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Passamos um bom tempo na estrada, quase um mês direto. Só paramos no dia do aniversário da Jaque, rolou festa na piscina que ela queria, o Luan fez questão de ir e, na semana seguinte, no seu aniversário. Não teve show mas estávamos longe de casa, fizemos um parabéns surpresa pra ele no salão de festas do hotel e até seus pais e a Bruna vieram. Depois da festa com a família e a equipe, fiz a nossa festa no quarto e foi maravilhosa, diga-se de passagem.
E ainda fiz mais coisas diferentes com ele tipo piquinique, passeio em parque de diversões, cinema e tudo mais que tivesse nas cidades que nós passamos, eu queria fazê-lo esquecer do que quer que fosse que estava atrapalhando sua vida e consequentemente, a nossa.
E no começo até que deu certo, mas nesses últimos dias, eu estava percebendo o Luan muito aéreo, além do normal e, comecei a ficar mais preocupada quando ele se perdeu cantando a nossa música. Todo mundo achou que ele tinha parado pra ouvir os fãs cantarem, como costuma fazer, mas não foi isso.
Todas as vezes que nos amavámos eram tão intensas, que sempre parecia ser a última vez.
Eu tentava conter certos tipos de pensamentos, só que eles foram ficando mais frequentes e isso me fez "mudar". Eu estava diferente, ele estava diferente. Todo mundo tava sacando aquilo, porém não falavam nada, pelo menos não na minha frente.
Chegou ao ponto que eu já não aguentava mais aquela angustia e nós discutimos, na verdade, eu gritei e ele só ouviu.
Viemos pra casa hoje, pra uma folguinha rápida, de quatro dias. Minha mãe me chamou pra jantar na casa dela mas eu não estava nem um pouco afim.
Exausta, com fome, confusa, com sono e insegura. Era assim que eu me sentia.
Tomei banho, vesti um pijama bem folgado e fui pra cozinha comer alguma coisa. Depois disso, só deu tempo de escovar os dentes e mandar uma mensagem no grupo da minha família, que o Luan inclusive era membro.
"Já cheguei. Estou viva e bem, eu acho. Respondendo as próximas perguntas que eu sei que virão: Sim, mamãe, já tomei banho e comi. Não, Jaqueline, não trouxe nada pra você.
Vou desligar o celular e dormir, não me incomodem pelo amor de Jesus Cristo, obrigada. Até mais tarde ou quando eu acordar, mores. Ily, xo."
Evitei ficar pensando pois ultimamente não tem sido uma boa ideia e comecei logo a contar unicórninhos, sim unicórnios, tenho medo de carneiros. Apaguei tão rápido quanto se tivesse levado uma paulada na cabeça.
Só acordei no outro dia, não eram nem nove da manhã ainda e eu já estava de pé, um caco mas de pé. Decidi tirar aquele diazinho pra me cuidar, estou merecendo. Liguei no salão e marquei hora pra tudo que eu tenho direito.
Enquanto debatia internamente sobre cortar o cabelo o não, tomei café da manhã e liguei meu celular.
"Me liga quando acordar pra eu saber se você tá viva mesmo, filha!"
Não teve como não rir dessa mensagem, disquei seus números e ela me atendeu logo: - Já comeu?
- Já, mãe. Bom dia.
- Bom dia, filha! Como você tá?
- Meio cansada ainda... - bocejei - Vou passar o dia no salão, relaxar um pouco.
- Faz muito bem. Se eu não tivesse marcado um chá com a Cátia e a Marizete, te acompanharia. - ri. Veio dela meu gosto por tomar chá.
- Deixa pra próxima então. Cadê o papai?
- Deve estar chegando, passou a madrugada no hospital.
- Ah... Acho que mais tarde eu passo aí pra dar um beijo em vocês.
- Vem mesmo, fiz pavê ontem mas você inventou de hibernar né! - gargalhei e ela me acompanhou - O Nicolas tava aqui e comeu quase tudo, mas eu faço outro hoje.
- Eu quero, não deixa ninguém comer tá?
- Tá certo.
- Vou me arrumar pra não chegar atrasada. Beijo, mãe. Te amo.
- Tchau, também te amo.
Não cortei o cabelo, só umas pontinhas. Passei a tarde inteira no salão morrendo de fome e quando finalmente saí, fui direto num restaurante japonês que tinha do outro lado da rua. Comi meu yakisoba com todo gosto do mundo, pois é. Li meu biscoito da sorte enquanto o mastigava, dizia:
"Deus escreve certo por linhas tortas."
Ri e olhei os números atrás, joguei o papel dentro da bolsa e fui pagar a conta. Antes de chegar em casa, parei pra comprar brownie e comi todos no carro mesmo.
- Oi? - atendi meu celular que tocava no banco do passageiro, o deixei no viva voz.
- Cê tá em casa?
- Ah, oi amor. - sorri - Não, tô chegando.
- Tá perto?
- Mais ou menos.
- Tô chegando no seu prédio, vou ficar te esperando.
- Tudo bem. Tchau, beijo.
- Tchau. - desligou.
- Que estranho.
Logo que saí do elevador, avistei o mocinho escorado na porta do meu apartamento, mexendo no celular. Pigarreei e ele me olhou.
- Cê tá linda. - deu um meio sorriso.
- Obrigada. Você... Tá com fome? - vim pra cozinha enquanto ele fechava a porta.
- Jantei antes de vir pra cá.
- Ah, tá bom. Vou tomar banho.
- Te espero aqui. - assenti e fui pro quarto.
Tomei um banho rápido e me vesti mais rápido ainda, estava ansiosa barra nervosa. Avisem a Ludmilla que é hoje.
- E aí... Acho que você tem algo pra me contar, não é?
- É.
- Pode começar. - sentei no sofá e ele se colocou na minha frente, sentado na mesa de centro.
VOCÊ ESTRAGOU TUDO E AGORA VAI PAGAR PELO QUE FEEEZ. BEM FEITUUU BSAFONWWOWL
#vivaeu #trêsanosdomelhorclipe #ninguémrala #meucasal tchau.
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"Agora se entenda com seu coração."
— Bem feito.

