quinta-feira, 17 de dezembro de 2015

Capítulo 91.


Paulo e Caíque cantaram 'Amar não é pecado' com o Luan e qualquer rede social que se abria só dava eles, fora tudo que a Jaqueline ficou me mandando. Como se eu já não soubesse o show de trás pra frente, só serviu pra dar saudade.

Domingo quando chegamos em São Paulo, fiz o Nick levar minhas coisas de volta pro meu apartamento. Ele resmungou bastante mas foi com a Jaqueline, eu e Fany ficamos na casa dos meus pais pois eles ainda não tinham voltado.
- Cunha, quero tapioca. - falou manhosa.
- Não sou teu namorado não, tá?
- Mas é a dinda do neném, né meu amor? - alisou a barriga - Faz tapioca pra gente, por favor?
- Isso é chantagem sabia?
- Nada a ver, é desejo.
- Cê nem tá no tempo de ter desejo.
- E tem tempo? Se tiver, o meu já começou.
- Ai Stéfany, tu é chata hein? Posso nem ver minha série, af. - levantei - Só vou fazer por causa do neném.
Fui pra cozinha fazer as tapiocas e sorte que ainda tinha goma, passei margarina nelas, arrumei a bagunça que eu fiz e antes de sair, peguei um toddynho na geladeira.
- Huuumm, eu quero.
- Tira o olho, Nicolas. São pra Fany. - entreguei o prato pra ela.
- A gente deixou suas coisas no quarto.
- Tá bom, obrigada.
- Como vamos assistir série juntas se você vai embora? - a caçula disse de braços cruzados.
- Esse é o jeito dela de falar que vai ficar com saudade. - Fany falou rindo - Amor, quero nutella.
- Vou pegar, amor. - ele foi buscar rapidinho, ri.
- Eu sei que ela vai morrer de saudade da irmãzinha. - puxei ela pro meu colo, beijando seu rosto - Quando a senhorita quiser, pode ir dormir comigo lá.
- Não é a mesma coisa, fica vai?
- Não faz essa cara. - apertei seu nariz - Eu tenho que voltar pra minha vidinha.
- Fica assim mesmo, vive aqui.
- Não, Jaque.
- Quanto amor, nem parece que brigam tanto. - Nick disse vindo da cozinha - Aqui sua nutella, bebê.


Meus primeiros dias em casa foram normais, claro que bateu uma nostalgia mas não me deixei abalar por isso. Mudei umas coisas de lugar, comprei decorações novas e vida que segue.
- Oi? - tava terminando de me arrumar quando o interfone tocou.
- Dona Malu? O Nathan tá aqui em baixo.
- Já? Fala pra ele que eu já tô descendo.
- Ok.
- Obrigada, seu Valter.
- Por nada, tchau. - desliguei.
Fiz um rabo de cavalo e peguei meus sapatos, calçaria no carro mesmo. Coloquei umas coisas na bolsa, tranquei o apê e desci, passando pela portaria como um foguete.
- Você chegou cedo demais.
- Você tá descalça?
- E sem máscara de cílios. - coloquei o cinto, ele ria - Não vai muito rápido.
- Tá. Mas eu não cheguei cedo, você que tá atrasada.
- Não tô nada.
- Tá sim.
- Shh, dirige aí. - depois que coloquei meus sapatos, fui passar a máscara e ele acelerou o carro - Nathan!
- Foi mal. - gargalhou.
- Sem graça. Eu bato na sua cara.
- Ela é violenta, que medo. - revirei os olhos.
A aula foi bem divertida, ficamos "livres" pra dançar qualquer estilo. Postamos um pedaço, como sempre fazemos e pelo que vi nos comentários, a Ana Laura curtiu e logo depois falou no grupo do casamento que seria legal ela e o maridinho dançarem alguma coisa além da dança tradicional.
Na volta, assim que empacamos na Marginal, conectei meu celular no carro e ficamos escutando minhas músicas.
- Eu não queria mas já que aconteceu, não vou sofrer. - cantava usando uma garrafa de microfone - Recaídas, a saudade vem mas logo passa.
- Eita sofrência da porra.
- Cala a boca, menino. Até que uma hora perde a graça e a gente vai tentando se esquecer.
- Põe uma música que eu saiba. - resmungou.
- Deixa essa acabar. - fui procurando outra.
- É mais fácil se tu colocar no aleatório.
- Eu sei, mas quero uma em especial... Droga, não achei. Você vai ter que cantar.
- Qual?
- Meu orgulho. Acho tão fofo você e a Duda cantando. - apertei a bochecha dele, ele revirou os olhos e nós cantamos juntos.
- Vamos comer onde amanhã? - perguntou ao parar na frente do meu prédio.
- Não sei. No de sempre, eu acho.
- Vou pegar carona com o João, quer que a gente passe pra te buscar ou vai de táxi?
- Se vocês puderem vir, pra mim é melhor.
- Beleza, vou falar com ele.
Como tava sem nada pra fazer em casa, depois de um belo banho, fui perturbar a Fany. Ela já tava dormindo e eu lhe acordei batendo carinhosamente na porta.
- Espero que seja uma coisa séria.
- E é, cunha! - entrei e me joguei sofá - Tô sozinha. Cê sabe que eu não gosto de ficar sozinha.
- Tanto lugar pra ir e tu vem me acordar, fala sério.
- Nada melhor que ficar com a família. - fiz coração com as mãos - Cheguei tem um tempinho, tava em reunião com o pessoal.
- Ata. Já que a querida me acordou, vou comer alguma coisa. Quer?
- Não, tô de boa. O Nick tá no hospital?
- Uhum. - foi pra cozinha - Sabe o que eu tenho que fazer?
- Não.
- Ir caçar um vestido pro casamento do Luan.
- Eu vou contigo no shopping depois. Aliás, tenho até que ver quando vai ter a última prova do meu.
- Não sei se aguentaria uma coisa dessas não, Deus me livre. - suspirou e eu ri.
- Fany, tu e o Nicolas moram juntos, vão ter um neném mas e o casório? Quando sai? Vou a-mar ser madrinha desse.
- Não planejo me casar com seu irmão.
- É o que, Stéfany?
- Amo muito o Nick, muito. Só não quero casar.
- Ai cala a boca, como assim não quer casar? Todo mundo sonha em casar, ter uma família...
- Não é preciso casar pra se ter uma família, cunha.
- Whatever. - cantarolei - Vou enfiar essa ideia na cabeça do Nicolas, cê vai ver.
Só voltei pro meu apê quando tava morrendo de sono.
No dia seguinte, almocei sozinha e dormi a tarde inteira. Acordei com o despertador que eu tinha colocado e comecei a me arrumar, assim que terminei, o Nathan ligou dizendo que tava chegando e eu fui esperar por eles lá na portaria.

No meio da reunião meu celular começou a vibrar em cima da mesa, era a insuportável da organizadora do casamento. Rejeitei a ligação duas vezes mas ela continuou a ligar.
- Não vai atender, Malu?
- Não, João.
- Atende, tia. Deve ser importante. - Paulo disse e eu lhe mostrei o nome no visor, ele riu - Acho que se você não atender, ela não vai parar de ligar.
- Meu Deus. - bufei - Já volto, gente.
Mandei ela tomar no cu mentalmente antes de atender, pra não fazer isso durante a ligação.
- Cadê você aqui, garota? Você está meia hora atrasada, meia hora.
- Aqui aonde, minha querida?
- No ensaio do casamento, ora bolas! - gargalhei - Qual a graça, sua irresponsável?
- Estou numa reunião de trabalho, ora bolas. Nem lembrava desse ensaio, me diga o motivo pra se ter ensaio? Eu hein.
Esqueci mesmo do ensaio e sinceramente, não vejo necessidade de ensaiar uma coisa que na hora não vai ser igual. Falta menos de um mês pro "casamento luninha", ainda bem que a maioria daquelas provas de bebida, docinho, salgado e etc já estão no fim, agora só falta uma prova de roupa e a despedida de solteiro do Luan, que eu logicamente não vou participar.
- Que tipo de padrinha é você? Ande, venha para cá agora mesmo.
- Hãn? Não.
- Como "não"? Não brinque com a minha paciência. - revirei os olhos - Os noivos chegaram, meu Deus! Se em cinco minutos você não aparecer, eu juro que...
- Que o que? Você tá muito brabinha viu?! - ri - Eu não vou sair daqui.
- Você tá demitida, menina. Não precisa nem vir no casamento.
- Sério? Obrigada. - gritei também - Agora tchau, eu tenho mais o que fazer.
Voltei pra mesa e nosso jantar já estava posto, fiz um coque no cabelo e guardei meu celular na bolsa.
- Podemos comer agora?
- Sim, Caíque. - Jhonny revirou os olhos, eu ri.
- E aí, que que rolou? - Paulinho cochichou.
- Fui demitida do posto de padrinha.
- Demitida? E existe isso?
- Tô sabendo agora. - rimos.
O único assunto sério que conversamos foi sobre o novo projeto de show, de resto só falamos bobeira. Por isso nos encontramos em restaurantes, ter uma sala fixa pra reuniões não é bem o nosso estilo.


_

"Atrás da maquiagem, esconde um sentimento que não dá pra negar."
— Do seu coração sou dono.

Um comentário: