(...)
Voltamos pra nossa rotina corrida dos shows, e eu via como todo mundo me elogiava, diziam que eu estava mais leve, de bem com a vida. Isso refletia no palco e no modo que eu tratava meus fãs, com muito mais carinho. Eles merecem isso.
- E o que você fez nessas férias, que voltou assim, cheio de gás? - estava dando uma entrevista no camarim, antes de um show.
- Descansar é sempre bom né? E ficar perto das pessoas que você ama faz bem pra alma, revigora qualquer um. - sorri e vi o Rober cutucar a Malu.
- E como que anda esse coração?
- Olha, tá batendo viu? Quer ver? - falei rindo e coloquei a mão da loira sobre meu peito.
- É, tá batendo mesmo. - ela também ria.
Quando a entrevista acabou e a equipe saiu, o Testa me deu água e a Malu segurava a camisa pra eu trocar.
- Agora vaza, eu quero ficar um pouco sozinho com minha pequenininha.
- Tô começando a ficar com ciúme disso aí. - ele disse e ela riu - Só cinco minutos, pra não atrasar.
- Essa fala é minha, senhor Roberval!
- Era, maria luíza. Tchau, casal. - saiu fechando a porta.
Agarrei-a pela cintura, via desejo em seus olhos. Selei nossos lábios rapidamente e ela fez cara feia, ri e a beijei de verdade.
- Cê tá todo sujo de batom. - riu me dando um selinho.
- Assim todo mundo vê que eu tenho d - me calou com sua boca, num beijo quente.
- Agora eu vou limpar isso, você não pode aparecer assim. - disse se afastando - Senta ali.
Ela pegou uma toalhinha e molhou-a um pouco, agachou na minha frente e limpou minha boca, meu pescoço e depois me outro beijinho.
- Amor, tava pensando em viajar no carnaval, que que cê acha?
- Viajar? É bom. - me deu a camisa para que eu trocasse.
- Eu e você, bora?
- Hum... Pra onde?
- Fernando de Noronha!? - ela sorriu.
- Seria maravilhoso.
Depois do show, já no hotel, tomamos banho e deitamos para dormir, bem juntinhos. Já avisei que não precisava mais de quarto pra ela, pois ficaria sempre comigo.
A última coisa de que me lembro, eram seus dedos fazendo carinho no meu rosto. A presença dela tem o poder de me relaxar, adormeci rápido.
* MALU NARRANDO *
Abri os olhos e ele não estava na cama mas nosso café estava posto, ouvi o barulho do chuveiro. Ri e deitei novamente, me cobrindo inteira.
- Ei, amor. Vem comer.
- Agora não, tô com frio. Deita aqui comigo. - pedi manhosa e ele veio, me abraçou pela cintura e beijou meu braço.
- Cê tá com frio é?
- Uhum.
- Eu vou te esquentar.
- Amor, o Rober me disse que a gente só viaja amanhã e não depois do pocket na rádio. Isso é obra sua? - riu.
- É sim.
- Que que cê tá aprontando hein?
- Nada, amor. - riu pelo nariz - Quer que eu traga comida pra você aqui na cama? Pra dar na sua boquinha?
- Parece uma boa ideia.
Meu cabeçudo me deu comidinha na boca, e ficou grudadinho em mim o resto da manhã. Depois do almoço, separei minha roupa e a dele, tínhamos que estar na rádio às três.
- Vem tomar banho comigo, coisa linda da minha vida?
- Vou. Mas a gente não pode atrasar tá? - fez biquinho.
- Tá bom né. A gente passa todo tempo juntos e eu não posso nem me aproveitar.
- São ossos do ofício, meu amor. Semana que vem vai rolar folguinha, dorme lá em casa.
- Dormir? - riu safado - A última coisa que vamos fazer é dormir, maria luíza.
- Tudo bem, seu tarado. Agora vamos tomar banho. - me pegou no colo.
- Quer jantar comigo hoje? - estava arrumando a gola de sua camisa para irmos pra rádio - Soou como um convite, mas você é obrigada a ir tá?
- Obrigada? Meu filho, melhore.
- Sério, amor. Você não pode dizer que não quer ir.
- Ok. Eu e você?
- E o Testa e o Cirilo. - ri assentindo - Vou pedir pra eles ficarem em outra mesa, tá?
- Ah, não precisa.
- Precisa sim, quero privacidade. - piscou.
- Aonde a gente vai?
- Surpresa. - fiz bico e ele me deu um selinho.
Na entrevista, o orientei a não falar de vida pessoal, ou seja, a gente. E o show foi lindo, como sempre é.
Toda as vezes que ele canta Cantada, fica me olhando e na maioria das vezes, me deixa vermelha. Já pedi pra ele parar, mas ele diz "não dá, meus olhos te procuram sozinhos. É a nossa música, amor", aí eu me derreto toda.
Só saímos da rádio quando ele atendeu todo mundo, achei melhor esperar na van, conversando com a Marla e a Kaka.
- Cês vão jantar é?
- Vamos.
- Ele quer te dar um
- Não é pra contar, dona Karielle.
- Desculpa! - riu.
- Ai, sério? Digam pra mim o que é, quero estar preparada.
- Não, não e não. - riram.
Nossa mesa era a única no primeiro andar, o Rober e Well ficaram no térreo e só nós dois subimos. Tinha velas por todo canto e a comida já estava na mesa, coberta por aquelas tampas de prata.
- O que é isso aqui, Rafael?
- Cê não gostou? - ri e o beijei.
- Tá tudo lindo, amor.
- Ah que bom. - soltou o ar e eu ri - Vem, pequenininha. Senta.
- Obrigada. - depois de puxar a cadeira pra mim, ele sentou na minha frente - Me fala logo o que cê tá aprontando.
- Nada. - riu e pegou minha mão - É só um jantar pra gente.
- Tá certo, vou acreditar.
- Não quer ver o que tem no seu prato? - confesso que fiquei ansiosa, mas quando abri, era só lasanha. Ele riu.
- O cheiro tá me dando mais fome.
- Então vamo comer? - assenti e ele colocou vinho nas taças.
Comemos e ele falava suas bobagens de sempre, era nítido que estava ansioso, o que me deixava mais ainda.
- Quer escolher a sobremesa?
- Hum?
- No quê você tá pensando? - cruzei os braços.
- Ah... É, vamo pedir sobremesa?
- Luan Rafael, não me enrola que eu não sou teus beck. - ele gargalhou.
- Vamo terminar de jantar primeiro. - beijou minha mão com delicadeza, assenti com a cabeça - O que cê vai querer, amor?
- Sorvete.
- De morango?
- Sim senhor. - ele riu e fez um gesto com a mão, apareceu um garçom do além.
- O que desejam?
- Sorvete de morango com calda de chocolate, por favor.
- Para os dois?
- Sim.
- Voltarei logo, com licença. - assentimos e ele foi.
"logo" mesmo, ele voltou rápido, deixou nossos sorvetes e saiu. Comecei a comer enquanto o Luan me encarava, ri pra ele.
- Tá sujo aqui, amor. - riu passando o dedo no canto da minha boca, depois lambeu. Fiz careta.
- Cê não vai comer o seu? Já já derrete.
- Vou. Gostosa a calda né?
- Chocolate do bom. - concordei. Terminei o meu e fiquei lhe olhando, do mesmo modo que olhava pra mim, só que mais encantada. Encantada com cada detalhezinho daquele homem, do jeito de andar até como ele me abraça quando dormimos juntos.
- Para com isso. Cê vai me deixar mais nervoso, muié!
- Qual motivo do nervosismo? - ri erguendo uma sobrancelha.
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"Um rapaz sábio sempre terá uma dama experiente para ensiná-lo a linguagem do amor."
— Eu fui a melhor amiga de Jane Austen.