sábado, 17 de outubro de 2015

Capítulo 88.


Pedi pro Rober chamar a Malu pro show mas ela não aceitou, já iria embora da cidade.
Lá, na hora de 'Cantada', sentei na beirada do palco e cantei dali. Estava preparando um repertório novo mas essa música eu não tiraria de modo algum.
- Vai parar pra atender? - assenti e a van parou, já íamos voltar pro hotel.
Saí rapidinho e pronto, eu tava cansado e de cabeça cheia. Me entregaram presentes e alguns eram pro bebê, já tinham começado com isso e agora que sabem o sexo tão dando muito mais.
- Amanhã a gente vai tá perto de Londrina né? - Well assentiu - Manda alguém levar na casa da Ana Laura, vou avisar pra ela.
- Pode deixar.
Assim que cheguei no meu quarto, liguei na recepção pra pedir gelo e uma garrafa de wisky, tava sem sono e isso me faria dormir. Tomei banho e troquei de roupa enquanto esperava.
Comecei a mexer na pilha de presentes, um em especial me chamou atenção, era um álbum grosso e na capa tinha "True love".
- O mesmo sorriso de sempre. - era a primeira foto que eu tirei com a Malu, só nós dois.
Fui virando as outras páginas e todas tinham fotos nossas. No final, tinha um monte de folha sobrando e um bilhete, pedindo que eu completasse o álbum. Guardei na minha mochila.

Passei todo aquele fim de semana vendo as fotos antes de dormir e, chegada a terça feira, tive que vir escolher meu terno ou sei lá o que. A Malu e o Dudu já estavam no ateliê quando cheguei com meu pai, Well e Rober.
- O que ela tá fazendo aqui? - cochichei pra ele.
- Esqueceu que ela é sua padrinha? Vai te acompanhar em tudo relacionado ao casamento, eu e o Dudu também.
- Ah meu Deus. - suspirei.
- Tudo bem, Malu?
- Tudo. - ela e meu pai se cumprimentaram - Como que vai a dona Mari e a Bru?
- Estão bem.
Nós dois nos falamos brevemente e ela, como sempre, falava aos montes com o Testa.
- Ah, chegaram! Luan Santana, que honra receber você aqui. - uma criatura afetada disse saindo de uma porta e me tascando dois beijos na bochecha - Teodoro Garcia, muito prazer.
- O prazer é meu. - ri.
- E então, já sabe como vai querer? - neguei com a cabeça - Marcela, pega fita e os croquis.
- Sim, senhor. Licença.
- Seu pai, os padrinhos e a noiva, imagino. - maria luíza riu negando com o dedo.
- Sou "padrinha".
- Oh, perdoe-me. Mas... Padrinha?
- Coisa da digníssima noiva do Luan.
- É um poço de ironia essa menina. - Dudu comentou com o Testa e os dois riram.
- Você não vai usar terninho né? Tenho uma coisa perfeita pra você! - bateu palminhas - Marcela, cadê meus croquis?
Ele saiu andando pra onde a moça tinha ido, sentamos num sofá que tinha ali e o esperamos. A Malu ficava olhando o celular toda hora, eu tava morrendo de curiosidade pra saber com quem e o que ela tanto falava, e ria.
- Quer água, filho?
- Quero, pai. Obrigado. - me entregou um copo.
- Para de olhar pra ela um pouquinho.
- Tá. - passei a mão pelos cabelos.
O cara lá voltou trazendo mais três pessoas, que começaram a nos medir, anotar e blá blá blá.
- Já pensaram na cor? - negamos - Malu, olha aqui esse vestido. Não é lindo?
- É sim. - ela sorriu.
- Não abro mão que escolha esse, vai ficar maravilhoso no seu corpo. - a fez dar um voltinha.
Ele mesmo quis medir a maria luíza e, se ele não fosse tão bicha, eu estaria morrendo de ciúme.
- Deixa eu ver isso aí.
- Ah claro, senhor Roberval. - lhe entregou o papel que antes mostrava pra Malu - Branco ficaria ainda mais divino, pena que branco é só pra noiva.
- Ah pois é, o branco "significa" pureza né? - Teodoro confirmou com a cabeça.
- O que não é o caso. - Rober disse pra ela, que gargalhou.
- E você, Luan? Não pensei que fosse tão tímido. - ri - Fica à vontade, quer alguma coisa?
- Não, obrigado. É que eu tô cansado, sabe?
- Entendo.
- O Luan faz muitos shows, graças a Deus. Ele chegou hoje e veio direto pra cá. - meu pai explicou.
O tempo foi passando e eu só falava algo quando era perguntado, ria de algumas coisas e voltava a ficar quieto.
- Tava pensando em fazer o terno dos garotos em cima do seu vestido. Já que vai ficar no meio de dois marmanjos, tem que brilhar.
- Com certeza. - ela riu - Azul, azul marinho. Eu gosto e cai bem pros três, não?
- Sim, sim. - queria ter um por cento da animação dele - Marcela, dá um search nos looks do Evaristo. Ele tem o azul ideal, quero aquela cor.
Vim ao provador vestir uma camisa, desconheço a razão, tava muito distraído e só fiz o que me pediram. Quando terminei de abotoar a camisa social, a porta foi bruscamente aberta.
- Tá quase term... Depois eu ligo. - ela falava ao telefone - Achei que era o banheiro, desculpa.
- Tudo bem. Malu, espera. - não deixei que ela saísse.
- Que é?
- Quero sentir seu cheiro, deixa? - riu se aproximando de mim.
Por um momento pensei que ela fosse me beijar, é, eu pensei. Ela só arrumou a gravata que estava no meu pescoço e riu de novo.
- Você parece até uma pessoa séria vestido assim. - passou a mão nos meus cabelos - Meu Deus, eu devo ser bem louca mesmo né?
- Por quê?
- Corro, corro, corro e sempre venho parar aqui. - me "empurrou" com um dedo.
- Comigo!? - sorri - Seu lugar é do meu lado, pequenininha.
Encostei-a na porta, passei meus lábios suavemente por seu pescoço, fui até sua orelha e sua pele arrepiou quando lhe mordi.
- Para, eu não posso. - pediu num sussurro - Tô... Namorando.
Suas palavras me acertaram como um trem desgovernado.
- Namorando? Quem?
- Eu tenho que ir. - falou rápido e outra vez, não deixei ela sair - Não é da sua conta com quem eu namoro. E ah, isso aqui é seu.
- Não! - segurei sua mão, impedindo que ela tirasse a pulseirinha - Você prometeu que nunca ia tirar.
- Parece que promessas foram feitas pra serem quebradas. Você prometeu que ia ser pra sempre.
- Mas
- Mais nada, não quero ouvir, sério. E também não quero ficar lembrando da gente toda vez que olho pro meu braço.
- Não tem nada a ver, maria luíza! Por acaso você vai parar de comer pizza ou de usar o emoji de lua preta? - ela não respondeu. Ponto pra mim.
- Até amanhã. - disse e saiu. Eu fiquei pensando.
- Luan? Tá vivo aí, boi? - Roberval batia na porta.
- Oi, tô. - saí - Cadê a
- Malu? - assenti - Foi pra aula de streat, o Nathan veio buscar ela.
- Então é ele?
- Ele? Ele o que?
- O namorado dela.
- Namorado?
- É! Ela disse pra mim que tava namorando.
- Disse pra você e não disse pra mim? - fez cara de bravo, revirei os olhos.
- Eu não acredito nisso.
- Nem eu! - falou rindo, bufei e voltei pra sala principal.



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"Eu sei, você quer me amar."
— Calafrio.

terça-feira, 13 de outubro de 2015

Capítulo 87.


* LUAN NARRANDO *

Essa semana a Ana Laura fez uma ultrasonografia que mostrou o sexo do nosso bebê, seria um menino. Já fazia algum tempo que eu não sorria de verdade, meu filho é uma das poucas coisas que estão me animando esses tempos.
Quando ela começou a falar de nomes, viajei num flash back e me vi junto com a Malu, conversando sobre nosso Enrique e ri sozinho.
Meus pais já estavam acostumados e até felizes com a ideia de serem avôs, a Bruna é que ainda demonstrava resistência.
- Realmente, essa criança não tem culpa da sua irresponsabilidade.
- Então fica um pouquinho feliz, vai? Cê tem que me ajudar a comprar roupinhas, ajeitar o quarto. - ela suspirou.
- Ele vai ficar aqui né? Quando a Ana
- É. - lhe freei.
Minha mãe entrou no quarto e me ajudou a arrumar minha mochila.

Depois que almocei, parti pra outra maratona de shows que me aguardavam e eu dormi durante todo voo.
Atendi uns fãs no aeroporto e na frente do hotel tinha uma quantidade anormal, tentei dar atenção para todos e o Well teve que me ajudar a entrar logo. O Testa já entrou me apressando, teríamos que chegar mais cedo no local do show por causa de uma entrevista pra tv local.
- Segura, por favor? - ele pediu e colocaram o pé na porta. Ao entrar naquele elevador meu coração parou.
- Roberval, que saudade! - ela disse e eles se abraçaram.
- Tava falando de você hoje, eu e a Marla.
- Bem né?
- Claro. - riram - Beleza, cara?
O boi e o tatuado se cumprimentaram e eu só tinha olhos para ela, saí do transe com um cutucão do Rober, ao que parece o tal do Paulo tinha falado comigo.
- Ah, oi. - apertei sua mão.
- É um menino né? Parabéns. - ela me disse.
- É... Obrigado.
Eu e o Paulo ficamos calados enquanto ela não parava de tagarelar junto com o Rober, até ouvirmos um barulho estranho e o elevador parar. Engoli seco.
- Ai Jesus. E agora?
- Calma. - o tatuado tentou tranquilizá-la. O cubículo despencou alguns metros, a fazendo se "segurar" nas paredes.
- Não acredito que vou morrer aqui.
- Vira essa boca pra lá, tá louca? Alguém vai tirar a gente daqui, né Paulo?
- É sim, Rober.
- Claro que alguém vai tirar a gente daqui. - falou óbvia - Os funcionários do IML! E nós vamos estar tão amassados que eles vão precisar de uma pá.
Rimos dela, que ficou brava e vermelha. Rainha do drama.
E esse cara? Tá vendo como ela tá nervosa e não faz nada. O olhei como se dissesse "qual é a tua?", ele fez cara de "o que eu posso fazer?" e eu rolei os olhos. Rober nos olhou negando com a cabeça e se entendi certo, "falou" que eu quem devia fazer algo e o Paulo concordou, indicando com a cabeça que eu tinha que ir. Os dois me olharam com uma cara nada boa quando eu fiz menção de negar.
- Ei. - as luzes apagaram no momento que peguei sua mão, ela estava gelada.
- Luan?
- Tô aqui. Cê tá com frio?
- Não.
- Como se eu não te conhecesse, maria luíza. - coloquei minha jaqueta sobre seus ombros e lhe trouxe pros meus braços.
Demorou um pouco mas ela se aconchegou dentro do meu abraço, repousando a cabeça em meu peito.
- Tenta apertar algum botão aí.
- Bota luz aqui, liga o flash. - eles começaram a mexer nos botões mas nada acontecia - Deve ter faltado energia.
- Um hotel desse tamanho não ter gerador é foda.
- Vai ficar tudo bem, eu prometo. - sussurrei.
- Não promete o que você não pode cumprir, cabeção.
Apertei-a mais ainda, quis guardar na minha mente cada detalhe e a sensação de tê-la nos braços outra vez. Cheirei seus cabelos, beijei seu rosto e dedinhos delicados afagaram minha barba, sorri sentindo seus carinhos.
- Me perdoa?
- Perdoo. Não quero morrer guardando magoa de ninguém.
- Cê não vai morrer agora, pequenininha. Se precisar, eu dou minha vida pela sua.
- Ninguém vai morrer aqui não, calem a boca. - Testa disse irritado e ela riu.
Os minutos que passamos ali me fizeram pensar muito, não sei como eu estava conseguindo viver sem essa menina. Ver fotos todos os dias antes de dormir não ajuda em nada, só alimenta minha culpa e a saudade.
- Será que eles tão tendo alguma coisa? - pensei alto.
- Malu e Paulo?
- Quem mais? - ele revirou os olhos.
- Acho que nem dá nada mas se rolar, eu aprovo.
- Aprova é?
- Aprovo a felicidade da caçula.
Estávamos sozinhos no corredor, indo para nossos quartos. O pessoal do hotel trouxe um técnico pra nos resgatar de dentro do elevador, foi uma falha da máquina e como não teve nenhum efeito grave, nós achamos melhor abafar o assunto.
Tomei banho e me vesti, iríamos jantar num restaurante da cidade mas antes de sair, precisava esclarecer umas coisas.
"Jaque?" - lhe mandei uma mensagem.
"Luan?"
"Oi."
"Oi digo eu né?"
"Kkkkkkkkk. Cê tem visto a Pi? Sabe onde ela tá?"
"Como eu vou saber aonde ela tá, se a irmã é sua? Eu hein.
Manda a real, vai. O que cê quer falar?"
"Tô no mesmo hotel que a Malu."
"Eee???"
"Ficamos presos no elevador."
"MEEEU DEUS! Vocês tão bem? Tavam sozinhos? O que aconteceu?"
"Ela ficou bem nervosa, mas tá tudo bem. O Paulo e o Testa tavam lá com a gente."
"Ah... Eu sei que cê não me chamou só pra falar isso, a Malu já podia ter me contado.
Que que foi?"
"Espertinha você né?
Quero te perguntar uma coisa"
"Pergunta de uma vezzzzz"
"A Malu tá ficando com alguém?"
"Não sei.
Cara, tu vai c-a-s-a-r, que que tem ela ficar com alguém?"
"Nada, nada. Eu quero que ela seja feliz, Jaque."
"Então pra quê chamou ela pra ser sua padrinha?"
"Não chamei nada, é a Ana Laura que tá fazendo essas coisas.
E pra quê ela aceitou também? A culpa não é minha."
"Nhenhenhem. Cala a boca.
A culpa é sua sim, você disse que não ia fazer minha irmã sofrer e olha aí!"
"Eu nunca quis magoar a Malu."
"De boas intenções o inferno tá cheio né?
Luan, eu gosto muito de você e de vocês juntos, mas por favor, não chega perto dela."

A Jaqueline tem toda razão de estar me tratando dessa forma, mas mesmo assim né? Ela podia pegar mais leve comigo, eu também tô sofrendo poxa.




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"He says, "What you heard is true, but i can't stop thinking 'about you"."
— Style.

sexta-feira, 9 de outubro de 2015

Capítulo 86.


Meus pais ficaram duzentas mil vezes mais cuidadosos e me queriam "quieta em casa", como se eu fosse uma Jaqueline. Alô-ou eu já sou adulta!
Antes de sair de casa, minha mãe falou um bocado e fez o Paulo jurar que dirigiria com cuidado.
Encontramos com Caíque e Bruna já na porta da boate e entramos juntos, depois de cinco minutos todos já haviam tomado um rumo, só restando eu e Nathan.
- O que a gente vai fazer?
- Não sei... Dançar?
- Tem certeza que não quer nenhum beijinho? - perguntou fazendo bico, gargalhei.
- Tô bem assim, obrigada. - ele deu de ombros.
- Cê já parou com os remédios? Tá podendo beber? - assenti - Então vou pegar alguma coisa pra gente.
- Tá bom.
Sentei num banco alto, tinha umas mesas e pufes por ali também. Fiquei mexendo no celular pra passar o tempo e ia postar uma foto, até um alguém parar na minha frente.
- Olha quem tá aqui, se não é a assessora. - ri e nos abraçamos - Tudo bem?
- Uhum. E você, Carlos?
- Bem. Bem melhor agora.
- Ata. - ri sem graça. Ficamos em silêncio.
- Cê... Quer uma bebida?
- Ah não, valeu. O Nathan já foi buscar.
- E cadê os outros?
- Não vejo o Caíque desde que entramos. - ele riu - O Paulo tava aqui agorinha.
- Sei... - e o silêncio voltou a reinar entre nós.
Já estava começando a xingar o Nathan mentalmente quando ele apareceu.
- Demorei, branquela? - neguei e ele me abraçou pela cintura - E aí, Carlos? Tranquilo?
- De boa. - apertaram as mãos.
Tomei um gole da ice e fiquei ouvindo eles conversarem, o Paulo voltou não sei da onde e entrou na conversa. A música não tava taão alta, dava pra conversar sem gritar.
Eu bem que podia ficar com o Carlos né? Só não fico porque... Porra, não sei. Mas não quero outro Santana na minha vida, se um sozinho já fez tanto estrago, imagina dois?!
- Ô Malu! - Caíque estalou os dedos na minha cara.
- Hum?
- Tava nesse mundo? - eles riram.
- Voltei, querido. Voltei. - mostrei a língua.
- Vamo no banheiro comigo, por favor?
- Vamo, Bru. - respondi - Segura?
- Seguro. - entreguei minha bebida pro Nathan.
Enquanto ela fazia xixi, retoquei meu batom. Após uma típica conversa de banheiro, tiramos uma foto no espelho e ela postou.
Assim que voltamos pra perto dos meninos, uma moça do grupinho de amigos do Carlos sugeriu que fôssemos dançar.
- Bora? - perguntei já puxando o Nathan pela mão.
- Acho que não tenho escolha né?
- Não tem mesmo. - ele riu.
Saímos da boate perto das três da manhã, fiquei muito cansada porque dançamos até eu não querer mais, o que demorou bastante.
- Se você dormir, vai ficar por aí mesmo. - Paulo disse me olhando pelo espelho e eu ri negando.
- Não vou dormir, tá queridos? Vou ligar pra minha mãe e avisar que tô chegando.
- Tá sem a chave?
- É, ela quer me ver chegar pra saber que eu tô inteira. - eles riram - Nath, cê é um ótimo parceiro de dança.
- Obrigado, senhorita. Falar nisso, e suas aulas de twerk?
- Desisti. Demorou demais.
- Vem fazer streat comigo.
- Streat?
- É, é legal. Eu posso te buscar e trazer de volta, que tal? São só dois dias na semana.
- Quando?
- Quarta e quinta.
- Tá aí, gostei.
Desbloqueei a tela e disquei os números da minha mãe, depois de falar com ela, vi que tinha umas mensagens da Jaque. Ela dizia que a foto que eu postei tinha dado o maior alvoroço, rendeu até notinha e tipo, faz no máximo duas horas que postei. De fato, esse pessoal é mesmo rápido.
Na foto, eu estava escorada no ombro do Nathan e dava pra ver a mão dele me abraçando pela cintura, só não dava pra saber que era ele.
- Que foi, tia?
- O que? - tirei os olhos do celular.
- Tá vendo o que aí que tá fazendo tanta careta?
- Tão discutindo minha vida amorosa na internet. - revirei os olhos - Que preguiça disso, Deus. Eu nem li, nem quero saber o que falaram e ainda vão falar desse rolo todo.
- O lado ruim da fama.
- Não sou famosa.
- É sim. Deve ser até mais famosa que a gente.
- Sem gracinha. - mostrei a língua - Que exagero, Paulo.
- Mas é sim.
- Ah, cala a boca.
Eles me deixaram na porta e foram pra casa, minha mãe ainda estava acordada porque fazia pouco tempo que meu pai tinha chegado do hospital.
- E aí? Curtiu muito?
- Demais. Ai pai, tô cansada. - me joguei no sofá.
- Levanta daí. - minha mãe disse - Você chega suada e se joga no meu sofá, maria luíza? Faça graça.
- Af. - fiz bico levantando e tirei meus sapatos de salto - Vou fazer aula de streat.
- Não era de twerk?
- Era, agora eu não quero mais.
- Mas meu Deus. - ele riu - Vamo pra cama, amor?
- Agora que a mocinha já chegou, podemos ir.
- Então boa noite.
- Noite? A noite já foi, Malu. - ri e os abracei, eles subiram.
Fui na cozinha e comi, depois fui pro meu quarto tomar banho e dormir. Eu estava mesmo cansada, ê laiá, é a idade chegando.

Fui acordada pela Jaqueline, quando ela voltou da escola. Nossa mãe estava chamando pra almoçar, dispensei a caçula e me arrastei até o banheiro, tomei um banho pra acordar de verdade.
- Boa tarde, dona Samanta. - lhe dei um beijo estalado na bochecha.
- Acordou de bom humor, que milagre.
- Dormi bem, obrigado.
- Você dormiu muito, isso sim.
- Muito e bem, sweet Jaque. - pisquei pra ela e sentei.
- A gente vai pro Ibira hoje?
- Não, amanhã viajamos e os meninos tem que descansar.
- Vão pra onde?
- Nem lembro, tenho que olhar. - fiz careta.
Almoçamos e eu fiquei ajudando minha irmãzinha num trabalho de artes, fizemos um escultura maravilhosa com argila. Claro que sujamos bastante e claro que a mamãe nos obrigou a limpar, claro.
- Malu, vou te contar uma coisa que eu acho que você ainda não sabe. - ela coçou atrás da orelha, ergui uma sobrancelha - Eu acho melhor eu te falar, do que cê vê por aí.
- Fala, garota.
- O bebê do Luan é um menino.
- E por que você acha que isso me afetaria tanto?
- Cês falavam de ter um Enrique... Eu achei que - se calou, dando de ombros.
- Obrigada, mas não precisa se preocupar tá? - abracei aquela coisinha chata - Eu tô legal.
- Mesmo?
- Mesmo, mesmo. - sorri pra ela, que riu.
- E quem era com você na foto?
- O Nath. Antes que pergunte, não ficamos e nem vamos.
- Oxe, Nalu é um belo ship.
- Af Jaqueline, deixa de ser idiota. - lhe empurrei. A bobona ria de se acabar.



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"Naquele segundo eu pensei que até te odiava, mas respirei fundo e vi que eu te amava."
— Na hora da raiva.

quarta-feira, 7 de outubro de 2015

Capítulo 85.


* MALU NARRANDO *

O Luan estava comigo quando acordei, e pela primeira vez na vida, não fiquei feliz em vê-lo.
- Bom dia. - sua mão fazia carinho em meus dedos, os separei imediatamente.
- O que você tá fazendo aqui? Cadê minha mãe?
- Calma, ela foi em casa. Já deve estar voltando.
- O que você tá fazendo aqui? - repeti a pergunta.
- Prometi que só ia embora quando você melhorasse.
- Então pode ir. Tchau.
- Não. Vou ficar até sua alta, quero ter certeza que você está realmente bem.
- Você me quer bem? Que engraçado. - ri irônica - Como acha que eu vou ficar no altar vendo você casar com outra?
- O que?
- Sua noiva já me transmitiu seu convite, muito obrigada.
- Que convite? Malu, eu não sei do que você tá falando.
- Pergunta pra Ana Laura. E ah, suas coisas que estavam na minha casa já estão com ela.
- Malu...
- Por favor, Luan. Sai. - apontei a porta, ele suspirou assentindo.
O cabeçudo me abraçou forte e por mais que doesse em mim, não me movi para retribuir. Uma única lágrima idiota caiu, ele a secou com o polegar e acarinhou minha bochecha, fechei os olhos e senti rapidamente seus lábios nos meus.
- Tchau, pequenininha. - sussurrou.
Só abri os olhos novamemte quando escutei a porta ser fechada, não tive nem tempo de ficar triste pois logo depois o Vi entrou com meu pai.
- E aí, princesa, pronta pra outra já?
- Não fala isso nem brincando, Vitor. - meu pai o repreendeu e nós rimos.
- E o meu carro? Foi perda total mesmo?
- Sim, e você não vai pegar num carro nem tão cedo.
- Pai! - cruzei os braços - Foi tão feio assim?
- Você podia ter morrido, maria luíza.
- Mas ainda bem que não era meu dia né? - ri - Quando posso ir embora?
- O Jonas disse que talvez amanhã.
- Amém, senhor! - falei e bateram na porta.
- Posso entrar?
- Pode. - sorri e o Rober veio me dar um abraço.
- Ficamos preocupados com você, caçula. Não faz mais isso viu?
- Prometo me comportar de agora em diante.
- Acho bom mesmo. - papai resmungou nos fazendo rir.
- Vocês podem me deixar sozinha com esse testudo, por favor?
- Claro, claro
Eles saíram, o Rober me olhava desconfiado e eu ri.
- Que foi hein?
- A Ana Laura me convidou pra ser "padrinha" do Luan.
- Te convidou? Você não aceitou né?
- Aceitei.
- Por quê?
- Eu não sei, mas aceitei. - dei de ombros - Ela disse que ele quis.
- Mentira, ele não tá nem aí pra esse casamento. - quase sorri, quase - Ela também me entregou um convite e outro pro Dudu.
- Seremos um trio maravilhoso! Já que eu aceitei fazer parte desse circo, vou tentar ser uma boa padrinha.
- Aiaiai, Malu. Cê não vai explodir nada não, né?
- Até que não é uma má ideia. - gargalhamos.
Ficamos conversando por muito tempo e depois que ele foi embora, fiquei no tédio.
Só perto das duas da tarde a Jaque chegou pra ficar comigo, jogamos xadrez, assistimos televisão e ela me fez postar alguma coisa agradecendo a preocupação dos fãs dos meninos e do Luan.
- Quando cê vai pra casa?
- Amanhã, eu espero.
- É tão chato ficar aqui.
- Se tu que pode sair, tá falando isso. Imagina eu, querida?
- Que dó. - riu - A tia Cátia disse que vai te dar brownie quando cê voltar.
- Socorro, me leva daqui então. - rimos.


(...)

Meus planos de voltar pro apê foram totalmente por água abaixo e eu continuo na casa dos meus pais. Já tem umas duas semanas que eu saí do hospital.
Falei com colegas que trabalham pela televisão e tô conseguindo umas coisas pra Fly.
Hoje os meninos fizeram o programa da Fátima e, andando pelos corredores, eu encontrei o Lucas. O convidei pra fazer uma participação no segundo canal dos meninos e ele topou na hora, só preciso combinar com a equipe dele um dia e pronto.
Esse segundo canal foi uma forma dos três ficarem ainda mais próximos dos fãs, estamos organizando os dias pra subir vídeo e tal. Aproveitei que os meninos conhecem muita gente desse meio e todos estão dando uma força.
- Malu, cê vai hoje?
- Já disse que vou, Caíque. Ave maria.
- Bicha, a senhora é destruidora mesmo viu. - riu - O Carlos que quer saber se você vai.
- Huummm.
- Se fecha, Paulo Augusto. - dei um tapa na cabeça dele - O Nathan vai também?
- Não sei. Pergunta pra ele.
- Acorda, chupeta! - Caíque gritou batendo na janela e eu o repreendi.
- Que foi?
- Tem noite na tua casa não?
- Ah mano, cala a boca. - resmungou.
- Nath, cê vai pra balada hoje? Diz que vai.
- Por quê?
- O Carlos quer dá uns pega na tia.
- Humm. - riu - E onde eu entro nisso?
- Cê vai ficar comigo, pra eu não precisar dar um fora nele. Tu só tem que "marcar território", beleza?
- Vou ganhar uns beijos então?
- Idiota. - mostrei o dedo - Sem beijo.
- Tá bom né. Vai passar pra me buscar de que horas?
- Esqueceu que eu tô sem carro, querido? Você que vai me buscar.
- Eu não. O Paulinho leva a gente.
- Tenho cara de motorista? - perguntou.
- Quer que eu seja sincera?
- Sua sem gracinha. - gargalhamos.





Oi e tchau, até sexta :))
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"Baby your smile's forever in my mind and memory."
— Thinking out loud.

sexta-feira, 2 de outubro de 2015

Capítulo 84.


- Quer ser padrinha do Lu no nosso casamento? Ele não tá com tempo, aí eu aproveitei que estou aqui em São Paulo e tô adiantando algumas coisas. Cê tem o endereço do Eduardo? Pensei em ir no estúdio mas
- Cala a boca. Como você tem coragem de fazer uma coisa dessas? O Luan não gosta de você, ele ama a Malu.
- Jaqueline, menos. Bem menos. - segurei seu braço.
- Que nada! Ela tem que tomar uma bela dose de semancol e sumir daqui agora. Eles estavam bem e você teve que aparecer pra estragar tudo.
- Eu não sabia que o lance de vocês era sério, Malu. - falou pra mim - Não precisa aceitar nada, me desculpa.
- Deixa de ser falsa!
Escutando a gritaria da cozinha, o Nick veio ver o que estava acontecendo e tirou a Jaqueline de perto da gente. Por dentro, eu estava rindo muito mas por fora, permaneci séria.
- Eu aceito, Ana Laura. - estendi a mão para o envelope que ela segurava.
- Como assim aceita? Tá doida, maria luíza?
- A-aceita? - cobriane gaguejou.
- Sim.
- Então... Aqui ó, obrigada por aceitar nosso convite.
- Não há de quê. - sorri falsa, não mais que ela.
- O Lu vai ficar feliz em saber que você aceitou.
- Eu imagino. Ah, espera aí. - falei e ela assentiu desconfiada.
Subi a escada enquanto todos me olhavam, fui no meu quarto e peguei a caixa de roupas do noivo dela. Desci e lhe dei, pedindo que o entregasse.
- O que é isso?
- Roupas. Se tiver mais, depois eu mando, tá bom? A porta é ali. - apontei - Muito obrigada pela sua visita, tchauzinho.
Dei as costas para Ana e voltei pro meu quarto, terminei de pintar minhas unhas e a Jaque apareceu com a Fany, elas também pintaram as unhas. E graças aos céus, niguém disse nada sobre o que rolou lá em baixo.
Minha mãe deu a ideia de jantarmos fora, todo mundo, menos o papai que estava trabalhando. Eu encontraria com eles no restaurante, ia passar no Vip antes.
- Se cê demorar, vou comer tudo e não deixo nadinha pra você.
- Eu atolo sua cara num prato de macarronada, Jaqueline. - ela riu - Tô indo lá, viu mãe? Até mais tarde.
Revirei os olhos e mudei de estação quando a rádio anunciou sua próxima música, não sou obrigada a nada. Meu celular começou a tocar no banco do passageiro e eu o olhei rapidamente, era um número privado, deixei tocar até cair, durante o caminho ainda tocou mais quatro vezes.
- Que que você tá fazendo aqui, menina? - ele perguntou rindo enquanto nos abraçávamos.
- Desculpa ter vindo sem avisar, mas eu preciso te entregar uma coisa. Devolver, na verdade.
- Não me diz que é o que eu tô pensando... Cê não gostou?
- Não, não é isso. É que você vai saber dar um fim melhor pra essa música... Dá pra outra pessoa cantar, sei lá. - dei de ombros.
- Mas ela é sua.
- Eu sei, muito obrigada. Só que eu não quero ficar guardando isso, sabe? E sendo minha, eu te autorizo a fazer o que quiser.
- Tudo bem. - lhe entreguei o tablet - Vai ficar guardada aqui, um dia se cê quiser de volta...
- Eu sei onde achar. - sorri - Obrigada.
- Não precisa agradecer. Quer um café?
- Ah não, vou jantar com a minha família. - senti meu celular vibrando na bolsa - Deve ser a Jaque ligando, vou atender.
- Claro.
- Alô? - era o número privado outra vez - Alô? Tem alguém aí?
- Quem era?
- Não tenho a menor ideia. Desde que eu saí tão me ligando, af. - revirei os olhos - Deve ser os caras na cadeia.
- Então nem atende a próxima. - assenti - Certeza que não quer nada?
- Absoluta. - ri - Eu tenho que ir. Vocês fizeram um trabalho ótimo com essa música, desculpa jogar o tempo de vocês no lixo.
- Nada a ver, Maluzinha. Eu te entendo, pode ficar tranquila. - nos abraçamos - Tchau.
- Tchau, Dudu. Beijo.
Quando eu saí do Vip, tava garoando e parece que foi só eu entrar no carro que começou a chover mais forte.
- Droga, mil vezes droga. - praguejei olhando o céu.
Aquela chuva só iria piorar, parti rumo ao restaurante e o número privado voltou a me ligar. Juro que ignorei o máximo que pude, até o momento que não aguentei mais e peguei o celular pra atender.
- Que que é?


* ROBERTO NARRANDO *

- Teve um acidente com uma moça de carro, ela capotou.
- Gravidade? - perguntei.
- Numa escala de zero à dez, cinco. Os bombeiros a tiraram das ferragens, prestaram os primeiros socorros e ela tá vindo pra cá.
- Identificação?
- Ainda não fui informado.
- Vou repassar aos outros. - saí apressado.
Hoje o hospital estava relativamente calmo, voltei pra emergência e continuei com os atendimentos. Quando a moça chegasse, ajudaria no que fosse possível.
- Doutor Roberto?
- Sim? - me virei e um bombeiro estava ali.
- Pediram pra avisar que a sua filha chegou. - franzi o cenho - A moça que capotou.
- Malu!? - corri até onde a encontraria.
- Vamos fazer tudo que precisar. Mantenha a calma.
- O que ela tem? - segui com a equipe que trataria dela.
- Apenas olhando, uma fratura exposta na perna esquerda. Mas temos que fazer exames.
- Vem conosco?
- Eu não vou aguentar, confio em vocês. - desabafei.
Sentei num banco que tinha ali no corredor e fiquei pensando no que podia fazer, mas eu não sabia. Uma mão tocou meu ombro e eu levantei o olhar, era o Vitor.
- Cadê ela?
- Tá lá dentro. - apontei com a cabeça.
- O senhor já avisou pra
- Não.
- Vou ligar pro Nicolas.
- Obrigado.
Considerando tudo que poderia ter acontecido, ela estava "bem". Estável.
A Samanta queria ficar com ela o tempo todo mas tinha que cuidar da Jaqueline, então revesamos nesses dois dias que a Malu está em coma induzido na UTI. Alguns amigos vieram lhe ver, os cantores principalmente e, o Luan cancelou a agenda dele pra ficar aqui com ela.

Hoje de manhã fui pra casa descansar um pouco e quando voltei agora à noite, ela já estava no quarto e acordada.
- Como foi que isso aconteceu?
- Tinha um número que não parava de me ligar... Eu já tava de saco cheio e peguei pra atender.
- Atender celular enquanto dirige? Errado, maria luíza. Errado! - Nicolas a repreendeu e ela riu de leve.
- Cê capotou sabia?
- Mentira! Quantas vezes?
- Umas quatro ou cinco. - o médico disse entrando, doutor Jonas - Seu carro foi perda total, dona Malu.
- Ah não.
- Como está se sentindo?
- Minha perna doe, e esses arranhões vão ficar uó quando sarar. - ele riu.
- Vamo sair pro Jonas examinar a louca. - o Nick saiu do quarto com a Jaqueline.
- Sua perna ainda vai doer muito, mas nada que muito repouso não resolva.
- Graças a Deus. - abracei minha mulher.
- Bom, tenho outros pacientes pra ver agora. Qualquer coisa é só chamar. - assentimos e ele saiu.
Quando contamos que o Luan estava do lado de fora e que queria vê-la, ela ficou muito agitada. Pedi para colocarem um calmante no suco e logo depois do jantar ela adormeceu.
- Como ela tá, seu Roberto?
- Melhorando. Pode ir pra casa, já faz muito tempo que você tá aqui.
- Vou ficar até ela poder ir embora. - falou decidido - Posso falar com
- Ela dormiu. - o interrompi - Vai pra casa, dorme e amanhã você volta pra ver ela. Pode ser?
- Quero ficar.
- Luan, amanhã você volta.
Passei uns longos minutos para convencê-lo a ir pra casa, ele é tão teimoso quanto a Malu e a Jaqueline. E me questionou muito em relação ao coma, expliquei que preferimos assim porque sabíamos o quanto ela ficaria inquieta se estivesse acordada, ele concordou.



_

"Mesmo de mal de mim, eu vou estar com você."
— Quando Deus quer.

Capítulo 83.


Eu e o Paulo quase nos beijamos hoje, quase. As crianças tinham ido comprar sorvete, a gente tava no Ibira, de repente começamos a nos olhar e quando ficamos bem próximos, soltei uma gargalhada e ele também.
- Desculpa, sério. Eu nunca ficaria com você, nunca.
- Nossa querido, por que não? - me fiz de ofendida.
- Cê não faz meu tipo.
- Ah é? E qual seu tipo, Paulinho?
- Não sei, mas você não. E o seu, dona Malu? Qual é?
- Branquelo, cantor, tatuado e topetudo. - contei nos dedos.
- Me encaixo em tudo aí, tá me querendo, tia? - gargalhou - Tô brincando, sei que o seu cantor é sertanejo.
- Aiai, meu cantor...
- Opa, opa! Vamo mudar de assunto.
Depois do sorvete viemos embora. Levei a Su e o Binho pra casa dela, trouxe a Jaque pra casa e comecei a me arrumar, ia pra balada com a Fany e umas amigas dela. Hoje eu iria aproveitar a noite, não tô na intenção de ficar com ninguém mas se rolar, rolou né?
- Tá gata hein, cunha.
- Eu tento né. - rimos e eu coloquei o cinto - Partiu?
- Já é.
- Cadê o Nicolas?
- No hospital. Malu... Acho que tô grávida.
- Grávida? Meu Deus! - falei eufórica, ela riu negando - Tá quanto tempo atrasada?
- Quase duas semanas.
- Já contou pro Nick?
- Não! Quero ter certeza primeiro.
- Então faz logo o teste. Você trabalha num hospital, Stéfany.
- Tô com medo, tá bom?
- Medo? O Nicolas te ama, ele vai adorar.
- Eu sei. - suspirou - Meu medo é de ser mãe, eu mal me cuido, como vou cuidar de uma criança?
- Pensasse nisso antes de esquecer de usar camisinha.
- Vai dizer que na hora da pressa, você nunca esqueceu?
- Já, mas graças a Deus não deu em nada. E o assunto aqui é você, não eu. - ela revirou os olhos - Se você estiver realmente grávida, querendo ou não, vocês vão ter que aprender mas se não, fica aí a lição né?
- Que fique a lição, pelo amor de Deus.
- Quero um sobrinho. - fiz bico.
- Cala a boca. - apertou o volante - E não conta nada pro seu irmão.
- Como quiser, nova mamãe. - ri e ela me fuzilou com os olhos - Sabe com quem eu tava hoje?
- Não tenho a menor ideia.
- O Iago, ele é a coisa mais fofa do mundo.
- É mesmo. Ele tava na academia?
- Tava. - peguei meu celular - Quero um bebê pra brincar, Fany.
- Então faz!
- Eu hein. Quero baby Fanycolas.
Ela mostrou o dedo do meio e eu gargalhei. Passei todo o caminho enchendo o saco dela, falei que ia com a Jaque comprar roupinhas já na próxima semana.

Depois do quinto drink, não lembro de mais nada. Acordei com milhões de quilos pendurados na cabeça, foi foda abrir os olhos.
Eu estava no segundo quarto do apartamento do Nicolas, a Jaqueline sempre vem pra cá e isso é o motivo de ter posters pelo quarto inteiro. Gostaria muito de saber em que estado cheguei aqui.
- Bom dia, irmãzinha. A ressaca tá muito forte? - ele perguntou risonho, deitado no colo da Fany, que fazia carinho em seus cabelos.
- Que cena linda. - resmunguei.
Deitei no outro sofá e cobri o rosto com as mãos, a claridade tava me matando.
- Vai comer alguma coisa, pra poder tomar remédio.
- Já vou.
- Eu nunca vi ninguém ficar bêbada tão rápido.
- Fala o que ela fez, amor.
- O que eu fiz, Stéfany? - sentei assustada, eles riram.
- Ligou pro Luan.
- Hãn? - gritei - Meu Deus, como eu sou idiota. Ai, minha cabeça.
- Tem mais.
- Mais? - assentiu rindo.
- Cê cantou pra ele, e o mandou para puta que pariu.
- Gente... Tô é morta.
- Tu começou a rir muito, aí eu peguei o celular da sua mão e vi que ele tava na linha. Ele disse que no começo achou estranho, mas sacou na hora que você não tava no seu normal.
- Vou ali morrer e já volto. Nunca mais eu bebo nessa vida. - ele gargalhou alto - Cala a boca, Nicolas, viado!
- Viado porque cê não viu o que a gente fez quando eu cheguei, né amor?
- Por isso, né dona Stéfany? Depois não fique achando ruim. - falei e ela tacou uma almofada em mim.
Levantei revirando os olhos e fui pra cozinha, fiz um coop nodles e peguei suco de uva na geladeira.
Entrei nas minhas redes sociais pra bloquear, excluir, dar unfollow e o caralho a quatro no Luan. Eu não preciso e nem quero saber o que esse vagabundo faz da vida dele, sua mulherzinha que se preocupe com isso.
Uns cinco minutos depois, a Jaque me ligou, perguntando se era verdade que eu dei unfollow nele.
- É verdade sim.
- É?
- É! Tá surda? Af. - bufei.
- Tá e por acaso, a senhorita dormiu aonde?
- Aqui no Nick, queridinha. E você? Não devia estar na escola essa hora?
- Eu tô na escola.
- Então vai estudar. Tchau.
- Tchau. - riu e eu desliguei.
Tomei um remédio pra dor de cabeça e voltei pro sofá. Mandei mensagem pro Portuga dizendo que não ia treinar, ele disse que já imaginava, a Liana tava com a gente na balada ontem.
- Vamo almoçar na casa da mamãe?
- Vamo, não quero cozinhar. - Fany disse e eu concordei com a cabeça.
- Vão lá se arrumar, vou ligar pra ela.
- Nick, cê tá com a chave reserva do meu ap?
- Acho que sim.
- Pega pra mim?
- Pega lá, amor? Tá dentro da caixinha.
- Deixa de ser preguiçoso, Nicolas.
- Passei a madrugada trabalhando, tô aqui morrendo de sono e nem uma chave tu quer pegar pro seu amorzinho?
- Que drama, Jesus. - falou levantando - Só vou pegar porque é pra cunha.

Antes de irmos embora, fui no meu apartamento e juntei uns negócios do Luan, mais tarde peço pra Jaque levar na casa dele. Também decidi que tava na hora de voltar pra cá, ficar com meus pais é maravilhoso mas eu já estava com saudades do meu cantinho.
- Malu, tem uma pessoa lá em baixo que quer falar com você. - minha mãe disse na porta do quarto.
- Quem?
- A Ana Laura.
- Que audácia! O que ela quer?
- Não sei, filha.
- Maldita curiosidade. - larguei os esmaltes na cama - Vou lá saber.
Ela estava sentada no sofá, pigarreei cruzando os braços e ela me olhou. Jaqueline estava bem atrás de mim, falou que era pra "garantir a segurança" mas até parece que eu vou sair no tapa com essazinha né? Pelo amor de Deus.
- Oi Malu, quanto tempo né?
- Fala logo o que você quer, tô ocupada.
- Vim te fazer um convite.
- Faça.



_

"Vou levando a minha vida, mas o coração pediu e a saudade insistiu, só queria te dizer..(vai pra puta que pariu hihihi)"
— Ah é?