sábado, 5 de setembro de 2015

Capítulo 80.


* LUAN NARRANDO *

Tava de folga e preso em casa, a Lele disse que não ia ser bom eu sair sozinho, não até o...
- Pi, vou dar uma volta. Quer ir?
- Não posso. - bufei - Vai pra onde? Com quem?
- Meus amigos. - revirou os olhos - O Rober também vai, acho que vamos comer... Não sei.
- Só podia ser, gordo faz o que né? Come. - mostrou a língua - Olha a hora de voltar.
- Pode deixar. - beijou meu rosto - Tchau.
- Tchau. - ela saiu me deixando sozinho.
Meus pais foram mais uma vez pra casa dos pais da Malu. É legal minha mãe ter alguma amiga pra conversar, ainda sentia ela meio perdida aqui em São Paulo e adoro a dona Samanta, mas bem que podia ser outra pessoa né?
Levantei do sofá e fui ver se tinha alguma besteira na cozinha, voltei com cookies e chá. Chá de morango.
Zapeei os canais até encontrar um documentário, era sobre vida marinha e os pesquisadores iam mergulhar com tubarões. Ri lembrando como a pequenininha surtava quando eu falava da minha vontade de fazer isso.
"Luan?" - mensagem da Ana Laura.
"Fala."
"Vou fazer uma ultra essa semana, você quer/pode ir?"
"Não sei. Quando?"
"Quinta, chego aí em SP na quarta. Posso ficar na sua casa?"
"Tanto faz. Mais alguma coisa?"
"Não, só queria saber mesmo. Tchau."

Visualizei e joguei o celular de lado. Confesso que não tava dando bola pra gravidez da Ana Laura mas preciso começar a me envolver, é meu filho também.
O documentário acabou, assisti um desenho animado e quando ia ligando o videogame, meu celular começou a tocar:
- E aí, boizera? Tá de boa? - Dudu perguntou animado.
- Até demais, tédio do caralho. Queria sair e nem posso.
- Coitado. - riu - Ó, o Jorge tava comigo no vip mais cedo, eles tão querendo gravar um EP.
- É? Que legal.
- Regravar uns sucessos, na verdade, mas fazer com parcerias.
- Opa! Se tiver me convidando, topo na hora. - riu.
- Ele comentou da vez que você foi num show e pediu uma música...
- Foi. E eu quero cantar essa, pode ser?
- Quando estávamos selecionando as músicas, ele lembrou disso e eu sabia que cê ia querer, tô ligando só pra confirmar.
- E quando a gente grava?
- Talvez semana que vem, vou ver com eles e te falo.
- Beleza.
- Então tchau.
- Ah não, espera! Eu tô com uma coisa pra te mostrar.
- O que?
- Uma letra, tava compondo e queria que cê visse.
- Ê laiá, o que uma fossa não faz né? - gargalhou, ri sem graça - Tá terminada?
- Quase.
- Traz aqui ou manda pra mim, quer ajuda pra terminar?
- Não, quero fazer essa sozinho.
- Entendo, você vai saber contar melhor essa história. Mas vem cá, o que cê vai fazer com essa música, quer trabalhar ela?
- Se a Malu autorizar, quem sabe.
- Tem o nome dela?
- Não, mas o povo descobre facinho.
- Pois é.
Ficamos conversando mais um pouco, depois meus pais chegaram e, como eu tava sem sono e a Bruna não tinha voltado, decidi esperá-la.
Era quase três da manhã quando a bonitinha chegou, subimos cada um pro seu quarto e eu tomei banho antes de deitar.
Trouxe meu violão e os rascunhos pra cama, queria terminar a música mas acabei dormindo. Sonhei com a Malu e acordei sentindo o cheiro dela pelo quarto, como se ela tivesse comigo e de certa forma ela está mesmo.
- Tô com saudade até das suas broncas, sabia? - ri pegando o porta retrato que ficava do lado da minha cama, consegui finalizar a letra e só aí, saí da cama. Eram quase quatro da tarde.
Joguei uma água no rosto e desci, tava varado de fome. A Bruna tava toda enrolada no sofá, deitei em cima dela.
- Dormiu hein, piroco.
- É. - cocei os olhos - Nossa, tá frio né?
- Demais.
- Ainda mais pra quem tomou banho de chuva, né dona Bruna? - a mamusca disse vindo da cozinha com uma tigela na mão.
- Banho de chuva, Bruna? - besliquei a perna dela - Isso é comida, mãe? Eu quero.
- Eu tava caminhando com a Malu e a chuva pegou a gente.
- Cê tava com a Malu? Ela veio aqui?
- Veio.
- Então não foi sonho! - sorri grandiosamente - Ela foi no meu quarto, não foi?
- Foi, pegar uma roupa. Disse que quer o resto e que depois vai mandar as suas coisas. - suspirei.
- Não vou devolver nada.
- Vocês que se entendam. - ela deu de ombros.
- Esquenta comida e vai comer, Luan.
- Tô sem fome.
- Agora tá sem fome? Vai logo, menino! - me deu um tapa.
- Já vou, mãe. - levantei rindo.
Almocei aquela hora, tomei banho e liguei pro Testa, em seguida pro Dudu. Mais ou menos uma hora depois, o boi chegou buzinando aqui e nós fomos pro Vip.
- E aí, como vai entregar?
- Ela não vai querer me ver... Rober, deixa lá na portaria do prédio dela.
- Ela tá na casa dos pais, não sabia?
- Não.
- Tenta falar com a Jaque, ela pode te ajudar.
A gravação tinha acabado há um tempinho, foi quase um clipe, agora nós estávamos comendo um japa enquanto o Dudu dava uma arrumadinha no vídeo. O boi tinha ido comprar mais cedo uma caixa grande e um tablet, ele aproveitou e trouxe brownie. Ótima ideia, a maria luíza ama.
- Ela tá parecendo bem feliz. - estava olhando seu perfil no Instagram - Será que eu mando mesmo?
- Claro.
- Acho que ela não vai querer ouvir. Tá saindo, se cuidando mais, vive com esse tatuado... Quer me esquecer.
- Lógico, queria o quê? Você bem sabe o que tá fazendo ela passar.
- É, mas - suspirei me calando, Roberval tinha razão, eu não podia reclamar.
- Liga logo pra Jaque.
- Tá. - chamou muitas vezes, achei até que ela não ia me atender.
- O que você quer?
- Ajuda.
- Pra quê? - contei tudo que ela precisava saber e, depois de um longo suspiro, ela concordou.
- Amanhã de manhã peço pra alguém levar aí, tudo bem?
- Não sei porque tô fazendo isso, meu Deus! - ri fraco - Tá bom.
- Brigado viu? Brigado mesmo.




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"E assim eu vou traçando a sua rota em minha mente, assim meio impaciente, sem certeza, sem radar. Pedindo a Deus que mande uma tempestade, que alague toda a cidade, que você não saia do sofá pra que ninguém roube o meu lugar."
— Blackout. ♥

Um comentário:

  1. PUTAAAA MERDAAAAAAAAAAAAAAAA EU QUERO MEU CASAL, POSSO MATAR A ANA LAURA?
    COONTINUAAAAAAA PERUAAAA

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