Depois de muito chororô, resolvi acordar pra vida e seguir em frente. Como diz uma música que eu adoro "já que cê quer ir, é essa fita mesmo, demorou".
Na quarta-feira, quando a van chegou no meu prédio, eu já estava esperando, para surpresa de todos.
- Eu achava que você não vinha. - Marla falou sem graça.
- Eu também achava. - ri - Ainda tenho que trabalhar né? Não tenho a vida ganha.
- Pois é...
- Mas é só até domingo, segunda vou passar no escritório pra resolver as coisas.
- Poxa.
- Sem tristeza, o que passou já foi. - falei mais para mim - Meu apartamento estará sempre aberto pra vocês, quando quiserem me ver.
Não, o Luan não tava na van. Fui com a banda, ele só vai mais tarde.
Ninguém mais tocou no assunto sobre eu estar "indo embora", ninguém falou dele e eu agradeci mentalmente por eles serem assim, vi o quanto vou sentir falta desse pessoalzinho.
Chegando no hotel, rolou um problema com os quartos, tentei pegar outro mas o hotel tava cheio.
- Tá tendo uma feira na cidade, senhora. Com palestras, shows, exposições e mais um monte de coisas, os hotéis ficam todos cheios essa época.
- Ok, tudo bem, obrigada. Vou dar um jeito.
- E aí, conseguiu?
- Nada.
- Dorme você com ele e eu fico com o seu quarto. - sugeri.
- Não! Eu hein.
- Só hoje, Rober, por favor.
- Tô fora.
- Tu é foda. - cruzei os braços.
- Eu fico no sofá e você na cama, não precisa nem falar comigo... - Luan disse.
- Vai Malu, é só hoje.
- Só hoje. - me dei por vencida depois de um tempo, não ia ter jeito mesmo.
Nós dois subimos, entramos no quarto e ele foi tomar banho. Fiquei vendo televisão, tava passando a novela das seis.
- Vamos jantar num restaurante, cê vem?
- Não, obrigada. Vou comer por aqui mesmo.
Ele saiu e eu pedi comida, tomei banho e separei a roupa dele enquanto esperava. Assim que terminei a sobremesa, fui escovar os dentes e comecei a me arrumar.
- Malu... O Testa pediu pra te entregar.
- O que é? - perguntei procurando um batom.
- Uns doces que a gente achou que cê fosse gostar.
- Ata, brigada.
- De nada. - comi concentrada em não olhar pra ele, que me olhava.
Tive que escovar os dentes de novo e soltei o cabelo, voltei pra pegar o batom e o Luan me deu um, coincidência ou não, um dos meu preferidos.
Já no local do show, fiz tudo o que tinha pra fazer e ainda faltava um tempo pro show começar, mandei mensagem pro Rober avisando que estava no camarote e como não tinha trago minha câmera, ficaria por lá até a hora de ir embora.
Foi o que eu fiz, só sai de lá quando o Well me ligou dizendo que eles já iriam pro estacionamento. O Luan ainda parou rapidinho pra falar com as fãs e fomos pro hotel.
- Você não vai dormir no sofá, tem que descansar pra amanhã e a cama é mais confortável.
- Mas
- Por favor, cala a boca e só faz. - a porta do elevador se abriu e eu saí logo.
Tomei banho, vesti um pijama quentinho, depois peguei um travesseiro e o edredom, apaguei a luz e deitei, não sei ao certo quanto tempo demorei pra dormir mas acho que foi rápido.
Quando acordei estava junto com ele na cama, muito junto. Me afastei bruscamente, o fazendo acordar assustado.
- Eu saí do banheiro e você tava toda torta no sofá, aí eu te trouxe pra cá mas não fiz nada, cê que veio me abraçando e eu não te tirei pra não te acordar. - se explicou atropelando as palavras. Realmente, era eu quem estava em cima dele.
- Foi só pra não me acordar?
- Cê sabe que não... Eu tô com saudade.
- Eu também. Mas foi você que quis assim, Luan. - ele desviou os olhos dos meus, suspirando.
- Tem alguma coisa que eu posso fazer pra não perder sua amizade?
- Por agora, nada. - levantei indo em direção ao telefone - Vai comer aqui ou prefere descer?
- Tava pensando em comer aqui mesmo.
- Beleza, então pede aí.
Troquei de roupa e desci pra comer, as meninas me chamaram pra sair pela cidade mas eu neguei, estava me sentindo cansada. Psicologicamente cansada.
Voltei pro quarto e encontrei o Luan lendo, a Fany me chamou no WhatsApp e eu fiquei conversando com ela.
"Tô conseguindo me controlar, sou mais forte do que achei que fosse."
"E ele?"
"Tá triste também, eu acho. A gente teve que ficar no mesmo quarto."
"Eita porrAAA. Dormiram juntos?"
"Inicialmente não maaas, acordamos grudados."
"Ai, vocês dois </3E aquele negócio, resolveu?"
"Meio caminho andado, segunda vou falar com o pessoal de lá."
"Boa sorte, cunhada. Tenho que ir agora, chegou paciente aqui."
"Obrigada, Fany. Ok. Beijos."
- Cê nem viu o show ontem né?
- É. - dei de ombros.
- Isso não tá dando certo.
- Isso o quê?
- Pode ir pra casa se quiser, sério.
- Minha presença tá te incomodando?
- Não, não. É que
- Eu sei bem o que é, não precisa explicar.
Nas outras cidades, consegui quartos pra mim e não precisei ficar com ele.
Como falei pra Stéfany, sou mais forte do que pensei e não chorei nenhuma vez, por dentro eu estava acabada mas por fora, ninguém dizia que eu tinha tomado um chifre e um pé na bunda.
O final de semana passou num piscar de olhos e hoje, segunda, estou indo na Central acertar as contas, depois de almoçar com meu pai no shopping.
- Olha quem apareceu!
- Oi gente. - sorri pra eles - A Arleyde...?
- Sala de reuniões, te esperando. - Jéssica apontou.
- Obrigada. - assim que entrei, meus olhos encontraram os dele - Boa tarde, desculpem o atraso, eu estava com meu pai.
- Boa tarde, Malu.
- Tudo bem, também atrasamos aqui. Senta. - tia Arleyde sorriu.
- E aí, tem certeza que vai fazer isso? - Fábio perguntou e eu assenti.
- Não dá mais né. - ri - Aprendi o motivo de ser tão importante separar vida profissional, da vida pessoal. Bom ou ruim, no fim tudo é aprendizado.
O Luan se remexeu na cadeira e o clima ficou tenso. Para quê caralhos ele está aqui mesmo?
- Então, tá tudo pronto. - ela me estendeu um papel - Só ler e assinar.
- E sobre as multas, preferem depósito ou cheque? - perguntei depois de ter lido a rescisão de contrato.
- Você não vai precisar pagar, fica como um bônus pelo seu trabalho maravilhoso.
- Isso é coisa sua, não é? - o olhei - Fique sabendo que eu posso e quero pagar.
- Não, Malu. O Luan não tem nada a ver com isso, fomos nós que decidimos.
- E você tem que aceitar, se não, não vai sair daqui. - Fábio puxou o papel das minhas mãos.
- Ou! Devolve, cara. - ri e ele me entregou. Respirei fundo e assinei.
- Você precisa de ajuda pra arrumar um emprego novo?
- Não tia, obrigada. Saindo daqui, já vou discutir sobre meu novo contrato. - sorri.
- Já? Parabéns então.
- Foi muito bom trabalhar com vocês. - falei me levantando.
- Com a qualidade do seu trabalho e esse carisma, cê vai longe. Se precisar de qualquer coisa, pode ligar pra mim ouviu?
Eles me deram abraços apertados, retribuí todos e quando chegou a vez do Luan, apenas estendi a mão para cumprimentá-lo.
- Obrigada pela oportunidade de trabalhar na sua empresa, senhor Luan Santana. - falei com uma, talvez duas ou três pitadas de ironia.
- É Rafael, pequenininha. - sussurrou e me puxou para seus braços - Obrigado e desculpa, por tudo.
- Me solta.
- Cê vai me perdoar? - acariciou a base da minha coluna.
- Um dia... - minha voz saiu mais baixa do que deveria, me afastei dele - O coração é burro, Luan e mais burro é quem ama.
Olhei em volta e estavámos sozinhos na sala, peguei minha bolsa e saí de lá, ainda falei com o resto do pessoal e todos me desejaram boa sorte.
Vou esquecer o Luan e seguir com a minha vida, repetia pra mim mesma enquanto dirigia até o restaurante onde encontraria o Johnny e o Henrique.
_
"Muitas vezes durmo com vontade de me afastar mas acordo doido pra te encontrar."
— Guerra fria.
LUTO, MEU CASAL, QUERO MEU CASAL JUNTOS DE VOLTAAAAA A A A A A A A
ResponderExcluirmais ai, esse contrato ai? Acho que já sei com quem vai ser
CONTINUAAAA PERUAAA
Ah não eles eram tão fofos juntos...Eles têm que voltar logo e ficar juntos de vez ela podia decidir ir embora do Brasil e qndo estivesse no aeroporto ele chegar e impedir ela de ir embora.
ResponderExcluir