terça-feira, 29 de dezembro de 2015

Capítulo 94.


Era um Luan cheirando a álcool, que praticamente caiu aos meus pés.
- Meu Deus, o que você... Ai, levanta. - me abaixei pra ajudá-lo - Vem, vem.
- Você tá tão linda.
- De pijama?
- É, tá linda.
- E você tá fedido. - ele riu, o coloquei pra dentro e tranquei a porta - Como cê veio parar aqui?
- Seu amor me guiou. - ri negando.
- Essas chaves não são suas. De quem são?
- Peguei do Testa. Eu precisava ver você.
- E tinha que vir assim? No meio da noite? Bêbado, Luan?
- Desculpa. - seus olhos encheram d'água - Posso te pedir uma coisa?
- Pode.
- Foge comigo? A gente vai pra onde você quiser, ninguém vai saber.
- Fugir? Você tem um filho pr
- Não! Eu perdi. Perdi meu filho e perdi você.
- Não, Luan, não chora.
- Pega só seu passaporte, amor. Não precisa levar nada, a gente compra.
- Nós não podemos ir.
- Podemos sim!
- Olha pra mim, calma. - segurei seu rosto - Cê não tá legal, nem sabe direito o que tá falando e
- Sei sim.
- Me escuta. - pedi - Você não pode deixar a Ana Laura doente e, às vésperas do casamento. Pensa direitinho, vai que acontece alguma coisa com ela?
- Não tô nem aí pra ela, Malu. - o olhei repreensiva - É você que não quer né? Você não gosta de mim. Vai ver nem me amou de verdade.
- Cala a boca, tu não sabe mesmo do que tá falando! Eu nunca disse que não te amei.
- E também nunca disse que me amava. - essa acertou bem na minha cara, era verdade.
- Eu fiz mais que isso e você sabe. - suspirei - Vou ligar pra alguém vir te buscar.
- Se eu vim sozinho, posso voltar sozinho. - passou a mão no rosto pra secar as lágrimas.
- Ah pode, claro. Nem se eu tivesse doida! - falei alto, quase gritei - Quer saber? Fica. Amanhã você vai pra casa.
- Não quero ficar onde não sou bem vindo.
- Acho melhor você ir tirando esse sapato, vou te dar um banho.
- Não quero banho. - cruzou os braços.
- Se eu voltar e você ainda tiver com ele, vai pra casa descalço.
Fora as que eu cortei, ainda tenho roupas dele aqui, pois é. Luan se vestiu sozinho enquanto eu preparava um lanchinho pra ele.
- Estendi a toalha na área. - assenti, fechando a geladeira.
- Tá com fome? Fiz café, quer torra
- A única coisa que eu quero é você, maria luíza.
- Come aí, por favor.
- Tá bom.
Ele comeu pouquinho e foi pro meu quarto, uma escova de dentes dele ainda habita meu banheiro. O outro quarto já tava pronto, vi ele passar pra lá enquanto arrumava a cozinha.
São tantos "ainda" na minha vida, é exaustivo.
- Boa noite, meu amor. - ele já estava dormindo, o cobri com o lençol e beijei seu rosto - Me dói muito ter que desistir de você, sabia? Só tô fazendo isso porque vai ser melhor pra gente... Espero que seja.
Mandei uma mensagem pra Bruna, Rober e Amarildo, avisando que o Luan tava aqui e que não tivessem pressa pra buscá-lo, ele precisa descansar. Eu também.
Inevitavelmente, chorei baixinho até dormir, no sofá mesmo.

- Não acredito que você dormiu aqui, pequenininha. - ouvi sua voz e abri os olhos, ele estava inclinado sobre mim. Acho que ia me por no colo.
- Você já acordou? Que horas são?
- Não sei. Cê tava chorando?
- Foi um cisco.
- Um cisco nos dois olhos? - ergueu uma sobrancelha.
- Tu conhece a casa tão bem quanto eu, fica à vontade. Tenho que me arrumar. - levantei rápido.
Quase me assustei com a minha cara refletida no espelho, tomei um banho demorado e depois caprichei numa maquiagem pra tapar aquelas olheiras. Me vesti mega básica: regata, short e all-star. Fiz um rabo de cavalo e lógico, peguei um óculos escuro.
- Pra onde cê vai? - perguntou, me vendo deixar a mochila no sofá.
- Trabalhar.
- Não vai comer? Fiz um sanduíche pra você.
- Pegou suco ou quer café?
- Peguei suco. Tem pra você também.
- Obrigada. - sentei perto dele no balcão - Quando cê for embora, leva a chave pra Fany tá?
- Tá. Me empresta seu celular? Quero ligar pro meu pai.
- Já avisei que você veio pra cá. O celular tá ali na mesinha.
Não falamos mais nada. Terminei de comer e fui escovar os dentes, passei um batonzinho, conferi meus documentos e pronto.
- Aqui ó. - me devolveu o celular - Obrigado e desculpa por tudo isso, eu... Vou deixar você viver sua vida.
- Felicidades pra você e a sua noiva, quase esposa. - dei de ombros - Vocês tem todo tempo do mundo pra... terem outros filhos.
- É. Malu, o Carlos parece ser um cara legal.
- E ele é, mas não vai rolar nada além de amizade.
- Aquele dia, eu pedi pro boi ficar atrás de você. Desculpa.
- Eu já sabia, mas agora já era né? - ri, meu celular vibrou - Eles chegaram, tenho que ir.
- Tchau. Se cuida.
Sai do apê e me arrastei pro elevador, eu tava uma zumbi. Uma zumbi maquiada, perfumada e apaixonada por um cara que vai casar amanhã. Tô super bem, bem demais.
- Bom dia, seu Valter. - o cumprimentei.
- Bom dia, Malu. Os garotos acabaram de chegar, já ia interfonar.
- Fui mais rápida dessa vez. - pisquei e ele riu assentindo.
- Que cara é essa? - eu mal tinha entrado na van e o Caíque já foi perguntando.
- Não consegui dormir nada.
- Ah, tadinha. Dorme até a hora do show.
- É uma boa sugestão.
- Foi só isso mesmo? - Nathan passou o braço pelos meus ombros e eu deitei no dele.
- Não.
- Quer me contar?
- Depois. Ou eu sou muito previsível ou você me conhece muito bem, em pouco tempo né? - ele riu.
- Acho que somos amigos desde outras vidas.
- É possível.
- Com certeza.
- Quem topa uma praia amanhã? - perguntei.
- Opa, tô dentro.
- Eu também.
- Também vou. Coloco um óculos escuro tipo os seus e fico de boa, vendo as gatinhas passando de biquíni. - todos riram, eu revirei os olhos.
- Que ridículos.
Chegamos em cima da hora pro nosso voo, foi melhor porque assim não tivemos que ficar esperando. Desembarcamos antes do meio dia e fomos logo almoçar, depois partimos pro trabalho.
Durante o show, deixei umas lágrimas rolarem na 'Antes que o dia acabe' e na 'Teu olhar', era impossível não pensar nele.
No jantar, eu comi bem mal e inventei uma desculpa pra ir dormir cedo, o pessoal achou estranho já que eu tinha dito que queria curtir a noite carioca.
- Não quer que eu fique? Tem certeza?
- Absoluta, Paulo Augusto.
- A gente devia arrastar você, sabia? Vem Japa, vamo pegar ela. - os afastei rindo - Só quero saber até quando você vai ficar assim.
- Até eu ir dormir. - Gui riu - Amanhã é outro dia e nós vamos para a praia, então, não voltem tarde e se comportem.
- Sim senhora.
Quando enfim cheguei no meu quarto, me enfiei de baixo das cobertas após um banho quente. Conversei com minha mãe e assisti alguns documentários antes de pegar no sono.

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"Não, não pode ser o fim. Se acabou de começar."
— Amando sem parar. ♥

domingo, 20 de dezembro de 2015

Capítulo 93.


Fomos pra um camarote bem animado, fiquei na grade vendo o show de uma dupla que nunca tinha ouvido falar enquanto o Rober ia no bar, eles eram até bonzinhos.
Ver o casal vinte chegando de mãos dadas e sorrindo, mexeu muito comigo, mais até do que eu imaginei.
- O que foi? Ah... Ele não falou que vinha. - dei de ombros.
- Vamo dançar?
- Bora.
Dançamos umas quatro músicas e voltamos pra mesa, eu rindo e o Roberval fingindo estar bravo porque o chamei de fracote.
- Malu? Não sabia que você estaria aqui.
- Digo o mesmo. - retribuí seu sorriso falso - Oi Luan.
- Oi. - deu um sorrisinho torto.
- Ei, dona sumida!
- Eu?
- Você mesma. - rimos e nos abraçamos.
- Tô com a agenda meio apertada, Bru. - fiz careta - Vou falar com a mamãe pra marcamos um chá, pode ser?
- Pode, pode. E chama a Fany também, quero ver a barriguinha dela. - assenti rindo.
A Ana Laura me pareceu incomodada com o interesse da Bruna na gravidez da Stéfany. Mudei o foco da conversa elogiando seus sapatos, que eram realmente bonitos.
- Olha o que eu achei! - Marquinhos falou chegando.
- O que?
- Essa sumida aqui. - me abraçou de lado.
- Tá vendo só?
- Eu não sumi. Vocês é que não me procuram. - pisquei e eles riram - E você tava onde? Nem te vi.
- Encontrei umas colegas ali, tava batendo um papo.
- Sei bem qual o seu papo, rei delas.
- Deixa baixo, Maluzinha. - ri negando - Cês querem alguma coisa?
- Tô legal. - Bruna levantou o copo.
- Quero ir pra casa, já deu sono.
- Ir pra casa agora? Corta essa. Vou pegar um energético pra você. Nem adianta dizer que não. - me interrompeu antes mesmo que eu abrisse a boca, revirei os olhos.
Ele nem demorou muito pra voltar, depois sumiu de novo.
- Ana... Cê tá legal? Quer alguma coisa?
- Quero um drink, igual o da Bru.
- Um drink? Tá doida?
- O que que tem?
- O que que tem que você tá com um filho meu na barriga. Ou esqueceu?
- Não esquecei não.
- Que bom! Água com gás ou sem?
- Com.
- Cris, Malu, querem alguma coisa?
- Hum?
- Quer que eu peça...? - apontou minha lata.
- Ah não, Luan. Obrigada.
- Tá.
Eu já não tava muito animada, agora então, só por Deus. A lata na minha mão se tornou a coisa mais interessante do mundo, não queria ficar olhando pro casal.
- Assessora?
- Carlos! Oi. - levantei e nos abraçamos.
- Tá boa? - assenti - Não tô vendo o Nathan com você...
Seu tom de voz me fez corar, ele riu negando com a cabeça.
- Ó, é que
- Não precisa explicar. Se cê não queria nada, era só ter falado.
- Foi mal. - fiz careta.
- Esquenta com isso não. - sorri aliviada - Qual é a do canudo?
- Energético.
- Ah. - riu.
- Apresenta seu amigo pra gente, Malu. - Ana Laura disse um tanto maliciosa. Vaca.
- Carlos, esses são: Ana, Cris, Well, Bruna, Luan e... Tá faltando gente.
- O Luan eu já tive a oportunidade de conhecer.
- É. - apertaram as mãos.
- E vocês dois, se conhecem faz tempo? - todos olhamos pra ela.
- Tem um tempinho sim.
- Vamo andar um pouquinho? - sugeri passando meu braço pelo dele - Tô cansada de ficar parada.
- Vamo lá. Foi um prazer conhecer vocês.
- Tchau. - Bruna acenou.
Nós fomos pra longe deles, graças a Deus. Suspirei e bebi o que restava na minha lata.
- Dança comigo?
- Tava esperando o convite. Os caras andam bem lentos ultimamente né? - provoquei. Chegou a hora de desapegar.
A atmosfera da música foi nos envolvendo, cada vez mais. Ele notou que eu tava querendo mas mesmo assim, foi devagar e só me deu um beijinho no canto da boca.
- Maria luíza!
- Roberval! - me separei do Carlos, frustrada.
- Quem é esse aí?
- Se era só isso, tu não podia esperar eu beijar primeiro?
- Não. - revirei os olhos.
- Carlos, Rober. Rober, Carlos. Ok?
- Ok. Oi, e aí?
- Oi. - Carlos riu, estava claramente confuso.
- Cê deixou seu celular lá na mesa. Toma.
- Meu celular? Não, o meu tá comigo. - acendi a tela - Esse é do Luan.
- É? Então, foi mal ter atrapalhado.
- Mal? Querido, foi péssimo. Sabe quanto tempo faz que eu não beijo? - cochichei pra ele, que riu alto.
- Não sei.
O queridão deu a desculpa de que não aguentava mais ouvir o papo da Ana Laura e ficou junto com a gente, ou seja, continuei no 0x0.
- Cê não vai devolver o celular dele? - tentei.
- Depois eu dou. Parece até que não me quer aqui, Maluzinha. - se fez de ofendido, sorri sarcástica - Tem algum problema pra você, Carlos?
- Nada, que isso.
- Af. Vou pegar alguma coisa pra beber, já que não tem nada descente pra comer nesse lugar.
- Tá com fome?
- Uhum.
- Aqui pertinho tem um restaurante bem legal, topa? - confirmei com a cabeça - Vem com a gente, Rober?
- Eu posso, dona Malu?
- Sem gra-ça. - mostrei a língua - Pode né.
Bruna e Marcos também vieram conosco, o Luan foi pra casa com a Ana e a prima dela, Well os levou. O restaurante era legal e a comida boa, ficamos até quase duas da manhã.
O Carlos me trouxe em casa e quando fomos nos despedir, na frente do prédio, ele tentou me beijar mas eu fui otária e virei o rosto.
- Você ainda gosta do seu ex né? - perguntou de repente.
- E-eu
- E parece que ele também gosta de você. É injusto.
- Não, nada a ver. - ri nervosa.
- Então por que o amigo de vocês grudou na gente a noite toda? Não que tenha sido ruim, mas eu preferia estar só contigo.
- Desculpa. - apoiei a cabeça nas mãos - Que droga!
- Calma...
Combinamos de ser só amigos, infelizmente não estou preparada para mais que isso. Minha cabeça já compreendeu a situação há tempos, já o coração, não posso dizer o mesmo.

Uns dias atrás nos juntamos na casa da minha mãe, pro chá que eu tinha combinado com a Brubs.
Parece que o Brasil inteiro só sabia falar do casamento do Luan, peguei um abuso enorme da internet e só tava usando pro que era realmente necessário.
- Pro Rio, Malu? - afastei o celular da orelha.
- É Jaqueline, para de gritar. Lembra que me demitiram? Que eu não sou mais padrinha?
- Não existe essa coisa de demitir padrinha. - desliguei a televisão da sala e vim pro meu quarto - Eu sei que é difícil pra você. Mas se cê fosse, ia provar pra todo mundo que
- Jaque, tu não sabe quantos quilos saíram das minhas costas com isso. E eu não preciso provar nada pra ninguém, não tem nada que me faça ir naquela igreja.
- Cê não deve tá sabendo, então deixa eu te dizer
- Eu não vou. - falei pausadamente - Amanhã eu viajo cedo, me "deixa" ir dormir, por favor.
- Desculpa... Boa viagem.
- Obrigada. Fala pra mamãe que domingo eu vou aí, direto do aeroporto.
- Domingo? O show não é amanhã?
- É, mas sábado vamos aproveitar a praia.
- Ata. Melhor do que ficar trancada, chorando num quarto de hotel.
- Com certeza.
- Se lá tiver algum salva-vidas gatinho, finge que tá se afogando e pá. - gargalhei.
- Tá certo. E ah, o buffet é maravilhoso, come por mim.
- Comerei, irmãzinha.
Esse fim de semana é o casamento, eu fiz tudo que pude pra conseguir um show bem longe de São Paulo mas como foi meio em cima da hora, só deu pra ser no Rio.
Quando finalizei a ligação com a Jaque, escovei os dentes, conferi minhas coisas na mochila e fui dormir.
Achei que tava sonhando com a campainha tocando, só que era real. Procurei o celular e vi as horas, uma e vinte e sete da manhã. Quem podia ser essa hora? O Nick? E se aconteceu alguma coisa com a Fany e o neném? Levantei correndo pra atender.


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"I try to fight this but I know I'm not that strong."
— I need you love.

Capítulo 92.


Depois que pagamos a conta do restaurante e já estávamos indo embora, voltei pra pedir um sorvete. A noite tava meio quente, abafada.
- É, tá um calorzinho estranho mesmo. - João concordou.
- Vou aumentar o ar.
- E liga o rádio, Nath. - os dois riram - Meu pai diz que eu odiava andar de carro quando era menorzinha, aí ele começou a colocar música pra me distrair e eu não parei mais.
- Nós já acostumamos, relaxa.
- Ainda bem. - ri pegando meu celular e ele começou a tocar - Minha irmã tá me ligando uma hora dessas...
- Atende aí, não vamos ouvir nada.
- Tá bom. - ri - Oi Jaque?
- Cê já tá em casa? E essa blusa que você tá usando? É do Luan né?
- Uma pergunta de cada vez, calma! - falei rindo - Tô indo pra casa. Essa blusa eu achei no meio da bagunça e fiz arte com a tesoura, gostou?
- Aham, ficou legal, vi na foto que o Gui postou. Olha o Whatsapp, mandei umas coisinhas.
- Aiaiai, Jaqueline. - ela riu - Vai dormir que tá tarde. Boa noite, beijo.
- Tchau baranga, beijo. - desligou.
Meu celular tava no silencioso por isso não vi as mensagens, ela mandou um monte de prints, fotos do Luan com a camisa e a foto que o Gui postou, "encontre o erro", ri alto.
- Essas meninas são demais.
- Que foi?
- Sabe essa blusa? Era de um certo alguém.
- Era? - assenti - E nem parece que tu passou a tesoura, pra mim ela já era assim.
- Então não mandei tão mal. - cantarolei convencida - Tem outras, vou fazer isso em todas! Tenho que pesquisar mais modelos na internet.
- Pronto, agora ela é "Malu mãos de tesoura". - Nathan fez aspas no ar, gargalhamos.

Na outra semana viajamos pra Goiás, teve show e conversamos com um amigo do Japa, que cuidaria da estrutura do palco. Eu estava ajudando com o posicionamento das coisas, sempre adorei joguinhos de decoração e o cara que tava responsável por essa parte, super aceitou umas ideias que eu dei.
- Ele tá é de olho em você. Tem mó cara de galinha, não dá moral pra ele não. - Caíque avisou.
- E se formos pra balada mais tarde, cê não vai sair de perto da gente.
- Vocês andaram conversando com o Nicolas? - riram - Quanto amor, coisos fofos!
- Cê é a florzinha da equipe, a gente tem que cuidar. - Paulo disse me abraçando pela cintura e entramos no elevador - Mas e aí, vamos ou nem?
- Por mim, eu vou dormir agora e só acordo amanhã.
- Tô com o Nath. - bocejei.
- Como vocês dois conseguem dormir tanto? Fico impressionado, sério. Alguém precisa estudar essas cabeças.
- É nosso sono da beleza, Caíque. Você não entende porque não tem.
- É? Na tia tá funcionando direitinho, mas sinto informar que em você não tá rolando. - rimos e os dois começaram a trocar soquinhos.
Fiz uma chamada de vídeo pra Fany logo que saí do banheiro, comprei duas roupinhas no aeroporto e tava louca pra mostrar.
O Nicolas tá muito ansioso pra saber o sexo do neném, mais que eu e a Jaque juntas. Todo mundo acha que é menina, só a baranguinha discorda.
- Cê comprou roupa de menina ou de menino?
- Por via das dúvidas, comprei uma de cada.
- A criança nem nasceu e você já tá gastando horrores, pa-ra. Espera pelo menos confirmar o sexo.
- Tá, tá bom. Mas é tudo tão fofo, cunha!
- Eu sei. Por isso estou evitando shoppings, minha filha. - gargalhei - Ai, que fome.
- Tenho que comer também.
- E teu irmão não chega com a minha pizza, af.
- Boa ideia, vou pedir pizza. - me estiquei pra pegar o telefone.
Batemos altos papos enquanto esperávamos nossas pizzas, finalizei a ligação pra comer porque a minha chegou primeiro. Comi olhando minhas redes sociais, até aparecer notificação de uma mensagem, do Eduardo.
"Maluzinha, tá aí?"
"Oi Dudu, tudo bem?"
"Tudo sim, e você?"
"Tô bem também kkkkkk. E aí, o que você me conta?"
"Aquela mulher te xingou tanto no dia do ensaio"
"Imaginei hahaha. Eu tava ocupada, não podia de verdade."
"Entendo. Mas ó, tenho uma coisa pra você
E em primeira mão viu?"
"Omg!! Fala, fala"
"Sabe que eu tô gravando um Ep com JeM né?"
"Ahaam."
"Como eu sei o quanto você é fã, tô pensando em te mandar o cd demo. Que que cê acha?"
"Sério? Acho digno. Digníssimo."
"Kkkkkkkk. Tem um porém... Peço que não me leve a mal."
"O Luan participou né? Tem nada não."
"Eu nem me liguei nisso quando pensei em mandar um pra você..."
"Tranquilo, relaxa. E obrigada por lembrar da minha pessoa <3"
"Nada, Malu. Cê ouve e me fala o que achou tá? Amanhã mando lá pro seu apê."


Os dias estão voando e graças a Deus, tô com bastante coisa no trabalho. Só que por isso, tenho feito a maioria das minhas refeições em fast food e, se não fossem as corridinhas no parque e as aulas de dança, eu certamente já teria engordado. Até perdi as contas de quantas broncas a dona Samanta me deu.
Ontem me dei uma folga porque a Marla, a Kaka e o Rober vieram passar a tarde comigo. Foi muito, muito bom. Combinamos uma baladinha pra hoje, mas agora bateu uma preguiça...
- Nem invente de furar comigo, dona Malu. Daqui a pouco eu tô saindo.
- Ai, tá bom. - revirei os olhos.
- Então vai logo se arrumar e fica bem linda.
- Sim, senhor. Mais alguma coisa?
- Não, senhora. - ele riu.
Tava de banho tomado, aí só troquei de roupa, fiz uma maquiagem e enrolei as pontas do cabelo. Não demorei muito.
O seu Valter me avisou quando o Testa chegou e eu desci. Ele fez logo um "fiufiu", ri entrando no carro.
- Cadê as meninas?
- Desistiram.
- Anem, mentira. - cruzei os braços.
- Sério. Karielle piorou da tosse e a Mama não quis deixar ela sozinha.
- Poxa.
Mandei uma mensagem pra ela desejando melhoras e aproveitando que tava com o celular na mão, postei uma selfie com o Testudo.


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"A amizade é um amor que nunca morre."
 — Mario Quintana.

quinta-feira, 17 de dezembro de 2015

Capítulo 91.


Paulo e Caíque cantaram 'Amar não é pecado' com o Luan e qualquer rede social que se abria só dava eles, fora tudo que a Jaqueline ficou me mandando. Como se eu já não soubesse o show de trás pra frente, só serviu pra dar saudade.

Domingo quando chegamos em São Paulo, fiz o Nick levar minhas coisas de volta pro meu apartamento. Ele resmungou bastante mas foi com a Jaqueline, eu e Fany ficamos na casa dos meus pais pois eles ainda não tinham voltado.
- Cunha, quero tapioca. - falou manhosa.
- Não sou teu namorado não, tá?
- Mas é a dinda do neném, né meu amor? - alisou a barriga - Faz tapioca pra gente, por favor?
- Isso é chantagem sabia?
- Nada a ver, é desejo.
- Cê nem tá no tempo de ter desejo.
- E tem tempo? Se tiver, o meu já começou.
- Ai Stéfany, tu é chata hein? Posso nem ver minha série, af. - levantei - Só vou fazer por causa do neném.
Fui pra cozinha fazer as tapiocas e sorte que ainda tinha goma, passei margarina nelas, arrumei a bagunça que eu fiz e antes de sair, peguei um toddynho na geladeira.
- Huuumm, eu quero.
- Tira o olho, Nicolas. São pra Fany. - entreguei o prato pra ela.
- A gente deixou suas coisas no quarto.
- Tá bom, obrigada.
- Como vamos assistir série juntas se você vai embora? - a caçula disse de braços cruzados.
- Esse é o jeito dela de falar que vai ficar com saudade. - Fany falou rindo - Amor, quero nutella.
- Vou pegar, amor. - ele foi buscar rapidinho, ri.
- Eu sei que ela vai morrer de saudade da irmãzinha. - puxei ela pro meu colo, beijando seu rosto - Quando a senhorita quiser, pode ir dormir comigo lá.
- Não é a mesma coisa, fica vai?
- Não faz essa cara. - apertei seu nariz - Eu tenho que voltar pra minha vidinha.
- Fica assim mesmo, vive aqui.
- Não, Jaque.
- Quanto amor, nem parece que brigam tanto. - Nick disse vindo da cozinha - Aqui sua nutella, bebê.


Meus primeiros dias em casa foram normais, claro que bateu uma nostalgia mas não me deixei abalar por isso. Mudei umas coisas de lugar, comprei decorações novas e vida que segue.
- Oi? - tava terminando de me arrumar quando o interfone tocou.
- Dona Malu? O Nathan tá aqui em baixo.
- Já? Fala pra ele que eu já tô descendo.
- Ok.
- Obrigada, seu Valter.
- Por nada, tchau. - desliguei.
Fiz um rabo de cavalo e peguei meus sapatos, calçaria no carro mesmo. Coloquei umas coisas na bolsa, tranquei o apê e desci, passando pela portaria como um foguete.
- Você chegou cedo demais.
- Você tá descalça?
- E sem máscara de cílios. - coloquei o cinto, ele ria - Não vai muito rápido.
- Tá. Mas eu não cheguei cedo, você que tá atrasada.
- Não tô nada.
- Tá sim.
- Shh, dirige aí. - depois que coloquei meus sapatos, fui passar a máscara e ele acelerou o carro - Nathan!
- Foi mal. - gargalhou.
- Sem graça. Eu bato na sua cara.
- Ela é violenta, que medo. - revirei os olhos.
A aula foi bem divertida, ficamos "livres" pra dançar qualquer estilo. Postamos um pedaço, como sempre fazemos e pelo que vi nos comentários, a Ana Laura curtiu e logo depois falou no grupo do casamento que seria legal ela e o maridinho dançarem alguma coisa além da dança tradicional.
Na volta, assim que empacamos na Marginal, conectei meu celular no carro e ficamos escutando minhas músicas.
- Eu não queria mas já que aconteceu, não vou sofrer. - cantava usando uma garrafa de microfone - Recaídas, a saudade vem mas logo passa.
- Eita sofrência da porra.
- Cala a boca, menino. Até que uma hora perde a graça e a gente vai tentando se esquecer.
- Põe uma música que eu saiba. - resmungou.
- Deixa essa acabar. - fui procurando outra.
- É mais fácil se tu colocar no aleatório.
- Eu sei, mas quero uma em especial... Droga, não achei. Você vai ter que cantar.
- Qual?
- Meu orgulho. Acho tão fofo você e a Duda cantando. - apertei a bochecha dele, ele revirou os olhos e nós cantamos juntos.
- Vamos comer onde amanhã? - perguntou ao parar na frente do meu prédio.
- Não sei. No de sempre, eu acho.
- Vou pegar carona com o João, quer que a gente passe pra te buscar ou vai de táxi?
- Se vocês puderem vir, pra mim é melhor.
- Beleza, vou falar com ele.
Como tava sem nada pra fazer em casa, depois de um belo banho, fui perturbar a Fany. Ela já tava dormindo e eu lhe acordei batendo carinhosamente na porta.
- Espero que seja uma coisa séria.
- E é, cunha! - entrei e me joguei sofá - Tô sozinha. Cê sabe que eu não gosto de ficar sozinha.
- Tanto lugar pra ir e tu vem me acordar, fala sério.
- Nada melhor que ficar com a família. - fiz coração com as mãos - Cheguei tem um tempinho, tava em reunião com o pessoal.
- Ata. Já que a querida me acordou, vou comer alguma coisa. Quer?
- Não, tô de boa. O Nick tá no hospital?
- Uhum. - foi pra cozinha - Sabe o que eu tenho que fazer?
- Não.
- Ir caçar um vestido pro casamento do Luan.
- Eu vou contigo no shopping depois. Aliás, tenho até que ver quando vai ter a última prova do meu.
- Não sei se aguentaria uma coisa dessas não, Deus me livre. - suspirou e eu ri.
- Fany, tu e o Nicolas moram juntos, vão ter um neném mas e o casório? Quando sai? Vou a-mar ser madrinha desse.
- Não planejo me casar com seu irmão.
- É o que, Stéfany?
- Amo muito o Nick, muito. Só não quero casar.
- Ai cala a boca, como assim não quer casar? Todo mundo sonha em casar, ter uma família...
- Não é preciso casar pra se ter uma família, cunha.
- Whatever. - cantarolei - Vou enfiar essa ideia na cabeça do Nicolas, cê vai ver.
Só voltei pro meu apê quando tava morrendo de sono.
No dia seguinte, almocei sozinha e dormi a tarde inteira. Acordei com o despertador que eu tinha colocado e comecei a me arrumar, assim que terminei, o Nathan ligou dizendo que tava chegando e eu fui esperar por eles lá na portaria.

No meio da reunião meu celular começou a vibrar em cima da mesa, era a insuportável da organizadora do casamento. Rejeitei a ligação duas vezes mas ela continuou a ligar.
- Não vai atender, Malu?
- Não, João.
- Atende, tia. Deve ser importante. - Paulo disse e eu lhe mostrei o nome no visor, ele riu - Acho que se você não atender, ela não vai parar de ligar.
- Meu Deus. - bufei - Já volto, gente.
Mandei ela tomar no cu mentalmente antes de atender, pra não fazer isso durante a ligação.
- Cadê você aqui, garota? Você está meia hora atrasada, meia hora.
- Aqui aonde, minha querida?
- No ensaio do casamento, ora bolas! - gargalhei - Qual a graça, sua irresponsável?
- Estou numa reunião de trabalho, ora bolas. Nem lembrava desse ensaio, me diga o motivo pra se ter ensaio? Eu hein.
Esqueci mesmo do ensaio e sinceramente, não vejo necessidade de ensaiar uma coisa que na hora não vai ser igual. Falta menos de um mês pro "casamento luninha", ainda bem que a maioria daquelas provas de bebida, docinho, salgado e etc já estão no fim, agora só falta uma prova de roupa e a despedida de solteiro do Luan, que eu logicamente não vou participar.
- Que tipo de padrinha é você? Ande, venha para cá agora mesmo.
- Hãn? Não.
- Como "não"? Não brinque com a minha paciência. - revirei os olhos - Os noivos chegaram, meu Deus! Se em cinco minutos você não aparecer, eu juro que...
- Que o que? Você tá muito brabinha viu?! - ri - Eu não vou sair daqui.
- Você tá demitida, menina. Não precisa nem vir no casamento.
- Sério? Obrigada. - gritei também - Agora tchau, eu tenho mais o que fazer.
Voltei pra mesa e nosso jantar já estava posto, fiz um coque no cabelo e guardei meu celular na bolsa.
- Podemos comer agora?
- Sim, Caíque. - Jhonny revirou os olhos, eu ri.
- E aí, que que rolou? - Paulinho cochichou.
- Fui demitida do posto de padrinha.
- Demitida? E existe isso?
- Tô sabendo agora. - rimos.
O único assunto sério que conversamos foi sobre o novo projeto de show, de resto só falamos bobeira. Por isso nos encontramos em restaurantes, ter uma sala fixa pra reuniões não é bem o nosso estilo.


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"Atrás da maquiagem, esconde um sentimento que não dá pra negar."
— Do seu coração sou dono.

segunda-feira, 7 de dezembro de 2015

Capítulo 90.


Ontem quando chegamos, nós jantamos no hotel, embora a Jaqueline e o Caíque quisessem sair pra comer fora. Hoje fui acordada às oito da manhã pra ir na praia, mereço? Não.
Almoçamos num restaurante que eu sempre vinha quando tava com o Luan aqui, e depois levei a Jaque num shopping pra comprar o tal do biquíni. Ela viu um outdoor e ficou doida.
- Não vou comprar ingresso nenhum.
- Malu! - cruzou os braços.
- Olha teu tamanho pra tá fazendo birra no meio shopping, menina.
- Eu vou ligar pra ele então. - dei de ombros.
Pegamos um táxi pra voltar pro hotel e como eu imaginei, a portaria tava mais cheia que antes. Com tantos hotéis nessa orla, ele tinha que ficar justo no mesmo que eu? Aiaiai. As meninas começaram a me gritar e eu parei pra falar com todas.
- Cê vai no show do Luan?
- Eu nem sabia que ia ter. - ri.
Conversamos um pouco, tiramos umas fotos e a Jaque pediu pra ficar lá em baixo com as meninas, eu disse "tá, mas cuidado e vê se não fala merda", ela riu e eu esperei as mocinhas atravessarem a rua pra subir pro meu quarto.
Tomei banho, vesti uma roupa bem leve por causa do calor e depois fiquei da sacada olhando a praia, e a Jaqueline também. Bateram na porta e eu fiz careta, arrumei o cabelo e fui abrir.
- Oi.
- Luan? Oi... Entra.
- Trouxe isso pra você. Na outra vez que a gente veio aqui, cê pediu no almoço e no jantar. - ele revirou os olhos e riu - O pessoal deve ter lembrado e mandaram pra mim.
- Obrigada. - falei já com a boca cheia, o fazendo rir de novo e nós sentamos - Cê quer?
- Vai dividir seus brownie comigo? Que milagre!
- Ah para, sem gracinha. - bati em seu braço - Eu sempre dividia com você.
- Eu sei, tô brincando. - cheirou meu pescoço - Foi mal, eu só
- Come! - coloquei na boca dele.
Comemos sem trocar nenhuma palavra, isso é tão horrível. Dá vontade de enrolar esse cabeção em plástico bolha, colocar ele numa mala e fugir pra um lugar bem longe.
- Eu falei com seus amigos e, cê não tá com namorado. Né?
- É. Ainda não consegui. - confessei - Quem manda essa sua cara tá em todo lugar?
- Desculpa.
- Acredita que um cara veio me cantar na balada com uma música sua? Puta que pariu. - revirei os olhos e ele deu risada.
- E você ficou com ele?
- Claro que não. Nem com ele, nem com ninguém. - coloquei minha mão sobre a dele.
- Eu também não.
- Não? E a
- Não é ela que eu amo, cê sabe. - entrelaçou nossos dedos.
Com a mão livre, contornei sua boca com a ponta do dedo, ele fechou os olhos e em um surto de coragem ou talvez de demência, fiz o que meu coração pedia.
Nosso beijo era rápido, apressado, cheio de saudade e o que tivesse que acontecer, eu deixaria.
Deitamos cama e eu separei nossas bocas para recuperarmos o fôlego. Ele sorriu pra mim, sorri também e afundei minha mão em seus cabelos, os puxando. O cabeçudo reclamava, mas eu sei que gosta.
- Você tá mais magro. - tínhamos tirado a camisa dele - Não tá se alimentando direito né? Luan Rafael, você precisa comer.
- Não me dá bronca, pequenininha. - fez bico.
- Dou sim! Promete pra mim que vai se cuidar, anda.
- Prometo, por você. - selou nossos lábios.
- Por mim não. Por você, pela sua família, pelos seus fãs e pelo seu filho.
- Por eles também.
- Deixa de ser teimoso. - apertei seu nariz.
- Cê é pior que eu!
- Cala sua boca.
Passamos a tarde inteira naquela cama e eu esqueci completamente da Jaqueline, foi o Roberval quem nos tirou do nosso "paraíso particular", quando ligou pro Luan.
- Ele viu a Jaque lá no hall, bateu no meu quarto e como eu não apareci, ligou os pontos.
- Que menino esperto né? - riu assentindo.
- Eu tenho que ir, pequenininha. - falou fazendo carinho no meu rosto.
- É... - suspirei.
- Quer vir tomar banho comigo?
- Vamo.
O Luan teve que vestir a mesma roupa e esperou eu terminar de me trocar, pra nos despedirmos. Primeiro nos apertamos num abraço, ele me deu um beijo na testa e depois segurou meu rosto, colando nossas testas.
- Quero que você abra os olhos pro amor, encontre alguém que te ame de verdade e seja feliz, ouviu?
- Ouvi.
- E não esquece a nossa história, eu não vou esquecer nunca. - assenti.
- Você vai ser um bom pai pro seu filho, um bom marido pra aquela lá. Cuida deles e se cuida.
- Tá bom. - ficamos um tempo calados - A Jaque e os garotos vão pro show, cê vai também?
- Não. Quero ficar um pouco quieta, sozinha; reorganizar minha cabeça depois desse ponto final.
- Ponto final?
- É.
- É. - repetiu.
- Vai, cê não pode atrasar. Manda um beijo pro pessoal, fala que eu tô com saudade. - caminhamos pra porta - Bom show.
- Obrigado. Tchau pequenininha.
- Tchau, cabeçudo. - ele sorriu, fiquei na ponta dos pés e beijei sua testa - Vai com Deus.
- Fica com Ele.
Luan abriu a porta e deu de cara com a Jaqueline, que entrou me olhando com uma sobrancelha arqueada.
- Eu vou começar a me arrumar, não esquece de mim, hein Luan!?
- Claro, claro. O Testa passa aqui pra te chamar.
Não quis ver ele saindo e fui pra sacada, a noite tava bonita, a lua cheia. Vi perifericamente a caçula parar do meu lado.
- Não fala nada, valeu? - pedi, ela me abraçou.
- Não vou.
Eu e a minha irmãzinha jantamos, ela já estava pronta, só esperando. Pedi um quarto de torta de chocolate pra sobremesa, minha intenção não era dividir mas fui obrigada.
Com o que me sobrou da torta, fiquei vendo novela jogada na cama enquanto a doidinha tirava dez mil fotos e depois vinha me perguntar se tava boa pra postar.
- A antes dessa tá mais legal.
- Eu não gostei daquela. - ela entortou a boca e eu revirei os olhos.
- Então não posta nada, af.
- Que chata! Ai, deve ser o Rober. - pulou da cama e foi atender a porta.
- Tia, cê não vai? - Caíque entrou falando. É, não era o Rober.
- Não, tô com dor de cabeça.
- Ah.
- E esse bolo aí hein?
- É meu, Nathan. Meu. - eles riram - Cadê o Paulo?
- A noiva tava terminando de se arrumar.
- Vish. - ri - Vocês façam o favor e cuidem dessa menina, tá?
- Tô de olho, pode deixar. - Caíque bateu continência.
- Eu não vou não. Quero descansar, pra tá bem amanhã.
- Olha que menino responsável, orgulho da tia Lex! - falei e nós rimos, Nathan mostrou a língua - E muito bem lembrado, não vão forçar a voz, por favor.
- É Caíque, nada de ficar gritando "Luan gostoso" lá. - Jaque falou rindo e levou uma travesseirada na cara - Vai assanhar meu cabelo, garoto!
- Vou mesmo. - saíram correndo pelo quarto.
- Crianças. - falei e o Nath concordou - Já que cê não vai, fica aqui comigo? Se eu ficar sozinha, vou chorar.
- Ô Jesus. - ele riu - Eu fico.
O Roberval veio chamar a Jaque e os meninos, disse que quando voltassem, traria ela aqui pra mim. Nem deu pra gente conversar nada porque eles tavam apressados, ainda tinha entrevista antes do show.
Eu e o Nath vimos o que passava na tv aberta e quando acabou a novela das nove, fomos procurar filmes pra ver na internet. Entramos num debate pelo tema, no fim optamos por desenho animado.
- Quero Snoopy.
- Desconheço, não é do meu tempo.
- Faça graça, meu querido. - ele deu risada.
- A gente tava pensando em sair hoje, mas tu foi inventar de dormir a tarde toda né?
- Quem disse que eu tava dormindo?
- A Jaque né. - ri pelo nariz.
- O Luan tava aqui. - arregalou os olhos pra mim - Que foi? Não me julga.
- Que isso, longe de mim! Você é adulta, sabe o que faz. - bateu com o dedo indicador na minha testa.
- Ou não. - gargalhamos - Agora acabou de verdade verdadeira, foi o "ponto final".
- Tem certeza?
- Absoluta.
- Posso te falar uma coisa?
- Lá vem... Fala.
- Luta por ele. A gente te ajuda, tia.
- Não posso.
- Por quê?
- Não fala pra ninguém, tá? - assentiu - Eu descobri por acaso, a noiva dele tá doente.
- Doente? De quê?
- Não entendi, mas ela não tá bem. E eu não vou me meter nisso.
- Ok, não precisa me bater! - ergueu as mãos, ri.
- Tô pensando seriamente em aceitar a ideia do meu pai, e ir viajar um pouquinho. - dei de ombros.
- Cê mal chegou e já quer férias? Folgada hein?
- Cala a boca, mano. - falei rindo e ele riu também - Se eu for, claro que não vou deixar vocês na mão.
- Acho bom mesmo.
- Chega de conversa. Dá play nesse desenho aí, vai.
- Alguém já te disse que você é muito mandona?
- Hoje ainda não. - rimos.

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"Como que eu faço pra tirar da cabeça, sendo que você não sai do meu coração?"
— Sufoco.

Capítulo 89.


* MALU NARRANDO *

No dia depois do do ateliê, fomos ver as músicas pro casamento e eu fiquei só de enfeite mesmo, não palpitei em nada. Como da outra vez, o Nath veio me buscar pra aula de streat.
A Fany tá mesmo gravidinha e acho que nunca vi o Nick tão feliz como agora. Vim no shopping pra começar a mimar meu afilhado, ou afilhada né?
- Malu? Que que cê tá fazendo aqui?
- Bru? Oi! - trocamos beijinhos no rosto - Tô fazendo meu papel de dinda.
- Dinda de quem?
- Baby fanycolas.
- Sério? Que legal. - assenti sorrindo.
- E aí, já decidiram no nome do seu sobrinho?
- Sabe que eu nem sei. - riu - A Fany tá de quantas semanas?
Fizemos nossas compras e depois fomos comer, comentei sobre minhas coisas que estavam com o Luan e ela me chamou pra ir buscar.
- Tem certeza que ele já foi embora?
- Tenho. - olhou em seu relógio - Vamo?
- Vamo.
Colocamos o papo em dia no caminho pois pegamos um trânsito básico. Entramos na casa e não tinha ninguém na sala, ouvimos uma voz diferente quando nos aproximamos da cozinha, ela parou e fez sinal pra eu fazer silêncio.
- Espera. - sussurrou, concordei sem entender.
- Quem é?
- O médico.
- Médico?
Ela não me respondeu e eu comecei a imaginar coisas, bateu logo o medo de ser alguma coisa séria com o Luan mas graças a Deus não era com ele, e sim com a Ana Laura. Ela tá doente e o resultado dos novos exames dela não foram bons.
- Eu pensei que ele já tinha ido. - Bruna se justificou.
Ele parecia muito preocupado, queria saber como a gravidez andava, se o bebê tava bem.
Dona Marizete começou a se despedir do médico e nós duas corremos pra porta, como se tivéssemos acabado de entrar.
- Qualquer novidade não hesite em nos contar e. Oi filha, oi Malu. - acenamos com a cabeça e esperamos ela voltar pra falar conosco.
- Aconteceu alguma coisa, mãe?
- Não. - respondeu rápido e mudou de assunto - Vocês não estão com fome?
- Nós lanchamos no shopping.
- Ah...
- Eu vim pegar umas coisas, posso subir?
- O Luan tá na cozinha.
- Então vou pedir pra ele buscar. Licença. - assentiram.
Entrei na cozinha sem fazer barulho e o encontrei de cabeça baixa, toquei seu ombro e ele se assustou ao me ver.
- Oi...
- Tá tudo bem? - negou com a cabeça - Vem cá, vem.
Ao lhe abraçar, entendi o que eu sentia antigamente quando ficava perto dele: amor. Sempre foi e eu não sabia, ou não queria ver.
- Tá tudo tão errado. - ele suspirou.
- Mas vai se resolver. Ó. - me soltei dele e peguei minha carteira na bolsa - Toma.
- O que é isso? - era um papelzinho dobrado, a mensagem que eu ganhei no biscoitinho.
- Minha sorte. Fica pra você, quem sabe te dá uma esperança. - ri dando de ombros.
- Brigado.
- De nada. Luan, eu quero minhas coisas.
- Vamo lá pegar. - levantou.
- Uhum.
Lhe segui até o quarto, ele me disse pra ir procurando enquanto catava alguma coisa na mochila. Abri a gaveta do closet que eu sempre deixava minhas coisas e me surpreendi com o tanto de roupa que tinha ali.
- Tem uns brinquinhos dentro da caixa dos meus relógios, guardei pra não perder.
- São azuis? - assentiu - Obrigada, eu tava procurando mesmo. Caraca, vou ligar pra minha mãe trazer uma bolsa...
- Não precisa. - entrou no closet e voltou com outra mochila - Leva essa, pode ficar. Cê gosta dela né?
- É, valeu. - dei um meio sorriso e sentei na cama, comecei a colocar as roupas na bolsa.
- Pequenininha, olha. - sentou do meu lado e colocou um livro no meu colo - Abre.
Era um álbum, cheio de foto da gente e tinha um bilhete da menina que fez, ela queria que a gente completasse as páginas que faltavam.
- Cadê sua máquina de polaroides?
- Não sei... - falou pensativo - Ah! Vou pegar.
- Tá bom. - terminei de dobrar e guardar as coisas.
- Vish, tá sem o trem que fica dentro. - ri - Deve ter acabado o filme.
- Então fica pra uma próxima. Tchau, Luan.
- Tchau. - me deu um beijo na bochecha.
A Mari e a Bruna ainda queriam que eu ficasse pro jantar, me desculpei e saí falando que tinha umas coisas pra resolver. E tenho mesmo.

Fui cumprindo a agenda de eventos do casamento em meio aos meus compromissos com a carreira dos meninos, idas ao Ibirapuera e as aulas de streat.
Sexta é dia dos namorados e meus pais vão viajar sozinhos, a Fany e o Nick vão ter plantão e sobrou pra mim ficar com a Jaqueline. Quinta feira à noite, embarcaremos pra Recife e só voltamos domingo antes do almoço. Os meninos tem show no sábado, mas vamos antes pra curtir a cidade e tal.
- Irmãzinha, cê vai me levar na praia né? - ela perguntou entrando no meu quarto.
- Vou.
- Todo dia?
- Não né. - falei óbvia.
- Quando a gente chegar, posso comprar um biquíni novo?
- Pra quê, Jaqueline?
- Eu quero um de lá.
- É tudo igual.
- Não é. - revirei os olhos.
- Você tem dinheiro pra comprar?
- Tenho, no cofrinho. Só que tem que esperar o papai chegar porque ele que sabe da senha.
- Se não tu gasta tudo, né coisinha? - ri e ela mostrou a língua.





Eu não abandonei a fic, só tava sem internet e não tive como avisar, so sorry! Dependendo da cor predominante no meu boletim, até o natal com certeza já terei finalizado as postagens.
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"É que pra mim não é tão fácil, fingir que eu superei."
— Você tá namorando.

sábado, 17 de outubro de 2015

Capítulo 88.


Pedi pro Rober chamar a Malu pro show mas ela não aceitou, já iria embora da cidade.
Lá, na hora de 'Cantada', sentei na beirada do palco e cantei dali. Estava preparando um repertório novo mas essa música eu não tiraria de modo algum.
- Vai parar pra atender? - assenti e a van parou, já íamos voltar pro hotel.
Saí rapidinho e pronto, eu tava cansado e de cabeça cheia. Me entregaram presentes e alguns eram pro bebê, já tinham começado com isso e agora que sabem o sexo tão dando muito mais.
- Amanhã a gente vai tá perto de Londrina né? - Well assentiu - Manda alguém levar na casa da Ana Laura, vou avisar pra ela.
- Pode deixar.
Assim que cheguei no meu quarto, liguei na recepção pra pedir gelo e uma garrafa de wisky, tava sem sono e isso me faria dormir. Tomei banho e troquei de roupa enquanto esperava.
Comecei a mexer na pilha de presentes, um em especial me chamou atenção, era um álbum grosso e na capa tinha "True love".
- O mesmo sorriso de sempre. - era a primeira foto que eu tirei com a Malu, só nós dois.
Fui virando as outras páginas e todas tinham fotos nossas. No final, tinha um monte de folha sobrando e um bilhete, pedindo que eu completasse o álbum. Guardei na minha mochila.

Passei todo aquele fim de semana vendo as fotos antes de dormir e, chegada a terça feira, tive que vir escolher meu terno ou sei lá o que. A Malu e o Dudu já estavam no ateliê quando cheguei com meu pai, Well e Rober.
- O que ela tá fazendo aqui? - cochichei pra ele.
- Esqueceu que ela é sua padrinha? Vai te acompanhar em tudo relacionado ao casamento, eu e o Dudu também.
- Ah meu Deus. - suspirei.
- Tudo bem, Malu?
- Tudo. - ela e meu pai se cumprimentaram - Como que vai a dona Mari e a Bru?
- Estão bem.
Nós dois nos falamos brevemente e ela, como sempre, falava aos montes com o Testa.
- Ah, chegaram! Luan Santana, que honra receber você aqui. - uma criatura afetada disse saindo de uma porta e me tascando dois beijos na bochecha - Teodoro Garcia, muito prazer.
- O prazer é meu. - ri.
- E então, já sabe como vai querer? - neguei com a cabeça - Marcela, pega fita e os croquis.
- Sim, senhor. Licença.
- Seu pai, os padrinhos e a noiva, imagino. - maria luíza riu negando com o dedo.
- Sou "padrinha".
- Oh, perdoe-me. Mas... Padrinha?
- Coisa da digníssima noiva do Luan.
- É um poço de ironia essa menina. - Dudu comentou com o Testa e os dois riram.
- Você não vai usar terninho né? Tenho uma coisa perfeita pra você! - bateu palminhas - Marcela, cadê meus croquis?
Ele saiu andando pra onde a moça tinha ido, sentamos num sofá que tinha ali e o esperamos. A Malu ficava olhando o celular toda hora, eu tava morrendo de curiosidade pra saber com quem e o que ela tanto falava, e ria.
- Quer água, filho?
- Quero, pai. Obrigado. - me entregou um copo.
- Para de olhar pra ela um pouquinho.
- Tá. - passei a mão pelos cabelos.
O cara lá voltou trazendo mais três pessoas, que começaram a nos medir, anotar e blá blá blá.
- Já pensaram na cor? - negamos - Malu, olha aqui esse vestido. Não é lindo?
- É sim. - ela sorriu.
- Não abro mão que escolha esse, vai ficar maravilhoso no seu corpo. - a fez dar um voltinha.
Ele mesmo quis medir a maria luíza e, se ele não fosse tão bicha, eu estaria morrendo de ciúme.
- Deixa eu ver isso aí.
- Ah claro, senhor Roberval. - lhe entregou o papel que antes mostrava pra Malu - Branco ficaria ainda mais divino, pena que branco é só pra noiva.
- Ah pois é, o branco "significa" pureza né? - Teodoro confirmou com a cabeça.
- O que não é o caso. - Rober disse pra ela, que gargalhou.
- E você, Luan? Não pensei que fosse tão tímido. - ri - Fica à vontade, quer alguma coisa?
- Não, obrigado. É que eu tô cansado, sabe?
- Entendo.
- O Luan faz muitos shows, graças a Deus. Ele chegou hoje e veio direto pra cá. - meu pai explicou.
O tempo foi passando e eu só falava algo quando era perguntado, ria de algumas coisas e voltava a ficar quieto.
- Tava pensando em fazer o terno dos garotos em cima do seu vestido. Já que vai ficar no meio de dois marmanjos, tem que brilhar.
- Com certeza. - ela riu - Azul, azul marinho. Eu gosto e cai bem pros três, não?
- Sim, sim. - queria ter um por cento da animação dele - Marcela, dá um search nos looks do Evaristo. Ele tem o azul ideal, quero aquela cor.
Vim ao provador vestir uma camisa, desconheço a razão, tava muito distraído e só fiz o que me pediram. Quando terminei de abotoar a camisa social, a porta foi bruscamente aberta.
- Tá quase term... Depois eu ligo. - ela falava ao telefone - Achei que era o banheiro, desculpa.
- Tudo bem. Malu, espera. - não deixei que ela saísse.
- Que é?
- Quero sentir seu cheiro, deixa? - riu se aproximando de mim.
Por um momento pensei que ela fosse me beijar, é, eu pensei. Ela só arrumou a gravata que estava no meu pescoço e riu de novo.
- Você parece até uma pessoa séria vestido assim. - passou a mão nos meus cabelos - Meu Deus, eu devo ser bem louca mesmo né?
- Por quê?
- Corro, corro, corro e sempre venho parar aqui. - me "empurrou" com um dedo.
- Comigo!? - sorri - Seu lugar é do meu lado, pequenininha.
Encostei-a na porta, passei meus lábios suavemente por seu pescoço, fui até sua orelha e sua pele arrepiou quando lhe mordi.
- Para, eu não posso. - pediu num sussurro - Tô... Namorando.
Suas palavras me acertaram como um trem desgovernado.
- Namorando? Quem?
- Eu tenho que ir. - falou rápido e outra vez, não deixei ela sair - Não é da sua conta com quem eu namoro. E ah, isso aqui é seu.
- Não! - segurei sua mão, impedindo que ela tirasse a pulseirinha - Você prometeu que nunca ia tirar.
- Parece que promessas foram feitas pra serem quebradas. Você prometeu que ia ser pra sempre.
- Mas
- Mais nada, não quero ouvir, sério. E também não quero ficar lembrando da gente toda vez que olho pro meu braço.
- Não tem nada a ver, maria luíza! Por acaso você vai parar de comer pizza ou de usar o emoji de lua preta? - ela não respondeu. Ponto pra mim.
- Até amanhã. - disse e saiu. Eu fiquei pensando.
- Luan? Tá vivo aí, boi? - Roberval batia na porta.
- Oi, tô. - saí - Cadê a
- Malu? - assenti - Foi pra aula de streat, o Nathan veio buscar ela.
- Então é ele?
- Ele? Ele o que?
- O namorado dela.
- Namorado?
- É! Ela disse pra mim que tava namorando.
- Disse pra você e não disse pra mim? - fez cara de bravo, revirei os olhos.
- Eu não acredito nisso.
- Nem eu! - falou rindo, bufei e voltei pra sala principal.



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"Eu sei, você quer me amar."
— Calafrio.

terça-feira, 13 de outubro de 2015

Capítulo 87.


* LUAN NARRANDO *

Essa semana a Ana Laura fez uma ultrasonografia que mostrou o sexo do nosso bebê, seria um menino. Já fazia algum tempo que eu não sorria de verdade, meu filho é uma das poucas coisas que estão me animando esses tempos.
Quando ela começou a falar de nomes, viajei num flash back e me vi junto com a Malu, conversando sobre nosso Enrique e ri sozinho.
Meus pais já estavam acostumados e até felizes com a ideia de serem avôs, a Bruna é que ainda demonstrava resistência.
- Realmente, essa criança não tem culpa da sua irresponsabilidade.
- Então fica um pouquinho feliz, vai? Cê tem que me ajudar a comprar roupinhas, ajeitar o quarto. - ela suspirou.
- Ele vai ficar aqui né? Quando a Ana
- É. - lhe freei.
Minha mãe entrou no quarto e me ajudou a arrumar minha mochila.

Depois que almocei, parti pra outra maratona de shows que me aguardavam e eu dormi durante todo voo.
Atendi uns fãs no aeroporto e na frente do hotel tinha uma quantidade anormal, tentei dar atenção para todos e o Well teve que me ajudar a entrar logo. O Testa já entrou me apressando, teríamos que chegar mais cedo no local do show por causa de uma entrevista pra tv local.
- Segura, por favor? - ele pediu e colocaram o pé na porta. Ao entrar naquele elevador meu coração parou.
- Roberval, que saudade! - ela disse e eles se abraçaram.
- Tava falando de você hoje, eu e a Marla.
- Bem né?
- Claro. - riram - Beleza, cara?
O boi e o tatuado se cumprimentaram e eu só tinha olhos para ela, saí do transe com um cutucão do Rober, ao que parece o tal do Paulo tinha falado comigo.
- Ah, oi. - apertei sua mão.
- É um menino né? Parabéns. - ela me disse.
- É... Obrigado.
Eu e o Paulo ficamos calados enquanto ela não parava de tagarelar junto com o Rober, até ouvirmos um barulho estranho e o elevador parar. Engoli seco.
- Ai Jesus. E agora?
- Calma. - o tatuado tentou tranquilizá-la. O cubículo despencou alguns metros, a fazendo se "segurar" nas paredes.
- Não acredito que vou morrer aqui.
- Vira essa boca pra lá, tá louca? Alguém vai tirar a gente daqui, né Paulo?
- É sim, Rober.
- Claro que alguém vai tirar a gente daqui. - falou óbvia - Os funcionários do IML! E nós vamos estar tão amassados que eles vão precisar de uma pá.
Rimos dela, que ficou brava e vermelha. Rainha do drama.
E esse cara? Tá vendo como ela tá nervosa e não faz nada. O olhei como se dissesse "qual é a tua?", ele fez cara de "o que eu posso fazer?" e eu rolei os olhos. Rober nos olhou negando com a cabeça e se entendi certo, "falou" que eu quem devia fazer algo e o Paulo concordou, indicando com a cabeça que eu tinha que ir. Os dois me olharam com uma cara nada boa quando eu fiz menção de negar.
- Ei. - as luzes apagaram no momento que peguei sua mão, ela estava gelada.
- Luan?
- Tô aqui. Cê tá com frio?
- Não.
- Como se eu não te conhecesse, maria luíza. - coloquei minha jaqueta sobre seus ombros e lhe trouxe pros meus braços.
Demorou um pouco mas ela se aconchegou dentro do meu abraço, repousando a cabeça em meu peito.
- Tenta apertar algum botão aí.
- Bota luz aqui, liga o flash. - eles começaram a mexer nos botões mas nada acontecia - Deve ter faltado energia.
- Um hotel desse tamanho não ter gerador é foda.
- Vai ficar tudo bem, eu prometo. - sussurrei.
- Não promete o que você não pode cumprir, cabeção.
Apertei-a mais ainda, quis guardar na minha mente cada detalhe e a sensação de tê-la nos braços outra vez. Cheirei seus cabelos, beijei seu rosto e dedinhos delicados afagaram minha barba, sorri sentindo seus carinhos.
- Me perdoa?
- Perdoo. Não quero morrer guardando magoa de ninguém.
- Cê não vai morrer agora, pequenininha. Se precisar, eu dou minha vida pela sua.
- Ninguém vai morrer aqui não, calem a boca. - Testa disse irritado e ela riu.
Os minutos que passamos ali me fizeram pensar muito, não sei como eu estava conseguindo viver sem essa menina. Ver fotos todos os dias antes de dormir não ajuda em nada, só alimenta minha culpa e a saudade.
- Será que eles tão tendo alguma coisa? - pensei alto.
- Malu e Paulo?
- Quem mais? - ele revirou os olhos.
- Acho que nem dá nada mas se rolar, eu aprovo.
- Aprova é?
- Aprovo a felicidade da caçula.
Estávamos sozinhos no corredor, indo para nossos quartos. O pessoal do hotel trouxe um técnico pra nos resgatar de dentro do elevador, foi uma falha da máquina e como não teve nenhum efeito grave, nós achamos melhor abafar o assunto.
Tomei banho e me vesti, iríamos jantar num restaurante da cidade mas antes de sair, precisava esclarecer umas coisas.
"Jaque?" - lhe mandei uma mensagem.
"Luan?"
"Oi."
"Oi digo eu né?"
"Kkkkkkkkk. Cê tem visto a Pi? Sabe onde ela tá?"
"Como eu vou saber aonde ela tá, se a irmã é sua? Eu hein.
Manda a real, vai. O que cê quer falar?"
"Tô no mesmo hotel que a Malu."
"Eee???"
"Ficamos presos no elevador."
"MEEEU DEUS! Vocês tão bem? Tavam sozinhos? O que aconteceu?"
"Ela ficou bem nervosa, mas tá tudo bem. O Paulo e o Testa tavam lá com a gente."
"Ah... Eu sei que cê não me chamou só pra falar isso, a Malu já podia ter me contado.
Que que foi?"
"Espertinha você né?
Quero te perguntar uma coisa"
"Pergunta de uma vezzzzz"
"A Malu tá ficando com alguém?"
"Não sei.
Cara, tu vai c-a-s-a-r, que que tem ela ficar com alguém?"
"Nada, nada. Eu quero que ela seja feliz, Jaque."
"Então pra quê chamou ela pra ser sua padrinha?"
"Não chamei nada, é a Ana Laura que tá fazendo essas coisas.
E pra quê ela aceitou também? A culpa não é minha."
"Nhenhenhem. Cala a boca.
A culpa é sua sim, você disse que não ia fazer minha irmã sofrer e olha aí!"
"Eu nunca quis magoar a Malu."
"De boas intenções o inferno tá cheio né?
Luan, eu gosto muito de você e de vocês juntos, mas por favor, não chega perto dela."

A Jaqueline tem toda razão de estar me tratando dessa forma, mas mesmo assim né? Ela podia pegar mais leve comigo, eu também tô sofrendo poxa.




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"He says, "What you heard is true, but i can't stop thinking 'about you"."
— Style.

sexta-feira, 9 de outubro de 2015

Capítulo 86.


Meus pais ficaram duzentas mil vezes mais cuidadosos e me queriam "quieta em casa", como se eu fosse uma Jaqueline. Alô-ou eu já sou adulta!
Antes de sair de casa, minha mãe falou um bocado e fez o Paulo jurar que dirigiria com cuidado.
Encontramos com Caíque e Bruna já na porta da boate e entramos juntos, depois de cinco minutos todos já haviam tomado um rumo, só restando eu e Nathan.
- O que a gente vai fazer?
- Não sei... Dançar?
- Tem certeza que não quer nenhum beijinho? - perguntou fazendo bico, gargalhei.
- Tô bem assim, obrigada. - ele deu de ombros.
- Cê já parou com os remédios? Tá podendo beber? - assenti - Então vou pegar alguma coisa pra gente.
- Tá bom.
Sentei num banco alto, tinha umas mesas e pufes por ali também. Fiquei mexendo no celular pra passar o tempo e ia postar uma foto, até um alguém parar na minha frente.
- Olha quem tá aqui, se não é a assessora. - ri e nos abraçamos - Tudo bem?
- Uhum. E você, Carlos?
- Bem. Bem melhor agora.
- Ata. - ri sem graça. Ficamos em silêncio.
- Cê... Quer uma bebida?
- Ah não, valeu. O Nathan já foi buscar.
- E cadê os outros?
- Não vejo o Caíque desde que entramos. - ele riu - O Paulo tava aqui agorinha.
- Sei... - e o silêncio voltou a reinar entre nós.
Já estava começando a xingar o Nathan mentalmente quando ele apareceu.
- Demorei, branquela? - neguei e ele me abraçou pela cintura - E aí, Carlos? Tranquilo?
- De boa. - apertaram as mãos.
Tomei um gole da ice e fiquei ouvindo eles conversarem, o Paulo voltou não sei da onde e entrou na conversa. A música não tava taão alta, dava pra conversar sem gritar.
Eu bem que podia ficar com o Carlos né? Só não fico porque... Porra, não sei. Mas não quero outro Santana na minha vida, se um sozinho já fez tanto estrago, imagina dois?!
- Ô Malu! - Caíque estalou os dedos na minha cara.
- Hum?
- Tava nesse mundo? - eles riram.
- Voltei, querido. Voltei. - mostrei a língua.
- Vamo no banheiro comigo, por favor?
- Vamo, Bru. - respondi - Segura?
- Seguro. - entreguei minha bebida pro Nathan.
Enquanto ela fazia xixi, retoquei meu batom. Após uma típica conversa de banheiro, tiramos uma foto no espelho e ela postou.
Assim que voltamos pra perto dos meninos, uma moça do grupinho de amigos do Carlos sugeriu que fôssemos dançar.
- Bora? - perguntei já puxando o Nathan pela mão.
- Acho que não tenho escolha né?
- Não tem mesmo. - ele riu.
Saímos da boate perto das três da manhã, fiquei muito cansada porque dançamos até eu não querer mais, o que demorou bastante.
- Se você dormir, vai ficar por aí mesmo. - Paulo disse me olhando pelo espelho e eu ri negando.
- Não vou dormir, tá queridos? Vou ligar pra minha mãe e avisar que tô chegando.
- Tá sem a chave?
- É, ela quer me ver chegar pra saber que eu tô inteira. - eles riram - Nath, cê é um ótimo parceiro de dança.
- Obrigado, senhorita. Falar nisso, e suas aulas de twerk?
- Desisti. Demorou demais.
- Vem fazer streat comigo.
- Streat?
- É, é legal. Eu posso te buscar e trazer de volta, que tal? São só dois dias na semana.
- Quando?
- Quarta e quinta.
- Tá aí, gostei.
Desbloqueei a tela e disquei os números da minha mãe, depois de falar com ela, vi que tinha umas mensagens da Jaque. Ela dizia que a foto que eu postei tinha dado o maior alvoroço, rendeu até notinha e tipo, faz no máximo duas horas que postei. De fato, esse pessoal é mesmo rápido.
Na foto, eu estava escorada no ombro do Nathan e dava pra ver a mão dele me abraçando pela cintura, só não dava pra saber que era ele.
- Que foi, tia?
- O que? - tirei os olhos do celular.
- Tá vendo o que aí que tá fazendo tanta careta?
- Tão discutindo minha vida amorosa na internet. - revirei os olhos - Que preguiça disso, Deus. Eu nem li, nem quero saber o que falaram e ainda vão falar desse rolo todo.
- O lado ruim da fama.
- Não sou famosa.
- É sim. Deve ser até mais famosa que a gente.
- Sem gracinha. - mostrei a língua - Que exagero, Paulo.
- Mas é sim.
- Ah, cala a boca.
Eles me deixaram na porta e foram pra casa, minha mãe ainda estava acordada porque fazia pouco tempo que meu pai tinha chegado do hospital.
- E aí? Curtiu muito?
- Demais. Ai pai, tô cansada. - me joguei no sofá.
- Levanta daí. - minha mãe disse - Você chega suada e se joga no meu sofá, maria luíza? Faça graça.
- Af. - fiz bico levantando e tirei meus sapatos de salto - Vou fazer aula de streat.
- Não era de twerk?
- Era, agora eu não quero mais.
- Mas meu Deus. - ele riu - Vamo pra cama, amor?
- Agora que a mocinha já chegou, podemos ir.
- Então boa noite.
- Noite? A noite já foi, Malu. - ri e os abracei, eles subiram.
Fui na cozinha e comi, depois fui pro meu quarto tomar banho e dormir. Eu estava mesmo cansada, ê laiá, é a idade chegando.

Fui acordada pela Jaqueline, quando ela voltou da escola. Nossa mãe estava chamando pra almoçar, dispensei a caçula e me arrastei até o banheiro, tomei um banho pra acordar de verdade.
- Boa tarde, dona Samanta. - lhe dei um beijo estalado na bochecha.
- Acordou de bom humor, que milagre.
- Dormi bem, obrigado.
- Você dormiu muito, isso sim.
- Muito e bem, sweet Jaque. - pisquei pra ela e sentei.
- A gente vai pro Ibira hoje?
- Não, amanhã viajamos e os meninos tem que descansar.
- Vão pra onde?
- Nem lembro, tenho que olhar. - fiz careta.
Almoçamos e eu fiquei ajudando minha irmãzinha num trabalho de artes, fizemos um escultura maravilhosa com argila. Claro que sujamos bastante e claro que a mamãe nos obrigou a limpar, claro.
- Malu, vou te contar uma coisa que eu acho que você ainda não sabe. - ela coçou atrás da orelha, ergui uma sobrancelha - Eu acho melhor eu te falar, do que cê vê por aí.
- Fala, garota.
- O bebê do Luan é um menino.
- E por que você acha que isso me afetaria tanto?
- Cês falavam de ter um Enrique... Eu achei que - se calou, dando de ombros.
- Obrigada, mas não precisa se preocupar tá? - abracei aquela coisinha chata - Eu tô legal.
- Mesmo?
- Mesmo, mesmo. - sorri pra ela, que riu.
- E quem era com você na foto?
- O Nath. Antes que pergunte, não ficamos e nem vamos.
- Oxe, Nalu é um belo ship.
- Af Jaqueline, deixa de ser idiota. - lhe empurrei. A bobona ria de se acabar.



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"Naquele segundo eu pensei que até te odiava, mas respirei fundo e vi que eu te amava."
— Na hora da raiva.

quarta-feira, 7 de outubro de 2015

Capítulo 85.


* MALU NARRANDO *

O Luan estava comigo quando acordei, e pela primeira vez na vida, não fiquei feliz em vê-lo.
- Bom dia. - sua mão fazia carinho em meus dedos, os separei imediatamente.
- O que você tá fazendo aqui? Cadê minha mãe?
- Calma, ela foi em casa. Já deve estar voltando.
- O que você tá fazendo aqui? - repeti a pergunta.
- Prometi que só ia embora quando você melhorasse.
- Então pode ir. Tchau.
- Não. Vou ficar até sua alta, quero ter certeza que você está realmente bem.
- Você me quer bem? Que engraçado. - ri irônica - Como acha que eu vou ficar no altar vendo você casar com outra?
- O que?
- Sua noiva já me transmitiu seu convite, muito obrigada.
- Que convite? Malu, eu não sei do que você tá falando.
- Pergunta pra Ana Laura. E ah, suas coisas que estavam na minha casa já estão com ela.
- Malu...
- Por favor, Luan. Sai. - apontei a porta, ele suspirou assentindo.
O cabeçudo me abraçou forte e por mais que doesse em mim, não me movi para retribuir. Uma única lágrima idiota caiu, ele a secou com o polegar e acarinhou minha bochecha, fechei os olhos e senti rapidamente seus lábios nos meus.
- Tchau, pequenininha. - sussurrou.
Só abri os olhos novamemte quando escutei a porta ser fechada, não tive nem tempo de ficar triste pois logo depois o Vi entrou com meu pai.
- E aí, princesa, pronta pra outra já?
- Não fala isso nem brincando, Vitor. - meu pai o repreendeu e nós rimos.
- E o meu carro? Foi perda total mesmo?
- Sim, e você não vai pegar num carro nem tão cedo.
- Pai! - cruzei os braços - Foi tão feio assim?
- Você podia ter morrido, maria luíza.
- Mas ainda bem que não era meu dia né? - ri - Quando posso ir embora?
- O Jonas disse que talvez amanhã.
- Amém, senhor! - falei e bateram na porta.
- Posso entrar?
- Pode. - sorri e o Rober veio me dar um abraço.
- Ficamos preocupados com você, caçula. Não faz mais isso viu?
- Prometo me comportar de agora em diante.
- Acho bom mesmo. - papai resmungou nos fazendo rir.
- Vocês podem me deixar sozinha com esse testudo, por favor?
- Claro, claro
Eles saíram, o Rober me olhava desconfiado e eu ri.
- Que foi hein?
- A Ana Laura me convidou pra ser "padrinha" do Luan.
- Te convidou? Você não aceitou né?
- Aceitei.
- Por quê?
- Eu não sei, mas aceitei. - dei de ombros - Ela disse que ele quis.
- Mentira, ele não tá nem aí pra esse casamento. - quase sorri, quase - Ela também me entregou um convite e outro pro Dudu.
- Seremos um trio maravilhoso! Já que eu aceitei fazer parte desse circo, vou tentar ser uma boa padrinha.
- Aiaiai, Malu. Cê não vai explodir nada não, né?
- Até que não é uma má ideia. - gargalhamos.
Ficamos conversando por muito tempo e depois que ele foi embora, fiquei no tédio.
Só perto das duas da tarde a Jaque chegou pra ficar comigo, jogamos xadrez, assistimos televisão e ela me fez postar alguma coisa agradecendo a preocupação dos fãs dos meninos e do Luan.
- Quando cê vai pra casa?
- Amanhã, eu espero.
- É tão chato ficar aqui.
- Se tu que pode sair, tá falando isso. Imagina eu, querida?
- Que dó. - riu - A tia Cátia disse que vai te dar brownie quando cê voltar.
- Socorro, me leva daqui então. - rimos.


(...)

Meus planos de voltar pro apê foram totalmente por água abaixo e eu continuo na casa dos meus pais. Já tem umas duas semanas que eu saí do hospital.
Falei com colegas que trabalham pela televisão e tô conseguindo umas coisas pra Fly.
Hoje os meninos fizeram o programa da Fátima e, andando pelos corredores, eu encontrei o Lucas. O convidei pra fazer uma participação no segundo canal dos meninos e ele topou na hora, só preciso combinar com a equipe dele um dia e pronto.
Esse segundo canal foi uma forma dos três ficarem ainda mais próximos dos fãs, estamos organizando os dias pra subir vídeo e tal. Aproveitei que os meninos conhecem muita gente desse meio e todos estão dando uma força.
- Malu, cê vai hoje?
- Já disse que vou, Caíque. Ave maria.
- Bicha, a senhora é destruidora mesmo viu. - riu - O Carlos que quer saber se você vai.
- Huummm.
- Se fecha, Paulo Augusto. - dei um tapa na cabeça dele - O Nathan vai também?
- Não sei. Pergunta pra ele.
- Acorda, chupeta! - Caíque gritou batendo na janela e eu o repreendi.
- Que foi?
- Tem noite na tua casa não?
- Ah mano, cala a boca. - resmungou.
- Nath, cê vai pra balada hoje? Diz que vai.
- Por quê?
- O Carlos quer dá uns pega na tia.
- Humm. - riu - E onde eu entro nisso?
- Cê vai ficar comigo, pra eu não precisar dar um fora nele. Tu só tem que "marcar território", beleza?
- Vou ganhar uns beijos então?
- Idiota. - mostrei o dedo - Sem beijo.
- Tá bom né. Vai passar pra me buscar de que horas?
- Esqueceu que eu tô sem carro, querido? Você que vai me buscar.
- Eu não. O Paulinho leva a gente.
- Tenho cara de motorista? - perguntou.
- Quer que eu seja sincera?
- Sua sem gracinha. - gargalhamos.





Oi e tchau, até sexta :))
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"Baby your smile's forever in my mind and memory."
— Thinking out loud.