentei.
- Depois eu dou. Parece até que não me quer aqui, Maluzinha. - se fez de ofendido, sorri sarcástica - Tem algum problema pra você, Carlos?
- Nada, que isso.
- Af. Vou pegar alguma coisa pra beber, já que não tem nada descente pra comer nesse lugar.
- Tá com fome?
- Uhum.
- Aqui pertinho tem um restaurante bem legal, topa? - confirmei com a cabeça - Vem com a gente, Rober?
- Eu posso, dona Malu?
- Sem gra-ça. - mostrei a língua - Pode né.
Bruna e Marcos também vieram conosco, o Luan foi pra casa com a Ana e a prima dela, Well os levou. O restaurante era legal e a comida boa, ficamos até quase duas da manhã.
O Carlos me trouxe em casa e quando fomos nos despedir, na frente do prédio, ele tentou me beijar mas eu fui otária e virei o rosto.
- Você ainda gosta do seu ex né? - perguntou de repente.
- E-eu
- E parece que ele também gosta de você. É injusto.
- Não, nada a ver. - ri nervosa.
- Então por que o amigo de vocês grudou na gente a noite toda? Não que tenha sido ruim, mas eu preferia estar só contigo.
- Desculpa. - apoiei a cabeça nas mãos - Que droga!
- Calma...
Combinamos de ser só amigos, infelizmente não estou preparada para mais que isso. Minha cabeça já compreendeu a situação há tempos, já o coração, não posso dizer o mesmo.

Uns dias atrás nos juntamos na casa da minha mãe, pro chá que eu tinha combinado com a Brubs.
Parece que o Brasil inteiro só sabia falar do casamento do Luan, peguei um abuso enorme da internet e só tava usando pro que era realmente necessário.
- Pro Rio, Malu? - afastei o celular da orelha.
- É Jaqueline, para de gritar. Lembra que me demitiram? Que eu não sou mais padrinha?
- Não existe essa coisa de demitir padrinha. - desliguei a televisão da sala e vim pro meu quarto - Eu sei que é difícil pra você. Mas se cê fosse, ia provar pra todo mundo que
- Jaque, tu não sabe quantos quilos saíram das minhas costas com isso. E eu não preciso provar nada pra ninguém, não tem nada que me faça ir naquela igreja.
- Cê não deve tá sabendo, então deixa eu te dizer
- Eu não vou. - falei pausadamente - Amanhã eu viajo cedo, me "deixa" ir dormir, por favor.
- Desculpa... Boa viagem.
- Obrigada. Fala pra mamãe que domingo eu vou aí, direto do aeroporto.
- Domingo? O show não é amanhã?
- É, mas sábado vamos aproveitar a praia.
- Ata. Melhor do que ficar trancada, chorando num quarto de hotel.
- Com certeza.
- Se lá tiver algum salva-vidas gatinho, finge que tá se afogando e pá. - gargalhei.
- Tá certo. E ah, o buffet é maravilhoso, come por mim.
- Comerei, irmãzinha.
Esse fim de semana é o casamento, eu fiz tudo que pude pra conseguir um show bem longe de São Paulo mas como foi meio em cima da hora, só deu pra ser no Rio.
Quando finalizei a ligação com a Jaque, escovei os dentes, conferi minhas coisas na mochila e fui dormir.
Achei que tava sonhando com a campainha tocando, só que era real. Procurei o celular e vi as horas, uma e vinte e sete da manhã. Quem podia ser essa hora? O Nick? E se aconteceu alguma coisa com a Fany e o neném? Levantei correndo pra atender.


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"I try to fight this but I know I'm not that strong."
— I need you love.