sábado, 1 de agosto de 2015

Capítulo 73.


- Então... - segurou minhas mãos - Lembra que você pediu pra pensar na gente? Pensar em você.
- Uhum.
- É o que eu tenho feito. - puxou o ar e o soltou devagar - Pensando em você, cheguei a conclusão que eu não posso mais ficar te enganando. Cê não merece e não tem que passar por isso.
- Pera aí. - ri - Você tá term
- Tô.
- O que? Não, Luan! Eu vou ficar com você sim, a gente vai passar por isso juntos.
- Não vamos não, você não pode querer pagar por um erro que eu cometi sozinho.
- Foi uma traição né? Eu sei que foi, mas eu te perdoo e até já esqueci ó, nós dois vamos
- A Ana Laura tá grávida, Malu. - nessa hora meu mundo desabou.
- Quando, Luan?
- Naquela vez que eu fui pra Campão, depois do show rolou uma balada com uns amigos e ela tava lá também, me contou que tinha brigado com o namorado e depois mostrou as fotos que saíram de você com o Vitor no hospital. - ri incrédula - Mas eu não fiquei com raiva, confio em você. Falei com a Jaque pra saber se você tava melhor e depois o Rober chegou com um copo pra mim, não bebi tanto pra ficar inconsciente, disso tenho certeza... Só que eu não lembro de mais nada. Nada!
- Meu Deus, meu Deus. - passei as mãos pelo rosto.
- Quando eu acordei... Ela tava comigo.
- Era só eu que não sabia disso?
- Só quem sabia era o Well, eu implorei pra ele não contar... Desculpa, pequenininha. - levantou.
- Aonde você vai?
- Embora.
- Não! - gritei - Por favor, não vai.
- Eu não posso ficar.
- Claro que pode, fica comigo, Luan. - agarrei seu braço, já afogada nas lágrimas - Não faz isso, eu te quero assim. Assume seu filho, eu não me importo mas pelo amor de Deus, não me deixa!
- Tô fazendo isso porque quero seu bem.
- Não, não é. É porque você quer! - bati em seu peito - Eu comi aquelas coisas, traí o Vitor que sempre foi um príncipe comigo, aceitei ser sua amante e
- Você não era minha amante.
- Era sim, era sim.
- Nunca foi a amante, sempre foi a que eu amei. - disse me olhando bem nos olhos - Mas agora você vai ficar livre de mim.
- Eu não quero ficar livre. - lhe bati outra vez - Quero ficar com você, seu maldito egoísta! Fui contra meus princípios só pra ficar contigo, será que você não vê que eu
- Tu acha que também não tá doendo em mim? - me sacudiu pelos cotovelos - Eu não quero isso pra você, não quero te fazer sofrer pelo resto da vida. Não dá mais pra gente... Acabou.
- Não, não, não, não. - ele conseguiu me segurar antes que eu caísse e me colocou no sofá.
- Se cuida, pequenininha. - beijou minha testa - Eu amo você.
Tentei levantar mas estava fraca demais, impotente demais. Ali, chorando, eu vi o amor da minha vida ir embora.
- Eu também amo você. - sussurrei.
Passei a madrugada inteira chorando, me perguntando qual era o problema dele. Eu estava disposta a continuar com ele, sabia que seria conhecida no Brasil inteiro como corna e/ou otária, quiçá interesseira mas eu estava disposta. Eu estava.
Depois da tristeza, veio o choro de raiva. Raiva por amá-lo, por não ter tido coragem de dizer antes o quanto eu o amo, raiva por ele ser tão idiota, raiva da desgraçada da Ana Laura e de mim, por ser tão retardada a ponto de cogitar ficar com ele depois disso tudo, de me humilhar implorando para que ele não me deixasse. Quem devia fazer aquilo era ele!

Levantei às seis da manhã, não tinha dormido nada e minhas olheiras estavam horrorosas, eu já não aguentava mais chorar. Entrei na cozinha passada de fome e depois que comi uma tijela cheia de cereal com leite, continuei comendo. Comendo e comendo.


* LUAN NARRANDO *


Passei a noite em claro, vi fotos, li conversas e mensagens nossas. Estava tudo acabado e o culpado sou eu, sei que ela vai sofrer agora mas vai passar logo, se a gente continuasse juntos ia ser muito pior pra ela.
Levantei e fui lavar o rosto, acabei tomando um banho.
- Você tá bem? - minha mãe perguntou receosa quando entrei na cozinha.
- Tenho que ficar. - suspirei.
Tomei café da manhã, peguei o carro e fui pra academia. Quando estava voltando, ouvi a Jaque me chamar, pensei em ignorá-la e me xinguei mentalmente por isso.
- Oi. - acenei pros seus amigos que ficaram mais para trás - Tudo bem?
- Pra falar a verdade, não sei. A Malu tá com você?
- Não.
- Ela disse que ia vir aqui ontem e não veio, tem um pavê na geladeira e ninguém pode comer porque é pra ela. - revirou os olhos, ri fraco - Cê não sabe dela?
- Não.
- Ok né... Obrigada, tchau.
- Tchau. - fui abraçá-la e ela se afastou.
- Você tá suado, garoto.
- Poxa! Tá certo. - ri e ela se afastou rindo também.
Destravei meu carro e entrei, liguei o rádio e dirigi sem pressa. Com certeza a Jaqueline notou que tem algo errado, é uma menina esperta e, embora não sejam irmãs de sangue, parece muito com a maria luíza, principalmente no temperamento.
A tarde passou numa lentidão absurda, o que me deixou irritado. O Soroca me ligou antes do jantar, me convidando para mais um de seus churrascos, inventei que tinha que jantar com minha mãe e falei que talvez aparecesse por lá.
E eu fui, acabei bebendo demais e a Bruna teve que ir me buscar.
- Isso é feio, Luan!
- Eu tô sofrendo, me deixa em paz. - resmunguei quando ela abriu a porta do quarto.
- Não é enchendo a cara que você vai esquecer da Maluzinha, se é que um dia cê vá conseguir.
- Assim tu não me ajuda.
- Que tanto papel é esse aqui? Vai fazer um ninho?
- Não é nada. E você não pode ver.
- Tá, eu hein! Vai, deita. - jogou o lençol sobre mim, me cobri e ela apagou a luz do abajur - Boa noite, irmão.
- Pi?
- Oi?
- Você é mulher, então deve saber, fala com sinceridade. - assentiu confusa - Ela me odeia né?
- Talvez um pouco... Ai, na real mesmo? Eu acho que ela até te mataria, só não fez isso porque te ama. Agora dorme. - beijou meu rosto - Tchau.
- Tchau.

No meio do almoço o telefone de casa tocou, a mamusca foi atender e voltou dizendo que era pra mim.
- Sei que normalmente você não se envolve nisso mas acho que é do seu interesse... - era a Lele - A Malu pediu demissão.
- Eu já sabia que isso ia acontecer. - suspirei - Dá a demissão dela e mais tudo que ela tem direito, se precisar daquelas cartas, escrevam as melhores recomendações. 
- Tudo bem. Só que tem dois problemas: a multa da quebra de contrato e a de não cumprimento do aviso prévio, ela falou que paga.
- Não, ela não vai pagar nada.
- Como você quiser. Consegui segurar ela até acabar os shows dessa semana, fala pro Amarildo que ele precisa assinar uns papéis.
- Eu posso fazer isso?
- Você? Pode...
- Quando ela vai no escritório?
- Combinamos na segunda feira, depois do almoço.
- Estarei aí.
- Tem certeza, Luan?
- Absoluta.
- Ok. Boa tarde e desculpa atrapalhar sua refeição. - ri - Tchau, um beijo.
- Não precisa se desculpar, obrigado por me avisar. Boa tarde pra você também, tchau.
- O que foi, filho? Sua mãe falou que era a Arleyde.
- A Malu se demitiu.
- Ah.
O resto do almoço foi em silêncio, ninguém disse mais nada. Depois a Bruna foi estudar, meu pai foi ver televisão e minha mãe levou a louça pra cozinha, a segui.
- Tem creme de abacate na geladeira, se você quiser.
- Outra hora eu como... Quer ajuda?
- Quero, vai enxugando e guardando. - assenti.
Passei o dia na barra da saia da minha mãe, me senti uma criança, mas eu estava mesmo precisando do carinho dela.







FICA SÓ UM POUCO MAAIS, APAGA A LUZ E VEM DORMIR. AMANHÃ VOCÊ VAI, NÃO VOU TENTAR TE IMPEDIR NÃO SBFISWNERIN CANTEM COMIGOOO
O cap não ficou tão bom pq eu não sei escrever drama, adoro, mas não sei escrever :))
* Grupo no facebook, docinhos: https://www.facebook.com/groups/1457171844602057/
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"Loucura maior seria aceitar viver sem você."
— Divina comédia. ♥

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