sexta-feira, 4 de setembro de 2015

Capítulo 79.


O pessoal todo da banda apareceu aqui em casa e, o que era pra ser um almoço, virou um churrasco.
- Da próxima vez avisem, assim eu vou poder me preparar pra receber vocês melhor.
- Que nada, dona Samanta! Tava tudo ótimo. - Marla a tranquilizou.
Quando eles foram embora, começamos a arrumar a bagunça e eu ajudei sem reclamar, estava muito feliz.

O domingo foi tedioso, a Bruna até me ligou convidando pra uma balada mas eu não tava afim. Passei a noite vendo televisão com Jaqueline e mamãe, papai havia ido trabalhar mais cedo.
"Ibira amanhã? :))" - era o Paulo, ir pro Ibirapuera no final da tarde já tinha virado rotina.
"Nops."
"Why?"
"Tem pbf na Tang, esqueceu?"
"Puts! Esqueci HAHAHAHA"
"Aposto uma caixa de brownie que os outros também esqueceram. Af"
"Então avisa, assessora!"
"Vou avisar mesmo. E você, vê se vai dormir."
"Pode deixar, boa noite <3"
"Boa noite, até amanhã. Beijo!"
- Amanhã tem aula, Jaqueline. Vai pra cama.
- Já vou, mãe. Posso ir com a Malu amanhã?
- Não. - respondi - Se fosse no shopping, eu deixava. Pra rádio você não vai.
- Mas
- Mais nada.
- Tá bom, chata. - cruzou os braços e foi pro quarto pisando forte, mamãe riu.
- Vou ir dormir também tá? Cê desliga a televisão aí?
- Desligo. Boa noite, mãe.
- Boa noite, filha. - beijou minha bochecha e subiu.
Já na cama, fiquei virando de um lado pro outro, tava meio impossível conseguir dormir com os pensamentos tão agitados. Encarando o teto, lembrei do beijo, fechei os olhos e inalei o perfume que ainda permanecia em seu travesseiro.
Prometi a mim mesma que aquela seria a última vez que eu dormiria com aquele travesseiro, e iria devolver todas as coisas dele também.

- Sem moleza, dona Malu! Bora, bora.
- Portuga, pega leve vai? Eu tô com sono. - fiz bico.
- Nada disso, aposto que se encheu de besteira na festa de sexta.
- Eu nem fiz isso, juro.
- Tá bom, sei.
- É sério.
- Ok, agora para de enrolar e alonga. - bati continência, ele riu.
- Mano, deixa eu te contar: aquele cara é muito ridículo.
- Rubens? Deu em cima de você? - assenti revirando os olhos - Faz isso com todas, é muito chato mesmo.
- Muito chato é pouco. - prendi o cabelo - Ah, me indica uma nutri?
- Claro. - riu - Minha esposa trabalha muito bem.
- Elogio de marido não vale.
- De verdade mesmo, procura ela. - assenti - Ela atende no Santa Edwirgens.
- Ih, mentira? Meu pai trabalha lá. Meu irmão e minha cunhada também.
- Que mundo pequeno. - rimos.
- Roberto Pacheco, sabe?
- Sei. - riu - Deve ser por isso que achei que já te conhecia, você parece muito com sua mãe.
- Obrigada. - ri - Como sua mulher é?
- Um pouco baixinha, loira e usa óculos. A mulher mais bonita daquele hospital.
- Ai, que lindo! - gargalhei - Por acaso, ela tem uma tatuagem de borboleta atrás da orelha?
- Tem.
- A Liana é sua esposa? Gente do céu, o mundo é pequeno mesmo. - subi na esteira - Minha cunhada é a Fany.
- O Iago adora a Fany, no aniversário dele, ela deu um boneco do Toy Story e é o preferido da criança.
- Ah é? Foi eu que escolhi esse presente.
Depois do treino, fui pra casa e meu pai chegou logo depois, o Nick tava com ele e almoçamos todos juntos. Fui pro quarto separar minha roupa pra mais tarde, tinha organizado com todo mundo para às quatro e meia, já estarmos na rádio.
- Vamo sair hoje? - Nick disse se jogando na minha cama.
- Pra onde?
- Balada.
- Quem vai?
- Fany, Vitor, a namorada dele e mais um pessoal.
- Namorada?
- É, vamos conhecer hoje.
- Taí, eu vou. - riu - Ela tem que saber dar valor ao Vi.
- Valor que você não deu.
- Ai, fecha o cu, Nicolas. - bati nele - Eu sei que fiz cagada, mas ele não sabe e vai continuar não sabendo.
- Claro, não vou deixar meu amigo triste por uma coisa que já passou.
- E eu tô pagando né? Na mesma moeda.
- Pois é...
- Agora vaza que eu vou tomar banho.
- Cê vai chegar cedo?
- Não sei.
- Ok. - deu de ombros e saiu.
Tomei banho, me arrumei bem básica: calça jeans destroyed, all star e uma t-shirt fofa que eu ganhei de uma fã. Outra coisa boa de trabalhar com os meninos é não ter que ficar usando blazer e salto a maioria do tempo.
Já estava há quase meia hora procurando um brinco, o que me deixou levemente emputecida e talvez atrasada. Sai do quarto atrás da minha mãe, mãe sempre sabe das coisas.
- A senhora viu meu brinco de pedrinha azul? - gritei do corredor, antes de chegar na escada.
- De pedrinha azul? - perguntou vindo do quarto dela.
- É. Tem aquele preto e o azul, que eu não tô achando.
- Não tá no seu apartamento? - neguei.
- Eu lembro que tava aqui e tava usando ele.
- Ah não sei, filha. Ó, os Fly tão te esperando aí. - arregalei os olhos.
- Cadê a Jaqueline?
- Foi pra casa da Suelen uns minutos antes deles chegarem. - ela riu e eu gargalhei.
- Fala pra eles que eu já tô indo, vou buscar minha bolsa.
- Tá.
Corri de volta pro meu quarto e peguei minha bolsa, coloquei um brinco de bolinha vermelha e desci.
- E aí, tia? Achou o brinco?
- Mano cê grita hein demais, tá louco. - Caíque disse e todos riram, corei envergonhada e abracei meu pai.
- Tá vendo? Todo mundo faz bullying comigo.
- Deixem a minha princesinha em paz. - beijou meu rosto.
- Se a Jaqueline escuta isso... - meu celular apitou uma mensagem e eu olhei a hora.
- Vamo embora, gente!
- Vamo lá. - eles levantaram. Nos despedimos dos meus pais e fomos pra van.
Quando chegamos na Tang, fiz os meninos entrarem rapidamente e eles começaram o programa na hora certa. Falaram um monte de bobagens, cantaram, falaram mais bobagens e fim. Eles pararam na saída pra falar com os fãs e nós - eu, Gui e Henrique - ficamos esperando dentro da van.

A namorada do Vi foi legal comigo até saber que eu era ex dele, ok né. Me mantive um pouco longe do casal pra não criar um clima chato. Nós não ficamos até muito tarde lá, tinha gente que ia trabalhar de manhã e, como eu seria a "motorista da vez" para Fanycolas, nem bebi nada. Ou seja, comi e dancei muito.



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"Saudade da gente, saudade é pra sempre. Eu vivo sentindo a sua saudade."
— Sinto saudade.

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