sexta-feira, 9 de outubro de 2015

Capítulo 86.


Meus pais ficaram duzentas mil vezes mais cuidadosos e me queriam "quieta em casa", como se eu fosse uma Jaqueline. Alô-ou eu já sou adulta!
Antes de sair de casa, minha mãe falou um bocado e fez o Paulo jurar que dirigiria com cuidado.
Encontramos com Caíque e Bruna já na porta da boate e entramos juntos, depois de cinco minutos todos já haviam tomado um rumo, só restando eu e Nathan.
- O que a gente vai fazer?
- Não sei... Dançar?
- Tem certeza que não quer nenhum beijinho? - perguntou fazendo bico, gargalhei.
- Tô bem assim, obrigada. - ele deu de ombros.
- Cê já parou com os remédios? Tá podendo beber? - assenti - Então vou pegar alguma coisa pra gente.
- Tá bom.
Sentei num banco alto, tinha umas mesas e pufes por ali também. Fiquei mexendo no celular pra passar o tempo e ia postar uma foto, até um alguém parar na minha frente.
- Olha quem tá aqui, se não é a assessora. - ri e nos abraçamos - Tudo bem?
- Uhum. E você, Carlos?
- Bem. Bem melhor agora.
- Ata. - ri sem graça. Ficamos em silêncio.
- Cê... Quer uma bebida?
- Ah não, valeu. O Nathan já foi buscar.
- E cadê os outros?
- Não vejo o Caíque desde que entramos. - ele riu - O Paulo tava aqui agorinha.
- Sei... - e o silêncio voltou a reinar entre nós.
Já estava começando a xingar o Nathan mentalmente quando ele apareceu.
- Demorei, branquela? - neguei e ele me abraçou pela cintura - E aí, Carlos? Tranquilo?
- De boa. - apertaram as mãos.
Tomei um gole da ice e fiquei ouvindo eles conversarem, o Paulo voltou não sei da onde e entrou na conversa. A música não tava taão alta, dava pra conversar sem gritar.
Eu bem que podia ficar com o Carlos né? Só não fico porque... Porra, não sei. Mas não quero outro Santana na minha vida, se um sozinho já fez tanto estrago, imagina dois?!
- Ô Malu! - Caíque estalou os dedos na minha cara.
- Hum?
- Tava nesse mundo? - eles riram.
- Voltei, querido. Voltei. - mostrei a língua.
- Vamo no banheiro comigo, por favor?
- Vamo, Bru. - respondi - Segura?
- Seguro. - entreguei minha bebida pro Nathan.
Enquanto ela fazia xixi, retoquei meu batom. Após uma típica conversa de banheiro, tiramos uma foto no espelho e ela postou.
Assim que voltamos pra perto dos meninos, uma moça do grupinho de amigos do Carlos sugeriu que fôssemos dançar.
- Bora? - perguntei já puxando o Nathan pela mão.
- Acho que não tenho escolha né?
- Não tem mesmo. - ele riu.
Saímos da boate perto das três da manhã, fiquei muito cansada porque dançamos até eu não querer mais, o que demorou bastante.
- Se você dormir, vai ficar por aí mesmo. - Paulo disse me olhando pelo espelho e eu ri negando.
- Não vou dormir, tá queridos? Vou ligar pra minha mãe e avisar que tô chegando.
- Tá sem a chave?
- É, ela quer me ver chegar pra saber que eu tô inteira. - eles riram - Nath, cê é um ótimo parceiro de dança.
- Obrigado, senhorita. Falar nisso, e suas aulas de twerk?
- Desisti. Demorou demais.
- Vem fazer streat comigo.
- Streat?
- É, é legal. Eu posso te buscar e trazer de volta, que tal? São só dois dias na semana.
- Quando?
- Quarta e quinta.
- Tá aí, gostei.
Desbloqueei a tela e disquei os números da minha mãe, depois de falar com ela, vi que tinha umas mensagens da Jaque. Ela dizia que a foto que eu postei tinha dado o maior alvoroço, rendeu até notinha e tipo, faz no máximo duas horas que postei. De fato, esse pessoal é mesmo rápido.
Na foto, eu estava escorada no ombro do Nathan e dava pra ver a mão dele me abraçando pela cintura, só não dava pra saber que era ele.
- Que foi, tia?
- O que? - tirei os olhos do celular.
- Tá vendo o que aí que tá fazendo tanta careta?
- Tão discutindo minha vida amorosa na internet. - revirei os olhos - Que preguiça disso, Deus. Eu nem li, nem quero saber o que falaram e ainda vão falar desse rolo todo.
- O lado ruim da fama.
- Não sou famosa.
- É sim. Deve ser até mais famosa que a gente.
- Sem gracinha. - mostrei a língua - Que exagero, Paulo.
- Mas é sim.
- Ah, cala a boca.
Eles me deixaram na porta e foram pra casa, minha mãe ainda estava acordada porque fazia pouco tempo que meu pai tinha chegado do hospital.
- E aí? Curtiu muito?
- Demais. Ai pai, tô cansada. - me joguei no sofá.
- Levanta daí. - minha mãe disse - Você chega suada e se joga no meu sofá, maria luíza? Faça graça.
- Af. - fiz bico levantando e tirei meus sapatos de salto - Vou fazer aula de streat.
- Não era de twerk?
- Era, agora eu não quero mais.
- Mas meu Deus. - ele riu - Vamo pra cama, amor?
- Agora que a mocinha já chegou, podemos ir.
- Então boa noite.
- Noite? A noite já foi, Malu. - ri e os abracei, eles subiram.
Fui na cozinha e comi, depois fui pro meu quarto tomar banho e dormir. Eu estava mesmo cansada, ê laiá, é a idade chegando.

Fui acordada pela Jaqueline, quando ela voltou da escola. Nossa mãe estava chamando pra almoçar, dispensei a caçula e me arrastei até o banheiro, tomei um banho pra acordar de verdade.
- Boa tarde, dona Samanta. - lhe dei um beijo estalado na bochecha.
- Acordou de bom humor, que milagre.
- Dormi bem, obrigado.
- Você dormiu muito, isso sim.
- Muito e bem, sweet Jaque. - pisquei pra ela e sentei.
- A gente vai pro Ibira hoje?
- Não, amanhã viajamos e os meninos tem que descansar.
- Vão pra onde?
- Nem lembro, tenho que olhar. - fiz careta.
Almoçamos e eu fiquei ajudando minha irmãzinha num trabalho de artes, fizemos um escultura maravilhosa com argila. Claro que sujamos bastante e claro que a mamãe nos obrigou a limpar, claro.
- Malu, vou te contar uma coisa que eu acho que você ainda não sabe. - ela coçou atrás da orelha, ergui uma sobrancelha - Eu acho melhor eu te falar, do que cê vê por aí.
- Fala, garota.
- O bebê do Luan é um menino.
- E por que você acha que isso me afetaria tanto?
- Cês falavam de ter um Enrique... Eu achei que - se calou, dando de ombros.
- Obrigada, mas não precisa se preocupar tá? - abracei aquela coisinha chata - Eu tô legal.
- Mesmo?
- Mesmo, mesmo. - sorri pra ela, que riu.
- E quem era com você na foto?
- O Nath. Antes que pergunte, não ficamos e nem vamos.
- Oxe, Nalu é um belo ship.
- Af Jaqueline, deixa de ser idiota. - lhe empurrei. A bobona ria de se acabar.



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"Naquele segundo eu pensei que até te odiava, mas respirei fundo e vi que eu te amava."
— Na hora da raiva.

Um comentário:

  1. Queria que o Luan fosse atrás dla continua não demora muito pra postar kkkk

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