Antes de embarcar pra casa, recebi uma mensagem da Jessica avisando que ia ter participação numa rádio, de última hora.
Pousamos em São Paulo e já fomos direto pra rádio Disney, do aeroporto mesmo. Eu, Rober, Berton, Well e Luan, claro.
- Eu podia ter ido pra casa logo, vocês fazem fotos maravilhosas.
- Nem vem, Rodrigo. O profissional e, quem está sendo pago, é você.
- Senti cheiro de indireta.
- Tá me pedindo aumento, maria luíza?
- Não tava não mas até que é uma boa ideia, viu patrão? - bati no ombro dele e nós rimos.
Quando cheguei em casa só tomei banho, comi e fui dormir. Não estava tão cansada mas dormi rápido, só minha caminha tem esse poder.
Acordei tarde pra cacete e lembrei que o Vi ia chegar pro nosso almoço, pulei da cama pro banheiro. Tomei um banho demorado e vesti uma roupa fresca, sequei os cabelos, passei base, um blush rosinha e máscara de cílios, um batom meio nude e pronto.
Fui pra cozinha e tomei um toddynho, pra não ficar morrendo de fome caso ele atrasasse, o que é bem difícil.
- Oi Vi. - falei ao abrir a porta.
- Oi. - sorri e fui lhe beijar, ele se afastou - Temos que conversar.
- O que foi?
- Senta aqui.
- Tá... - sentamos no sofá.
- Eu gosto muito de você, muito mesmo... Só que eu não sou burro, Malu. - riu - Você pode até gostar de mim, mas você não me ama.
- Vi, para com isso.
- Você ama ele, o cantor.
- O que?
- Não nega, eu sei. Sabia desde que pedi pra te namorar, tentei conviver com isso mas eu não consigo. - segurou minha mão - Foi maravilhoso enquanto durou, eu amei cada momento que passamos.
- Não Vitor, por favor!
- É o melhor a se fazer, princesa. - neguei - Nós podemos voltar a ser amigos, como antes.
- Não vai ser a mesma coisa.
- Claro que não. - riu - Com o tempo iremos acostumar. Eu só quero o melhor pra você.
- Então fica.
- Não podemos ficar nos enganando, você não pode ficar se enganando. Sei que o que eu vou pedir é meio impossível mas não fica triste, tá? Vai ser melhor assim. E desculpa por fazer isso logo hoje mas eu não podia mais adiar.
- Eu vou sentir sua falta, Vi. Muito.
- Cê ainda quer que eu faça o almoço?
- Não precisa.
- Aparece lá em casa de noite.
- Não tem clima.
- Desculpa... Daqui um tempo você vai me dar razão, tenho certeza. - dei um meio sorriso.
Nos abraçamos e eu agradeci por tudo, ele me deu um beijo na testa e saiu me desejando boa sorte com o Luan. Era nitidamente sincero.
Me joguei na cama e chorei, chorei mesmo. Tentei dormir mas meus pensamentos estavam inquietos demais. Meu celular apitou e eu o desliguei.
O Vi sabe das coisas... Graças a Deus não descobriu nada, ele não merecia aquilo e mesmo assim eu fiz. Sou uma idiota.
Em meio aos meus conflitos internos, acabei dormindo e só acordei quando já estava escuro, assustada com a campainha. Levantei e vi rapidamente meu reflexo no espelho, eu tava horrível.
Caminhei sem pressa e abri a porta. Estranhei. Ele estava ali, com o rostinho angustiado.
- O que aconteceu? - me virei pra voltar pro quarto enquanto ele trancava a porta.
- Eu só preciso dormir um pouco.
- Espera. - segurou meu braço e eu lhe olhei - Você tava chorando!?
- É... O Vi veio aqui hoje à tarde e acabou, tudo.
- Ah meu Deus, pequenininha. - me abraçou apertado - Cê quer falar disso?
- Não. O que eu não queria era que tu me visse assim, eu to um caco.
- E quem disse que eu me importo com isso?
- Cê devia tá lá com a sua família, hoje é natal.
- Você também é minha família.
- Luan... Eu gosto de sentir minha dor sozinha, comigo e mais ninguém. Vai pra casa.
- Eu não vou te deixar sozinha. Mesmo que você queira, vou ficar aqui.
- Desculpa...
- Ei, não chora. - me pegou no colo e sentou no sofá.
* LUAN NARRANDO *
- Cuida de mim, Luan? - pediu baixinho.
- Cuido, minha pequenininha.
Fiquei fazendo carinho no seu braço e cantarolei músicas que ela gosta. Peguei o controle e liguei a televisão bem baixinho, ela não consegue dormir com o barulho e, ficou quietinha nos meus braços até pegar no sono. Levantei e a coloquei em sua cama, lhe cobri e liguei o abajur. Beijei seu rosto e voltei pra sala, peguei meu celular e disquei rápido os números da Bruna.
- Pra onde tu foi correndo daquele jeito? Tá louco?
- A mãe não te disse?
- Se eu soubesse, não estaria perguntando.
- Eu to na Malu.
- Ah, menos ruim. - senti alivio em sua voz - Traz ela pra cá.
- Nem dá Piroca, ela tá dormindo.
- Dormindo? Aconteceu alguma coisa, Luan?
- Não to sabendo de muito, ela não quis falar. Mas o Vitor terminou o namoro deles, eu recebi uma mensagem da Jaque pedindo pra vir aqui urgente, ela não atendia o celular e eu fiquei preocupado.
- Eita... Eu entendo, tudo bem.
- Fala pra mãe que desculpa eu ter saído correndo sem falar muita coisa, amanhã eu explico tudo direitinho. Desculpa mesmo.
- É importante, então fica tranquilo. Me liga depois pra falar se ela tá melhor, eu sei como é isso.
- Ela tá tão caidinha, Bruna. Não aguento ver ela assim.
- Então vai lá cuidar dela, bobão. Boa noite.
- Feliz natal pra vocês aí, guardem comida pra mim. - ela riu - Amo vocês, tchau.
- Tchau. Também te amamos. - desliguei e fui fuçar os armários, fiz um sanduíche e peguei um refrigerante que tinha na geladeira.
Lembrei que ainda não tinha postado nada, a árvore dela ficava bem de frente pra varanda e a noite tava bonita, estrelada. Arrumei um lado legal, tirei e postei a foto. Não escrevi muita coisa mas enfatizei a história dos ciclos que chegam ao fim para que melhores possam iniciar.
Não sei como mas minhas fãs sabiam que era a casa dela, e tinha muito comentário, tipo: "casa da malu", "SHIPPOOO", "desmaiada", "tá com a Malu, né safado?", "bem que na foto da Bruna ele não tava", "ana laura choraaaA", "se casem", "POSTA FOTO COM ELA, QUERO ICON NOVO".
Ri da afobação delas, fui no Insta da Malu e não tinha nada da árvore, talvez seja a janela.
- Luan!
- Oi?
- Vem cá. - sorri e levantei.
- To indo.
- Sabe o que é mais legal nisso tudo? Quando eu preciso, não tem ninguém aqui. - ela tava sentada, olhando pro nada e soltou um riso triste - Promete que não vai me deixar. Nunca?
- Prometo. - sentei do seu lado e ela deitou a cabeça no meu colo.
- Agora eu só preciso de carinho, de atenção.
- Eu dou, meu amor. - ficamos em silêncio por um bom tempo.
- O Vi disse que queria que eu fosse feliz com você.
- Ele disse isso? - me surpreendi.
- Disse. - ela parecia meio arrependida de ter falado aquilo - E eu desejo com todo o meu coração que ele encontre alguém que o ame de verdade, uma pessoa tão boa quanto ele.
- Você falou pra ele que a gente
- Não! Eu não o magoaria desse jeito.
- Ele é uma cara legal mesmo. - admiti, ri - Eu sei que posso te fazer feliz, faço qualquer coisa pelo seu sorriso.
Ela sentou na cama e eu lhe puxei pra mais perto de mim, beijei seu rosto, seu ombro, pescoço. Só carinho, sem safadeza.
- Para. - falou manhosa e eu rocei nossos narizes, quando aproximei nossos lábios, meu celular começou a tocar e ela recuou.
Tirei do bolso e olhei a tela, era a Ana Laura. Minha pequeninha soltou um longo suspiro, e eu segurei sua mão. Só isso nos atrapalha agora, por pouco tempo.
- Não vou atender.
- Atende, é sua nam
- Shiu. To aqui pra você hoje, só pra você. - falei olhando em seus olhos - Quer alguma coisa? Qualquer coisa, só pedir.
- Ai, eu quero sim. To com fome. - torceu a boca e eu ri.
- Então agora, eu vou fazer comida pra pequeninha. Quer vir junto ou vai ficar aí?
- Vou junto pra você não tacar fogo na casa.
- Assim enfraquece, maria luíza. - ela gargalhou e eu sorri, sorriso escancarado por ver que ela estava melhor.
Beatriz, deve ter alguma coisa errada com teu número pq eu não consigo adicionar :((
Tchauzinho dsnjgks
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"Quando eu te der um sorriso, tu me dá um beijo."
— Tá com medo de amar.
