Quando os meninos voltaram pro hotel, o Henrique ainda mandou uma mensagem pra me avisar, mas eu já estava no décimo quinto sono e só vi de manhã.
Acordei cedinho e desci pra tomar café, o Caíque já tava acordado e desceu comigo.
- Dormiu bem? Tá mais animada?
- Uhum. Vamo na praia agora que o sol tá fraquinho?
- Vamo. Vou sou trocar de roupa.
- Eu também. Se os outros estiverem dormindo, não precisa chamar eles.
- Beleza. Me dá um pão de queijo desse, por favor. - empurrei o pratinho pra ele - Ah mocinha, hoje você vai sair com a gente ouviu?
- Sim. E se eu disser que quero ficar sozinha, por favor, me arrastem.
- Deixa com a gente. - ri.
Saímos do hotel e caminhamos cerca de meia hora, pela areia molhada. Eu queria entrar no mar mas, a água ainda tava gelada. Bad.
Sentamos na areia e ficamos olhando as ondas, só que como esse menino não sabe ficar parado, logo me entregou o celular dizendo que ia mergulhar.
- Mais tarde eu entro. Vai lá.
- Tá bom né. - tirou a camisa, jogou-a pra mim e correu pra água - Mano, tá frio!
- Eu sei! - gargalhei.
Conversei com a Jaque até a mamãe chamá-la dizendo que a Bruna tinha chegado, elas iam num spa se embelezar pro casamento. Minha irmãzinha prometeu que ia mandar o look pra mim antes de postar, me senti bem importante.
- Chegamos. - Nathan anunciou, sentando do meu lado.
- Ver aquela plaquinha de açaí ali me deu uma fome.
- Açaí? Eu quero. Cê vai lá, Paulo?
- Vou.
- Quem vai pagar pra mim? Esqueci a carteira no quarto.
- O Paulo paga. Vem, Nath. - entrelacei nossos braços.
- Vocês acham que eu tô rico é? Mereço. - veio atrás de nós.
Fomos até um dos quiosques e uma mulher bem simpática nos atendeu, comemos lá e voltamos pra perto do resto do pessoal.
- Tá ficando fortinho. - apertei os bíceps do Nathan enquanto passava protetor solar nele - Caíque, já tá bom de passar de novo.
- De novo?
- Claro. E você precisa tomar água. - espalhei protetor em seu rosto - Paulo Augusto, vem aqui.
- Tu vai ser uma mãe helicóptero e eu vou ter pena dos teus filhos.
- Cala a boca. - dei o frasco pra ele - Meu trabalho é cuidar de vocês.
- E você leva muito a sério.
- Lógico.
- Imagina o que ela não fazia com o Luan. - Nathan cochichou e eu lhe dei o dedo do meio.
Retornamos ao quiosque da mulher, tava ela e mais um moço lá. Ela tava preparando alguma coisa, aí quem veio nos atender foi o cara.
- Malu, Malu! Tá dormindo? - Paulo balançou meu ombro, sacudi a cabeça ainda não acreditando.
- Eu... Te conheço.
- Desculpa mas não conhece não, senhora. Aqui a água de vocês. - Paulo pegou as garrafinhas - Agora eu tenho que ir ali atender uma mesa. Licença.
- Moço, espera! - fui atrás dele e o agarrei pelo braço - Você tava na casa do Luan. Era o médico da Ana Laura.
- Eu não sou médico.
- Se tu não é médico, ela não tá doente. Não é!?
- A senhora deve estar me confundindo com alguém.
- Para de mentir. Eu não sou louca!
- Eu não sei do que você tá falando.
- Então porque tá tão nervoso?
- Moça, eu não tenho mais nada a ver com essa história. Me deixa em paz, por favor.
- O que você fez? Ela te pagou? Quanto?
- Se me der licença, eu preciso trabalhar.
- Não vou dar licença! Eu pago mais, se me contar a verdade.
- Tá tudo bem aí?
- O que tá acontecendo? - a mulher perguntou, ele suspirou.
- Eu só queria que a Ceci tivesse uma festa inesquecível.
- Toni, a festinha da Ceci...? O que foi que você fez?
- Aquela patricinha me pagou sim, me pagou pra falar com o cantor e a família dela. - ele começou, segurei no Paulo pra não cair - Ela arrumou tudo pra mim, só precisei aparecer e falar o que ela me pediu.
- Eu não vou questionar seus motivos pra ter aceitado, mas por favor, me ajuda. - pedi - Cê tem que dizer a verdade pro Luan.
- Ele vai querer me prender.
- Não vai, eu não vou deixar! - uma onda de esperança tomou conta de mim junto com uma onda de lágrimas - Pelo amor de Deus, me ajuda. Nunca te pedi nada!
- Eu não posso...
- Ele não pode casar enganado, não pode casar com ela. Eu amo demais aquele homem e só você pode me ajudar. Por favor. - peguei um guardanapo e limpei o rosto, quando vi que a praia toda tava olhando meu chororô, e o pessoal da equipe já vinha chegando - Quanto você quer? Eu dou, eu dou.
- Ele não vai aceitar seu dinheiro, mas vai te ajudar. Não chora. - a mulher tocou meu ombro.
- Natália, eu não
- Você fez coisa errada e vai ter que consertar, Antônio. Vai ter que dar um bom exemplo pra sua sobrinha.
- Natália!
- Onde tá esse Luan? - ela o ignorou - Você vai lá contar a verdade pra ele agora.
- O Luan tá em São Paulo, a gente tem que correr!
- Hãn?
- Eu vou ver se tem voo pra agora, se não tiver, nós vamos de carro. - avisei e ele assentiu sem escolha - Muito obrigada, dona Natália. Muito mesmo.
Milagrosamente, consegui comprar uma passagem pro Toni e mudar as de todo mundo pra hoje, daqui duas horas. É tempo de sobra.
Eu falei que ninguém precisava vir atrás de mim, mas todo mundo decidiu voltar pra Sp.
Tomei um banho mega rápido e joguei as coisas dentro da minha mochila de qualquer jeito, ainda tive que ficar esperando o resto do pessoal e o Antônio. Ele demorou tanto que meu desespero subiu de 42826283 pra 9968729282%, quase um infarto.
Nossos táxis chegaram e no caminho pro aeroporto até lá na sala de espera, eu fui tentando falar com a Jaque ou qualquer pessoa. Mas ninguém atendia.
- Não vai dar tempo, Nath. Quando eu chegar, ele já vai ter casado.
- Claro que vai. Tá doida? - me abraçou.
Não tava dando mais pra segurar o choro. Não depois do nosso voo atrasar dez mil anos.
- Doida eu tava quando fui me deixando levar pelo sorriso dele.
- Pensamento positivo, pequena gafanhota. Cê encontrou o Toni que era o mais difícil, chegou até aqui, quem disse que não vai conseguir?
- Eu tô dizendo, Augusto.
- Normalmente é você quem fala isso, mas hoje eu vou adotar: cala essa boca, maria luíza. - Caíque falou, o fuzilei com o olhar.
- Ele tá certo. Ó, eu ouvi em algum lugar que o amor verdadeiro é mágico, e não apenas uma magia qualquer, e sim a magia mais poderosa de todas. - dei um meio sorriso - Você acredita em magia, mocinha do chaveiro de fada?
- Acredito, Nath.
- Tem fé Nele? - apontou pra cima.
- Tenho.
- Então vai dar tudo certo.
Após o anúncio do nosso voo, as coisas começaram a correr. Graças a Deus.
O pessoal da equipe ainda ficou pelo aeroporto quando eu saí. A mochila do Caíque tava demorando demais e eu não podia esperar, por isso ele não veio comigo.
Eu, Nathan, Paulo e Toni pegamos um táxi e eu mandei o motorista voar. Ele atendeu ao meu pedido e inclusive, teve momentos que eu achei que fosse morrer.
- Parece que só podemos ir até aqui. - avisou.
- Tudo bem, obrigada. Paulo, tem dinheiro na minha carteira, paga aí. - abri a porta e saí correndo.
- Malu, espera!
Tinha um mar de gente na minha frente: fãs, imprensa e tudo que se possa imaginar. Respirei fundo e me enfiei no meio do povo.
- Malu? - um menino falou surpreso - Pelamor, me diz que você veio acabar com esse casamento.
- Tô tentando.
- A gente vai te ajudar. - ele assoviou tão alto que eu quase fiquei surda - A Malu veio salvar o Luan, deixem ela passar.
Fizeram tipo um corredor e eu fui passando, ouvindo uns "boa sorte", "obrigada", "vai dar tudo certo". Se alguém me contasse uma história dessa, eu decerto não acreditaria.
Quando cheguei mais perto da entrada, me ajudaram a pular a grade e eu agradeci.
- Onde você pensa que vai? - um segurança perguntou de braços cruzados, engoli seco.
- Lá dentro, ajudar um amigo.
- Ah é?
- É. E você não pode me impedir, sou convidada. - me olhou de cima a baixo e riu - Eu decidi que vinha de última hora. Pode procurar meu nome na sua lista, é Malu Rodríguez.
- Não tem nenhuma Malu Rodríguez aqui. - olhou no tablet.
- Mas tem um Roberto e uma Samanta, não tem? Eles são meus pais.
- Não posso lhe dar esse tipo de informação. - outros dois armários apareceram - Levem ela.
- Não, não. Eu preciso entrar!
- Sem convite e nome na lista, não entra ninguém.
- Moço, por favor.
- Ela é amiga de todo mundo aí, cê tem que deixar ela entrar. - uma das meninas gritou e a confusão começou.
- Olha o que você tá causando, garota. Vá embora. - me empurrou.
- Não encosta nela! - Paulinho entrou na minha frente.
A baixaria ficou maior ainda e tentaram nos tirar de lá a força, nessa hora todas as minhas esperanças já tinham ido embora, de verdade.
Os fãs começaram a surtar e no meio daquela muvuca, de longe eu vi o Well.
- Wellington, Wellington! - gritei o mais alto que pude e ele arregalou os olhos, vindo na nossa direção.
- Malu?
- Manda eles me deixarem entrar, pelo amor de Deus. O Luan tem que saber a verdade.
- Eu achava que só rolava dessas coisas em filme. - ele riu - Soltem eles. Vem Malu.
- Ela não pod
- Eu sou o chefe da segurança e tô dizendo que ela vai entrar, que eles vão. - os caras nos soltaram e os fãs aplaudiram.
- Agora vai, Malu. Salva nosso cantor!
- Vai logo que tá quase na hora do "sim", por ali ó. - assenti e lhe abracei, antes de sair correndo.
- Calma, tu tem que esperar o "fale agora ou
- Cala a boca, Nathan. - eles riram.
Paramos na porta e eu respirei fundo, não sei nem o que falar mas é agora. Seja o que Deus quiser.
- Pronta? - Toni perguntou e eu assenti.
- Boa sorte, tia.
- Obrigada, meninos. - contei até dez e empurrei aquelas portas enormes - Para, para tudo!
Todo mundo se virou pra mim, senti minhas bochechas arderem e respirei fundo outra vez. Vi a Jaque lá na frente, sorrindo pra mim e sorri de volta, caminhando pro altar.
- O que tá acontecendo aqui? - o padre perguntou - Menina, você não pode invadir a Casa do Senhor desse jeito.
- Desculpa, mas... Luan, cê não pode casar com ela.
- Por quê?
- Do quê ela tá falando? Quem deixou essa mulher entrar? - a noivinha deu chilique.
- Tem uma pessoa aqui que quer te ver. - apontei pra trás e ela arregalou os olhos.
- Como vai, dona Ana Laura?
- Mas o que... Eu tô passando mal. - colocou a mão na cabeça - Lu, por favor, me ajuda.
- Sai. - ele "jogou" ela pra cima das madrinhas - Eu não tô entendendo nada.
- Não precisa entender, só diz que quer ficar comigo. - estendi minha mão pra ele - Eu amo você, Rafael.
Ele pendeu a cabeça pro lado e em seguida, abriu um sorriso enorme.
- Eu também amo você, pequenininha. - segurou minha mão, sorri e nos abraçamos.
- E eu tô é morta! - Jaqueline falou e nós dois rimos.
- Agora beija!
- Deixa comigo, Fany. - piscou.
Não foi um beijo qualquer, foi O beijo. Todo o falatório cessou, a igreja inteira parou pra nos assistir.
_
"E aquele beijo lá pra fim de julho, se fez silêncio em meio a tanto barulho."
— Morena. ♥
EU VOU MORRER, SOCORROOOOOOOOOOOOOOOO MELHOR CAP EVER, MIM ABRAÇA PERUA
ResponderExcluirMEU DEUS EU TÔ NO CHÃO, PRECISO DE UM CAPITULO URGENTE
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