segunda-feira, 14 de setembro de 2015

Capítulo 82.


- Odeio demonstrar fraqueza, mas a verdade é que eu sou uma fraca. - falei enxugando minhas lágrimas com o lenço que o Paulo havia me dado.
- Tá na hora de parar de ficar chorando, menina.
- Eu tento né! - ri - Se tu parar de falar da Marília, eu paro de ficar chorando. Eu só choro quieta no meu canto, já você... Meu Deus.
- Ah é? - riu - Então fechou.
- Cada vez que alguém descumprir, vai ter que pagar uma rodada de seja lá o que for, pra equipe toda.
- Eu não tô rico ainda não sabia? - perguntou rindo - Mas beleza.
- Beleza. - apertamos as mãos.
- A minha situação é irreversível, a sua eu acho que não.
- Tá doido, Augusto? Acabou.
- O destino deve estar preparando alguma coisa, sério, não é possível que um amor igual ao de vocês vai ser desperdiçado.
- Mano, cala a boca. Tem alguma droga aqui? - falei olhando dentro do pacote de doritos - Cê tá parecendo uma menininha falando assim, sonhando com príncipe encantado e esperando o "felizes para sempre".
- Nada a ver, Malu. - jogou uma almofada na minha cara, mostrei a língua - Eu acredito no amor.
- Oown! - ri alto - Tudo bem, sou eu que tô desacreditada.
- Percebi. - pegou o controle da tv - Gosta de Dexter?
- Nunca vi.
- Vou colocar, é muito foda.
- Já tentei assistir muitas séries, Pretty Little Liars é a única que eu fui até o final.
- Acho ela tão zzz.
- Zzz é você, seu trouxa. - ele gargalhou.
Ficamos vendo televisão a tarde inteira, séries, filmes, clipes e até novela. Quando a fome bateu, Paulo mostrou seus dotes culinários e fez um jantar pra gente.
- Espero que esteja do seu gosto, senhorita.
- Eu também.
- E aí? Aprovado? - perguntou ansioso.
- Aprovadíssimo. - comemorou com uma dancinha, me fazendo gargalhar - Esses homens estão todos super interessados em cozinhar, falo é nada.
- Conquistar pela barriga é unissex agora.
- Pois é, meu irmão é outro que tá investindo nisso. Não deixa ele saber, mas a lasanha dele é melhor que a minha.
- Você só sabe fazer comida gorda é?
- É, e tô fugindo da consulta com a nutricionista. - ele riu - Eu sigo as dietas direito sabe, isso que é ruim.
- Que menina regrada.
- Pois é. Parei com a dieta quando comecei a viajar.
- Nossa, é a pior parte mesmo! Aí tem as comidas típicas das cidades, camarim cheio de besteira, as fãs que dão comida... Pra não fazer desfeita, eu como.
- Pra não fazer desfeita? Sei.
- É sério pô.
- Ok, querido. - começamos a rir - Tem um celular tocando ou é impressão minha?
- Tem mesmo. Deve ser o meu.
Ele levantou e foi buscar, era o meu que tava tocando. Minha mãe queria saber se eu não ia voltar pra casa, já tava tarde.
- Que horas são?
- Dez e cinquenta e quatro.
- Puta merda, já? - arregalei os olhos - O papai não pode vir me buscar?
- Chamaram ele no hospital.
- E agora?
- Eu até te levaria em casa, mas hoje é rodízio do meu carro. - ele fez careta - Tem outro quarto aqui, o Caíque tava comigo enquanto arrumava um apartamento. Se você quiser ficar...
- Mãe, vou ficar aqui e de manhã vou pra casa. Tá bom?
- Vai dormir aonde?
- Tem dois quartos. - ela riu, revirei os olhos.
- Então tudo bem, boa noite.
- Tchau, amo vocês. - desliguei.
- O tempo passou correndo e a gente nem viu.
- Hoje o tempo voa, amor. Escorre pelas mãos. - cantarolei e ele riu.
Terminamos de comer, ele me mostrou o quarto, ajudou a trocar os lençóis, me deu toalha e escova de dentes.
- Eu ganhei umas roupas, tão até com etiqueta ainda... Pra dormir dá né? - ri assentindo - Vem cá ver.
Fomos pro quarto dele, que ao contrário do que eu pensei, não era tão desarrumado. Ele tirou umas sacolas do guarda roupas e me disse pra escolher.
- Que moletom fofo! Quero esse.
- Pode pegar.
- A-mo Capitão América.
- Fica pra você. - riu dando de ombros.
- Foi uma fã que deu?
- Não, foi uma loja que mandou pra gente.
- Ata, que riqueza... Pra mim ninguém manda nada.
- Tem certeza? - arqueei uma sobrancelha - Problema meu se ainda amo, se ainda ouço a tua voz. E vira e mexe eu penso em nós.
- Cala sua boca. - mostrei o dedo do meio.
- Ai, Malu! - falou rindo, lhe dei um tapa porque ele continuou cantando - A música é bonita, gruda igual chiclete. A culpa não é minha.
- Realmente, a culpa é minha que fui otária de me apaixonar por ele.
Nós nos preparamos para ir dormir mas ficamos conversando. Sobre a Fly, sonhos, coxinha e muitas outras coisas.

"Fui malhar. Tem comida nos armários e deixei uma chave perto da televisão, caso você queira ir embora antes de eu chegar.
Bom dia :)  Paulo."

Encontrei esse bilhete colado na geladeira, eram quase nove da manhã e eu estava sozinha numa casa que não era a minha. Ok, tudo bem.
Primeiro tratei de comer, depois arrumei a cama, lavei a louça, dei um jeito na sala e tomei banho. Vesti a roupa que estava ontem e peguei minhas coisas, tranquei o apartamento e antes de sair, deixei um bilhete pra ele.
- E aí, tá melhor? - mamãe perguntou atenciosa depois de fechar a porta - Já tomou café?
- Tô, mãe. E comi sim.
- Então senta aqui pra assistir comigo.
- Vou pra academia. A senhora sabe se o Nick vai trabalhar?
- Ele vai, a Fany não.
- Vou ligar pra ela.
- Vão sair?
- Acho que sim. - dei de ombros.
Fui me trocar, arrumei minha bolsa de academia e dei um beijo na minha mãe antes de sair.
Por algum motivo desconhecido por mim, o Portuga teve que trazer o filho dele pra academia hoje. Mais brinquei do que treinei, o Iago é mesmo um fofinho.




Sim, era #casamentoluninha na televisão.
_

"A vida nem sempre é romântica. Às vezes, é realista."
— PLL. ♥

sexta-feira, 11 de setembro de 2015

Capítulo 81.


* MALU NARRANDO *

Depois da rotineira volta no Ibirapuera, fomos jantar, eu, Nathan e Paulo. As crianças não vieram conosco hoje pois tinha que estudar. Eles me trouxeram em casa e foram embora, mal entrei e a Jaqueline já correu pra cima de mim.
- Chegou uma coisa pra você! Abre logo, quero saber o que é.
- Cadê?
- A mamãe colocou no seu quarto, vem. - me puxou pela mão.
- Posso tomar banho primeiro?
- Não, não. Abre logo isso, por favor.
- Af, até parece que é pra você. - balancei a caixa - Depois que eu tomar banho, eu abro.
- Tá, vou esperar.
Sentou na minha cama de braços cruzados, revirei os olhos e fui pro banheiro. Demorei de propósito, eu posso ser muito curiosa mas com certeza ela é mais.
- Quem trouxe isso aqui?
- N-não sei. Abre logo.
Soltei meu rabo de cavalo e sentei na cama, coloquei a caixa no colo e a abri. Dentro tinha uma lata de brownie, um tablet e em cima dele um bilhete, dizia "aperta o play?". Encarei aquela caligrafia e em seguida a Jaqueline, que me olhava desconfiada.
- Não quero nada vindo dele.
- Nada disso, cê tem que assistir.
- Não. Quero. - cruzei os braços.
- Mas vai. Deixa de infantilidade e assiste, agora, maria luíza! - bufei - Vou te deixar sozinha, quando terminar de ver, me chama.
- Cê sabe o que é?
- Não, só que é um vídeo.
Assim que ela fechou a porta, desbloqueei a tela e respirei fundo antes de apertar play. Paraíso particular, quem dera eu conseguir transformar minha bad em uma coisa produtiva.
Li com a visão embaçada pelas lágrimas, outro bilhetinho que tinha na caixa:

"É sua, o que cê quiser fazer com ela ou vou aceitar. Se quiser guardar, colocar na internet, jogar no lixo... Você que sabe.
Não direi mais nada, a música fala por mim. Luan."

Um tempo depois minha mãe bateu na porta, me chamando pra comer e eu não respondi, tava sem fome por ter comido todos aqueles brownies e não queria que ela me visse chorando. Ouvi a Jaqueline falar alguma coisa e ela parou de insistir.
Logo agora que eu tava conseguindo lidar com toda essa confusão que habitava minha vida, ele vem e estraga tudo com que essa música. Ela seria muito mais bonita se não fosse a nossa história.


De manhã, quando acordei, mandei uma mensagem pro Portuga avisando que não ia treinar hoje. Levantei, tomei um banho demorado e depois desci pra tomar café.
- Vai sair, filha?
- Bom dia, pai. Vou dirigir um pouco, volto antes do jantar.
- Malu...
- Pai! - ele suspirou, sentei à mesa e comecei a me servir - Cadê a mamãe?
- Já vai descer. Ficamos preocupados com você ontem.
- Desculpa, eu só queria ficar sozinha.
- E o que era na caixa?
- Daqui a pouco eu mostro.
- Tá bom.
Terminei de comer e ia buscar o tablet no meu quarto, mas parei na sala pra ouvir a televisão. Quando minha mãe me viu, trocou de canal rapidamente.
- Volta lá, eu quero ver. - pedi.
- Você já viu demais, para de se torturar!
Meus olhos estavam marejados, engoli seco e subi correndo atrás da chave do meu carro. Meu pai arrancou o chaveiro da minha mão assim que eu o peguei.
- Tu não vai sair com o carro agora. Esfria a cabeça primeiro.
- Eu vou sair pra isso. Por favor, me devolve, pai?
- Agora não. - disse firme.
Tranquei a porta, arranquei a sapatilha dos pés, baguncei o cabelo e me joguei na cama, acabei adormecendo. Passava das três da tarde quando acordei, o Augusto tava me ligando.
- Vai levar os patins ou quer andar de bicicleta hoje?
- Quero doritos e brigadeiro, só isso. - o ouvi suspirar.
- Ó, eu sinto muito tá? É... Tem certeza que não quer andar pra esquecer dos problemas?
- Tô a fim de curtir a bad, ao som de Paraíso particular. - ri melancólica.
- Não conheço essa música. Quem canta? É nova?
- E inédita. Chegou aqui pra mim ontem.
- Ele escreveu pra você? Ah, eu quero ver. - ri - Tem na internet?
- Não né.
- Tenho doritos, leite condensado e nescau, quer vir pra cá?
- Tô morrendo de preguiça, minha cara tá uma coisa que cê não tem noção! - rimos.
- Passa uns pó aí e vem. Quer que eu vá te buscar?
- Não seria uma má ideia, meu pai tá com a minhas chaves. - revirei os olhos - Mas eu vou de táxi.
- Então beleza, até mais.
- Tchau, beijos.
Realmente minha cara não estava das melhores, tomei banho e me arrumei de novo. Peguei uma bolsa e coloquei o tablet, dinheiro, documento e tals.
- Vai pra onde? - ouvi a voz do meu pai atrás de mim. Não tinha ninguém na sala, qual é? De onde ele surgiu? Af.
- Pra casa de um amigo, ou não posso?
- Amigo? Quem?
- Não é da sua conta, Jaqueline.
- Ridícula. - ela cantarolou.
- Espera, que seu pai te leva.
- Eu vou de táxi, mãe. Tchau.
- Não ouviu sua mãe falar, Malu? Eu vou levar você.
Contei até dez e decidi não contrariar, vi que não valia a pena descontar a minha "fase ruim" na minha família.
- Pai. - chamei depois de um longo tempo em silêncio dentro do carro, ele me olhou - Quer ver ainda? O que tinha na caixa?
- Se você quiser mostrar. - deu de ombros.
- Vocês não tem culpa de nada e eu... - suspirei - Desculpa.
- Vai ficar tudo bem, tá?
- Tá. - sorri de lado - O Luan escreveu uma música.
- Sobre vocês? - assenti - Como chama?
- Paraíso particular.
- Tem alguma coisa errada. -  ele disse pensativo quando o vídeo acabou.
- O que?
- Não sei... - ri - Me diz um lugar que você quer muito ir, eu pago tudo.
- Não, pai. Eu não vou fugir.
- Admiro isso em você, minha filha, mas eu não gosto de ficar te vendo triste pelos cantos. E no dia do casamento? Já pensou?
- Não, e nem quero. Não agora.
Fomos conversando todo caminho até a casa do Paulo, eu tava precisando daquela conversa. Desabafei, levei umas broncas, ganhei conselhos.




A música pra quem não conhece: https://www.youtube.com/watch?v=R7dUTOUUAF0
_

"Say you'll see me again, even if it's just in your wildest dreams."
— Wildest dreams.

sábado, 5 de setembro de 2015

Capítulo 80.


* LUAN NARRANDO *

Tava de folga e preso em casa, a Lele disse que não ia ser bom eu sair sozinho, não até o...
- Pi, vou dar uma volta. Quer ir?
- Não posso. - bufei - Vai pra onde? Com quem?
- Meus amigos. - revirou os olhos - O Rober também vai, acho que vamos comer... Não sei.
- Só podia ser, gordo faz o que né? Come. - mostrou a língua - Olha a hora de voltar.
- Pode deixar. - beijou meu rosto - Tchau.
- Tchau. - ela saiu me deixando sozinho.
Meus pais foram mais uma vez pra casa dos pais da Malu. É legal minha mãe ter alguma amiga pra conversar, ainda sentia ela meio perdida aqui em São Paulo e adoro a dona Samanta, mas bem que podia ser outra pessoa né?
Levantei do sofá e fui ver se tinha alguma besteira na cozinha, voltei com cookies e chá. Chá de morango.
Zapeei os canais até encontrar um documentário, era sobre vida marinha e os pesquisadores iam mergulhar com tubarões. Ri lembrando como a pequenininha surtava quando eu falava da minha vontade de fazer isso.
"Luan?" - mensagem da Ana Laura.
"Fala."
"Vou fazer uma ultra essa semana, você quer/pode ir?"
"Não sei. Quando?"
"Quinta, chego aí em SP na quarta. Posso ficar na sua casa?"
"Tanto faz. Mais alguma coisa?"
"Não, só queria saber mesmo. Tchau."

Visualizei e joguei o celular de lado. Confesso que não tava dando bola pra gravidez da Ana Laura mas preciso começar a me envolver, é meu filho também.
O documentário acabou, assisti um desenho animado e quando ia ligando o videogame, meu celular começou a tocar:
- E aí, boizera? Tá de boa? - Dudu perguntou animado.
- Até demais, tédio do caralho. Queria sair e nem posso.
- Coitado. - riu - Ó, o Jorge tava comigo no vip mais cedo, eles tão querendo gravar um EP.
- É? Que legal.
- Regravar uns sucessos, na verdade, mas fazer com parcerias.
- Opa! Se tiver me convidando, topo na hora. - riu.
- Ele comentou da vez que você foi num show e pediu uma música...
- Foi. E eu quero cantar essa, pode ser?
- Quando estávamos selecionando as músicas, ele lembrou disso e eu sabia que cê ia querer, tô ligando só pra confirmar.
- E quando a gente grava?
- Talvez semana que vem, vou ver com eles e te falo.
- Beleza.
- Então tchau.
- Ah não, espera! Eu tô com uma coisa pra te mostrar.
- O que?
- Uma letra, tava compondo e queria que cê visse.
- Ê laiá, o que uma fossa não faz né? - gargalhou, ri sem graça - Tá terminada?
- Quase.
- Traz aqui ou manda pra mim, quer ajuda pra terminar?
- Não, quero fazer essa sozinho.
- Entendo, você vai saber contar melhor essa história. Mas vem cá, o que cê vai fazer com essa música, quer trabalhar ela?
- Se a Malu autorizar, quem sabe.
- Tem o nome dela?
- Não, mas o povo descobre facinho.
- Pois é.
Ficamos conversando mais um pouco, depois meus pais chegaram e, como eu tava sem sono e a Bruna não tinha voltado, decidi esperá-la.
Era quase três da manhã quando a bonitinha chegou, subimos cada um pro seu quarto e eu tomei banho antes de deitar.
Trouxe meu violão e os rascunhos pra cama, queria terminar a música mas acabei dormindo. Sonhei com a Malu e acordei sentindo o cheiro dela pelo quarto, como se ela tivesse comigo e de certa forma ela está mesmo.
- Tô com saudade até das suas broncas, sabia? - ri pegando o porta retrato que ficava do lado da minha cama, consegui finalizar a letra e só aí, saí da cama. Eram quase quatro da tarde.
Joguei uma água no rosto e desci, tava varado de fome. A Bruna tava toda enrolada no sofá, deitei em cima dela.
- Dormiu hein, piroco.
- É. - cocei os olhos - Nossa, tá frio né?
- Demais.
- Ainda mais pra quem tomou banho de chuva, né dona Bruna? - a mamusca disse vindo da cozinha com uma tigela na mão.
- Banho de chuva, Bruna? - besliquei a perna dela - Isso é comida, mãe? Eu quero.
- Eu tava caminhando com a Malu e a chuva pegou a gente.
- Cê tava com a Malu? Ela veio aqui?
- Veio.
- Então não foi sonho! - sorri grandiosamente - Ela foi no meu quarto, não foi?
- Foi, pegar uma roupa. Disse que quer o resto e que depois vai mandar as suas coisas. - suspirei.
- Não vou devolver nada.
- Vocês que se entendam. - ela deu de ombros.
- Esquenta comida e vai comer, Luan.
- Tô sem fome.
- Agora tá sem fome? Vai logo, menino! - me deu um tapa.
- Já vou, mãe. - levantei rindo.
Almocei aquela hora, tomei banho e liguei pro Testa, em seguida pro Dudu. Mais ou menos uma hora depois, o boi chegou buzinando aqui e nós fomos pro Vip.
- E aí, como vai entregar?
- Ela não vai querer me ver... Rober, deixa lá na portaria do prédio dela.
- Ela tá na casa dos pais, não sabia?
- Não.
- Tenta falar com a Jaque, ela pode te ajudar.
A gravação tinha acabado há um tempinho, foi quase um clipe, agora nós estávamos comendo um japa enquanto o Dudu dava uma arrumadinha no vídeo. O boi tinha ido comprar mais cedo uma caixa grande e um tablet, ele aproveitou e trouxe brownie. Ótima ideia, a maria luíza ama.
- Ela tá parecendo bem feliz. - estava olhando seu perfil no Instagram - Será que eu mando mesmo?
- Claro.
- Acho que ela não vai querer ouvir. Tá saindo, se cuidando mais, vive com esse tatuado... Quer me esquecer.
- Lógico, queria o quê? Você bem sabe o que tá fazendo ela passar.
- É, mas - suspirei me calando, Roberval tinha razão, eu não podia reclamar.
- Liga logo pra Jaque.
- Tá. - chamou muitas vezes, achei até que ela não ia me atender.
- O que você quer?
- Ajuda.
- Pra quê? - contei tudo que ela precisava saber e, depois de um longo suspiro, ela concordou.
- Amanhã de manhã peço pra alguém levar aí, tudo bem?
- Não sei porque tô fazendo isso, meu Deus! - ri fraco - Tá bom.
- Brigado viu? Brigado mesmo.




_

"E assim eu vou traçando a sua rota em minha mente, assim meio impaciente, sem certeza, sem radar. Pedindo a Deus que mande uma tempestade, que alague toda a cidade, que você não saia do sofá pra que ninguém roube o meu lugar."
— Blackout. ♥

sexta-feira, 4 de setembro de 2015

Capítulo 79.


O pessoal todo da banda apareceu aqui em casa e, o que era pra ser um almoço, virou um churrasco.
- Da próxima vez avisem, assim eu vou poder me preparar pra receber vocês melhor.
- Que nada, dona Samanta! Tava tudo ótimo. - Marla a tranquilizou.
Quando eles foram embora, começamos a arrumar a bagunça e eu ajudei sem reclamar, estava muito feliz.

O domingo foi tedioso, a Bruna até me ligou convidando pra uma balada mas eu não tava afim. Passei a noite vendo televisão com Jaqueline e mamãe, papai havia ido trabalhar mais cedo.
"Ibira amanhã? :))" - era o Paulo, ir pro Ibirapuera no final da tarde já tinha virado rotina.
"Nops."
"Why?"
"Tem pbf na Tang, esqueceu?"
"Puts! Esqueci HAHAHAHA"
"Aposto uma caixa de brownie que os outros também esqueceram. Af"
"Então avisa, assessora!"
"Vou avisar mesmo. E você, vê se vai dormir."
"Pode deixar, boa noite <3"
"Boa noite, até amanhã. Beijo!"
- Amanhã tem aula, Jaqueline. Vai pra cama.
- Já vou, mãe. Posso ir com a Malu amanhã?
- Não. - respondi - Se fosse no shopping, eu deixava. Pra rádio você não vai.
- Mas
- Mais nada.
- Tá bom, chata. - cruzou os braços e foi pro quarto pisando forte, mamãe riu.
- Vou ir dormir também tá? Cê desliga a televisão aí?
- Desligo. Boa noite, mãe.
- Boa noite, filha. - beijou minha bochecha e subiu.
Já na cama, fiquei virando de um lado pro outro, tava meio impossível conseguir dormir com os pensamentos tão agitados. Encarando o teto, lembrei do beijo, fechei os olhos e inalei o perfume que ainda permanecia em seu travesseiro.
Prometi a mim mesma que aquela seria a última vez que eu dormiria com aquele travesseiro, e iria devolver todas as coisas dele também.

- Sem moleza, dona Malu! Bora, bora.
- Portuga, pega leve vai? Eu tô com sono. - fiz bico.
- Nada disso, aposto que se encheu de besteira na festa de sexta.
- Eu nem fiz isso, juro.
- Tá bom, sei.
- É sério.
- Ok, agora para de enrolar e alonga. - bati continência, ele riu.
- Mano, deixa eu te contar: aquele cara é muito ridículo.
- Rubens? Deu em cima de você? - assenti revirando os olhos - Faz isso com todas, é muito chato mesmo.
- Muito chato é pouco. - prendi o cabelo - Ah, me indica uma nutri?
- Claro. - riu - Minha esposa trabalha muito bem.
- Elogio de marido não vale.
- De verdade mesmo, procura ela. - assenti - Ela atende no Santa Edwirgens.
- Ih, mentira? Meu pai trabalha lá. Meu irmão e minha cunhada também.
- Que mundo pequeno. - rimos.
- Roberto Pacheco, sabe?
- Sei. - riu - Deve ser por isso que achei que já te conhecia, você parece muito com sua mãe.
- Obrigada. - ri - Como sua mulher é?
- Um pouco baixinha, loira e usa óculos. A mulher mais bonita daquele hospital.
- Ai, que lindo! - gargalhei - Por acaso, ela tem uma tatuagem de borboleta atrás da orelha?
- Tem.
- A Liana é sua esposa? Gente do céu, o mundo é pequeno mesmo. - subi na esteira - Minha cunhada é a Fany.
- O Iago adora a Fany, no aniversário dele, ela deu um boneco do Toy Story e é o preferido da criança.
- Ah é? Foi eu que escolhi esse presente.
Depois do treino, fui pra casa e meu pai chegou logo depois, o Nick tava com ele e almoçamos todos juntos. Fui pro quarto separar minha roupa pra mais tarde, tinha organizado com todo mundo para às quatro e meia, já estarmos na rádio.
- Vamo sair hoje? - Nick disse se jogando na minha cama.
- Pra onde?
- Balada.
- Quem vai?
- Fany, Vitor, a namorada dele e mais um pessoal.
- Namorada?
- É, vamos conhecer hoje.
- Taí, eu vou. - riu - Ela tem que saber dar valor ao Vi.
- Valor que você não deu.
- Ai, fecha o cu, Nicolas. - bati nele - Eu sei que fiz cagada, mas ele não sabe e vai continuar não sabendo.
- Claro, não vou deixar meu amigo triste por uma coisa que já passou.
- E eu tô pagando né? Na mesma moeda.
- Pois é...
- Agora vaza que eu vou tomar banho.
- Cê vai chegar cedo?
- Não sei.
- Ok. - deu de ombros e saiu.
Tomei banho, me arrumei bem básica: calça jeans destroyed, all star e uma t-shirt fofa que eu ganhei de uma fã. Outra coisa boa de trabalhar com os meninos é não ter que ficar usando blazer e salto a maioria do tempo.
Já estava há quase meia hora procurando um brinco, o que me deixou levemente emputecida e talvez atrasada. Sai do quarto atrás da minha mãe, mãe sempre sabe das coisas.
- A senhora viu meu brinco de pedrinha azul? - gritei do corredor, antes de chegar na escada.
- De pedrinha azul? - perguntou vindo do quarto dela.
- É. Tem aquele preto e o azul, que eu não tô achando.
- Não tá no seu apartamento? - neguei.
- Eu lembro que tava aqui e tava usando ele.
- Ah não sei, filha. Ó, os Fly tão te esperando aí. - arregalei os olhos.
- Cadê a Jaqueline?
- Foi pra casa da Suelen uns minutos antes deles chegarem. - ela riu e eu gargalhei.
- Fala pra eles que eu já tô indo, vou buscar minha bolsa.
- Tá.
Corri de volta pro meu quarto e peguei minha bolsa, coloquei um brinco de bolinha vermelha e desci.
- E aí, tia? Achou o brinco?
- Mano cê grita hein demais, tá louco. - Caíque disse e todos riram, corei envergonhada e abracei meu pai.
- Tá vendo? Todo mundo faz bullying comigo.
- Deixem a minha princesinha em paz. - beijou meu rosto.
- Se a Jaqueline escuta isso... - meu celular apitou uma mensagem e eu olhei a hora.
- Vamo embora, gente!
- Vamo lá. - eles levantaram. Nos despedimos dos meus pais e fomos pra van.
Quando chegamos na Tang, fiz os meninos entrarem rapidamente e eles começaram o programa na hora certa. Falaram um monte de bobagens, cantaram, falaram mais bobagens e fim. Eles pararam na saída pra falar com os fãs e nós - eu, Gui e Henrique - ficamos esperando dentro da van.

A namorada do Vi foi legal comigo até saber que eu era ex dele, ok né. Me mantive um pouco longe do casal pra não criar um clima chato. Nós não ficamos até muito tarde lá, tinha gente que ia trabalhar de manhã e, como eu seria a "motorista da vez" para Fanycolas, nem bebi nada. Ou seja, comi e dancei muito.



_

"Saudade da gente, saudade é pra sempre. Eu vivo sentindo a sua saudade."
— Sinto saudade.