terça-feira, 29 de dezembro de 2015

Capítulo 94.


Era um Luan cheirando a álcool, que praticamente caiu aos meus pés.
- Meu Deus, o que você... Ai, levanta. - me abaixei pra ajudá-lo - Vem, vem.
- Você tá tão linda.
- De pijama?
- É, tá linda.
- E você tá fedido. - ele riu, o coloquei pra dentro e tranquei a porta - Como cê veio parar aqui?
- Seu amor me guiou. - ri negando.
- Essas chaves não são suas. De quem são?
- Peguei do Testa. Eu precisava ver você.
- E tinha que vir assim? No meio da noite? Bêbado, Luan?
- Desculpa. - seus olhos encheram d'água - Posso te pedir uma coisa?
- Pode.
- Foge comigo? A gente vai pra onde você quiser, ninguém vai saber.
- Fugir? Você tem um filho pr
- Não! Eu perdi. Perdi meu filho e perdi você.
- Não, Luan, não chora.
- Pega só seu passaporte, amor. Não precisa levar nada, a gente compra.
- Nós não podemos ir.
- Podemos sim!
- Olha pra mim, calma. - segurei seu rosto - Cê não tá legal, nem sabe direito o que tá falando e
- Sei sim.
- Me escuta. - pedi - Você não pode deixar a Ana Laura doente e, às vésperas do casamento. Pensa direitinho, vai que acontece alguma coisa com ela?
- Não tô nem aí pra ela, Malu. - o olhei repreensiva - É você que não quer né? Você não gosta de mim. Vai ver nem me amou de verdade.
- Cala a boca, tu não sabe mesmo do que tá falando! Eu nunca disse que não te amei.
- E também nunca disse que me amava. - essa acertou bem na minha cara, era verdade.
- Eu fiz mais que isso e você sabe. - suspirei - Vou ligar pra alguém vir te buscar.
- Se eu vim sozinho, posso voltar sozinho. - passou a mão no rosto pra secar as lágrimas.
- Ah pode, claro. Nem se eu tivesse doida! - falei alto, quase gritei - Quer saber? Fica. Amanhã você vai pra casa.
- Não quero ficar onde não sou bem vindo.
- Acho melhor você ir tirando esse sapato, vou te dar um banho.
- Não quero banho. - cruzou os braços.
- Se eu voltar e você ainda tiver com ele, vai pra casa descalço.
Fora as que eu cortei, ainda tenho roupas dele aqui, pois é. Luan se vestiu sozinho enquanto eu preparava um lanchinho pra ele.
- Estendi a toalha na área. - assenti, fechando a geladeira.
- Tá com fome? Fiz café, quer torra
- A única coisa que eu quero é você, maria luíza.
- Come aí, por favor.
- Tá bom.
Ele comeu pouquinho e foi pro meu quarto, uma escova de dentes dele ainda habita meu banheiro. O outro quarto já tava pronto, vi ele passar pra lá enquanto arrumava a cozinha.
São tantos "ainda" na minha vida, é exaustivo.
- Boa noite, meu amor. - ele já estava dormindo, o cobri com o lençol e beijei seu rosto - Me dói muito ter que desistir de você, sabia? Só tô fazendo isso porque vai ser melhor pra gente... Espero que seja.
Mandei uma mensagem pra Bruna, Rober e Amarildo, avisando que o Luan tava aqui e que não tivessem pressa pra buscá-lo, ele precisa descansar. Eu também.
Inevitavelmente, chorei baixinho até dormir, no sofá mesmo.

- Não acredito que você dormiu aqui, pequenininha. - ouvi sua voz e abri os olhos, ele estava inclinado sobre mim. Acho que ia me por no colo.
- Você já acordou? Que horas são?
- Não sei. Cê tava chorando?
- Foi um cisco.
- Um cisco nos dois olhos? - ergueu uma sobrancelha.
- Tu conhece a casa tão bem quanto eu, fica à vontade. Tenho que me arrumar. - levantei rápido.
Quase me assustei com a minha cara refletida no espelho, tomei um banho demorado e depois caprichei numa maquiagem pra tapar aquelas olheiras. Me vesti mega básica: regata, short e all-star. Fiz um rabo de cavalo e lógico, peguei um óculos escuro.
- Pra onde cê vai? - perguntou, me vendo deixar a mochila no sofá.
- Trabalhar.
- Não vai comer? Fiz um sanduíche pra você.
- Pegou suco ou quer café?
- Peguei suco. Tem pra você também.
- Obrigada. - sentei perto dele no balcão - Quando cê for embora, leva a chave pra Fany tá?
- Tá. Me empresta seu celular? Quero ligar pro meu pai.
- Já avisei que você veio pra cá. O celular tá ali na mesinha.
Não falamos mais nada. Terminei de comer e fui escovar os dentes, passei um batonzinho, conferi meus documentos e pronto.
- Aqui ó. - me devolveu o celular - Obrigado e desculpa por tudo isso, eu... Vou deixar você viver sua vida.
- Felicidades pra você e a sua noiva, quase esposa. - dei de ombros - Vocês tem todo tempo do mundo pra... terem outros filhos.
- É. Malu, o Carlos parece ser um cara legal.
- E ele é, mas não vai rolar nada além de amizade.
- Aquele dia, eu pedi pro boi ficar atrás de você. Desculpa.
- Eu já sabia, mas agora já era né? - ri, meu celular vibrou - Eles chegaram, tenho que ir.
- Tchau. Se cuida.
Sai do apê e me arrastei pro elevador, eu tava uma zumbi. Uma zumbi maquiada, perfumada e apaixonada por um cara que vai casar amanhã. Tô super bem, bem demais.
- Bom dia, seu Valter. - o cumprimentei.
- Bom dia, Malu. Os garotos acabaram de chegar, já ia interfonar.
- Fui mais rápida dessa vez. - pisquei e ele riu assentindo.
- Que cara é essa? - eu mal tinha entrado na van e o Caíque já foi perguntando.
- Não consegui dormir nada.
- Ah, tadinha. Dorme até a hora do show.
- É uma boa sugestão.
- Foi só isso mesmo? - Nathan passou o braço pelos meus ombros e eu deitei no dele.
- Não.
- Quer me contar?
- Depois. Ou eu sou muito previsível ou você me conhece muito bem, em pouco tempo né? - ele riu.
- Acho que somos amigos desde outras vidas.
- É possível.
- Com certeza.
- Quem topa uma praia amanhã? - perguntei.
- Opa, tô dentro.
- Eu também.
- Também vou. Coloco um óculos escuro tipo os seus e fico de boa, vendo as gatinhas passando de biquíni. - todos riram, eu revirei os olhos.
- Que ridículos.
Chegamos em cima da hora pro nosso voo, foi melhor porque assim não tivemos que ficar esperando. Desembarcamos antes do meio dia e fomos logo almoçar, depois partimos pro trabalho.
Durante o show, deixei umas lágrimas rolarem na 'Antes que o dia acabe' e na 'Teu olhar', era impossível não pensar nele.
No jantar, eu comi bem mal e inventei uma desculpa pra ir dormir cedo, o pessoal achou estranho já que eu tinha dito que queria curtir a noite carioca.
- Não quer que eu fique? Tem certeza?
- Absoluta, Paulo Augusto.
- A gente devia arrastar você, sabia? Vem Japa, vamo pegar ela. - os afastei rindo - Só quero saber até quando você vai ficar assim.
- Até eu ir dormir. - Gui riu - Amanhã é outro dia e nós vamos para a praia, então, não voltem tarde e se comportem.
- Sim senhora.
Quando enfim cheguei no meu quarto, me enfiei de baixo das cobertas após um banho quente. Conversei com minha mãe e assisti alguns documentários antes de pegar no sono.

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"Não, não pode ser o fim. Se acabou de começar."
— Amando sem parar. ♥

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