- Odeio demonstrar fraqueza, mas a verdade é que eu sou uma fraca. - falei enxugando minhas lágrimas com o lenço que o Paulo havia me dado.
- Tá na hora de parar de ficar chorando, menina.
- Eu tento né! - ri - Se tu parar de falar da Marília, eu paro de ficar chorando. Eu só choro quieta no meu canto, já você... Meu Deus.
- Ah é? - riu - Então fechou.
- Cada vez que alguém descumprir, vai ter que pagar uma rodada de seja lá o que for, pra equipe toda.
- Eu não tô rico ainda não sabia? - perguntou rindo - Mas beleza.
- Beleza. - apertamos as mãos.
- A minha situação é irreversível, a sua eu acho que não.
- Tá doido, Augusto? Acabou.
- O destino deve estar preparando alguma coisa, sério, não é possível que um amor igual ao de vocês vai ser desperdiçado.
- Mano, cala a boca. Tem alguma droga aqui? - falei olhando dentro do pacote de doritos - Cê tá parecendo uma menininha falando assim, sonhando com príncipe encantado e esperando o "felizes para sempre".
- Nada a ver, Malu. - jogou uma almofada na minha cara, mostrei a língua - Eu acredito no amor.
- Oown! - ri alto - Tudo bem, sou eu que tô desacreditada.
- Percebi. - pegou o controle da tv - Gosta de Dexter?
- Nunca vi.
- Vou colocar, é muito foda.
- Já tentei assistir muitas séries, Pretty Little Liars é a única que eu fui até o final.
- Acho ela tão zzz.
- Zzz é você, seu trouxa. - ele gargalhou.
Ficamos vendo televisão a tarde inteira, séries, filmes, clipes e até novela. Quando a fome bateu, Paulo mostrou seus dotes culinários e fez um jantar pra gente.
- Espero que esteja do seu gosto, senhorita.
- Eu também.
- E aí? Aprovado? - perguntou ansioso.
- Aprovadíssimo. - comemorou com uma dancinha, me fazendo gargalhar - Esses homens estão todos super interessados em cozinhar, falo é nada.
- Conquistar pela barriga é unissex agora.
- Pois é, meu irmão é outro que tá investindo nisso. Não deixa ele saber, mas a lasanha dele é melhor que a minha.
- Você só sabe fazer comida gorda é?
- É, e tô fugindo da consulta com a nutricionista. - ele riu - Eu sigo as dietas direito sabe, isso que é ruim.
- Que menina regrada.
- Pois é. Parei com a dieta quando comecei a viajar.
- Nossa, é a pior parte mesmo! Aí tem as comidas típicas das cidades, camarim cheio de besteira, as fãs que dão comida... Pra não fazer desfeita, eu como.
- Pra não fazer desfeita? Sei.
- É sério pô.
- Ok, querido. - começamos a rir - Tem um celular tocando ou é impressão minha?
- Tem mesmo. Deve ser o meu.
Ele levantou e foi buscar, era o meu que tava tocando. Minha mãe queria saber se eu não ia voltar pra casa, já tava tarde.
- Que horas são?
- Dez e cinquenta e quatro.
- Puta merda, já? - arregalei os olhos - O papai não pode vir me buscar?
- Chamaram ele no hospital.
- E agora?
- Eu até te levaria em casa, mas hoje é rodízio do meu carro. - ele fez careta - Tem outro quarto aqui, o Caíque tava comigo enquanto arrumava um apartamento. Se você quiser ficar...
- Mãe, vou ficar aqui e de manhã vou pra casa. Tá bom?
- Vai dormir aonde?
- Tem dois quartos. - ela riu, revirei os olhos.
- Então tudo bem, boa noite.
- Tchau, amo vocês. - desliguei.
- O tempo passou correndo e a gente nem viu.
- Hoje o tempo voa, amor. Escorre pelas mãos. - cantarolei e ele riu.
Terminamos de comer, ele me mostrou o quarto, ajudou a trocar os lençóis, me deu toalha e escova de dentes.
- Eu ganhei umas roupas, tão até com etiqueta ainda... Pra dormir dá né? - ri assentindo - Vem cá ver.
Fomos pro quarto dele, que ao contrário do que eu pensei, não era tão desarrumado. Ele tirou umas sacolas do guarda roupas e me disse pra escolher.
- Que moletom fofo! Quero esse.
- Pode pegar.
- A-mo Capitão América.
- Fica pra você. - riu dando de ombros.
- Foi uma fã que deu?
- Não, foi uma loja que mandou pra gente.
- Ata, que riqueza... Pra mim ninguém manda nada.
- Tem certeza? - arqueei uma sobrancelha - Problema meu se ainda amo, se ainda ouço a tua voz. E vira e mexe eu penso em nós.
- Cala sua boca. - mostrei o dedo do meio.
- Ai, Malu! - falou rindo, lhe dei um tapa porque ele continuou cantando - A música é bonita, gruda igual chiclete. A culpa não é minha.
- Realmente, a culpa é minha que fui otária de me apaixonar por ele.
Nós nos preparamos para ir dormir mas ficamos conversando. Sobre a Fly, sonhos, coxinha e muitas outras coisas.
"Fui malhar. Tem comida nos armários e deixei uma chave perto da televisão, caso você queira ir embora antes de eu chegar.
Bom dia :) Paulo."
Encontrei esse bilhete colado na geladeira, eram quase nove da manhã e eu estava sozinha numa casa que não era a minha. Ok, tudo bem.
Primeiro tratei de comer, depois arrumei a cama, lavei a louça, dei um jeito na sala e tomei banho. Vesti a roupa que estava ontem e peguei minhas coisas, tranquei o apartamento e antes de sair, deixei um bilhete pra ele.
- E aí, tá melhor? - mamãe perguntou atenciosa depois de fechar a porta - Já tomou café?
- Tô, mãe. E comi sim.
- Então senta aqui pra assistir comigo.
- Vou pra academia. A senhora sabe se o Nick vai trabalhar?
- Ele vai, a Fany não.
- Vou ligar pra ela.
- Vão sair?
- Acho que sim. - dei de ombros.
Fui me trocar, arrumei minha bolsa de academia e dei um beijo na minha mãe antes de sair.
Por algum motivo desconhecido por mim, o Portuga teve que trazer o filho dele pra academia hoje. Mais brinquei do que treinei, o Iago é mesmo um fofinho.
Sim, era #casamentoluninha na televisão.
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"A vida nem sempre é romântica. Às vezes, é realista."
— PLL. ♥
continua mulher
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