sábado, 17 de outubro de 2015

Capítulo 88.


Pedi pro Rober chamar a Malu pro show mas ela não aceitou, já iria embora da cidade.
Lá, na hora de 'Cantada', sentei na beirada do palco e cantei dali. Estava preparando um repertório novo mas essa música eu não tiraria de modo algum.
- Vai parar pra atender? - assenti e a van parou, já íamos voltar pro hotel.
Saí rapidinho e pronto, eu tava cansado e de cabeça cheia. Me entregaram presentes e alguns eram pro bebê, já tinham começado com isso e agora que sabem o sexo tão dando muito mais.
- Amanhã a gente vai tá perto de Londrina né? - Well assentiu - Manda alguém levar na casa da Ana Laura, vou avisar pra ela.
- Pode deixar.
Assim que cheguei no meu quarto, liguei na recepção pra pedir gelo e uma garrafa de wisky, tava sem sono e isso me faria dormir. Tomei banho e troquei de roupa enquanto esperava.
Comecei a mexer na pilha de presentes, um em especial me chamou atenção, era um álbum grosso e na capa tinha "True love".
- O mesmo sorriso de sempre. - era a primeira foto que eu tirei com a Malu, só nós dois.
Fui virando as outras páginas e todas tinham fotos nossas. No final, tinha um monte de folha sobrando e um bilhete, pedindo que eu completasse o álbum. Guardei na minha mochila.

Passei todo aquele fim de semana vendo as fotos antes de dormir e, chegada a terça feira, tive que vir escolher meu terno ou sei lá o que. A Malu e o Dudu já estavam no ateliê quando cheguei com meu pai, Well e Rober.
- O que ela tá fazendo aqui? - cochichei pra ele.
- Esqueceu que ela é sua padrinha? Vai te acompanhar em tudo relacionado ao casamento, eu e o Dudu também.
- Ah meu Deus. - suspirei.
- Tudo bem, Malu?
- Tudo. - ela e meu pai se cumprimentaram - Como que vai a dona Mari e a Bru?
- Estão bem.
Nós dois nos falamos brevemente e ela, como sempre, falava aos montes com o Testa.
- Ah, chegaram! Luan Santana, que honra receber você aqui. - uma criatura afetada disse saindo de uma porta e me tascando dois beijos na bochecha - Teodoro Garcia, muito prazer.
- O prazer é meu. - ri.
- E então, já sabe como vai querer? - neguei com a cabeça - Marcela, pega fita e os croquis.
- Sim, senhor. Licença.
- Seu pai, os padrinhos e a noiva, imagino. - maria luíza riu negando com o dedo.
- Sou "padrinha".
- Oh, perdoe-me. Mas... Padrinha?
- Coisa da digníssima noiva do Luan.
- É um poço de ironia essa menina. - Dudu comentou com o Testa e os dois riram.
- Você não vai usar terninho né? Tenho uma coisa perfeita pra você! - bateu palminhas - Marcela, cadê meus croquis?
Ele saiu andando pra onde a moça tinha ido, sentamos num sofá que tinha ali e o esperamos. A Malu ficava olhando o celular toda hora, eu tava morrendo de curiosidade pra saber com quem e o que ela tanto falava, e ria.
- Quer água, filho?
- Quero, pai. Obrigado. - me entregou um copo.
- Para de olhar pra ela um pouquinho.
- Tá. - passei a mão pelos cabelos.
O cara lá voltou trazendo mais três pessoas, que começaram a nos medir, anotar e blá blá blá.
- Já pensaram na cor? - negamos - Malu, olha aqui esse vestido. Não é lindo?
- É sim. - ela sorriu.
- Não abro mão que escolha esse, vai ficar maravilhoso no seu corpo. - a fez dar um voltinha.
Ele mesmo quis medir a maria luíza e, se ele não fosse tão bicha, eu estaria morrendo de ciúme.
- Deixa eu ver isso aí.
- Ah claro, senhor Roberval. - lhe entregou o papel que antes mostrava pra Malu - Branco ficaria ainda mais divino, pena que branco é só pra noiva.
- Ah pois é, o branco "significa" pureza né? - Teodoro confirmou com a cabeça.
- O que não é o caso. - Rober disse pra ela, que gargalhou.
- E você, Luan? Não pensei que fosse tão tímido. - ri - Fica à vontade, quer alguma coisa?
- Não, obrigado. É que eu tô cansado, sabe?
- Entendo.
- O Luan faz muitos shows, graças a Deus. Ele chegou hoje e veio direto pra cá. - meu pai explicou.
O tempo foi passando e eu só falava algo quando era perguntado, ria de algumas coisas e voltava a ficar quieto.
- Tava pensando em fazer o terno dos garotos em cima do seu vestido. Já que vai ficar no meio de dois marmanjos, tem que brilhar.
- Com certeza. - ela riu - Azul, azul marinho. Eu gosto e cai bem pros três, não?
- Sim, sim. - queria ter um por cento da animação dele - Marcela, dá um search nos looks do Evaristo. Ele tem o azul ideal, quero aquela cor.
Vim ao provador vestir uma camisa, desconheço a razão, tava muito distraído e só fiz o que me pediram. Quando terminei de abotoar a camisa social, a porta foi bruscamente aberta.
- Tá quase term... Depois eu ligo. - ela falava ao telefone - Achei que era o banheiro, desculpa.
- Tudo bem. Malu, espera. - não deixei que ela saísse.
- Que é?
- Quero sentir seu cheiro, deixa? - riu se aproximando de mim.
Por um momento pensei que ela fosse me beijar, é, eu pensei. Ela só arrumou a gravata que estava no meu pescoço e riu de novo.
- Você parece até uma pessoa séria vestido assim. - passou a mão nos meus cabelos - Meu Deus, eu devo ser bem louca mesmo né?
- Por quê?
- Corro, corro, corro e sempre venho parar aqui. - me "empurrou" com um dedo.
- Comigo!? - sorri - Seu lugar é do meu lado, pequenininha.
Encostei-a na porta, passei meus lábios suavemente por seu pescoço, fui até sua orelha e sua pele arrepiou quando lhe mordi.
- Para, eu não posso. - pediu num sussurro - Tô... Namorando.
Suas palavras me acertaram como um trem desgovernado.
- Namorando? Quem?
- Eu tenho que ir. - falou rápido e outra vez, não deixei ela sair - Não é da sua conta com quem eu namoro. E ah, isso aqui é seu.
- Não! - segurei sua mão, impedindo que ela tirasse a pulseirinha - Você prometeu que nunca ia tirar.
- Parece que promessas foram feitas pra serem quebradas. Você prometeu que ia ser pra sempre.
- Mas
- Mais nada, não quero ouvir, sério. E também não quero ficar lembrando da gente toda vez que olho pro meu braço.
- Não tem nada a ver, maria luíza! Por acaso você vai parar de comer pizza ou de usar o emoji de lua preta? - ela não respondeu. Ponto pra mim.
- Até amanhã. - disse e saiu. Eu fiquei pensando.
- Luan? Tá vivo aí, boi? - Roberval batia na porta.
- Oi, tô. - saí - Cadê a
- Malu? - assenti - Foi pra aula de streat, o Nathan veio buscar ela.
- Então é ele?
- Ele? Ele o que?
- O namorado dela.
- Namorado?
- É! Ela disse pra mim que tava namorando.
- Disse pra você e não disse pra mim? - fez cara de bravo, revirei os olhos.
- Eu não acredito nisso.
- Nem eu! - falou rindo, bufei e voltei pra sala principal.



_

"Eu sei, você quer me amar."
— Calafrio.

5 comentários: