sexta-feira, 11 de setembro de 2015

Capítulo 81.


* MALU NARRANDO *

Depois da rotineira volta no Ibirapuera, fomos jantar, eu, Nathan e Paulo. As crianças não vieram conosco hoje pois tinha que estudar. Eles me trouxeram em casa e foram embora, mal entrei e a Jaqueline já correu pra cima de mim.
- Chegou uma coisa pra você! Abre logo, quero saber o que é.
- Cadê?
- A mamãe colocou no seu quarto, vem. - me puxou pela mão.
- Posso tomar banho primeiro?
- Não, não. Abre logo isso, por favor.
- Af, até parece que é pra você. - balancei a caixa - Depois que eu tomar banho, eu abro.
- Tá, vou esperar.
Sentou na minha cama de braços cruzados, revirei os olhos e fui pro banheiro. Demorei de propósito, eu posso ser muito curiosa mas com certeza ela é mais.
- Quem trouxe isso aqui?
- N-não sei. Abre logo.
Soltei meu rabo de cavalo e sentei na cama, coloquei a caixa no colo e a abri. Dentro tinha uma lata de brownie, um tablet e em cima dele um bilhete, dizia "aperta o play?". Encarei aquela caligrafia e em seguida a Jaqueline, que me olhava desconfiada.
- Não quero nada vindo dele.
- Nada disso, cê tem que assistir.
- Não. Quero. - cruzei os braços.
- Mas vai. Deixa de infantilidade e assiste, agora, maria luíza! - bufei - Vou te deixar sozinha, quando terminar de ver, me chama.
- Cê sabe o que é?
- Não, só que é um vídeo.
Assim que ela fechou a porta, desbloqueei a tela e respirei fundo antes de apertar play. Paraíso particular, quem dera eu conseguir transformar minha bad em uma coisa produtiva.
Li com a visão embaçada pelas lágrimas, outro bilhetinho que tinha na caixa:

"É sua, o que cê quiser fazer com ela ou vou aceitar. Se quiser guardar, colocar na internet, jogar no lixo... Você que sabe.
Não direi mais nada, a música fala por mim. Luan."

Um tempo depois minha mãe bateu na porta, me chamando pra comer e eu não respondi, tava sem fome por ter comido todos aqueles brownies e não queria que ela me visse chorando. Ouvi a Jaqueline falar alguma coisa e ela parou de insistir.
Logo agora que eu tava conseguindo lidar com toda essa confusão que habitava minha vida, ele vem e estraga tudo com que essa música. Ela seria muito mais bonita se não fosse a nossa história.


De manhã, quando acordei, mandei uma mensagem pro Portuga avisando que não ia treinar hoje. Levantei, tomei um banho demorado e depois desci pra tomar café.
- Vai sair, filha?
- Bom dia, pai. Vou dirigir um pouco, volto antes do jantar.
- Malu...
- Pai! - ele suspirou, sentei à mesa e comecei a me servir - Cadê a mamãe?
- Já vai descer. Ficamos preocupados com você ontem.
- Desculpa, eu só queria ficar sozinha.
- E o que era na caixa?
- Daqui a pouco eu mostro.
- Tá bom.
Terminei de comer e ia buscar o tablet no meu quarto, mas parei na sala pra ouvir a televisão. Quando minha mãe me viu, trocou de canal rapidamente.
- Volta lá, eu quero ver. - pedi.
- Você já viu demais, para de se torturar!
Meus olhos estavam marejados, engoli seco e subi correndo atrás da chave do meu carro. Meu pai arrancou o chaveiro da minha mão assim que eu o peguei.
- Tu não vai sair com o carro agora. Esfria a cabeça primeiro.
- Eu vou sair pra isso. Por favor, me devolve, pai?
- Agora não. - disse firme.
Tranquei a porta, arranquei a sapatilha dos pés, baguncei o cabelo e me joguei na cama, acabei adormecendo. Passava das três da tarde quando acordei, o Augusto tava me ligando.
- Vai levar os patins ou quer andar de bicicleta hoje?
- Quero doritos e brigadeiro, só isso. - o ouvi suspirar.
- Ó, eu sinto muito tá? É... Tem certeza que não quer andar pra esquecer dos problemas?
- Tô a fim de curtir a bad, ao som de Paraíso particular. - ri melancólica.
- Não conheço essa música. Quem canta? É nova?
- E inédita. Chegou aqui pra mim ontem.
- Ele escreveu pra você? Ah, eu quero ver. - ri - Tem na internet?
- Não né.
- Tenho doritos, leite condensado e nescau, quer vir pra cá?
- Tô morrendo de preguiça, minha cara tá uma coisa que cê não tem noção! - rimos.
- Passa uns pó aí e vem. Quer que eu vá te buscar?
- Não seria uma má ideia, meu pai tá com a minhas chaves. - revirei os olhos - Mas eu vou de táxi.
- Então beleza, até mais.
- Tchau, beijos.
Realmente minha cara não estava das melhores, tomei banho e me arrumei de novo. Peguei uma bolsa e coloquei o tablet, dinheiro, documento e tals.
- Vai pra onde? - ouvi a voz do meu pai atrás de mim. Não tinha ninguém na sala, qual é? De onde ele surgiu? Af.
- Pra casa de um amigo, ou não posso?
- Amigo? Quem?
- Não é da sua conta, Jaqueline.
- Ridícula. - ela cantarolou.
- Espera, que seu pai te leva.
- Eu vou de táxi, mãe. Tchau.
- Não ouviu sua mãe falar, Malu? Eu vou levar você.
Contei até dez e decidi não contrariar, vi que não valia a pena descontar a minha "fase ruim" na minha família.
- Pai. - chamei depois de um longo tempo em silêncio dentro do carro, ele me olhou - Quer ver ainda? O que tinha na caixa?
- Se você quiser mostrar. - deu de ombros.
- Vocês não tem culpa de nada e eu... - suspirei - Desculpa.
- Vai ficar tudo bem, tá?
- Tá. - sorri de lado - O Luan escreveu uma música.
- Sobre vocês? - assenti - Como chama?
- Paraíso particular.
- Tem alguma coisa errada. -  ele disse pensativo quando o vídeo acabou.
- O que?
- Não sei... - ri - Me diz um lugar que você quer muito ir, eu pago tudo.
- Não, pai. Eu não vou fugir.
- Admiro isso em você, minha filha, mas eu não gosto de ficar te vendo triste pelos cantos. E no dia do casamento? Já pensou?
- Não, e nem quero. Não agora.
Fomos conversando todo caminho até a casa do Paulo, eu tava precisando daquela conversa. Desabafei, levei umas broncas, ganhei conselhos.




A música pra quem não conhece: https://www.youtube.com/watch?v=R7dUTOUUAF0
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"Say you'll see me again, even if it's just in your wildest dreams."
— Wildest dreams.

3 comentários:

  1. Sim... e o que passava na televisão???

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  2. Não aguento mais ver a Manu sofrendo qro ela bem logo

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  3. Pelo o que entendi o reportagem na televisão era o anúncio do casamento do Luan? Me diz que eu entendi errado por favor. Não pode ser cara. Não quero isso. Tadinha da Malu, quero ela Feliz para ontem.

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