Eu e o Paulo quase nos beijamos hoje, quase. As crianças tinham ido comprar sorvete, a gente tava no Ibira, de repente começamos a nos olhar e quando ficamos bem próximos, soltei uma gargalhada e ele também.
- Desculpa, sério. Eu nunca ficaria com você, nunca.
- Nossa querido, por que não? - me fiz de ofendida.
- Cê não faz meu tipo.
- Ah é? E qual seu tipo, Paulinho?
- Não sei, mas você não. E o seu, dona Malu? Qual é?
- Branquelo, cantor, tatuado e topetudo. - contei nos dedos.
- Me encaixo em tudo aí, tá me querendo, tia? - gargalhou - Tô brincando, sei que o seu cantor é sertanejo.
- Aiai, meu cantor...
- Opa, opa! Vamo mudar de assunto.
Depois do sorvete viemos embora. Levei a Su e o Binho pra casa dela, trouxe a Jaque pra casa e comecei a me arrumar, ia pra balada com a Fany e umas amigas dela. Hoje eu iria aproveitar a noite, não tô na intenção de ficar com ninguém mas se rolar, rolou né?
- Tá gata hein, cunha.
- Eu tento né. - rimos e eu coloquei o cinto - Partiu?
- Já é.
- Cadê o Nicolas?
- No hospital. Malu... Acho que tô grávida.
- Grávida? Meu Deus! - falei eufórica, ela riu negando - Tá quanto tempo atrasada?
- Quase duas semanas.
- Já contou pro Nick?
- Não! Quero ter certeza primeiro.
- Então faz logo o teste. Você trabalha num hospital, Stéfany.
- Tô com medo, tá bom?
- Medo? O Nicolas te ama, ele vai adorar.
- Eu sei. - suspirou - Meu medo é de ser mãe, eu mal me cuido, como vou cuidar de uma criança?
- Pensasse nisso antes de esquecer de usar camisinha.
- Vai dizer que na hora da pressa, você nunca esqueceu?
- Já, mas graças a Deus não deu em nada. E o assunto aqui é você, não eu. - ela revirou os olhos - Se você estiver realmente grávida, querendo ou não, vocês vão ter que aprender mas se não, fica aí a lição né?
- Que fique a lição, pelo amor de Deus.
- Quero um sobrinho. - fiz bico.
- Cala a boca. - apertou o volante - E não conta nada pro seu irmão.
- Como quiser, nova mamãe. - ri e ela me fuzilou com os olhos - Sabe com quem eu tava hoje?
- Não tenho a menor ideia.
- O Iago, ele é a coisa mais fofa do mundo.
- É mesmo. Ele tava na academia?
- Tava. - peguei meu celular - Quero um bebê pra brincar, Fany.
- Então faz!
- Eu hein. Quero baby Fanycolas.
Ela mostrou o dedo do meio e eu gargalhei. Passei todo o caminho enchendo o saco dela, falei que ia com a Jaque comprar roupinhas já na próxima semana.
Depois do quinto drink, não lembro de mais nada. Acordei com milhões de quilos pendurados na cabeça, foi foda abrir os olhos.
Eu estava no segundo quarto do apartamento do Nicolas, a Jaqueline sempre vem pra cá e isso é o motivo de ter posters pelo quarto inteiro. Gostaria muito de saber em que estado cheguei aqui.
- Bom dia, irmãzinha. A ressaca tá muito forte? - ele perguntou risonho, deitado no colo da Fany, que fazia carinho em seus cabelos.
- Que cena linda. - resmunguei.
Deitei no outro sofá e cobri o rosto com as mãos, a claridade tava me matando.
- Vai comer alguma coisa, pra poder tomar remédio.
- Já vou.
- Eu nunca vi ninguém ficar bêbada tão rápido.
- Fala o que ela fez, amor.
- O que eu fiz, Stéfany? - sentei assustada, eles riram.
- Ligou pro Luan.
- Hãn? - gritei - Meu Deus, como eu sou idiota. Ai, minha cabeça.
- Tem mais.
- Mais? - assentiu rindo.
- Cê cantou pra ele, e o mandou para puta que pariu.
- Gente... Tô é morta.
- Tu começou a rir muito, aí eu peguei o celular da sua mão e vi que ele tava na linha. Ele disse que no começo achou estranho, mas sacou na hora que você não tava no seu normal.
- Vou ali morrer e já volto. Nunca mais eu bebo nessa vida. - ele gargalhou alto - Cala a boca, Nicolas, viado!
- Viado porque cê não viu o que a gente fez quando eu cheguei, né amor?
- Por isso, né dona Stéfany? Depois não fique achando ruim. - falei e ela tacou uma almofada em mim.
Levantei revirando os olhos e fui pra cozinha, fiz um coop nodles e peguei suco de uva na geladeira.
Entrei nas minhas redes sociais pra bloquear, excluir, dar unfollow e o caralho a quatro no Luan. Eu não preciso e nem quero saber o que esse vagabundo faz da vida dele, sua mulherzinha que se preocupe com isso.
Uns cinco minutos depois, a Jaque me ligou, perguntando se era verdade que eu dei unfollow nele.
- É verdade sim.
- É?
- É! Tá surda? Af. - bufei.
- Tá e por acaso, a senhorita dormiu aonde?
- Aqui no Nick, queridinha. E você? Não devia estar na escola essa hora?
- Eu tô na escola.
- Então vai estudar. Tchau.
- Tchau. - riu e eu desliguei.
Tomei um remédio pra dor de cabeça e voltei pro sofá. Mandei mensagem pro Portuga dizendo que não ia treinar, ele disse que já imaginava, a Liana tava com a gente na balada ontem.
- Vamo almoçar na casa da mamãe?
- Vamo, não quero cozinhar. - Fany disse e eu concordei com a cabeça.
- Vão lá se arrumar, vou ligar pra ela.
- Nick, cê tá com a chave reserva do meu ap?
- Acho que sim.
- Pega pra mim?
- Pega lá, amor? Tá dentro da caixinha.
- Deixa de ser preguiçoso, Nicolas.
- Passei a madrugada trabalhando, tô aqui morrendo de sono e nem uma chave tu quer pegar pro seu amorzinho?
- Que drama, Jesus. - falou levantando - Só vou pegar porque é pra cunha.
Antes de irmos embora, fui no meu apartamento e juntei uns negócios do Luan, mais tarde peço pra Jaque levar na casa dele. Também decidi que tava na hora de voltar pra cá, ficar com meus pais é maravilhoso mas eu já estava com saudades do meu cantinho.
- Malu, tem uma pessoa lá em baixo que quer falar com você. - minha mãe disse na porta do quarto.
- Quem?
- A Ana Laura.
- Que audácia! O que ela quer?
- Não sei, filha.
- Maldita curiosidade. - larguei os esmaltes na cama - Vou lá saber.
Ela estava sentada no sofá, pigarreei cruzando os braços e ela me olhou. Jaqueline estava bem atrás de mim, falou que era pra "garantir a segurança" mas até parece que eu vou sair no tapa com essazinha né? Pelo amor de Deus.
- Oi Malu, quanto tempo né?
- Fala logo o que você quer, tô ocupada.
- Vim te fazer um convite.
- Faça.
_
"Vou levando a minha vida, mas o coração pediu e a saudade insistiu, só queria te dizer..(vai pra puta que pariu hihihi)"
— Ah é?
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