terça-feira, 29 de dezembro de 2015

Capítulo 94.


Era um Luan cheirando a álcool, que praticamente caiu aos meus pés.
- Meu Deus, o que você... Ai, levanta. - me abaixei pra ajudá-lo - Vem, vem.
- Você tá tão linda.
- De pijama?
- É, tá linda.
- E você tá fedido. - ele riu, o coloquei pra dentro e tranquei a porta - Como cê veio parar aqui?
- Seu amor me guiou. - ri negando.
- Essas chaves não são suas. De quem são?
- Peguei do Testa. Eu precisava ver você.
- E tinha que vir assim? No meio da noite? Bêbado, Luan?
- Desculpa. - seus olhos encheram d'água - Posso te pedir uma coisa?
- Pode.
- Foge comigo? A gente vai pra onde você quiser, ninguém vai saber.
- Fugir? Você tem um filho pr
- Não! Eu perdi. Perdi meu filho e perdi você.
- Não, Luan, não chora.
- Pega só seu passaporte, amor. Não precisa levar nada, a gente compra.
- Nós não podemos ir.
- Podemos sim!
- Olha pra mim, calma. - segurei seu rosto - Cê não tá legal, nem sabe direito o que tá falando e
- Sei sim.
- Me escuta. - pedi - Você não pode deixar a Ana Laura doente e, às vésperas do casamento. Pensa direitinho, vai que acontece alguma coisa com ela?
- Não tô nem aí pra ela, Malu. - o olhei repreensiva - É você que não quer né? Você não gosta de mim. Vai ver nem me amou de verdade.
- Cala a boca, tu não sabe mesmo do que tá falando! Eu nunca disse que não te amei.
- E também nunca disse que me amava. - essa acertou bem na minha cara, era verdade.
- Eu fiz mais que isso e você sabe. - suspirei - Vou ligar pra alguém vir te buscar.
- Se eu vim sozinho, posso voltar sozinho. - passou a mão no rosto pra secar as lágrimas.
- Ah pode, claro. Nem se eu tivesse doida! - falei alto, quase gritei - Quer saber? Fica. Amanhã você vai pra casa.
- Não quero ficar onde não sou bem vindo.
- Acho melhor você ir tirando esse sapato, vou te dar um banho.
- Não quero banho. - cruzou os braços.
- Se eu voltar e você ainda tiver com ele, vai pra casa descalço.
Fora as que eu cortei, ainda tenho roupas dele aqui, pois é. Luan se vestiu sozinho enquanto eu preparava um lanchinho pra ele.
- Estendi a toalha na área. - assenti, fechando a geladeira.
- Tá com fome? Fiz café, quer torra
- A única coisa que eu quero é você, maria luíza.
- Come aí, por favor.
- Tá bom.
Ele comeu pouquinho e foi pro meu quarto, uma escova de dentes dele ainda habita meu banheiro. O outro quarto já tava pronto, vi ele passar pra lá enquanto arrumava a cozinha.
São tantos "ainda" na minha vida, é exaustivo.
- Boa noite, meu amor. - ele já estava dormindo, o cobri com o lençol e beijei seu rosto - Me dói muito ter que desistir de você, sabia? Só tô fazendo isso porque vai ser melhor pra gente... Espero que seja.
Mandei uma mensagem pra Bruna, Rober e Amarildo, avisando que o Luan tava aqui e que não tivessem pressa pra buscá-lo, ele precisa descansar. Eu também.
Inevitavelmente, chorei baixinho até dormir, no sofá mesmo.

- Não acredito que você dormiu aqui, pequenininha. - ouvi sua voz e abri os olhos, ele estava inclinado sobre mim. Acho que ia me por no colo.
- Você já acordou? Que horas são?
- Não sei. Cê tava chorando?
- Foi um cisco.
- Um cisco nos dois olhos? - ergueu uma sobrancelha.
- Tu conhece a casa tão bem quanto eu, fica à vontade. Tenho que me arrumar. - levantei rápido.
Quase me assustei com a minha cara refletida no espelho, tomei um banho demorado e depois caprichei numa maquiagem pra tapar aquelas olheiras. Me vesti mega básica: regata, short e all-star. Fiz um rabo de cavalo e lógico, peguei um óculos escuro.
- Pra onde cê vai? - perguntou, me vendo deixar a mochila no sofá.
- Trabalhar.
- Não vai comer? Fiz um sanduíche pra você.
- Pegou suco ou quer café?
- Peguei suco. Tem pra você também.
- Obrigada. - sentei perto dele no balcão - Quando cê for embora, leva a chave pra Fany tá?
- Tá. Me empresta seu celular? Quero ligar pro meu pai.
- Já avisei que você veio pra cá. O celular tá ali na mesinha.
Não falamos mais nada. Terminei de comer e fui escovar os dentes, passei um batonzinho, conferi meus documentos e pronto.
- Aqui ó. - me devolveu o celular - Obrigado e desculpa por tudo isso, eu... Vou deixar você viver sua vida.
- Felicidades pra você e a sua noiva, quase esposa. - dei de ombros - Vocês tem todo tempo do mundo pra... terem outros filhos.
- É. Malu, o Carlos parece ser um cara legal.
- E ele é, mas não vai rolar nada além de amizade.
- Aquele dia, eu pedi pro boi ficar atrás de você. Desculpa.
- Eu já sabia, mas agora já era né? - ri, meu celular vibrou - Eles chegaram, tenho que ir.
- Tchau. Se cuida.
Sai do apê e me arrastei pro elevador, eu tava uma zumbi. Uma zumbi maquiada, perfumada e apaixonada por um cara que vai casar amanhã. Tô super bem, bem demais.
- Bom dia, seu Valter. - o cumprimentei.
- Bom dia, Malu. Os garotos acabaram de chegar, já ia interfonar.
- Fui mais rápida dessa vez. - pisquei e ele riu assentindo.
- Que cara é essa? - eu mal tinha entrado na van e o Caíque já foi perguntando.
- Não consegui dormir nada.
- Ah, tadinha. Dorme até a hora do show.
- É uma boa sugestão.
- Foi só isso mesmo? - Nathan passou o braço pelos meus ombros e eu deitei no dele.
- Não.
- Quer me contar?
- Depois. Ou eu sou muito previsível ou você me conhece muito bem, em pouco tempo né? - ele riu.
- Acho que somos amigos desde outras vidas.
- É possível.
- Com certeza.
- Quem topa uma praia amanhã? - perguntei.
- Opa, tô dentro.
- Eu também.
- Também vou. Coloco um óculos escuro tipo os seus e fico de boa, vendo as gatinhas passando de biquíni. - todos riram, eu revirei os olhos.
- Que ridículos.
Chegamos em cima da hora pro nosso voo, foi melhor porque assim não tivemos que ficar esperando. Desembarcamos antes do meio dia e fomos logo almoçar, depois partimos pro trabalho.
Durante o show, deixei umas lágrimas rolarem na 'Antes que o dia acabe' e na 'Teu olhar', era impossível não pensar nele.
No jantar, eu comi bem mal e inventei uma desculpa pra ir dormir cedo, o pessoal achou estranho já que eu tinha dito que queria curtir a noite carioca.
- Não quer que eu fique? Tem certeza?
- Absoluta, Paulo Augusto.
- A gente devia arrastar você, sabia? Vem Japa, vamo pegar ela. - os afastei rindo - Só quero saber até quando você vai ficar assim.
- Até eu ir dormir. - Gui riu - Amanhã é outro dia e nós vamos para a praia, então, não voltem tarde e se comportem.
- Sim senhora.
Quando enfim cheguei no meu quarto, me enfiei de baixo das cobertas após um banho quente. Conversei com minha mãe e assisti alguns documentários antes de pegar no sono.

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"Não, não pode ser o fim. Se acabou de começar."
— Amando sem parar. ♥

domingo, 20 de dezembro de 2015

Capítulo 93.


Fomos pra um camarote bem animado, fiquei na grade vendo o show de uma dupla que nunca tinha ouvido falar enquanto o Rober ia no bar, eles eram até bonzinhos.
Ver o casal vinte chegando de mãos dadas e sorrindo, mexeu muito comigo, mais até do que eu imaginei.
- O que foi? Ah... Ele não falou que vinha. - dei de ombros.
- Vamo dançar?
- Bora.
Dançamos umas quatro músicas e voltamos pra mesa, eu rindo e o Roberval fingindo estar bravo porque o chamei de fracote.
- Malu? Não sabia que você estaria aqui.
- Digo o mesmo. - retribuí seu sorriso falso - Oi Luan.
- Oi. - deu um sorrisinho torto.
- Ei, dona sumida!
- Eu?
- Você mesma. - rimos e nos abraçamos.
- Tô com a agenda meio apertada, Bru. - fiz careta - Vou falar com a mamãe pra marcamos um chá, pode ser?
- Pode, pode. E chama a Fany também, quero ver a barriguinha dela. - assenti rindo.
A Ana Laura me pareceu incomodada com o interesse da Bruna na gravidez da Stéfany. Mudei o foco da conversa elogiando seus sapatos, que eram realmente bonitos.
- Olha o que eu achei! - Marquinhos falou chegando.
- O que?
- Essa sumida aqui. - me abraçou de lado.
- Tá vendo só?
- Eu não sumi. Vocês é que não me procuram. - pisquei e eles riram - E você tava onde? Nem te vi.
- Encontrei umas colegas ali, tava batendo um papo.
- Sei bem qual o seu papo, rei delas.
- Deixa baixo, Maluzinha. - ri negando - Cês querem alguma coisa?
- Tô legal. - Bruna levantou o copo.
- Quero ir pra casa, já deu sono.
- Ir pra casa agora? Corta essa. Vou pegar um energético pra você. Nem adianta dizer que não. - me interrompeu antes mesmo que eu abrisse a boca, revirei os olhos.
Ele nem demorou muito pra voltar, depois sumiu de novo.
- Ana... Cê tá legal? Quer alguma coisa?
- Quero um drink, igual o da Bru.
- Um drink? Tá doida?
- O que que tem?
- O que que tem que você tá com um filho meu na barriga. Ou esqueceu?
- Não esquecei não.
- Que bom! Água com gás ou sem?
- Com.
- Cris, Malu, querem alguma coisa?
- Hum?
- Quer que eu peça...? - apontou minha lata.
- Ah não, Luan. Obrigada.
- Tá.
Eu já não tava muito animada, agora então, só por Deus. A lata na minha mão se tornou a coisa mais interessante do mundo, não queria ficar olhando pro casal.
- Assessora?
- Carlos! Oi. - levantei e nos abraçamos.
- Tá boa? - assenti - Não tô vendo o Nathan com você...
Seu tom de voz me fez corar, ele riu negando com a cabeça.
- Ó, é que
- Não precisa explicar. Se cê não queria nada, era só ter falado.
- Foi mal. - fiz careta.
- Esquenta com isso não. - sorri aliviada - Qual é a do canudo?
- Energético.
- Ah. - riu.
- Apresenta seu amigo pra gente, Malu. - Ana Laura disse um tanto maliciosa. Vaca.
- Carlos, esses são: Ana, Cris, Well, Bruna, Luan e... Tá faltando gente.
- O Luan eu já tive a oportunidade de conhecer.
- É. - apertaram as mãos.
- E vocês dois, se conhecem faz tempo? - todos olhamos pra ela.
- Tem um tempinho sim.
- Vamo andar um pouquinho? - sugeri passando meu braço pelo dele - Tô cansada de ficar parada.
- Vamo lá. Foi um prazer conhecer vocês.
- Tchau. - Bruna acenou.
Nós fomos pra longe deles, graças a Deus. Suspirei e bebi o que restava na minha lata.
- Dança comigo?
- Tava esperando o convite. Os caras andam bem lentos ultimamente né? - provoquei. Chegou a hora de desapegar.
A atmosfera da música foi nos envolvendo, cada vez mais. Ele notou que eu tava querendo mas mesmo assim, foi devagar e só me deu um beijinho no canto da boca.
- Maria luíza!
- Roberval! - me separei do Carlos, frustrada.
- Quem é esse aí?
- Se era só isso, tu não podia esperar eu beijar primeiro?
- Não. - revirei os olhos.
- Carlos, Rober. Rober, Carlos. Ok?
- Ok. Oi, e aí?
- Oi. - Carlos riu, estava claramente confuso.
- Cê deixou seu celular lá na mesa. Toma.
- Meu celular? Não, o meu tá comigo. - acendi a tela - Esse é do Luan.
- É? Então, foi mal ter atrapalhado.
- Mal? Querido, foi péssimo. Sabe quanto tempo faz que eu não beijo? - cochichei pra ele, que riu alto.
- Não sei.
O queridão deu a desculpa de que não aguentava mais ouvir o papo da Ana Laura e ficou junto com a gente, ou seja, continuei no 0x0.
- Cê não vai devolver o celular dele? - tentei.
- Depois eu dou. Parece até que não me quer aqui, Maluzinha. - se fez de ofendido, sorri sarcástica - Tem algum problema pra você, Carlos?
- Nada, que isso.
- Af. Vou pegar alguma coisa pra beber, já que não tem nada descente pra comer nesse lugar.
- Tá com fome?
- Uhum.
- Aqui pertinho tem um restaurante bem legal, topa? - confirmei com a cabeça - Vem com a gente, Rober?
- Eu posso, dona Malu?
- Sem gra-ça. - mostrei a língua - Pode né.
Bruna e Marcos também vieram conosco, o Luan foi pra casa com a Ana e a prima dela, Well os levou. O restaurante era legal e a comida boa, ficamos até quase duas da manhã.
O Carlos me trouxe em casa e quando fomos nos despedir, na frente do prédio, ele tentou me beijar mas eu fui otária e virei o rosto.
- Você ainda gosta do seu ex né? - perguntou de repente.
- E-eu
- E parece que ele também gosta de você. É injusto.
- Não, nada a ver. - ri nervosa.
- Então por que o amigo de vocês grudou na gente a noite toda? Não que tenha sido ruim, mas eu preferia estar só contigo.
- Desculpa. - apoiei a cabeça nas mãos - Que droga!
- Calma...
Combinamos de ser só amigos, infelizmente não estou preparada para mais que isso. Minha cabeça já compreendeu a situação há tempos, já o coração, não posso dizer o mesmo.

Uns dias atrás nos juntamos na casa da minha mãe, pro chá que eu tinha combinado com a Brubs.
Parece que o Brasil inteiro só sabia falar do casamento do Luan, peguei um abuso enorme da internet e só tava usando pro que era realmente necessário.
- Pro Rio, Malu? - afastei o celular da orelha.
- É Jaqueline, para de gritar. Lembra que me demitiram? Que eu não sou mais padrinha?
- Não existe essa coisa de demitir padrinha. - desliguei a televisão da sala e vim pro meu quarto - Eu sei que é difícil pra você. Mas se cê fosse, ia provar pra todo mundo que
- Jaque, tu não sabe quantos quilos saíram das minhas costas com isso. E eu não preciso provar nada pra ninguém, não tem nada que me faça ir naquela igreja.
- Cê não deve tá sabendo, então deixa eu te dizer
- Eu não vou. - falei pausadamente - Amanhã eu viajo cedo, me "deixa" ir dormir, por favor.
- Desculpa... Boa viagem.
- Obrigada. Fala pra mamãe que domingo eu vou aí, direto do aeroporto.
- Domingo? O show não é amanhã?
- É, mas sábado vamos aproveitar a praia.
- Ata. Melhor do que ficar trancada, chorando num quarto de hotel.
- Com certeza.
- Se lá tiver algum salva-vidas gatinho, finge que tá se afogando e pá. - gargalhei.
- Tá certo. E ah, o buffet é maravilhoso, come por mim.
- Comerei, irmãzinha.
Esse fim de semana é o casamento, eu fiz tudo que pude pra conseguir um show bem longe de São Paulo mas como foi meio em cima da hora, só deu pra ser no Rio.
Quando finalizei a ligação com a Jaque, escovei os dentes, conferi minhas coisas na mochila e fui dormir.
Achei que tava sonhando com a campainha tocando, só que era real. Procurei o celular e vi as horas, uma e vinte e sete da manhã. Quem podia ser essa hora? O Nick? E se aconteceu alguma coisa com a Fany e o neném? Levantei correndo pra atender.


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"I try to fight this but I know I'm not that strong."
— I need you love.

Capítulo 92.


Depois que pagamos a conta do restaurante e já estávamos indo embora, voltei pra pedir um sorvete. A noite tava meio quente, abafada.
- É, tá um calorzinho estranho mesmo. - João concordou.
- Vou aumentar o ar.
- E liga o rádio, Nath. - os dois riram - Meu pai diz que eu odiava andar de carro quando era menorzinha, aí ele começou a colocar música pra me distrair e eu não parei mais.
- Nós já acostumamos, relaxa.
- Ainda bem. - ri pegando meu celular e ele começou a tocar - Minha irmã tá me ligando uma hora dessas...
- Atende aí, não vamos ouvir nada.
- Tá bom. - ri - Oi Jaque?
- Cê já tá em casa? E essa blusa que você tá usando? É do Luan né?
- Uma pergunta de cada vez, calma! - falei rindo - Tô indo pra casa. Essa blusa eu achei no meio da bagunça e fiz arte com a tesoura, gostou?
- Aham, ficou legal, vi na foto que o Gui postou. Olha o Whatsapp, mandei umas coisinhas.
- Aiaiai, Jaqueline. - ela riu - Vai dormir que tá tarde. Boa noite, beijo.
- Tchau baranga, beijo. - desligou.
Meu celular tava no silencioso por isso não vi as mensagens, ela mandou um monte de prints, fotos do Luan com a camisa e a foto que o Gui postou, "encontre o erro", ri alto.
- Essas meninas são demais.
- Que foi?
- Sabe essa blusa? Era de um certo alguém.
- Era? - assenti - E nem parece que tu passou a tesoura, pra mim ela já era assim.
- Então não mandei tão mal. - cantarolei convencida - Tem outras, vou fazer isso em todas! Tenho que pesquisar mais modelos na internet.
- Pronto, agora ela é "Malu mãos de tesoura". - Nathan fez aspas no ar, gargalhamos.

Na outra semana viajamos pra Goiás, teve show e conversamos com um amigo do Japa, que cuidaria da estrutura do palco. Eu estava ajudando com o posicionamento das coisas, sempre adorei joguinhos de decoração e o cara que tava responsável por essa parte, super aceitou umas ideias que eu dei.
- Ele tá é de olho em você. Tem mó cara de galinha, não dá moral pra ele não. - Caíque avisou.
- E se formos pra balada mais tarde, cê não vai sair de perto da gente.
- Vocês andaram conversando com o Nicolas? - riram - Quanto amor, coisos fofos!
- Cê é a florzinha da equipe, a gente tem que cuidar. - Paulo disse me abraçando pela cintura e entramos no elevador - Mas e aí, vamos ou nem?
- Por mim, eu vou dormir agora e só acordo amanhã.
- Tô com o Nath. - bocejei.
- Como vocês dois conseguem dormir tanto? Fico impressionado, sério. Alguém precisa estudar essas cabeças.
- É nosso sono da beleza, Caíque. Você não entende porque não tem.
- É? Na tia tá funcionando direitinho, mas sinto informar que em você não tá rolando. - rimos e os dois começaram a trocar soquinhos.
Fiz uma chamada de vídeo pra Fany logo que saí do banheiro, comprei duas roupinhas no aeroporto e tava louca pra mostrar.
O Nicolas tá muito ansioso pra saber o sexo do neném, mais que eu e a Jaque juntas. Todo mundo acha que é menina, só a baranguinha discorda.
- Cê comprou roupa de menina ou de menino?
- Por via das dúvidas, comprei uma de cada.
- A criança nem nasceu e você já tá gastando horrores, pa-ra. Espera pelo menos confirmar o sexo.
- Tá, tá bom. Mas é tudo tão fofo, cunha!
- Eu sei. Por isso estou evitando shoppings, minha filha. - gargalhei - Ai, que fome.
- Tenho que comer também.
- E teu irmão não chega com a minha pizza, af.
- Boa ideia, vou pedir pizza. - me estiquei pra pegar o telefone.
Batemos altos papos enquanto esperávamos nossas pizzas, finalizei a ligação pra comer porque a minha chegou primeiro. Comi olhando minhas redes sociais, até aparecer notificação de uma mensagem, do Eduardo.
"Maluzinha, tá aí?"
"Oi Dudu, tudo bem?"
"Tudo sim, e você?"
"Tô bem também kkkkkk. E aí, o que você me conta?"
"Aquela mulher te xingou tanto no dia do ensaio"
"Imaginei hahaha. Eu tava ocupada, não podia de verdade."
"Entendo. Mas ó, tenho uma coisa pra você
E em primeira mão viu?"
"Omg!! Fala, fala"
"Sabe que eu tô gravando um Ep com JeM né?"
"Ahaam."
"Como eu sei o quanto você é fã, tô pensando em te mandar o cd demo. Que que cê acha?"
"Sério? Acho digno. Digníssimo."
"Kkkkkkkk. Tem um porém... Peço que não me leve a mal."
"O Luan participou né? Tem nada não."
"Eu nem me liguei nisso quando pensei em mandar um pra você..."
"Tranquilo, relaxa. E obrigada por lembrar da minha pessoa <3"
"Nada, Malu. Cê ouve e me fala o que achou tá? Amanhã mando lá pro seu apê."


Os dias estão voando e graças a Deus, tô com bastante coisa no trabalho. Só que por isso, tenho feito a maioria das minhas refeições em fast food e, se não fossem as corridinhas no parque e as aulas de dança, eu certamente já teria engordado. Até perdi as contas de quantas broncas a dona Samanta me deu.
Ontem me dei uma folga porque a Marla, a Kaka e o Rober vieram passar a tarde comigo. Foi muito, muito bom. Combinamos uma baladinha pra hoje, mas agora bateu uma preguiça...
- Nem invente de furar comigo, dona Malu. Daqui a pouco eu tô saindo.
- Ai, tá bom. - revirei os olhos.
- Então vai logo se arrumar e fica bem linda.
- Sim, senhor. Mais alguma coisa?
- Não, senhora. - ele riu.
Tava de banho tomado, aí só troquei de roupa, fiz uma maquiagem e enrolei as pontas do cabelo. Não demorei muito.
O seu Valter me avisou quando o Testa chegou e eu desci. Ele fez logo um "fiufiu", ri entrando no carro.
- Cadê as meninas?
- Desistiram.
- Anem, mentira. - cruzei os braços.
- Sério. Karielle piorou da tosse e a Mama não quis deixar ela sozinha.
- Poxa.
Mandei uma mensagem pra ela desejando melhoras e aproveitando que tava com o celular na mão, postei uma selfie com o Testudo.


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"A amizade é um amor que nunca morre."
 — Mario Quintana.

quinta-feira, 17 de dezembro de 2015

Capítulo 91.


Paulo e Caíque cantaram 'Amar não é pecado' com o Luan e qualquer rede social que se abria só dava eles, fora tudo que a Jaqueline ficou me mandando. Como se eu já não soubesse o show de trás pra frente, só serviu pra dar saudade.

Domingo quando chegamos em São Paulo, fiz o Nick levar minhas coisas de volta pro meu apartamento. Ele resmungou bastante mas foi com a Jaqueline, eu e Fany ficamos na casa dos meus pais pois eles ainda não tinham voltado.
- Cunha, quero tapioca. - falou manhosa.
- Não sou teu namorado não, tá?
- Mas é a dinda do neném, né meu amor? - alisou a barriga - Faz tapioca pra gente, por favor?
- Isso é chantagem sabia?
- Nada a ver, é desejo.
- Cê nem tá no tempo de ter desejo.
- E tem tempo? Se tiver, o meu já começou.
- Ai Stéfany, tu é chata hein? Posso nem ver minha série, af. - levantei - Só vou fazer por causa do neném.
Fui pra cozinha fazer as tapiocas e sorte que ainda tinha goma, passei margarina nelas, arrumei a bagunça que eu fiz e antes de sair, peguei um toddynho na geladeira.
- Huuumm, eu quero.
- Tira o olho, Nicolas. São pra Fany. - entreguei o prato pra ela.
- A gente deixou suas coisas no quarto.
- Tá bom, obrigada.
- Como vamos assistir série juntas se você vai embora? - a caçula disse de braços cruzados.
- Esse é o jeito dela de falar que vai ficar com saudade. - Fany falou rindo - Amor, quero nutella.
- Vou pegar, amor. - ele foi buscar rapidinho, ri.
- Eu sei que ela vai morrer de saudade da irmãzinha. - puxei ela pro meu colo, beijando seu rosto - Quando a senhorita quiser, pode ir dormir comigo lá.
- Não é a mesma coisa, fica vai?
- Não faz essa cara. - apertei seu nariz - Eu tenho que voltar pra minha vidinha.
- Fica assim mesmo, vive aqui.
- Não, Jaque.
- Quanto amor, nem parece que brigam tanto. - Nick disse vindo da cozinha - Aqui sua nutella, bebê.


Meus primeiros dias em casa foram normais, claro que bateu uma nostalgia mas não me deixei abalar por isso. Mudei umas coisas de lugar, comprei decorações novas e vida que segue.
- Oi? - tava terminando de me arrumar quando o interfone tocou.
- Dona Malu? O Nathan tá aqui em baixo.
- Já? Fala pra ele que eu já tô descendo.
- Ok.
- Obrigada, seu Valter.
- Por nada, tchau. - desliguei.
Fiz um rabo de cavalo e peguei meus sapatos, calçaria no carro mesmo. Coloquei umas coisas na bolsa, tranquei o apê e desci, passando pela portaria como um foguete.
- Você chegou cedo demais.
- Você tá descalça?
- E sem máscara de cílios. - coloquei o cinto, ele ria - Não vai muito rápido.
- Tá. Mas eu não cheguei cedo, você que tá atrasada.
- Não tô nada.
- Tá sim.
- Shh, dirige aí. - depois que coloquei meus sapatos, fui passar a máscara e ele acelerou o carro - Nathan!
- Foi mal. - gargalhou.
- Sem graça. Eu bato na sua cara.
- Ela é violenta, que medo. - revirei os olhos.
A aula foi bem divertida, ficamos "livres" pra dançar qualquer estilo. Postamos um pedaço, como sempre fazemos e pelo que vi nos comentários, a Ana Laura curtiu e logo depois falou no grupo do casamento que seria legal ela e o maridinho dançarem alguma coisa além da dança tradicional.
Na volta, assim que empacamos na Marginal, conectei meu celular no carro e ficamos escutando minhas músicas.
- Eu não queria mas já que aconteceu, não vou sofrer. - cantava usando uma garrafa de microfone - Recaídas, a saudade vem mas logo passa.
- Eita sofrência da porra.
- Cala a boca, menino. Até que uma hora perde a graça e a gente vai tentando se esquecer.
- Põe uma música que eu saiba. - resmungou.
- Deixa essa acabar. - fui procurando outra.
- É mais fácil se tu colocar no aleatório.
- Eu sei, mas quero uma em especial... Droga, não achei. Você vai ter que cantar.
- Qual?
- Meu orgulho. Acho tão fofo você e a Duda cantando. - apertei a bochecha dele, ele revirou os olhos e nós cantamos juntos.
- Vamos comer onde amanhã? - perguntou ao parar na frente do meu prédio.
- Não sei. No de sempre, eu acho.
- Vou pegar carona com o João, quer que a gente passe pra te buscar ou vai de táxi?
- Se vocês puderem vir, pra mim é melhor.
- Beleza, vou falar com ele.
Como tava sem nada pra fazer em casa, depois de um belo banho, fui perturbar a Fany. Ela já tava dormindo e eu lhe acordei batendo carinhosamente na porta.
- Espero que seja uma coisa séria.
- E é, cunha! - entrei e me joguei sofá - Tô sozinha. Cê sabe que eu não gosto de ficar sozinha.
- Tanto lugar pra ir e tu vem me acordar, fala sério.
- Nada melhor que ficar com a família. - fiz coração com as mãos - Cheguei tem um tempinho, tava em reunião com o pessoal.
- Ata. Já que a querida me acordou, vou comer alguma coisa. Quer?
- Não, tô de boa. O Nick tá no hospital?
- Uhum. - foi pra cozinha - Sabe o que eu tenho que fazer?
- Não.
- Ir caçar um vestido pro casamento do Luan.
- Eu vou contigo no shopping depois. Aliás, tenho até que ver quando vai ter a última prova do meu.
- Não sei se aguentaria uma coisa dessas não, Deus me livre. - suspirou e eu ri.
- Fany, tu e o Nicolas moram juntos, vão ter um neném mas e o casório? Quando sai? Vou a-mar ser madrinha desse.
- Não planejo me casar com seu irmão.
- É o que, Stéfany?
- Amo muito o Nick, muito. Só não quero casar.
- Ai cala a boca, como assim não quer casar? Todo mundo sonha em casar, ter uma família...
- Não é preciso casar pra se ter uma família, cunha.
- Whatever. - cantarolei - Vou enfiar essa ideia na cabeça do Nicolas, cê vai ver.
Só voltei pro meu apê quando tava morrendo de sono.
No dia seguinte, almocei sozinha e dormi a tarde inteira. Acordei com o despertador que eu tinha colocado e comecei a me arrumar, assim que terminei, o Nathan ligou dizendo que tava chegando e eu fui esperar por eles lá na portaria.

No meio da reunião meu celular começou a vibrar em cima da mesa, era a insuportável da organizadora do casamento. Rejeitei a ligação duas vezes mas ela continuou a ligar.
- Não vai atender, Malu?
- Não, João.
- Atende, tia. Deve ser importante. - Paulo disse e eu lhe mostrei o nome no visor, ele riu - Acho que se você não atender, ela não vai parar de ligar.
- Meu Deus. - bufei - Já volto, gente.
Mandei ela tomar no cu mentalmente antes de atender, pra não fazer isso durante a ligação.
- Cadê você aqui, garota? Você está meia hora atrasada, meia hora.
- Aqui aonde, minha querida?
- No ensaio do casamento, ora bolas! - gargalhei - Qual a graça, sua irresponsável?
- Estou numa reunião de trabalho, ora bolas. Nem lembrava desse ensaio, me diga o motivo pra se ter ensaio? Eu hein.
Esqueci mesmo do ensaio e sinceramente, não vejo necessidade de ensaiar uma coisa que na hora não vai ser igual. Falta menos de um mês pro "casamento luninha", ainda bem que a maioria daquelas provas de bebida, docinho, salgado e etc já estão no fim, agora só falta uma prova de roupa e a despedida de solteiro do Luan, que eu logicamente não vou participar.
- Que tipo de padrinha é você? Ande, venha para cá agora mesmo.
- Hãn? Não.
- Como "não"? Não brinque com a minha paciência. - revirei os olhos - Os noivos chegaram, meu Deus! Se em cinco minutos você não aparecer, eu juro que...
- Que o que? Você tá muito brabinha viu?! - ri - Eu não vou sair daqui.
- Você tá demitida, menina. Não precisa nem vir no casamento.
- Sério? Obrigada. - gritei também - Agora tchau, eu tenho mais o que fazer.
Voltei pra mesa e nosso jantar já estava posto, fiz um coque no cabelo e guardei meu celular na bolsa.
- Podemos comer agora?
- Sim, Caíque. - Jhonny revirou os olhos, eu ri.
- E aí, que que rolou? - Paulinho cochichou.
- Fui demitida do posto de padrinha.
- Demitida? E existe isso?
- Tô sabendo agora. - rimos.
O único assunto sério que conversamos foi sobre o novo projeto de show, de resto só falamos bobeira. Por isso nos encontramos em restaurantes, ter uma sala fixa pra reuniões não é bem o nosso estilo.


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"Atrás da maquiagem, esconde um sentimento que não dá pra negar."
— Do seu coração sou dono.

segunda-feira, 7 de dezembro de 2015

Capítulo 90.


Ontem quando chegamos, nós jantamos no hotel, embora a Jaqueline e o Caíque quisessem sair pra comer fora. Hoje fui acordada às oito da manhã pra ir na praia, mereço? Não.
Almoçamos num restaurante que eu sempre vinha quando tava com o Luan aqui, e depois levei a Jaque num shopping pra comprar o tal do biquíni. Ela viu um outdoor e ficou doida.
- Não vou comprar ingresso nenhum.
- Malu! - cruzou os braços.
- Olha teu tamanho pra tá fazendo birra no meio shopping, menina.
- Eu vou ligar pra ele então. - dei de ombros.
Pegamos um táxi pra voltar pro hotel e como eu imaginei, a portaria tava mais cheia que antes. Com tantos hotéis nessa orla, ele tinha que ficar justo no mesmo que eu? Aiaiai. As meninas começaram a me gritar e eu parei pra falar com todas.
- Cê vai no show do Luan?
- Eu nem sabia que ia ter. - ri.
Conversamos um pouco, tiramos umas fotos e a Jaque pediu pra ficar lá em baixo com as meninas, eu disse "tá, mas cuidado e vê se não fala merda", ela riu e eu esperei as mocinhas atravessarem a rua pra subir pro meu quarto.
Tomei banho, vesti uma roupa bem leve por causa do calor e depois fiquei da sacada olhando a praia, e a Jaqueline também. Bateram na porta e eu fiz careta, arrumei o cabelo e fui abrir.
- Oi.
- Luan? Oi... Entra.
- Trouxe isso pra você. Na outra vez que a gente veio aqui, cê pediu no almoço e no jantar. - ele revirou os olhos e riu - O pessoal deve ter lembrado e mandaram pra mim.
- Obrigada. - falei já com a boca cheia, o fazendo rir de novo e nós sentamos - Cê quer?
- Vai dividir seus brownie comigo? Que milagre!
- Ah para, sem gracinha. - bati em seu braço - Eu sempre dividia com você.
- Eu sei, tô brincando. - cheirou meu pescoço - Foi mal, eu só
- Come! - coloquei na boca dele.
Comemos sem trocar nenhuma palavra, isso é tão horrível. Dá vontade de enrolar esse cabeção em plástico bolha, colocar ele numa mala e fugir pra um lugar bem longe.
- Eu falei com seus amigos e, cê não tá com namorado. Né?
- É. Ainda não consegui. - confessei - Quem manda essa sua cara tá em todo lugar?
- Desculpa.
- Acredita que um cara veio me cantar na balada com uma música sua? Puta que pariu. - revirei os olhos e ele deu risada.
- E você ficou com ele?
- Claro que não. Nem com ele, nem com ninguém. - coloquei minha mão sobre a dele.
- Eu também não.
- Não? E a
- Não é ela que eu amo, cê sabe. - entrelaçou nossos dedos.
Com a mão livre, contornei sua boca com a ponta do dedo, ele fechou os olhos e em um surto de coragem ou talvez de demência, fiz o que meu coração pedia.
Nosso beijo era rápido, apressado, cheio de saudade e o que tivesse que acontecer, eu deixaria.
Deitamos cama e eu separei nossas bocas para recuperarmos o fôlego. Ele sorriu pra mim, sorri também e afundei minha mão em seus cabelos, os puxando. O cabeçudo reclamava, mas eu sei que gosta.
- Você tá mais magro. - tínhamos tirado a camisa dele - Não tá se alimentando direito né? Luan Rafael, você precisa comer.
- Não me dá bronca, pequenininha. - fez bico.
- Dou sim! Promete pra mim que vai se cuidar, anda.
- Prometo, por você. - selou nossos lábios.
- Por mim não. Por você, pela sua família, pelos seus fãs e pelo seu filho.
- Por eles também.
- Deixa de ser teimoso. - apertei seu nariz.
- Cê é pior que eu!
- Cala sua boca.
Passamos a tarde inteira naquela cama e eu esqueci completamente da Jaqueline, foi o Roberval quem nos tirou do nosso "paraíso particular", quando ligou pro Luan.
- Ele viu a Jaque lá no hall, bateu no meu quarto e como eu não apareci, ligou os pontos.
- Que menino esperto né? - riu assentindo.
- Eu tenho que ir, pequenininha. - falou fazendo carinho no meu rosto.
- É... - suspirei.
- Quer vir tomar banho comigo?
- Vamo.
O Luan teve que vestir a mesma roupa e esperou eu terminar de me trocar, pra nos despedirmos. Primeiro nos apertamos num abraço, ele me deu um beijo na testa e depois segurou meu rosto, colando nossas testas.
- Quero que você abra os olhos pro amor, encontre alguém que te ame de verdade e seja feliz, ouviu?
- Ouvi.
- E não esquece a nossa história, eu não vou esquecer nunca. - assenti.
- Você vai ser um bom pai pro seu filho, um bom marido pra aquela lá. Cuida deles e se cuida.
- Tá bom. - ficamos um tempo calados - A Jaque e os garotos vão pro show, cê vai também?
- Não. Quero ficar um pouco quieta, sozinha; reorganizar minha cabeça depois desse ponto final.
- Ponto final?
- É.
- É. - repetiu.
- Vai, cê não pode atrasar. Manda um beijo pro pessoal, fala que eu tô com saudade. - caminhamos pra porta - Bom show.
- Obrigado. Tchau pequenininha.
- Tchau, cabeçudo. - ele sorriu, fiquei na ponta dos pés e beijei sua testa - Vai com Deus.
- Fica com Ele.
Luan abriu a porta e deu de cara com a Jaqueline, que entrou me olhando com uma sobrancelha arqueada.
- Eu vou começar a me arrumar, não esquece de mim, hein Luan!?
- Claro, claro. O Testa passa aqui pra te chamar.
Não quis ver ele saindo e fui pra sacada, a noite tava bonita, a lua cheia. Vi perifericamente a caçula parar do meu lado.
- Não fala nada, valeu? - pedi, ela me abraçou.
- Não vou.
Eu e a minha irmãzinha jantamos, ela já estava pronta, só esperando. Pedi um quarto de torta de chocolate pra sobremesa, minha intenção não era dividir mas fui obrigada.
Com o que me sobrou da torta, fiquei vendo novela jogada na cama enquanto a doidinha tirava dez mil fotos e depois vinha me perguntar se tava boa pra postar.
- A antes dessa tá mais legal.
- Eu não gostei daquela. - ela entortou a boca e eu revirei os olhos.
- Então não posta nada, af.
- Que chata! Ai, deve ser o Rober. - pulou da cama e foi atender a porta.
- Tia, cê não vai? - Caíque entrou falando. É, não era o Rober.
- Não, tô com dor de cabeça.
- Ah.
- E esse bolo aí hein?
- É meu, Nathan. Meu. - eles riram - Cadê o Paulo?
- A noiva tava terminando de se arrumar.
- Vish. - ri - Vocês façam o favor e cuidem dessa menina, tá?
- Tô de olho, pode deixar. - Caíque bateu continência.
- Eu não vou não. Quero descansar, pra tá bem amanhã.
- Olha que menino responsável, orgulho da tia Lex! - falei e nós rimos, Nathan mostrou a língua - E muito bem lembrado, não vão forçar a voz, por favor.
- É Caíque, nada de ficar gritando "Luan gostoso" lá. - Jaque falou rindo e levou uma travesseirada na cara - Vai assanhar meu cabelo, garoto!
- Vou mesmo. - saíram correndo pelo quarto.
- Crianças. - falei e o Nath concordou - Já que cê não vai, fica aqui comigo? Se eu ficar sozinha, vou chorar.
- Ô Jesus. - ele riu - Eu fico.
O Roberval veio chamar a Jaque e os meninos, disse que quando voltassem, traria ela aqui pra mim. Nem deu pra gente conversar nada porque eles tavam apressados, ainda tinha entrevista antes do show.
Eu e o Nath vimos o que passava na tv aberta e quando acabou a novela das nove, fomos procurar filmes pra ver na internet. Entramos num debate pelo tema, no fim optamos por desenho animado.
- Quero Snoopy.
- Desconheço, não é do meu tempo.
- Faça graça, meu querido. - ele deu risada.
- A gente tava pensando em sair hoje, mas tu foi inventar de dormir a tarde toda né?
- Quem disse que eu tava dormindo?
- A Jaque né. - ri pelo nariz.
- O Luan tava aqui. - arregalou os olhos pra mim - Que foi? Não me julga.
- Que isso, longe de mim! Você é adulta, sabe o que faz. - bateu com o dedo indicador na minha testa.
- Ou não. - gargalhamos - Agora acabou de verdade verdadeira, foi o "ponto final".
- Tem certeza?
- Absoluta.
- Posso te falar uma coisa?
- Lá vem... Fala.
- Luta por ele. A gente te ajuda, tia.
- Não posso.
- Por quê?
- Não fala pra ninguém, tá? - assentiu - Eu descobri por acaso, a noiva dele tá doente.
- Doente? De quê?
- Não entendi, mas ela não tá bem. E eu não vou me meter nisso.
- Ok, não precisa me bater! - ergueu as mãos, ri.
- Tô pensando seriamente em aceitar a ideia do meu pai, e ir viajar um pouquinho. - dei de ombros.
- Cê mal chegou e já quer férias? Folgada hein?
- Cala a boca, mano. - falei rindo e ele riu também - Se eu for, claro que não vou deixar vocês na mão.
- Acho bom mesmo.
- Chega de conversa. Dá play nesse desenho aí, vai.
- Alguém já te disse que você é muito mandona?
- Hoje ainda não. - rimos.

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"Como que eu faço pra tirar da cabeça, sendo que você não sai do meu coração?"
— Sufoco.

Capítulo 89.


* MALU NARRANDO *

No dia depois do do ateliê, fomos ver as músicas pro casamento e eu fiquei só de enfeite mesmo, não palpitei em nada. Como da outra vez, o Nath veio me buscar pra aula de streat.
A Fany tá mesmo gravidinha e acho que nunca vi o Nick tão feliz como agora. Vim no shopping pra começar a mimar meu afilhado, ou afilhada né?
- Malu? Que que cê tá fazendo aqui?
- Bru? Oi! - trocamos beijinhos no rosto - Tô fazendo meu papel de dinda.
- Dinda de quem?
- Baby fanycolas.
- Sério? Que legal. - assenti sorrindo.
- E aí, já decidiram no nome do seu sobrinho?
- Sabe que eu nem sei. - riu - A Fany tá de quantas semanas?
Fizemos nossas compras e depois fomos comer, comentei sobre minhas coisas que estavam com o Luan e ela me chamou pra ir buscar.
- Tem certeza que ele já foi embora?
- Tenho. - olhou em seu relógio - Vamo?
- Vamo.
Colocamos o papo em dia no caminho pois pegamos um trânsito básico. Entramos na casa e não tinha ninguém na sala, ouvimos uma voz diferente quando nos aproximamos da cozinha, ela parou e fez sinal pra eu fazer silêncio.
- Espera. - sussurrou, concordei sem entender.
- Quem é?
- O médico.
- Médico?
Ela não me respondeu e eu comecei a imaginar coisas, bateu logo o medo de ser alguma coisa séria com o Luan mas graças a Deus não era com ele, e sim com a Ana Laura. Ela tá doente e o resultado dos novos exames dela não foram bons.
- Eu pensei que ele já tinha ido. - Bruna se justificou.
Ele parecia muito preocupado, queria saber como a gravidez andava, se o bebê tava bem.
Dona Marizete começou a se despedir do médico e nós duas corremos pra porta, como se tivéssemos acabado de entrar.
- Qualquer novidade não hesite em nos contar e. Oi filha, oi Malu. - acenamos com a cabeça e esperamos ela voltar pra falar conosco.
- Aconteceu alguma coisa, mãe?
- Não. - respondeu rápido e mudou de assunto - Vocês não estão com fome?
- Nós lanchamos no shopping.
- Ah...
- Eu vim pegar umas coisas, posso subir?
- O Luan tá na cozinha.
- Então vou pedir pra ele buscar. Licença. - assentiram.
Entrei na cozinha sem fazer barulho e o encontrei de cabeça baixa, toquei seu ombro e ele se assustou ao me ver.
- Oi...
- Tá tudo bem? - negou com a cabeça - Vem cá, vem.
Ao lhe abraçar, entendi o que eu sentia antigamente quando ficava perto dele: amor. Sempre foi e eu não sabia, ou não queria ver.
- Tá tudo tão errado. - ele suspirou.
- Mas vai se resolver. Ó. - me soltei dele e peguei minha carteira na bolsa - Toma.
- O que é isso? - era um papelzinho dobrado, a mensagem que eu ganhei no biscoitinho.
- Minha sorte. Fica pra você, quem sabe te dá uma esperança. - ri dando de ombros.
- Brigado.
- De nada. Luan, eu quero minhas coisas.
- Vamo lá pegar. - levantou.
- Uhum.
Lhe segui até o quarto, ele me disse pra ir procurando enquanto catava alguma coisa na mochila. Abri a gaveta do closet que eu sempre deixava minhas coisas e me surpreendi com o tanto de roupa que tinha ali.
- Tem uns brinquinhos dentro da caixa dos meus relógios, guardei pra não perder.
- São azuis? - assentiu - Obrigada, eu tava procurando mesmo. Caraca, vou ligar pra minha mãe trazer uma bolsa...
- Não precisa. - entrou no closet e voltou com outra mochila - Leva essa, pode ficar. Cê gosta dela né?
- É, valeu. - dei um meio sorriso e sentei na cama, comecei a colocar as roupas na bolsa.
- Pequenininha, olha. - sentou do meu lado e colocou um livro no meu colo - Abre.
Era um álbum, cheio de foto da gente e tinha um bilhete da menina que fez, ela queria que a gente completasse as páginas que faltavam.
- Cadê sua máquina de polaroides?
- Não sei... - falou pensativo - Ah! Vou pegar.
- Tá bom. - terminei de dobrar e guardar as coisas.
- Vish, tá sem o trem que fica dentro. - ri - Deve ter acabado o filme.
- Então fica pra uma próxima. Tchau, Luan.
- Tchau. - me deu um beijo na bochecha.
A Mari e a Bruna ainda queriam que eu ficasse pro jantar, me desculpei e saí falando que tinha umas coisas pra resolver. E tenho mesmo.

Fui cumprindo a agenda de eventos do casamento em meio aos meus compromissos com a carreira dos meninos, idas ao Ibirapuera e as aulas de streat.
Sexta é dia dos namorados e meus pais vão viajar sozinhos, a Fany e o Nick vão ter plantão e sobrou pra mim ficar com a Jaqueline. Quinta feira à noite, embarcaremos pra Recife e só voltamos domingo antes do almoço. Os meninos tem show no sábado, mas vamos antes pra curtir a cidade e tal.
- Irmãzinha, cê vai me levar na praia né? - ela perguntou entrando no meu quarto.
- Vou.
- Todo dia?
- Não né. - falei óbvia.
- Quando a gente chegar, posso comprar um biquíni novo?
- Pra quê, Jaqueline?
- Eu quero um de lá.
- É tudo igual.
- Não é. - revirei os olhos.
- Você tem dinheiro pra comprar?
- Tenho, no cofrinho. Só que tem que esperar o papai chegar porque ele que sabe da senha.
- Se não tu gasta tudo, né coisinha? - ri e ela mostrou a língua.





Eu não abandonei a fic, só tava sem internet e não tive como avisar, so sorry! Dependendo da cor predominante no meu boletim, até o natal com certeza já terei finalizado as postagens.
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"É que pra mim não é tão fácil, fingir que eu superei."
— Você tá namorando.