Já se passaram quatro dias desde que vim pra casa, quatro dias que não falo com o Luan. Sim, estou com saudades mas não, não vou ligar pra ele.
Ele tá mantendo contato com a Jaque pra saber como estou e, quando falo com o Rober, ele sempre fala como o cabeçudo está. Inquieto.
Dois orgulhosos morrendo de saudade um do outro, dois idiotas orgulhosos.
Eu estava largada no sofá, assistindo filme. Cinderella.
Só eu e Jaqueline estávamos em casa, meu pai tava no hospital e minha mãe saiu com a dona Marizete, foram ao salão do condomínio juntas.
- Eu não quero mais ver esse filme, cansei. - ela disse levantando.
- Vai pra onde?
- Pro meu quarto. Me dá minha Hermione. - a pegou do meu colo - E esse brigadeiro também.
- Volta aqui, nojenta! Devolve meu brigadeiro.
- Não, não e não. - me mostrou a língua e subiu rindo.
Quando o filme estava no finalzinho, a campainha tocou. Estava morrendo de preguiça de ir atender, mas fui. Abri a porta e ri, era o Binho, parecia bem nervoso.
- Oi Binho.
- Oi Malu. - sorriu - É... A Lili tá aí?
- Tá sim, entra. Vou lá chamar a baranguinha.
- Ok. - ele sentou no sofá e eu subi devagar, bati na porta do quarto e entrei.
- Querida, seu boy tá lá em baixo.
- Hãn?
- O Binho né! - revirou os olhos.
- Fala pro Fábio que eu não tô afim de ver a cara dele.
- Coitado dele, Jaqueline. - peguei a colher da sua mão e enchi a boca de brigadeiro.
- Você cuida da sua vida, maria luíza. Eu não fico dando palpite entre você e o Luan, então para.
- Não dá palpite? Tem certeza?
- Vai embora, já disse que não quero vê-lo.
- Tá bom, dona estressada! Come chocolate e relaxa aí, tá precisando.
- Ela não quis descer né? - Binho disse assim que entrei na sala.
- É. - fiz careta.
- Eu bem já sabia disso. - coçou a nuca - Ó, quer?
- Brownie? Meu Deus, quero sim. - peguei o potinho - Obrigada, os brownies da sua mãe são os melhores.
- Também acho. - ele riu.
- Quer ficar e comer comigo?
- Ah não, tem mais um monte lá em casa. - ri - E eu vou sair com meu pai.
- Tudo bem, bom passeio então. - andamos até a porta - Desculpa pela Jaque, ela é muito cabeça dura.
- Eu sei. - riu amarelo.
- Tchau, Binho.
- Tchau.
Fui pra cozinha e fiz um chá de morango pra acompanhar meus brownies maravilhosos, voltei pro sofá e comi. Comi muito.
Na abertura do Jornal Nacional, a Jaque desceu do quarto e minha mãe chegou, entrando com a Bruna e a Mari.
- Maria luíza, isso é brownie?
- Sim senhora, eram brownies. E o Binho que me deu.
- Af. - rolou os olhos - Oi Bru.
- Oi Jaque, oi cunhada.
- Oi. - ri - Boa noite, Mari.
- Boa noite, querida.
- Vamos comer? Trouxemos pizza. - minha mãe falou - Tá melhor, filha?
- Tô mãe.
O resto da noite foi vibes clube da luluzinha, ou Maluzinha, como disse a Jaque. A Bru postou uma foto da gente e o Luan comentou logo depois, um emoji apaixonado e um monte de corações. Ficamos conversando sobre tudo que se possa imaginar, vimos a novela e depois meu pai chegou.
Fomos levar a Mari e a Bruna em casa, até lhe convidamos para ir ao show conosco mas ela tinha trabalhos da faculdade pra fazer.
- Malu, cê já arrumou sua roupa? - uma Jaqueline ansiosa perguntou aparecendo na porta do meu quarto.
- Ainda não, amanhã eu faço isso.
- Nada a ver!
- Eu tenho pouca roupa aqui esqueceu, querida? Amanhã vamos cedo pro meu apê e pronto, de todo jeito teremos que ir lá no prédio.
- Ah é, nossos ingressos estão com a Fany.
- Uhum, agora vai dormir e descansa. Às três da tarde estaremos divas na Ballroom.
- Issaê. - riu. Beijei sua bochecha.
- Boa noite, irmãzinha.
- Boa noite, Malu.
Saímos cedo da casa da mamãe, fomos pra minha casinha, eu e Jaque. Passamos no apê do Nick e pegamos nossos ingressos com a Stéfany, que também veio me ajudar a escolher uma roupa.
- Não quero saia, pode ser esse short? - joguei em cima da cama. Um jeans desfiado.
- Eu gosto desse short. Sabe aquela blusa ciganinha?
- E vai combinar, Fany? - Jaque disse com uma sobrancelha arqueada - Acho melhor não hein. Pega uma regatinha normal e coloca um blazer, pronto.
- Qual blazer?
- O rosa. - bateu palmas e nós rimos - Vai lá tomar banho que eu procuro uma regata pra você.
- Ok.
- E a sua roupa, Jaque?
- Já arrumei faz tempo... Eita! Ficou no carro. - ri negando com a cabeça.
- As chaves tão na mesinha.
Duas meninas me reconheceram na fila pro m&g, ficamos conversando e eu até postei uma foto com elas, marcando seus fc's.
" Hoje é dia de Fly, bebê! Com @liliqueiroga e nossas amiguinhas de fila. @medominoulr @imperatrizbrunasantana "
- Oi. - Nathan disse sorrindo quando entramos na salinha, a Jaque correu para abraçá-lo.
- Malu?
- Oi Paulo. - ri.
- Oi, e aí? - nos abraçamos.
- Vim trazer minha irmãzinha pra ver vocês.
- Ah, essa que é a do vídeo?
- Sim, a baranguinha. - ele riu.
- Só não me chama assim, Paulo Augusto. Por favor! - rimos.
- Tudo bem.
Na hora da foto, eu estava fazendo biquinho, entre Paulo e Nathan que me abraçavam. E a Jaqueline tava no colo do Caíque, com uma mão no rosto dele e as testas coladas. Ficou muito fofa. O Thiago, fotógrafo deles, nos mostrou a foto.
Caíque nos orientou a procurar sua namorada no camarote, já que depois de muita insistência dos quatro, aceitei ir com eles num restaurante japonês depois do show. Fiz mais pela Jaque, seus olhos brilhavam pidões. Tá vai, também gostei do astral dos meninos e da equipe deles, são super legais.
Encontramos com duas morenas lindas, Bruna e Mabi. O Caíque tinha avisado pra Bruna por sms que iríamos encontrá-las, ela também foi muito simpática com a gente. Já a Mabi, não fez questão de me tratar da mesma forma e se apresentou como "Marília, namorada do Paulo".
- Ok. - ri - Malu, namorada do Luan.
- Do Luan? Mano, e ele não me contou! Cachorro.
Como assim "cachorro"? Só quem pode xingar o cabeçudo sou eu, Brasil. Elas conhecem o Luan? De onde, gente?
Jaqueline começou a rir negando com a cabeça.
- Não é o Luan que vocês estão pensando, o Luan da Malu é outro.
- Ah! - Bruna riu.- Qual Luan cês tavam pensando? - perguntei curiosa.
- O irmão do Caíque. - Marília explicou e eu assenti.
Cantamos o show todo, gravei pro Instagram uma parte da música 'Teu olhar' e postei: " A melhor #todaschora ".
Chegando no restaurante, pedi pizza, graças aos céus lá tinha outros tipos de comida. Todos começaram a zoar o Henrique, produtor deles, dizendo que não tinha nada mais irônico que um japonês comendo pizza num restaurante de comida japonesa.
- Foi pra acompanhar a Malu, gente. - rimos.
- E qual o motivo pra moça não comer japa? - Gui perguntou.
- Eu até já comi, mas não gostei nadinha.
- O máximo que o Luan fez ela comer, foi um yakisoba. E se o Luan não conseguiu mais que isso, ninguém vai conseguir. - Jaque disse e todos riram.
- Cê trabalha com quê, Malu? - o Japa perguntou.
- Tipo... Secretária pessoal, sou os dois braços do braço direito.
- De quem?
- Do Luan. Santana.
- Luan Santana? Que legal. - concordei com a cabeça - Que que cê faz?
- Além de pegar o patrão. - gargalharam.
- Jaqueline! - dei um tapa na cabeça dela.
- Desculpa! Vou ficar calada. - a fuzilei com o olhar.
- Checo todas as coisas antes ou depois dos shows, tanto com o Luan quanto com a equipe, instrumentos e tal. Organizo as fãs em todo canto, o pessoal fala que só eu acalmo elas. - riram - Eu só não canto e toco.
- Vocês trabalham juntos há muito tempo?
- Uns cinco anos já, Thiago. Nem parece isso tudo. - ri.
- Presumo que você tenha feito jornalismo. - Henrique me perguntou, todos os outros estavam entretidos numa conversa animada.
- Sim e, publicidade e marketing.
- Sei que não tem nada a ver falar de trabalho agora mas... Estamos precisando de uma assessora. Ia te convidar pro cargo, só que cê não quer sair do seu emprego né!? - riu.
- É. - assenti rindo - Seria bem legal, eu adorei vocês de verdade, mas não posso deixar a Ls Music.
- Eu entendo. - o Japa riu - De qualquer forma, o convite tá feito!
- Obrigada.
- Quem vai querer sobremesa? - Phe disse batendo na mesa.
- Eu! - Jaqueline levantou as mãos.
Depois que acabamos tudo, pagamos a conta e nos despedimos do pessoal, deixei a Jaque na casa da minha mãe e vim pro meu apartamento, mesmo minha mãezinha não querendo.
Preciso dormir na minha caminha, estou com saudades. O cheiro bom dele pairava pesadamente na atmosfera do meu quarto, suspirei.
Tomei um banho quentinho, vesti uma calça de moleton e uma camisa dele.
- Af, que saudade de você. - abracei seu travesseiro, acabei adormecendo rápido.
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